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Poemas, frases e mensagens de bruno.filipe

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de bruno.filipe

Declive

 
O poema tem um declive e não é obra de escravos abnegados
O mundo tem poemas aos milhares, poetas
Violenta a chama os espanca
Todos os poemas têm um declive
Quem deseja a sua noite decliva no grau
O mundo tem poemas aos milhares, poetas e um e um só declive
O mistério é fatal e o romance é casa pura
O enigma da Arte decliva por alguns, herdado ou procurado
Afortunados talvez na diferença do seu poema
O poeta é um filho de mil vidas, tocando o declive sem paz
 
Declive

Brisa Púrpura

 
Texto integrante do Livro "E É Só e Não É Poesia" editado pela WAF.
 
Brisa Púrpura

Desejo

 
Texto integrante do Livro "E É Só e Não É Poesia" editado pela WAF.
 
Desejo

Escrito em sangue

 
Suspenso na aurora pele que te agasalha, descubro nuvens e dias... Hora por hora, uma verdade balançando-nos até longe depois neste agora... Digo-me com pronome possessivo, de maiúsculas imperatriz... És o nome que chama, o fogo apelido... Mil vezes rescrito, à janela de lábios mordido... Quero chegares, eternidades... Quero as tuas estrelas polares, ser delas vida e planeta... Incenso maior, pintando todas as cores com a tua letra... Pronunciar-te desejo númem, toda corpo e inspiração... Majestade, majestade... És da alma e tentação... Sim, quero tingir-te de todas as palavras... De todos os céus... De todas as flores... De todas as praias... De todos os amores... Quero deixar-me em ti, escrito em sangue...
 
Escrito em sangue

Gostar

 
Texto integrante do Livro "E É Só e Não É Poesia" editado pela WAF.
 
Gostar

Além léxico

 
Perguntas ao mar e és resposta lampejar... Brilho agudo reluzente, és amor desinquieto da vida e semente... És desamparado como latente, és nela mundo que te sente... Mãos de par em par, trocadas algures nuvem de gostar... És apetite de lua, és vasto e órbita sua... És fascínio de pólo magnético, és sentimento de gostar além léxico... És de todo império, rainha sol e dela o mistério...
 
Além léxico

Evaporar na cidade

 
Há muito que evaporei
Evaporado no som
Som longo
Rua estreita
Horizontal de ruga em ruga
Penso e serei livre de tudo
Menos do tempo que tão bem sei perder
Passos da harmonia que só ouço nesta cidade
Cidade aberta
Molha os dedos virada a sul
Torrada de colinas em cor
De muitas, e…
Olhar de um, incomum
Nessa paixão que não te sabem
Em cor, nessa…
Que sabes, ainda
Sim, ainda, ondulam as sementes e rompem
Segredo teu contado nas praças do amplo
Mesmo que um tudo perdido, sorriso
Mesmo que outro partiu e não sejas amado
O castelo fita-te, neste mistério contado
Que traz e leva
Nos passos dos que passam e dos que ficam
Dos que te encontram e em ti se perdem
Perdidos, dos que partem alegres
Conta o brilho bocejando
Encontram-se e eu…
Liberto-me, como sempre acabam as minhas batalhas
Tudo as horas pois arrastam e levam, despindo-me
Pele de mar transpirando
Sou por lá abrindo este profundo
Desde a alma até ao mundo
Erros e ilusões ao largo
Desse Deus que não conheço, por ora
Sigo livre pela última sombra deste eu deserto
 
Evaporar na cidade

Vento paixão

 
Texto integrante do Livro "E É Só e Não É Poesia" editado pela WAF.
 
Vento paixão

Ardência tingida à flor

 
Texto integrante do Livro "E É Só e Não É Poesia" editado pela WAF.
 
Ardência tingida à flor

As ondas não têm som

 
Texto integrante do Livro "E É Só e Não É Poesia" editado pela WAF.
 
As ondas não têm som

O passado não cresce

 
O passado não cresce asilo

De fronteiras em bosque

Invade torto o descompasso

Lembrar evade

Sumo verte

Desgarra e senhor

Como balanço

Cru definido

Decreto sacro matador

São olhos rentes baços

Carrascos, atiçam os cães

Murmúrio ardil

Rosnado, por acertar

Quando te mexes

Por encontrar

Em ti desces

Desconhecido

Sem lembrar

O passado não cresce
 
O passado não cresce

Melancolia

 
Texto integrante do Livro "E É Só e Não É Poesia" editado pela WAF.
 
Melancolia

Funeral

 
Nunca tinha ido a um funeral... Penso, tremo, ganho coragem... Era o funeral duma mulher... Uma mulher nova... As pessoas, que abrigavam o caixão na sua companhia, eram-me familiares... Alguns são mesmo meus amigos, poucos... Os outros nem sei quem são... Dizem-me que o cadáver da mulher está irreconhecível... O caixão, por isso, fechado está... Ninguém chora... Estranho... Penso para mim... O pai dela não chora, a mãe também não... Porque será que ninguém chora?... O padre começa... Não... Não consegue falar... Engasga-se... O negro veste todos, chove e ninguém fala... Ninguém chora esta morte... Perguntam-me... “Porque vieste aqui? Tu nem a conhecias”... Respondo... “Queria vir a um funeral e resolvi começar por este”... Sim, a manhã trouxe-me a notícia deste alguém... Desta mulher que eu não conhecia... Resolvi despedir-me dela... É mais fácil dizer adeus quando não conhecemos... Mas, ao mesmo tempo, penso comigo que vida foi esta que ninguém a chora... Todos parecem cumprir uma espécie de obrigação... Olham para o caixão com um ar entediado... O padre conclui o que não começou... “Ámen”... E alguém diz... “Finalmente, já estava farto de estar aqui”... Continuo sem saber quem era, apenas que se tinha suicidado...
 
Funeral

Palhaço

 
Palhaço prometido à dor, à ironia do mistério... Choro de cara pintada, náusea cómica... Amarga numa gargalhada azeda e acre, aplaudem todos eles de pé... Urra o público, estão felizes as crianças... Vénia à oferta, compromisso de sapatos coloridos... Andar arrastado, riso falso... Cabeleira velha, fato gasto pelo enigma... Há que honrar a promessa, sempre... Essa que lhe embalou o berço e lhe deu de mamar, sim essa... Há que honrá-la... Carpir num vazio de felicidade, pagando a vida com a arte de uma alegria dissimulada... Padece ele, anima-nos com piadas gastas... Todos se sentem contentes com o preço pago, as famílias até voltarão... Mas a dele não, nunca a conheceu...
 
Palhaço

Eu não sou profundo

 
Texto integrante do Livro "E É Só e Não É Poesia" editado pela WAF.
 
Eu não sou profundo

Verão

 
Ser Verão em ti, beijar-te solstício anéis de pele... Estio desnudo de sombras, soprar-te todo o tempo assim... De sorrisos e histórias deles, resplandecendo pela tua linha equador... Trópicos alvos de espanto, olhos de verdade diamante... Trovoada sem chuva, este mundo meu desconhece as horas de equinócio... Este mundo meu é Verão por ti...
 
Verão

Ansiedade

 
Texto integrante do Livro "E É Só e Não É Poesia" editado pela WAF.
 
Ansiedade

Furtar a Lua

 
Texto integrante do Livro "E É Só e Não É Poesia" editado pela WAF.
 
Furtar a Lua

M.

 
Texto integrante do Livro "E É Só e Não É Poesia" editado pela WAF.
 
M.

Estou

 
Incorri, querendo contar-me... Dizer-te chegaste, um olá e um é... Fui, trazendo-te mais... Levar-te um dia e ouvir-me em ti... Escrever à mão rosa-dos-ventos, passos lábios norte ao mar... Desencontrar-me de vez, perdido ser musicando este estou...
 
Estou

«Antes teor que teorema, vê lá se além de poeta és tu poema»

Agostinho da Silva