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Poemas, frases e mensagens de RaimundoSturaro

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de RaimundoSturaro

Sonho e neblina

 
Eu sonho com a liberdade,o vôo
entre a densa folhagem e o sangue ressequido;
O sabor contida no orvalho sem brilho
escorrendo na reentrância do súbito crepúsculo.

Em pensamento a presença constante
na eterna falta que não tolera o sossego;
Arrastando-se na sombra da floresta
capturando minha alma,
todo o amor possivel esgota-se,partido pelo vento frio.

A liberdade em abraço e caro afago;fantasia
na teu dissoluto riso.
Distante minha dor estende-se no leito
até o retorno do sonho,queda livre.
 
Sonho e neblina

Melancolia

 
Como definir essa onda de vaga tormenta,
Espiral de languidez e morte
Aspirando atos finais de trágicos emblemas
Nos mausoléus de ermos pensamentos ?

O amor a esse sofrimento evoca
Abortos mal sucedidos de tragédias recentes
Em cicatrizes extensas acima do céu
Percorrendo solitários devaneios.

Selado no túmulo abraçado ao olhar
De incoercível revolta contemplo
O nascimento de chagas nas mãos
Comprimindo inuteis laços corrediços
Que sangram farpas de partidos ossos.
 
Melancolia

Outono

 
O sol põe-se apagado na boca mais cálida,
Célere escurece como a carruagem infernal
ao encontro do ultimo vampiro;
Outonal melancolia.

Permito-me fantoche
transfigurado como inseto;
Dolorosamente recolho asas de sonhos
e apenas troco uma morte por outra.

Em um insólito mundo de pares
cada vez mais distantes,sorrindo,
não sendo abençoado o bastante ou maligno
sozinho observo a ilusão distante
apodrecendo ao relento,corpos vazios.
 
Outono

Suicídio rotineiro

 
Amanhã vira outra hora esgotada´;
o mesmo despertar forçado;
a mesma apatia,o mesmo desprezo;
a insatisfação que não cessa;
as nuvens de poluição.

Tudo vira ontem.

Amanhã virá a mesma hora e seu fim;
o mesmo despertar infeliz;
a mesma apatia raivosa,o ódio guardado;
a depressão que não passa;
o céu que desaba.

Amanhaã virá outra hora desperdiçada;
mas não o despertar incômodo,
tampouco a tristonha apatia,a irmã do desprezo
a insatisfação será colhida na parede imunda
junto a nuvem de fumaça e do cheiro de pólvora
espiral suja do cano que cospe o projétil na minha cabeça despedaçada.
 
Suicídio rotineiro

Epiléptico

 
A face convulsionada pela dor,
sangue que escorre pelos cantos da boca
olhos comprimidos em vista de mais um ataque epiléptico
dão forma e vida a fantasmas e vultos.

Braços contorcidos e mãos trêmulas inúteis,
quem são estes seres que ora me visitam ?
Mudos,observam,em nada ajudam
para logo sumirem em densa fumaça cinzenta.

Rostos marcados pelo fim da vida,
olhos grandes e escuros ou órbitas vazias,
através dos meus espelhos d'alma vejo
sombras moverem-se em volta das mobílias.

Quando o alvoroço cessa
e tranquilo,tento recolocar as idéias em ordem,
ainda tenho o frio na espinha
e o pressentimento,
de que logo terei mais uma visita assombrosa.

Esquecia de tudo após cair no solo
quando vitimado por esta doença misteriosa,
no entanto desde que os assisto aparecerem
me recordo claramente de cada estranho espetáculo.

Olhar para os translúcidos espectros nus,
é valorizar e lutar para continuar vivendo,
para que quando chegue o dia derradeiro
possa ,confortado lembrar que tive bons momentos.

Confuso ?Louco sei que não me encontro,
em obtusas teorias não consigo consolo,
gostaria de me livrar de todo este pesadelo
embora não queira para isso também estar morto.
 
Epiléptico

Monica

 
Tantalizado martírio, rastejante absorvo cinzas do turíbulo onde são desfeitos restos de ascendência degenerada,
Ínnfimas lembranças vagas da Pátria Lusa,onde tu habitas,
No longo hausto de flébil paixão,cultuada tão distante,
Lágrimas de incontida torva,febril amor.

Gostaria de transpor esses limite de mar profano,
Embora apenas em contemplar-te dedicando minha alma,considere empíreo sortilégio,
Absorvendo a odílica influência da lua em sensibilidade acurada,
Feito talentos funestos e sensuais que detens com maestria.

Minha fronte ebúrnea desmanchada no espelho Cercado pela luzes acesas nas ruínas
Acalentam as sombras que movem-se na solidão,messe de infortúnios e traumas recorrentes,
Estes que apagam-se quando o desejo consome últimas forças e tombado tal Anelliese possuída Busco refúgio no chão onde atiro sangue em profundas pancadas,
Desejando apenas estar ao seu lado antes de finalmente cessar a pulsação desta latejante dor percorrendo braços cansados,
Em veias e artérias desfiguradas na magreza cruamente exposta em penumbra de mortalha erguida.

Diafaneidade fantasmagórica caminha trôpega,
Até o quarto onde o retrato santificado traz alento e deslumbre,
Repousando em tua beleza ímpar,na intemerata singularidade etérea,
Afrodite de cinzentos nuances abençoa-me com atenção de modesta sinceridade quando curvo-me reverente,
diante do amor que floresce,graças a ti rosa sombria de doces palavras,
Posso fugir do abismo colossal,patológico,diagnosticado em voz impessoal,
De surras,anseios decompostos e humilhações
esvaindo-se feito pó de túmulos violados
Quando o Paraíso feito delicado anjo sombrio,Musa gótica de negro vestido,escreve,admirando-me.

Sonho com beijos que jamais terei em tons delineados com volúpia soturna,
Inerente a toda aquela que porta qualidades únicas
concedendo motivos de veneração,
Em edênicos momentos que valeriam por cada minuto,
transcedendo a eternidade e qualquer outra dádiva,nada pode mesmo comparar-se,
Penso que teus braços aconchegantes e carinho tornariam suaves os prantos de minhas tantas chagas,em miríades de romances transmutados na colossal dedicação e afeto,
no mais idealizado e real,intenso sentimento,amo-te!

Quando a última chama sumir nas trevas de depressão e agonia,
Lembre-se de mim como aquele que sacrificaria infinita existência
para estar próximo, ainda que por parcos momentos
sorvendo graças e felicidade irreprimível em teus lábios,
Glorioso feito ascensão de Satan reconquistador abatendo arcanjos covardes,
E declarando esta paixão a maior das virtudes.
 
Monica

Suicida mergulhado na rejeição amorosa

 
Longo foi o dia em que a conheci,
Uma nova existência no esto de luxúria ascendeu meu coração de anjo,
Festonadas e sátiros brincavam com teus cabelos e nada mais
Além da paixão que corrompeu o delírio no páramo enlanguescido do particular universo.

Uma luz que difundiu-se nos olhos dos cegos e sacrificados infantes,
Nos sinos que dobravam o lamento fúlgido Retumbando no interior das estrelas da morte
Sou um novo cadáver esperando pela teu último carinho,uma palavra,
Acima da cruz o sepulcro estende-se no corpo alabastrino distante do céu.

Obnubilação não concretizada do entorpecimento amoroso.
Lágrimas que engolem o rosto com mãos trêmulas que sangram,
Apaixonado jamais um anelo devorou qualquer outra motivação lúgubre
Além de estar apodrecendo no caminho do desprezo.

Certas noites infinitas podem zombar de nossos desejos
e o suicida que escapa da espiral raivosa do vazio pode novamente sofrer com o fim da esperança.
 
Suicida mergulhado na rejeição amorosa

O morto que sonhava

 
Reacendi a chama fulgidia de paraíso iluminado,
Agarrei-me ao teu sorriso e esperançoso sobrevoei distantes paragens,
Quando cadáveres de olhos revirados com seus reflexos vítreos embaçados
Revelaram o porvir incerto de sonho novamente irrealizável.

Tropecei em doenças de catarses não planejadas,
Mas não permiti que levassem teu olhar de beleza serena,
Inesgotável fluxo de magníficos desejos tão inocentes,
Neste amor que sobrepuja qualquer obstáculo patológico.

Distanciando-me cada vez mais,isolado em profunda depressão,
Apodreçendo longe no vazio de escuridão e amnésia,mistério e morte
Fincando minhas garras nos vincos da muralha de miséria e dor,
Tento galgar barreiras espirituais em suas evocações físicas.

Recuso-me a deixar este sentimento tão único,
De todas as lembranças que esta permaneça,
Ainda que desponte o total entorpecimento esmaecido no horizonte de frustração
O luar suave encobrirá toda derrota
reforçando a paz que há na tua realeza Apaixonante.

Como a noite das antigas terras encantadas
Dos cantos de sereias e tritôes em batalha,
Quando a natureza deliciava-se no próprio esplendor majestoso,
Aos passos de anjos na verdejante paisagem.
 
O morto que sonhava

O enterro do vampiro

 
Quando o último resquício de luz sorve a lágrima
no crespúsculo a sombra descansa eternamente,
Quando a derrota vislumbra o próprio corpo que apodrece no abandono
A solidão não busca outro destino.

A fronte lívida do vampiro freme de encontro a lápide,
Estrela infinita abençoa seus pecados,
Paixão tece o outono do relapso caminhar,
Estou além daquele antigo sonho letárgico.

Órbitas vazias contemplam o alto sem alento,
Uma prece finda entre flores silvestres a despedida,
Parte o vampiro com moeda nos lábios ressecados,
Tecido finalmente decomposto.
 
O enterro do vampiro

Rosa sombria

 
Uma rosa sombria é tudo que desejo,
Languescente calvário de carinho mórbido
Longe repousam em túmulo desconhecido meus ancestrais, os odeio,
Partilho apenas a saudade do Porto, nostalgia de tempos não vividos
De profundos anseios jamais realizados.

Amor que envolve pensamentos cálidos
Voltando-se para a contemplação do crespúsculo,
A mãe clama com pássaros profetizando augúrios
Desejos incendidados e sensuais delírios
Como gostaria de estar ao teu lado,flor de Poeta escolhida.

Mar infinito traspondo corações e febris paixões
Mãos entrelaçadas e beijos em pensamentos,
Tua pele alva serena sobre o plenilúnio
Fiel deidade pagã,toma minha alma em teus braços
Oferta o recanto de coração alentado,
Aflorando doces sentimentos que entorpeçam meu pranto.

Claustro vampiro aguardando a estadia eterna em cova rasa,
No luto dos que restam apenas tétricas chagas fechando-se sobre meus olhos,
Rosa sombria em fervor reconhece o clamor intemerato,
Guarda-me em teu carinho velando pelo ébrio de sangue infausto,
Apaixonado noctívago absorvendo palor de existência fúnebre.
 
Rosa sombria

Catedral

 
catedrais engolem nossos pesadelos
vítreos espelhos rolam nas órbitas
o ceu negro desaba sangrando
corta minha garganta o frio da morte

livdos corpos tateiam no escuro
ejaculam espiritos que lentamente perecem
apodrecem como os dedos formando figuras na lama
alianças cruzando feridas de sagrada ironia.
 
Catedral

Marcha tenebrosa

 
Alados corceis desfilam
Como raios nas lacunas que o vazio preenche .
O tempo percorre o espaço entre o ribombar e a chama
Nas trevas do pensamento .

O sentimento expande-se,
Cavalga célere no cortejo.
Nuvens negras desafiam desejos.
Lacivia perversa embala
O pesado sono estrelar.

Ocsculo sanguíneo,indizível,
Sela no espaço o túmulo apaixonado
Inatingível em obscena perfeição
Morta refletindo poeira e ocaso.
 
 Marcha tenebrosa

Paixão vampira

 
Desvairio e encanto,
toco nas mãos e o rosto que mal reconheço
ao leve assombro sorri
e desvanece todo sonho.

Da razão conheço apenas o corpo distante,
longe e terrivelmente delicado;
A cada minuto mais próximo do fim a recordo
tão distante do quarto onde durmo.

Espectro do galante amor
recolhe a sombra o sorver nocturno
da paixão vampira que consome
resquícios de sanidade e vida.
 
Paixão vampira

Orgasmo vampírico

 
Luz de plenilúnio,argênteo encanto de mágico efeito nos desvarios de insanos e poetas,
Crisálidas raras buscam libertar-se de limitados invólucros,
Asas ressoam na parcial escuridão que traça brilhantes contornos no jardim,
Emoldurando a delicadeza de teu perfumado corpo convidativo.

Meu desejo atinge as raias de transe,
Mesmerizado por teu chamado prossigo como num sonho,
Beijando-a e esquecendo de todos os céticos murmúrios e traçando
Contornos esmerados a antigas e verdadeiras lendas
Sem deixar de manter protegido seu mistério.

A língua passeia feito serpente pecaminosa revelando o conhecimento do prazer,e da dependência nascida Deste carinho,
na movimentação ondulante do corpo dominador,
Compassado,profundo,de pernas magras e firmes,
Em costelas sombreadas no arfar de respiração ofegante mãos de longos dedos arranhando-me,
Torno-me parte de ti,num prazer extasiante, suado e puro
Uma, duas, muitas vezes seguidamente.

Um turbilhão de imagens torna tudo ao meu redor estranho,
Meus olhos vidrados não cegam a visão da alma,
E os sentidos inebriados por perfume de flores e sensações de carícias fortes,machucam,
Quando escuto impressionado teus lábios sorverem sangue,deliciosamente,os cabelos negros cobrindo a Sofreguidão com que rompe minhas veias,
E asas de morte abrem-se!E corvos vociferam! Natureza transforma-se em paisagem acinzentada de subterrâneos mundos,
Empalideço,esmoreço com o rosto descansado em teus seios fartos,
Adormecendo enquanto filetes rubros ainda escorrem dos lábios na face branca e lívida de cria demoníaca,
Abraçando-me como criança perdida e apaixonada.
 
Orgasmo vampírico

A cura

 
Nascido em mudez sepucral fui rejeitado,
Ouvindo a voz da bruxa em sonhos acordados com tremores, mas não suor,
Quando semiconsciente mergulho no torpor misterioso de defeitos congênitos,
E depressão adquirida matinalmente.

A promessa de cura ergueu-se descarnada,desafiadora,
Em pedestal de anjo com braços pendidos e faces encovadas de doente terminail,
Ela afaga meu desengano,preparando o repouso,
Aguardo ansiosamente pelo êxtase,a antecipação do fim.

Círculos no chão estendem se abrindo meu caminho,
Para que uma nova desgraça renascida em cinzas ganhe força diante de olhos incrédulos,
Eu não guardaria este segredo,mas não posso interromper a torrente de ódio,
Nem o mal recrudescente em eterna vigília,
O võmito sufoca-me e pereço sem ajuda.

Areia movediça engole o sonho lentamente, como uma autópsia displicente,
De necrosado desejo sem velório, o jardim contaminado e distímico floresce ao avesso,
Em chagas de orquídes e rosas negras,
De mil lágrimas que derramam-se pesadas sobre o que resta de toda beleza,
Cercada de moscas e pesadelos rastejantes.
 
A cura

O espelho do morto

 
Ergue o cadáver de teu pai e prossegue,
Esgueirando-se nos corredores da demarcada derrota
O choro lânguido de teus irmãos não trará conforto tampouco,
A esperança será presença constante nos fatídicos dias vindouros.

Não trago o alento da sobrevida contínua e crua
Ou mesmo a mentira do consolo de mitos inglórios e orgulhosos,
De guerreiros arianos repousando em braços de Valquírias com favos cabelos pendendo nos ombros em longas tranças,
Ou mesmo o inferno que julga conhecer aquele que explorou a cidadela vazia dos condenados.

Sou a tristeza, o pranto,o lamento mórbido,
A coragem desnecessária que aperta o gatilho do suicida com olheiras profundas e magoadas,covarde?
Desfaço pensamentos honestos e beijos cálidos Abandonados no corpo flácido sangrando inerte
A alma sentida no arrepio e vozes do perseguido alucinado

Fez de mim Rainha e o calabouço morada perpétua,aperta de encontro ao peito o fardo,ostentas a chaga inflamada sem receio,
Teu destino assombrado,herança penosa.

Depressão é o nome do fim do vale onde a escuridão passeia desnuda,amante impura e única noiva,
Seu longo manto arrasta-se deixando um rastro de flébil dor perpetuamente reacendido em chamas altas,traçado conhecido nos velórios e cantados desalentos do asceta desvairado,
Fadário pesado de sintomas delineados na lousa cinzenta,
Nos tons amargos de não reconhecimento,da paixão esgotada, do aborto espontâneo,do trauma jamais resolvido,da solidão, solidão...

Exibindo orgulhoso estigmas de Satan,
Lágrimas percorrem pensamentos, lembranças ocultam-se nos lençois formando nítidos caixões abertos enfileirados,memórias indesejáveis

O estremecimento que não cessa,
Sou irmã siamesa ,expulsa-me com teu fim interligado,tumor multiplicado em feroz estágio avançado,
O espelho é quem diz tudo isto,nos olhos cansados o reflexo de quem vislumbra a tragédia sem máscara nas horas que passam lentas feito Anseios de rostos deformados

É meu cadáver na face polida,profetizando Opróbrio em cristal amaldiçoado,recostando-se na Parede aguardando os últimos momentos,recolhendo-Se na letargia de vaga imagem enlutada,tecendo planos autodestrutivos com últimas forças no lençol sedutoramente enrolado no pescoço frágil.
 
O espelho do morto

¨¨

 
Eleve a criança morta nas águas de batizado
e devore sua coroa de espinhos,
agarre o pequeno corpo de braços e pernas pendentes balouçando loucamente em mãos inseguras.

Retinindo distante sinos marcam as horas que passam despercebidas pelo Deus cego que barganha almas,
não há tempo para lamentações, não há tempo para lágrimas,
no inconsolável fechar de olhos.

Joelhos machucados oram no chão maculado,
estigmas e milagres nas palavras do santo falso,
desejos e símbolos fálicos enterrados vulgarmente
na Maria desvriginada, prostituta do Diabo.

De pecado em pecado a construção de um novo templo
catástrófico o megalomaníaco assegura a pretensa força,
tombando infiéis sob tortura bendita,
perdendo batalhas contra freiras desenvergonhadas
sequer medita,prefere prosseguir
em sua incáculável bíblia de mentiras,
vidas inocentes escorrem amargas fora de Sodoma,
sob as bênçãos malévolas de Cristo.
 
¨¨

*A Rainha dos Condenados

 
Em trajes de luto ela acena e fala com encantos únicos,
E possuído através de seus lábios dedico sacrifícios e cânticos,
Ganhando tempo para lutar contra o vazio e a dor que devasta nervos e ossos,
Extraindo prazer e amor do sangue, vida em verdade e libertação.

Acalentado em beijos de maquiagem negra,
Ohares profundos caminhando no meu infinito apego,
Viciando e moldando todas as formas de desejo e tristeza,
Esta sua irmã gêmea, dividindo os frutos de conquistas enlouquecidas e gratificadas.

De alvura fantasmal, de lágrimas,dama prestimosa,
Colhendo sensibilidade e tecendo uma teia de libidinosa maldade,
Deslizando sobre santificados campos de despedidas trágicas,
Tomando minhas mãos deformadas nas dela.

Era preciso algo mais que felicidade e satisfação terrena,
Nascia algo indizível nos pensamentos que corriam,
Dos templos tombados em históricas batalhas, fortes destruídos,
Em solitários faróis acenando,descrevendo trajetos desordenados no penhasco de mar bravio
Com seu chamado sobrenatural e tão límpido,ecoando claro como cristal.

O primeiro impulso de salto último foi repreendido,
De amor eterno,o corpo conservado terá dedicação singular e cuidado,
Eu ajoelho-me,e jurando fidelidade atravesso o coração,silenciado,
De paixão doentia,dependência e devassa entrega,
Aos pés da Rainha dos Condenados.

*Apesar do nome,não há nenhuma relação do poema com o livro de Anne Rice ou o filme que distorceu seus escritos.
 
*A Rainha dos Condenados

Lamento Demoníaco

 
Ouça,este é o pranto de um demônio,atente para a profundidade de seu canto,
E como inebria a natureza atmosférica ao redor dos homens sábios,
Resguardando almas e tomando seus pecados,
Para vomitar imprecações de paraísos tomados.

Eu partilho do sofrimento de um anjo,
Consumindo todo o mal que o coração concede distante e fraco,
Contento-me em olhar e admirar minha musa mesmo tão longe,
Não ousaria exibir a minha face desfigurada, meu corpo nos ossos que bailam como no retrato
Ela não imagina, mas estou ao lado direito da Morte
Ocultando o rosto, o corpo sob manto obscuro de coração magoado.

Repouso sob a poeira de lápides apagadas,
E mensagens que outrora ressoavam na vastidão de minha solidão complexada,
Hoje estão murchas e decompostas como as crianças tão belas quanto mortas erguendo suas faces pesaroras Que um dia mereceram toda atenção e carinho do mundo,
Esquecidas e devoradas pelo medo e pela dor de quem conhece a extensão do verdadeiro amor
E também a inatingível prece de graça tombada.

Eu sou a sombra do lamento funesto, aquele que apertou a mão do aleijado,
Que viu o fim de toda esperança sucumbir nos próprios braços atrofiados
O que consome o sangue que brota das chagas em lábios desfigurados,
Apaixonado, sou doente, sou pecador inverterado,
Sozinho ergo minha infelicidade no altar do lamento descomunal,
Magro de olhar perdido,meus braços de choro esmaecido,louvam aquele que zombou dos céus acima de outros universos.
Calando-me para escutar novamente a voz poderosa,
Que é luz de Príncipe em meio às trevas.
 
Lamento Demoníaco

Falsos amigos

 
O amor de falsa amizade é como câncer nefasto,tumor maligno dissimulado,
A mestástase divinal do sepulcro,
Mutila e a voragem etérea de seu significado
Transcende a cura e o engano acídulo do final.

A falsa amizade é como o pus espremido tardio,inflamado ele necrosa,
O tecido que despe-se de cor e coagula o brumo que ferve
Extirpa toda chance de confiança renovada.
Quando a espera supera a morte nos passos da companhia
Um brado cristalino,gentil apelo estremece o ódio que retorna
Justo e benevolente.

A solidão é a único lar da fidelidade,
Aquele que resguarda-se em sua divinal frieza confia e sabe
Que todos os apelos,todo carinho,toda promessa de outrem é enganosa,
Do ubíquo refinamento da hipocrisia e despreendimento de valores honrados
Entenebrecendo aquele que é mais forte,livre de todos que cercam meu lamento
Serei o lado cinza do desprezo,sublimação da saudade e recíproca perversa.
 
Falsos amigos