Poemas, frases e mensagens de Manufernandes

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de Manufernandes

A voz- recitado

 
 
A tua voz...
simplesmente a tua voz,
doce chilrear que me leva'o paraíso
magia de timbre com que m'hipnotizo

a tua voz...
Luz estelar num firmamento opaco
Força d'alma neste espírito derrotado e fraco.

A voz...
cântico angelical num inferno
raio de sol na geada deste Inverno

A tua voz...
Água de nascente ao sedento peregrino
Cravelha e arco dum violino.

Simplesmente a voz!
 
A voz- recitado

Enterrado vivo - recitado-

 
 
"enterrado vivo"

Construí no meu interior
uma sepultura perpétua
Sem corpo nem urna; Vazia!
mas não lhe cabe tanta dor,
e apenas perpetua
o bem-querer do dia-a-dia.

Não sou nenhum vidente,
não falo, portanto, para o além
mas sou um tipo de crente
qu'escreve, em versos a alguém.
que não os lê nem os sente.

Como amante sentimental
sem contacto ( nem verbal)
que não se pode ou deve
é encarcerar-me no jazigo (da alma)

onde escrevo em versos como lenitivo
e gravo na lapide a dor que não prescreve:
"aqui jaz e vive o amor mendigo
diariamente enterrado vivo”
 
Enterrado vivo - recitado-

tempo

 
O tempo,
canoa
à deriva
na corrente do Tejo.
O tempo
cavalga e voa;
Não pára num desejo!
O tempo
Apressado,
não perdoa;
Não retrocede
O tempo
Ofusca,
não apaga ou cura
a dor imaterial que perdura.
O tempo...
tempo não concede!
 
tempo

MARIA...

 
"Maria..."

Procurei uma companheira
Pelo signos, zodíaco e chinês
Mas, é tanta a “baboseira”
Que desisti de vez.

Procurei pela numerologia
E meti-me numa alhada
Entendi nenhuma porcaria
Não m’ajudou em nada.

Fui então pelo nome pessoal
Procurei numa lista o ideal:

Sofia? Não; Ainda m'agredia!
Florbela? Nã.....muito magrela!

Júlia também não pois prefere a tertúlia!
Alice? Quê mais chatice!

Vanessa? Uff! Não há um que não conheça!
Denise? Ai ai ai... eu seria apenas mais um deslize!

Melissa? Cansava-me d' ouvir missa
Anabela? Não sei! Quemé que a tirava da janela?

Mónica não!!! Só bebe gin tónica!
Paula? Leu o Grey e só pensa em jaula!

Já sei!!
O que mais fascina!
Como das mulheres da minha sina
cujos nomes eu não escolhi:
A mãe dos meus filhos é Marie
A mãe e irmã Joaquina ou Teresa eram Maria
O primeiro amor Maria Margarida
e a netinha, tal como a madrinha,Maria!

Pouco importa como é conhecida
que afinal, é tudo igual e anda tudo louco
basta que de "malandra" tenha um pouco
e que seja Maria. Que tal Maria Alexandra?

falta de sono e do que fazer...
dá nisto!
 
MARIA...

Para todos bom ano c/ uma "pitada" d'humor

 
 
Feliz Natal

Feliz Natal!
Desejo-vos que tudo o que exista de bom ou que possa ser, individualmente, motivo de prazer e alegria aconteça já em 2015 e continue....
Ah, podem partilhar o quanto desejarem!
 
Para todos bom ano c/ uma "pitada" d'humor

brisa tropical

 
Recordo-te, brisa tropical
Desejo-te noite de Verão
Vejo-te,mentalmente, num video viral

Ouço-te melodia de samba canção!
Abdico da (tua)fantasia de carnaval
Sinto-me, na (tua) seara mero grão.

Não sei! Não sei quem és agora
nem quem conheci:
Talvez águia ou colibri

Quiçá limão, uma doce amora
ou um vento gélido no Equador
Talvez analgésico ou fonte de dor

Mas não...
Não sei!!!
Talvez seja algo que mereça.

Mas, por favor...
por favor, sai...
Sai, da minha cabeça!!!
 
brisa tropical

sonho

 
Era um sonho de cada despertar...

Desperto fiquei a sonhar...

Mas, no sonho, desperto,
Realizo que certo, certo...
Só a morte e este duro pesadelo!

E, letárgico de dor , tristeza e medo.
Num sonho falado sem segredo
solto um grito abafado em desespero
à reciprocidade, um agónico apelo
ao amor que ainda espero
mas, que só em sonho posso tê-lo.

Quisera nao acabasse num Largo qualquer
com um "adeus até quando Deus quiser".
Porque este sonho, este querer,...
sei que vou mantê-lo!
 
sonho

Vela genoa - recitado-

 
 
naveguei como embarcação sem rota
em teus braços, minha vela genoa (principal)
desfrutei de ventos como gaivota
e quis-te meu patilhão e minha proa

fundeei no teu ser, como marina,
entregue em amor e total desatino
porém sulcas ainda, quiçá em bolina (contra o vento )
num continental vento garbino (SW)
d'aroma citadino

ancorado, com o velame rasgado
de tanto o ter em caçado (cheio)
ficam agora, meu amor, saudades do teu mar
sem que eu possa, meu amor, novamente zarpar
 
Vela genoa - recitado-

Alguém sem saber quem

 
Sofre e sofro com a sua dor, com a sua tristeza
Porque dói; Dói ter a certeza
de quanto dói perder um amor.
Sofre... talvez chore e, sem frieza,
esconda a dor por pudor
Sofre e, talvez se refugie,
despreze ou ignore quem lhe quer bem
Sofre e sem nada que m'alivie,
sofro também e sinto
o que sente quem num labirinto
encontrou o amor ausente
Alguém sofre e só esse alguém sabe quem!
 
Alguém sem saber quem

Depois do adeus

 
Depois do adeus...
Para algumas pessoas o pior
não é o fim do casamento e a separação
É quando, depois, os filhos partem por "opção"
e a casa parece aumentar, fica maior.

Para a maioria é o começo do futuro
de fases com alguma solidão
que não será muito longo mas sim duro
se não existir nova motivação ou paixão

Quanto mais tarde se encontrar alguém
que nos ame e que queira ficar connosco
mais difícil é encontrar quem; Quem queira.
A partir dos 53 55 vemos-nos bem
mas o corpo e rosto fica meio tosco;
Começamos a "levar bandeira"!

Mesmo com o esforço da conquista
não conseguimos o que nos salta à vista.
Não é que a velhice nao seja bonita,
que não haja sensualidade no rosto
mas não há quem não reflita
se correspondemos bem ao seu gosto

O gosto mantêm-se como nos quarenta;
Na mente há um filme já fosco
dum passado que ainda alimenta
a réstia de juventude e dum desejo carnal

Claro que o carácter e forma de estar
têm uma importância quase primordial
mas a aparência toma o primeiro lugar
e, no processo de atracção,é fundamental.

Chegados os 58 60 extingue-se a erupção
mantém-se a lava incandescente
que fumega enquanto houver acção,

Depois, dos 70 80, fica uma cratera (de bem querer,) permanente,
que resiste a tudo; À boa e menos boa sorte,
da doença, dores,... até à morte.
 
Depois do adeus

trago em mim - recitado (Março 2014)

 
 
(com legendas)
 
trago em mim - recitado (Março 2014)

(do baú) Que agonia... (recitado na música "que je t'aime")

 
 
Texto para a música de Jonny Halliday " que je t'aime "
este vídeo
foi um desafio da nossa
colega, poetisa e amiga "Leonor Huntr"
que escolheu a música.
Eu limitei-me a criar um texto
e a recita-lo
o mais próximo possível da música, não da expressão atrasada

quando se sequem as pestanas
de tanto eu as abrir e fechar
ouvirei dentro de mim campanas
de minh'alma triste a repenicar
quando as nuvens e o vento
que roubaram o meu lamento
voltarem aqui
de certeza ainda não,
ainda não te esqueci

Que agonia, minha deusa,
que agonia
que agonia, meu amor
que agonia

Quando na Terra só existias
quando nos amávamos com fervor
nem no auge da excitação
"amo-te" me dizias
En treguei-me sem pudor
enchi-te de paixão
cobri-te com amor
mas, não conquistei teu coração

Que agonia, minha deusa,
que agonia
que agonia, meu amor
que agonia

que agonia!

Eu sabia que não o substituia
e cedo ou tarde me fugias
enegrecendo meus já tristes dias
dizes-me que há muito não o amas
porque não sentes teu coração
e entras noutra mera relação
querendo amar, sem convicção
porque sabes bem, meu amor, a quem deste teu coração

Que agonia, minha deusa,
que agonia
que agonia, meu amor
que agonia

que agonia!

Procuraste o que te faltava
buscarás sempre porque és escrava
és escrava do teu passado
escrava de muito teres amado
anseias o certo, ages errado
assim só encontrarás quem te fira
porque vives uma mentira
que criará desilusão e ira

Que agonia, minha deusa,
que agonia
que agonia, meu amor
que agonia

oh meu amor, que agonia...

que agonia!
 
(do baú) Que agonia... (recitado na música "que je t'aime")

o grande... alma em cativeiro

 
Quando um animal nascido em cativeiro
escapa ao estatuto de doméstico prisioneiro
goza e sofre a liberdade, bela e aparente,
mas, será sempre bastante dependente.

Terminada a relação com o grande amor
e quando se pensa estar liberto e pronto
talvez entregue a outrem com algum fervor
apenas se faz do outro (e é-se) tonto.

Que um amor verdadeiro
mesmo não sendo o primeiro
é o primeiro sem posterior

No veleiro sentimental é o timoneiro
e do coração, dono, senhor e gestor
e qualquer outro no barco é neste mar mero tarefeiro.
 
o grande... alma em cativeiro

Quem és?

 
Não sei quem és

e preciso tanto,

tanto de ti.

Preciso-te

da cabeça aos pés

e do teu encanto

Preciso-te

sempre aqui.

e ter-te

para amar-te.

Preciso viver -te

e igualmente dar-te

tudo o que de ti preciso

ser a razão do teu sorriso

Preciso saber que existes

alimentar a esperança

dos meus olhos tristes

que a lágrima alcança.

Diz-me quem és, ó menina

se te chamas, Ana ou Rita

Rosália, Fernanda ou Cristina

Bia, Isa, São ou Zita.

Diz-me em segredo

sem medo nem dramas

Como te chamas?
 
Quem és?

GPS

 
Perdi-me entre o querer ser
e o poder sê-lo.
Perdi-me de mim e perdi-me de ti.
como carta sem selo,
sem remetente.
sem morada
Meu GPS não "disse":-"saia aqui!"
e, nessa autoestrada
segui em frente!

E tu, menina, continuas perdida;
entre o amor nesta triste vida
e a procura doutra ilusão,
alternativa que creio, infecunda!
Tal como GPS na rotunda
à espera da localização.
ou carta selada devolvida
sem a morada, sem direcção.
 
GPS

substantivo

 
2016 Amor substantivo

Apenas te declamo
Num papel mudo.
Jamais te chamo
mas és tudo!

Porque vieste até mim?
Sabes que não te quero
Não te quero assim
Que nunca "atiças" quem espero

Tu, culpado d’eu sofrer
és o motivo da minha dor;
ao sentir-te em mim sem te receber.

Que sentimento és tu, amor?
 
substantivo

Agridoce

 
"Agridoce"
Saudade é nectar agridoce que verte
da alma embriagada de dor.
É mais querer-te e, mesmo sem ver-te,
numa avidez que perdura,
sentir-te o sabor
como suave acidez,
numa envolvente doçura.
 
Agridoce

Inventando (Recitado)

 
 
Não;
Ninguém imagina
Ninguém imagina
a dor de fingir-me alheio
amando-te a cada manhã
como que por missão divina
Não;
Ninguém imagina
Ninguém Imagina
o vazio quando vagueio
na esperança vã
de ver-te no virar da esquina.
Ninguém sabe
Ninguém sabe o quão forte é esta paixão!
Se tu soubesses, seria em vão
apenas terias pena
de me ver neste inferno
Mas se existir alma,
Se existir Deus e a reencarnação
então, meu amor,
quero renascer do teu ventre materno
sentir a reciprocidade a este amor eterno
Porém, minha flor, se restarem meras cinzas
dispersa-as depois no ar
para que (ao respirares) moléculas minhas
possas no teu peito guardar
 
Inventando (Recitado)

"lágrimas de Maria" (1º Fla. Espanca 2º Manu)- Recitado-

 
 
Lindo poema de Florbela Espanca!!!
Imaginei-me no lugar do ex a quem foi dedicado o poema desta poetisa e respondi...
(nota: apesar de três relações amorosas, mais duradouras, Florbela viveu triste, ansiosa, (re)apaixonada, com saudades e infeliz)

.......Florbela Espanca:-
"O nosso amor morreu...
quem o diria!
Quem o pensara mesmo ao ver-me tonta
ceguinha de te ver, sem ver a conta
do tempo que passava, que fugia.
Bem estava a sentir que ele morria
e outro clarão ao longe, já desponta
num engano que morre e logo aponta
a luz d'outra miragem fugidia

Eu bem sei, meu amor,que para viver
são precisos amores, para morrer
e são precisos sonhos para partir

e, bem sei, meu amor, que era preciso
fazer do amor que parte o claro riso
de outro amor impossível que há-de vir" .......(Florbela Espanca)
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resposta:

Há-de vir numa manhã de nevoeiro
como se fosse Dom Sebastião chegado
como se fosse este amor o primeiro
o amor perdido mas, nunca olvidado

Há-de vir com a ilusão da novidade
realizar o sonho e ardor de menina
como vela ao vento da liberdade
como um veleiro Branco em bolina.

Há-de vir como um senhor com parcimónia
reinar o teu castelo de amor
como um magno conquistador
como Alexandrae da Macecónia

Há-de vir como um messias salvador
como se tudo fosse benção e alegria
como se libertasse um aprisionado amor
como se se acabasse com as lágrimas de Maria,
como se não vivesses, ainda, uma mera fantasia.
(Manufernandes)
 
"lágrimas de Maria" (1º Fla. Espanca 2º Manu)- Recitado-

Nessuno - recitado

 
 
Registo auroras com que sonhei
Incontáveis alvoradas em que divaguei.

Triste despertar nublado pela manhã
Ânimo, suturado à letargia n' esperança vã

Magno sentimento da minha essência;
Alma triste rogando ao Céu clemência

Responso o amor ao santo de Lisboa
Irracional prece, num canto, à toa

Algemado à providência que m' atordoa!
Colecciono talismãs e deuses para "protecção"

Hipoteco o amor numa só paixão
Agarro-me à esperança sabendo-a perdida

Garimpo à margem a gema preferida
Anestesio-me lacrimejando sobre o meu verso
Sentencio-me a rendição à força do Universo

Distancio-me da tempestade da indiferença
Incentivo-me com a sua anuência e
Acovardado sujeito-me à penitência
Sofrendo com o desprezo à minha presença

Descubro-me a cada manhã com autoconfiança
Enterro-me a cada noite sem esperança
Ato-me à vida com um fio d'ouro cobreado
Ligo-me, dia a dia em sintonia com a sorte

Minto-me, ignorando o destino marcado
Ergo-me à conquista até que a vida me aborte
Inspiro-me na paixão e amo por intuição

Devaneio dia a dia sem qualquer planificação
Anseio apenas o dia em que eu lhe importe

Manufernandes
 
Nessuno - recitado

Não sou poeta mas, quem sabe, um dia, escreverei
um texto que (pela persistência e sorte) possa ser lido como poema