Poemas, frases e mensagens de MariaSAlves

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de MariaSAlves

Olhares...

 
Engravido os meus olhos de mar,
Prenhes ficam as mãos …
Engravido os meus olhos sem amar
Sem tocar o corpo e o sexo…
Sem sentir a pele e o físico.
Tenho o ventre cheio de silêncio,
Sal e horizonte, velas e proas,
Beijos feitos de brisa quente…
E no céu… um rosto ardente.

Asas brancas, lenços de renda,
Um toque suave a despedida.
Erguem-se as cantigas das musas
e na areia um piano feito poema,
um castelo erigido em saudade…
agora pálido…espuma branca.

Pari por entre as pernas da noite
Um Lua grávida de mim…
Tão cheia de sonho que a sua pele
Se torna luz e infinito do meu cais,
E nos lençóis da minha quietude…
Atracam os barcos cansados,
O recolher das velas no meu peito…
E ao leme, o amor que ama sem amar,
Aguardando na minha pele o desejo,
Ansiando no meu olhar grávido…
o cantarolar suave das aves,
E o doce mel da madrugada.

Maria dos Santos Alves
 
Olhares...

O silêncio das margens...

 
Não fui eu que a inventei…
a madrugada.
As suas cores no renascer do dia…
Mas nela sacio a sede dos teus beijos.

Não fui eu que inventei…
o oceano,
Mas nele sorvo o sal da tua pele…
Navegando rumo aos teus olhos.

Não despi a lua pela primeira vez,
Mas continuo a despir-lhe o véu…
Haurindo em mim a luz da tua íris.

Não fui eu que inventei o amor,
As suas fantasias e até a dor…
Mas acendo a sua chama a cada dia.
Não sei sentir-te sem o seu calor.

Inventar? Reinventar, talvez!
Apenas os lugares…
Apenas…as asas e os voos…
O rio bravo, inversos de mim…
O suspiro das árvores no cair da chuva…
O ensejo trémulo dos meus dedos
no auge do silêncio branco
Que as paredes abraçam.

Soltam-se os verbos a medo,
E as margens rasgadas gritam,
Sossego em desassossego.
Amores e ventura em desventura,
Ternuras e ódios…enlaces.

Erguem-se montanhas do solo,
Seios prometidos ao toque do sol
E o ventre da terra brota o infinito.
O infinito da tua existência…
Em madrugada, oceano, lua…
E num cálice frutado, o amor.

©Maria dos Santos Alves, 02/09/2014
 
O silêncio das margens...

Eternos serão so beijos de mar...

 
Abro a janela que dá para o mar e ouço-o a suspirar, o seu cheiro é intenso e o meu pensamento cede ao feitiço da noite. O meu olhar é corpo de saudade e verso de poema por declamar.
Quero-te no mais terno arfar dos silêncios para que quando de ti a minha saudade fizer eco,…todos os búzios ecoem o som do nosso (a)mar.
Navegarão barcos à vela sem âncoras nem porto, voarão as gaivotas sem vontade de à terra voltar. Deslizarão as águas fundas do meu pensamento e o nosso desejo será corpo nesse manto a velejar.
Eternos serão os beijos de mar; os abraços ternos em areia a resvalar; as melodias e os murmúrios das ondas que salvam as almas enamoradas de naufragar. São estes os meus olhos nos teus, perdidos nesse infinito a marear.
Estava escrito na rota das estrelas…que eu salgaria o mar que te cobre o corpo de sonho, e que a noite seria a brisa que sopra os ais dos nossos delírios.
Estava escrito que na melodia da noite soariam os búzios anunciando a despedida e que o mar seria lágrima sem dor deste amor de luar.
Fecho a janela e de costas para o mar, confesso-te baixinho, sim…estou a amar…

de Maria dos Santos Alves, a publicar
 
Eternos serão so beijos de mar...

último voo

 
Morre o voo da gaivota na garganta do vento,
Desfalece, repousando nesse azul, céu e mar.
Ainda se lhe levanta o olhar branco, ao pescador,
Mas o barco passa e passa o tempo, também.

Ainda há tempo para anunciar as cores do mastro;
Acariciar os peixes que a força da fome já não engole
Regressar a terra e sobrevoar os telhados e as ruas,
Pousar de mansinho na areia e partir. Último voo.

Ainda há um sopro de vontade no ninho da falésia,
Mas seu ninho é também horizonte, outro mar,
Outro desfiladeiro, onde a luz se ergue no apagar
Lento da memória, e o corpo é transe e brisa leve.

Ficam as cores dos telhados, das fachadas das casas
Da roupa estendida, dos verdes campos, dos frutos…
Da terra molhada…e no cair das asas sobre o mar…
Eis que há sangue no engolir da espuma branca.

Maria dos Santos Alves
 
último voo

Eclipse

 
Podia escrever palavras azuis,
da cor do céu, límpidas e serenas.
Podia clarear a sombra do Inverno
Pensando apenas na Primavera.
Podia acariciar o teu rosto
Nas estrelas que cintilam…
Podia…mas há um eclipse …
e os meus dedos confundem-se,
não sabem se é noite ou se é dia.
 
Eclipse

O meu trilho respira...

 
O meu trilho respira…
Mesmo quando adormecido e ausente de luz.
Não há outro caminho…
Pois há muito o choro foi o primeiro grito.
Uma vez nascida…apenas o trilho da vida…
Até que a morte me tire o suspiro
E me entregue o último muro do trilho.
Até lá… meu bravo silêncio!
Ouvirei todos os pássaros,
Atravessarei todas as pontes,
Amarei todas as estações no meu corpo.

Quer ardam as chamas ao sabor do vento
Ou se apaguem ao sabor das chuvas,
Terei na boca o arrepiar da pele,
O momento, o instante, o extasie,
O beijo do colibri no néctar da minha boca.

O meu trilho respira…
Num passo que arrasta outro passo,
Num passo que antecede outro passo.
No riso do lírio, no tilintar dos sinos
No pó da terra e no sal do mar…
No florir das searas ao seu secar.
E depois…da vida, a colheita…
E o solo em pousio, o meu trilho,
Esse…continuará a respirar no tempo
Com outros passos.
 
O meu trilho respira...

Um rio poeta

 
Calado! Fechado entre as margens abertas,
Cerra os lábios em verbos mudos. Cansaço!
Mastiga apenas as folhas verdes do regaço,
Amando a brisa molhada nas suas palavras.

Calado! Descendo em si próprio num só abraço,
Ironia perversa! Alma revolta e águas límpidas,
Lágrimas ainda doces banhando as nuas rimas, e
Um poema prateado nascido em raios de melaço.

Terno o tempo que o navega ainda que sem velas,
Que mergulha no seu leito bradando os seus versos,
Que no seu corpo derrama histórias em aguarelas…

Calado! É este rio, silêncio ainda sem pronúncios…
Calado! É o poeta que se deixa beijar pelas asas,
Calado! Morre e renasce em beijos salgados.
 
Um rio poeta

O teu olhar

 
Perdi-me na imensidão do teu olhar
Silenciei o mundo na escuta de palavras mudas…

Palavras que não se pronunciam; escrevem, mas sentem-se
Que nos enfeitiçam, penetrando-nos no seu imaginar.

No canto desse teu olhar, escorriam lágrimas salgadas
Naveguei nelas mesmo não sabendo nesse mar velejar

Perdi-me na imensidão do teu olhar
Salguei todo o meu olhar mergulhando no teu.

Imergi a minha alma no teu infinito
Em busca da tua, aquela que dizes não ter ou ser
Aquela que o teu olhar não desmente sentir
Quando por ele passa a minha saudade.

poema inserido no livro "Grito Oculto", publicado em Fevereiro de 2014, de Maria Santos Alves
 
O teu olhar

O vazio em mim

 
O vazio em mim…

Não sei se existo nas palavras que escrevo…
Ou se por ventura as sinto…ou apenas invento.
Apenas sei que elas em mim existem e já é tanto!
E aquelas que ficam a latejar no vento…
São em mim, coágulos de vermelho sangue
E no papel… borrões de tinta…

Borrões de tinta…
ecos do meu vazio, do meu silêncio…
e o relógio no pulso, inquieto, insatisfeito!

Posso escrever mar, mas nunca serei mar…
Posso escrever Lua, mas nunca serei Lua…
Posso descrever o dia; a noite; o infinito;
A paz e o inferno…o real de todas as coisas!
Eu!…tenho na pele a cor da terra, sou barro…
Por dentro?…vazio…o nada de todas as coisas…

Só assim, eu sei! Só assim eu sei,
que as palavras, os sonhos;
todas as palavras e todos os sonhos…
Existem e cabem em mim…

Maria dos Santos Alves
(todos os direitos de autor reservados)
 
O vazio em mim

Eu sei...

 
Sou lágrima, riso, sou circo,
Arena sem palco ou plateia…
vento com e sem destino,
Tempestade de mar alto…
Sossego de nascente cristalina,
Filha de uma chuva (in)vertida.

Sou eu…
nas crinas de um cavalo selvagem,
sem freios no correr do vento…
com o medo no preto dos olhos,
cavalgando só, aventureiro.
Não conheço o mundo alheio,
O meu mundo já transborda
E de mim faz marinheiro.

Sei de mim, das minhas margens,
Das marés e das luas cheias,
Dos lugares e dos perfumes,
Do cais dos meus abraços.

Sou eu…
num eterno poema incompleto,
Num livro que não tem fim…
Num lugar que não tem nome,
Satisfeita, mas com fome…
Fome de estrada, de prado, de mar,
Inconformada no conformismo de estar.

Sou eu…com e sem alma…
Sou eu…com e sem asas…
Sou eu…sonho e razão…
Sou eu…que vive e morre…
Que morre e renasce…
Que tem ambos os sexos…
Sou eu…num infinito imaginário
A amar as palavras e a desejar…
A desejar…Ser amada por elas!

Maria dos Santos Alves, 29/09/2014,
Todos os direitos de autor reservados
 
Eu sei...

A Solidão dos versos…

 
Há muito que o cigarro se lambe sozinho
Num cinzeiro moldado em tosco barro,
Onde a cinza caída é pó de pergaminho
E ao lado o vinho é resto de uva num jarro.

Há muito que o cigarro não se apaga…
É gesto quieto de versos em reverso,
É boca de ilusão com vontade amarga…
E as palavras opõem-se no controverso.

Há ácaros de solidão sobre a mesa tosca,
Um vazio sobre a cadeira há muito caída
E no copo ao abandono apenas a mosca.

Está morta a mosca! Bem bebida e afogada.
Está morto o espaço sem o catarro dos risos.
Vive o fantasma, o cigarro e a pena calada.

©Maria dos Santos Alves
 
A Solidão dos versos…

Vestido de chuva

 
E o céu veste o seu vestido de chuva
E passeia molhado por entre as ruas
Refresca os ramos das árvores…
Lava os passeios e todas as margens
Apaga a poeira dos olhos e da terra
E o meu corpo é pele e entrega nua
Saciando a sede dos lábios nas nuvens.

Maria dos Santos Alves
 
Vestido de chuva

As marés e o tempo …

 
As marés…
espreguiçam-se
Num madrugar inquieto.

Nelas, há um rosto
Que sangra…
O pulsar irrequieto das veias.

Navega o corpo
Partindo…brando…
No íntimo dos versos.

E é na espuma branca
Que os dedos dizem amar…
Sem saber a razão desse amar.

E o tempo das marés?
O tempo… é azul
Todo o azul do mar.

de Maria dos Santos Alves
 
As marés e o tempo …

Sorrindo...

 
A nuvem passa…leve, tão leve...
Moldei-lhe um sorriso,
Como se ainda fosse criança,
E perdi o tempo de mulher
A vê-la, assim, sorriso, passar.

E passou…
por mim, pelos telhados;
Passou pelas ruas de pedra …
Pelos cantos e recantos…
Pelos sóbrios e pelos loucos…
Pelas aves de passagem…
Parecia feliz e feliz se fez ao mar
…ainda sorrindo.

Se eu pudesse em vez de sorrir
Ser o próprio sorriso…
Saber que não há engano
No esboçar lento dos meus lábios
E que os olhos sorriem, também,
Aqui e nesse lugar.

Maria dos Santos Alves, a publicar
 
Sorrindo...

Grito Oculto

 
Não me peçam para calar esta ânsia de gritar palavras
Peçam-me para as gritar…e eu gritarei!
Libertarei toda a dor que o peito consente.
Não vos impeçam de as ouvir, de sentir e chorar.
Gritem! Gritem, também a vossa angústia,
Não finjam que não a têm, todos a temos.
Ah! Pouco me importa o que sentes, quando o sentes,
Grita! Se sufocas nessa angústia que aos poucos te mata.
Eu grito! Quanto mais não seja e se mo pedires a tua dor.
Não tens sossego, nem tempo para o fazer?
Desengana-te do tempo, o tempo é o teu tempo,
Quanto ao sossego, procura-o e encontrarás.
Chorar, também é uma forma de gritar, é um grito da alma,
Lágrimas que escorrem é dor que sara no peito.
Não consegues gritar, esqueceste-te do som que se faz?
Um, dois, três (grito), agora a tua vez, um, dois, três…
Lembraste agora? Ah! Que bem que sabe, gritar!
E agora?…Agora deitemo-nos serenamente no silêncio
Ouvimos a desgarrada das mãos que percorrem a alma
Ouvimos Mozart, Wagner, Chopin e sorrimos, talvez!
Não! Não me impeçam de gritar palavras descabidas
O Ser humano é um improviso, por isso também o é a vida.
Sim, nem sempre eu grito, por vezes choro, por vezes rio,
Por vezes sou simplesmente apática ou adormecida.
Vá, agora de alma aliviada desfrutemos da melodia,
Das paisagens amenas, dos oceanos conquistados,
Dos rios de águas calmas onde se banha a alma.
Se ainda quiseres chegar mais além, porém sorrindo,
Veste as asas ocultas que guardas no armário dos sonhos
Põe-te a voar na descoberta de outros sons e perfumes,
Sê livre, a liberdade não se compra, sonha-se e vive-se,
Tão simples como o grito em ti oculto, vivo mas oculto.

Poema inserido no livro de poesia e prosa "Grito Oculto", da Chiado Editora.
 
Grito Oculto

Interrogo e sonho...

 
Interrogo e sonho…

Interrogo-me todos os dias…e todos os dias sonho,
Porque todos os dias a manhã geme e pare o sol
E eu…eu não sei porque existe o sol,
Ou porque a terra tem este íman e me chama.
Chama, abraça-me e diz ser o meu chão!

Interrogo-me todos os dias…
E todos os dias chega a noite parindo a lua ainda menina
E esta espelha-se nos meus olhos sorrindo melancólica
Como se neles coubesse o mar onde se deita, por inteira.
Mas…nos meus olhos não cabe o mar por inteiro…
Aliás, nem uma mísera onda…só talvez uma gota…e eu…
Interrogo! Interrogo o ser salgada esta minha lágrima
Assim como interrogo o sorriso…o sorriso…
O sorriso que desconfigura o traço sóbrio dos meus lábios.

Interrogo se existe outro céu para além do azul do meu;
Se algures existe outra casa; outro banco de pedra…
Se nesse outro lugar também existe mar…árvores…
Ou se tudo isto é poeira nos meus olhos e eu interrogo!
Interrogo se eu na verdade existo ou se me invento.
Interrogo até o passo certo se o caminho é incerto…
E o tempo passa e se eu não interrogo o tempo …
E todas as coisas nele,…reais ou surreais…
Temo que ele morra e que morram as flores, as árvores;
A mãe parideira do Sol e da Lua, a janela da minha rua
E se todas estas coisas morrerem, morre o sonho…
E morro eu, também!

Maria dos Santos ALves, a publicar
(todos os direitos de autor reservados)
 
Interrogo e sonho...

Acendi uma vela

 
Na ausência da luz do dia e longe da lua
Acendi uma vela e segredei com ela.
Não sei se comigo conversava
Mas a sua chama era inquieta.
Intensa a sua lavareda na noite
Onde os silêncios se cruzavam
Entre uma luz viciante e amena
E um pensamento alienado e vazio.

Que procuras alma nessa vela?
Porque lhe sorris e suspiras?

Parece ter vida dentro dela,
Canta-me serenatas, não ouves?
Esta chama não arde ausente,
Ilumina os espíritos presentes,
É com eles que converso.
Declamo-lhes poesia e esperança.
Que mais posso dizer…
Uma vez ausente das montanhas,
Dos rios e dos oceanos…
Troco olhares e conversas…
Com uma qualquer vela.
Sim eu sei…
De louco não passarei,
Mas esta noite…
Esta luz, não apagarei!

Poema do livro Grito Oculto, de Maria dos Santos ALves
 
Acendi uma vela

Que Homem este que faz sangrar o céu que o ilumina?

 
Palpitam as rosas no peito de quem chora
Sangra na pele o balançar altivo do destino
E as vozes inquietas que acordam a sombra
São bocas sem língua, intenção sem hino.

Desfilam secas as víboras, veneno de sobra
Cansadas as enxadas com choro de violino
Morre de tanto pousio o povo e a sua terra
E as ruas são sangue de rosas em genocídio.

Matam-se as virgens, sobra espaço na terra
Faz-se luz celeste no céu, asas do divino…
Anjos que abraçam as crianças levadas pela guerra.

Blasfémia! Blasfémia! Destino cruel e assassino!
Que Homem este que se diz humano e se assombra?
Que diz que pensa, que sente que é genuíno!

©Maria dos Santos Alves, 25/07/2014
 
Que Homem este que faz sangrar  o céu que o ilumina?

Silêncio de Março

 
Silêncio de Março

Cresce este silêncio em mim
Como se há muito tivesse partido
E regressasse agora, em Março.

Encosta-se à minha boca…
Como a andorinha recém-chegada
Que por ser verde este silêncio
se coloca, atrevida, à minha beira.

Não traz noite, nem luar…
O seu olhar trauteia azul,
Um azul… de outro lugar.

Segreda-me, à sede da manhã
Que o silêncio dos meus olhos
São aros verdes de primavera.
Ramos esguios mas floridos,
Poema de lábios doces,
Orvalho silvestre de outros lábios…
Um eterno, beijo amora.

E o azul…o azul das suas asas…
É o esvoaçar melodia
Que solta o silêncio, livre,
Do murmurar frio do mar.

Maria dos Santos Alves
 
Silêncio de Março

Poema com asas

 
Cansam-me as marés presas num poema.
Naufragam-me de tanto mar feito rio…
O mar é um gigante sem margens,
Grita aos sete cantos: Liberdade!

Cansam-me as primaveras…
Enquanto o meu corpo gela.
Fingidos!
É Inverno, falem-me poemas,
Da neve fria, dos pés gelados
E da chuva que eu tanto amo.

Pintem a lareira nas casas de pedra,
No conforto simples da minha aldeia,
Das gentes que os pés aquecem
Calçando dois pares de meias.
Esqueçam as palavras emproadas,
Poema é feito de gente.

Oh! Como eu gosto do poema,
Farrapos suaves e puros,
Descaindo de um céu cendrado…
Monstro que me rouba
Todas as estrelas …todo o universo,
Todo o cosmos que me
Arranha na garganta.

Não quero saber das rimas,
Quero ler e sentir o meu corpo
Estalando vivo nas palavras.

Quero sentir o poema com asas,
Declamá-lo como o mar faria,
Perdendo a voz…
…Sentindo-me poema.

de Maria dos Santos Alves
 
Poema com asas

Maria dos Santos Alves
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Autora do livro de poesia e prosa:
"Grito Oculto"
e ebook " (des)c...