Poemas juvenis

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares da categoria poemas juvenis

admiração

 
admiração
 
no céu de um campo árido
palavras rodopiam bailarinas
pisando o ar como fios
de algodão

ah,
se teus salpicos de pétalas
assim se semeassem
em meu pobre
torrão...

borboletas se arriscariam
a pousar em minhas
mãos.
 
admiração

o carpinteiro encontra-se com o marceneiro

 
Num bailado de estações.
De folhagem peregrina.
De vetustos caminhos.
Desocultam-se as mãos.

Pedaços de pensamentos.
Loucos e soltos.
Como andrajos, a dizer adeus.
Com tremores envoltos.

Mansamente, na talha
recorta-se a chaga exímia.
Nos canais em apogeu.
O sensitivo tece-se em malha.

Sempre que o carpinteiro.
Em artesanal alquimia.
Entre faúlhas e poeiras,
encontra-se com o marceneiro.
 
o carpinteiro encontra-se com o marceneiro

O nariz

 
De nariz torcido.
Com cova no queixo.

Riem-se com troça.

Aos defeitos alheios.
Torcemos o nariz.

Para que lado torces o nariz?

No acento circunflexo
das sobrancelhas.
 
O nariz

O amor de Monny

 
A índia Monny usava penas de ema e pavão.
colares de dentes, anéis de serpentes, pulseiras de capim, unhas de gavião.

Sabia dos mistérios
das almas na selva,
sentia as estrelas
na palma da mão.

A luz dos seus olhos,
chegava às nuvens,
nos pés dos índios
e no coração.

Dançava girando os braços
adornados com fios de lã.

Dormia em taperas,
não via perigos
no escuro da manhã.

Duendes moravam
no meio das grutas.
Recebiam de Monny,
peixes e frutas.

Entre palmeiras,
cactos e coqueiros
a índia Monny
ouvia poemas
de amor.

da boca do índio
que imitava o trote
dos cavalos.

Cheio de calos
andava a dizer:

'pocotó','pocotó','pocotó'...

Cansada de ser só,
soltava os cabelos
no meio do pó.

Logo ao amanhecer,
ouvia o repeteco:
'Pocotó', 'Pocotó...'

Sem tréguas, sem réguas,
iluminavam-se as águas,
as flores e as ervas.

Jovens e velhos
paravam de pescar,
caçar e correr.

Monny tornou-se mulher
no dia em que se casaram
a lua e o sol.

As ervas, as pedras e a selva
ouviam dezenas de vezes:
"Pocotó", Pocótó", "Pocotó".

Um dia, um índio guerreiro
vindo das montanhas,
sem quase nada dizer,
despertou no corpo
e na alma
o amor de Monny.
 
O amor de Monny

Chamar a juventude

 
Fecho os olhos
e tal como uma criança
corro campos e apanho flores
cheia de esperança.

Desabrocho como um bebé
gatinho poças de lama
perco-me nas cores da lua
no colo de uma ama.

Deito-me na relva
e respiro fundo
penso nas coisas boas da vida
e nas coisas más do mundo.

Suspiro,
com canções de amor
Arrepio-me,
com a reflexão de dor.

Estremeço a pensar
no meu trajecto e a minha via
Por agora, vivo o presente,
o futuro, quero viver um dia.
 
Chamar a juventude

@ANDEJO - Infância.

 
Pequenas mãos,
ávidas de terra
farpadas de luz,
na tarde antiga da infância,
sonham.

No pátio da realidade,
um caminhãozinho
leva às estrelas,
um coraçãozinho
brinca de céu.

Sublime,
anjos passageiros
viajam de pau-de-arara,
comemoram, dão vivas,
vestem fantasias de arroz.
 
@ANDEJO - Infância.

simplesmente singela

 
Simplesmente singela

tu que tens olhar de criança que atrai sem querer
que tens cheiro de menina que harmoniza prazer
que sussurra como vento me levando a adormecer
tu que falas como donzela a pegar na língua sem querer
tu que andas toda apressada me levando sempre a correr
para chegar perto de ti e não saber o que dizer.

barreto e fiuza
 
simplesmente singela

penteando

 
serpente
rastejando
no cabelo
mordendo
pensamento
envenenando
a mente
 
penteando

Férias ! ( que estou quase a ter) e Verão que nao vou esquecer - Raquel Cordeiro

 
O primeiro dia de férias
Não há como descrever
Tudo é mais calmo e simples
e a qualquer hora posso comer
Verão é diversão
É piscina
São festivais de verão
É passear o cão
Para quem o tem
Senão…
Azar meu bem
Está hot todo o dia
E mesmo quando há trovões
Há sempre parvalhões
Que vão para a piscina
Todo o dia
Com a Maria
A Maria são todas as raparigas
Que quando há trovões
Vão para a piscina com parvalhões
No Verão vou à praia
Vou nadar ou comer um gelado
Ou as duas coisas
Dá tempo para tudo
Quando se é sortudo e destinado
Sortudo e destinado
É aquele que pode sempre comer um gelado

Raquel Cordeiro
 
Férias ! ( que estou quase a ter) e Verão que nao vou esquecer - Raquel Cordeiro

Conte Para Mim

 
Conte Para Mim
 
Jogue sobre mim a sua dor, seu rancor
Passe para mim seu sentimento de amor
Quantas vezes você pediu por favor
Quantas foram as oportunidades que não aproveitou
Conte para mim tudo que te chateou
Fale para mim quantas lágrimas derramou
Suas histórias estão gravadas,
Suas memórias sobre mim foram eternizadas
Eu sou seu, diga o que te ocorreu
Não me esconda nada, me diga o que te agrada
Me dê detalhes sobre como é sua vida em casa
A sua rotina, ela é conturbada?
Diga para mim se você está magoado, ou magoada.

Descreva como foi o seu dia
Se quiser, escreva uma redação sobre a sua vida
Faça uma anatomia dela, com maestria
Onde estará contida suas tristezas e alegrias
Me faça seu confidente pessoal, não te farei mal
Confie a mim seus sentimentos, estou no aguardo deles
Estarei esperando a chegada da caneta
Tenho certeza que lhe farei bem, venha, não tema
Me preencha com informações, me deixe ciente de suas desilusões
Compartilhe comigo suas decisões, suas intenções
Diga o que quiser dizer,
Escreva o que quiser escrever
Mas escreva e depois me leia.

E, mesmo que passe horas sem me ver
Mesmo que passe horas sem escrever
Vou sempre estar aberto, esperando sua vinda
Estarei aqui, quietinho, mudo como uma formiga
Talvez você nem me note,
Mas minha vontade de você me olhar é forte
Eu te conheço, por isso, aos desafios da vida não te desejo sorte
Pois sei que irá enfrentá-los com firmeza
Mas admito me sentir bem com sua beleza escrita,
Quando me coloca sobre a mesa
Se precisar pode me chamar e me usar
Fico no aguardo, lembre-se que estou em seu quarto
Se necessário, preencha-me com assuntos variados
Aqui quem sala sou eu,
Seu diário.
 
Conte Para Mim

Rosa Bela

 
Rosa Bela
vagarosa,
tímida moça
nordestina.

Esquiva e esquálida,
no corpo de menina,
deixa longe as saias
na areia branca e fina.

Perto da alma,
vê espinhos.

lumina-se na oração.
Lê versos inspirados
no amor e no perdão.

Dobram lágrimas
espelhos quebrados.

Pulsos cansados
sangram no chão.

Rosa Bela solta as cores
no cinza das paisagens
desenhadas no sertão.
 
Rosa Bela

Eco

 
O esteio do vento são as serras.
Sobem-nas em condão.

As serras elevam-se com dons de sacrário.
Guardam o grito.

Da terra em brado.
Das brumas densas, cortejantes.

A pino, sobe-as o eco.
Imenso! imenso!

Que em mim não cabe.
Fico no pé das serras, inventando asas.
 
Eco

Arco-íris

 
Arco-íris
 
Arco-íris

O vermelho com o amarelo
Formam a cor alaranjada
Junta-se o azul e o amarelo
E a cor verde está formada
Mistura o vermelho e o azul
E a cor violeta é alcançada
As cores que se misturam
São chamadas de primárias
E as cores que se produzem
São chamadas secundárias.
Juntando as cores primárias
A cor preta estará formada
Do branco nascem as cores
No arco-iris encontradas.

jmd/Maringá, 08.04.2016
 
Arco-íris

A solidão dos trevos

 
Os trevos assomam
o par em solidão.
Singularmente separados e sós.

Velam-se entre si.
Perante a relação da legada trindade.
E, da invisível compaixão.

A singileza dos trevos aflora.
Vou sem sonho e com o orvalho.
Eles recortam em mim a solidão.
 
A solidão dos trevos

Valeu a pena!

 
Senti revolta, desespero. Fúria e dor. E tanto amor... Não me arrependo da atitude. Tive medo de te perder. Hoje olho para ti e de repente voltaste. Voltei a ver o meu doce menino. Rebelde mas bondoso como mel. Percebi que é muito fácil desviar caminho. Os amigos nem sempre são os certos. Não lhes chamo amigos, lamento. Para mim um amigo não nos arrasta na sua capa. Um amigo não nos influencia naquilo que quer para ele. Um amigo ajuda-nos a voar e a superar. Quando se é jovem não se entende assim. Os amigos são os maiores e queremos segui-los. Ignoram-se as regras, objectivos, vontade própria. Vencer na vida é ter atitude, saber dizer não. É preciso chamar á razão, mostrar a indignação. Bati, gritei, chorei, castiguei... Afastei-te porque entendi ser o melhor para ti. Para mim, para todos os que nada faziam. Agarrei-te com todas as minhas forças. Reuni as condições possíveis e tomei decisões difíceis. Agora vejo-te sorrir e meigo como já não via. Vejo-te mais feliz quando pensei ver-te triste. Falas das aulas, dos testes e olhas de novo para mim. Então valeu a pena mudar! Eu sabia que a tua rebeldia falava mais alto. Mas eu não te podia deixar trepar mais. O amor faz-nos dar a volta ao mundo se for preciso. Agora não era o fim do mundo mas amanhã não sei. Tinha de ser agora... Os teus verdadeiros amigos continuam contigo. Muitos outros farás e vais ver que eu tenho razão! Ser rebelde faz parte da adolescência, também fui. Mas ser irresponsável é um hábito... A responsabilidade adquiri-se e trabalha-se. A vida não é fácil, há tempo para tudo. E o tempo para estudar é agora, está nas tuas mãos!
Nas minhas está o amor e dedicação!

Carta de uma mãe amiga e dedico a todos os jovens que precisem de reflectir e que tenham amor e valor na vida!
 
Valeu a pena!

Ibis

 
Assistes à minha
água de ser.
Desenhando os pontos peitorais.
Nas margens, és uma
das minhas almas.
Crias as manhãs, adormecidas em mim.

Permaneço em tudo,
quanto amo.
Quem ama, ama em oração.
És deusa dos horizontes, meus.
Invocas o universo,
as flores e os lagos.

Ibis, permaneces alheia
ao aprisionamento,
dos meus ardores sentimentais.
Para Bernardo Soares, ibis cantais.



Reino:Animalia
Filo: Chordata
Classe: Aves
Ordem: Pelecaniformes
Família: Threskiornithidae
Subfamília: Threskiornithinae

PS - A ave que Fernando Pessoa admirava/observava, enquanto viveu em Durban, na África do Sul.
Costumava brincar com os sobrinhos, imitando a ave, elevando uma perna no ar, à semelhante do que a ave, Ibis, faz.
 
Ibis

Poema Português - Raquel Cordeiro

 
Quando as portas do castelo se abriram
Todas as princesas caíram
E já com o rabo no chão
Se ouviu um gritão
Era a rainha
Tinha descosido a bainha
E o rei como ficou?
Rebolou, rebolou e rebolou

Raquel Cordeiro
 
Poema Português - Raquel Cordeiro

UM LUGAR CHAMADO INFÂNCIA (A BONECA)

 
Olhos azuis,
de boneca,
fixos!

Parados no tempo
e no espaço.

Olhando... olhando...olhando.

(Talvez procurando
a menina
que com ela
brincava
no seu tempo de infância).

O sorriso da boneca
atravessou o tempo
junto comigo;

suplicando amor e carinho
para a menina que sempre fui.

Fito estes olhos
azuis,
e sinto saudades
do lugar chamado INFÂNCIA!

Onde tudo era permitido.
E os sonhos,
eram verdadeiros.

Observo os olhos azuis
e revejo os bons sentimentos
que povoam a infância
de qualquer menina
que é feliz...

(E, sendo mulher,
não pode
nunca mais olhar para trás).

Os olhos azuis da boneca,
Olham e esperam
e esperam
pela menina.

Parece-me ver uma
pequena lágrima
brilhando nos olhos
do brinquedo.

Olhos,
que fitam o tempo
passando,
inevitavelmente.

Olhos bonitos
daquela boneca
que ficou esquecida
num cantinho
da minha vida.

Saleti Hartmann
Professora/Pedagoga e Poeta
Cândido Godói-RS
 
UM LUGAR CHAMADO INFÂNCIA (A BONECA)

Firim fim fim

 
Firim fim fim
 
Firim fim fim

Firim fim fim,
Deixa as flores no jardim
Deixa o padre na capela
Deixa a moça na janela
Que eu vou falar com ela

Firim fim fim
Deixa as flores no jardim
Deixa a criança brincar
Deixa a criança estudar
Para o mundo melhorar.

jmd/Maringá, 03.04.17
 
Firim fim fim

A Nova Vizinha

 
A Nova Vizinha
 
Ludmila, Ludmila era seu nome
A conheci em uma de minhas aventuras de adolescente
Me lembro até exatamente quando, e onde
Ela era a filha de um conhecido do meu pai, o senhor Vicente
Ele, junto a filha e sua esposa, acabavam de se mudar,
Disseram ao meu pai que Tiradentes era uma bela cidade para se morar,
No meio daquelas conversas longas de adultos,
Eu me mantive afastado, conversando com o meu outro vizinho, o Vitor Hugo
Compartilhávamos de casos engraçados, e sempre duvidando entre ambos
E a esposa do senhor Vicente, a dona Marta, só ficava nos observando
Eis que ela sussurrou algo, talvez hilário, para ela,
E foi nesse dia que tive o primeiro contato com Ludmila
Aparentemente, Hugo já a tinha visto logo que chegou em nossa vila
A dona Marta disse para ela conversar conosco,
E o assunto que tivemos naquele dia, eu me lembro até hoje.

Eu estava muito tranquilo
O Hugo estava contando um caso de seu primo,
E eu estava rindo de tudo o que era possível
Mas Ludmila me olhava como se eu fosse um lunático
Não estava rindo do caso do Hugo, e sim de mim
Mas estava tudo bem, confesso até que possuo até hoje uma fragilidade,
Mas deixarei isso de lado
E, ao fim do assunto, Hugo me disse ao pé do ouvido,
"-Vai fundo", e eu juro que não havia entendido
Ele havia me dito, depois de alguns dias,
Que Ludmila havia "demonstrado sinais de interesse".

Ao cair daquela tarde, fui tocar a campainha dos novos vizinhos
Muito educado, perguntei dona Marta se a filha dela poderia me encontrar
O pensamento da mãe dela era que eu não iria apenas conversar,
Mas era exatamente o que eu gostaria de fazer, só conhecê-la
Graças a Deus, ela me deixou ver a filha dela, e saímos para nos entender
Acabei descobrindo o quanto ela gostava de ler, e também de escrever
Que grande sorte minha, eu também
E acredito que a nossa conversa naquele dia foi muito bem.

Hoje somos amigos, e gosto muito disso
Falamos de tudo, até do impossível
Compartilhamos até mesmo os assuntos indevidos,
Mas talvez o que Hugo havia me dito comece a se mostrar possível
Não sei, espero aqui, feliz e tranquilo, talvez seja verdade
Mas não fará mal nenhum se um sentimento novo nascer em meio a nossa amizade.
 
A Nova Vizinha