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Poemas : 

O Lamento De Outro Jó

 
Andava ébrio, girando, tonto;
Estrelas pululando ao seu redor
Achando-se do mundo o maior
Que era o centro do céu, o ponto.

Ninguém se encantava com o canto
Com suas lamúrias, (fingimento-mor)
Sabia o Alcorão e o Evangelho de cor
Que o frio era de acordo com o manto.

Pobre de "marré-de-si"! Novo pobre Jó!
O cérebro se derreteu com tanta "bobiça"
Que fica contando estrelas no firmamento!

Tudo e todos somos e voltaremos para o pó!
Nada somos! Somos apenas fétida carniça!
Nem mesmo as pedras ouvem o seu lamento!


Gyl Ferrys

 
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Gyl
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Enviado por Tópico
sendoluzmaior
Publicado: 20/01/2016 19:16  Atualizado: 20/01/2016 19:25
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Mensagens: 4518
 Re: O Lamento De Outro Jó
Ok, você não vai parar com isso.


Enviado por Tópico
visitante
Publicado: 20/01/2016 20:40  Atualizado: 20/01/2016 21:55
 Resposta dess'outro Jó, sem paciência
Então, Job é muito rico, tinha muitos bens, tinha esposa, tinha filhos, tinha criados e tinha muito gado, era muito rico mesmo. E depois o demónio tinha inveja daquilo tudo [e] pediu a Jesus que queria Job para ele. E Jesus disse para ele:
- Não, Job não te dou, dou-te os bens dele, vai-lhos tirando conforme tu entenderes. Então, o demónio que [era] mauzinho, claro, logo se diz que é Satanás, é mau, coisas diabólicas são sempre más. Mas Jesus prometeu-lhe tudo menos a alma de Job que a queria para ele. Então, o demónio, hoje tirava-lhe uma filha, matava-lhe a filha, matou-lhe a esposa, os filhos todos, vá lá. Matou-lhe os filhos todos, matou-lhos mesmo, matou-lhos mesmo, é demónio, eram mortos mesmo que ele apanhava-os de caminho eles morriam assim fulminantemente. Dizia a minha mãe que eles que apareciam mortos, iam para a terra e que já não apareciam em casa, mortos. E depois tinha gado, levou-lhe o gado todo, matou-lhe tudo, tudo, tudo. E por fim encheu-o de feridas, de chagas.
Então os vizinhos diziam assim:
- Ó Job...
Porque naquele tempo diziam que quem fosse castigado que era por uns pecados que tinham: aquela pessoa é má, é castigada. É Deus que está a castigar. Não era Deus que Deus não castiga ninguém, é o demónio, é aí que foi o demónio que entrou.
Entrou mas levou os bens não levou Job porque Job foi sempre sério, sempre seguro. E as pessoas diziam assim:
- Ó Job, o que é que tu fizeste para Deus te castigar tanto?
- Deus não castiga, Deus deu e Deus vai tirando.
A ideia de Job era essa: Deus deu e Deus tirou.
Pois Deus prometeu ao demónio para tirar tudo até à última menos a alma dele. Então aquilo desapareceu tudo até ao fim, até estar mesmo no extremo todo doente.
E Job pediu a Nosso Senhor: “o que é que ele queria mais dele”.
E Jesus respondeu-lhe:
- Quero a tua alma mas vais novamente ter nova família.
Deu-lhe nova esposa, nova família, deu-lhe nova fortuna mas não permitiu mais que o demónio se metesse na vida dele. E disse para Job:
- Quero a tua alma nunca mais a percas, nunca mais te deixas.
Porque ele também não se deixou levar, porque ele também se dizia assim: ‘Deus deu e Deus tirou’, foi sempre firme até ao fim. É por isso nós dizemos assim:
- Eu queria ter um bocadinho de paciência como Job teve.


Agora se me der licença vou comentar esta forma de textualizar de uma forma caustica tb mas não destrutiva muito pelo contrário

Versos despreocupados, linguajar informal e livretos coloridos. Esses são os ingredientes principais para compor uma boa literatura de cordel.
Inspirada na literatura de cordel portuguesa, onde os autores declamavam seus textos para o público acompanhados do som de uma viola, e também na literatura francesa de colportage do século XVII, que tinha o objetivo de difundir a linguagem popular, a nossa literatura de cordel veio com os próprios colonos portugueses e nasceu no Nordeste do Brasil. Seus versos falam sobre a trajetória do povo do sertão.
Os textos são poéticos, rimados e publicados em pequenos livros de papel feitos manualmente pelos próprios autores. Eles são feitos com apenas uma folha dobrada estrategicamente para formar oito páginas, mas alguns podem chegar até 32. A venda também é feita pelos autores, geralmente em feiras nordestinas ou nas ruas, onde são expostos em um fio de barbante.
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Os temas são variados e representam, principalmente, a opinião do autor a respeito de algo na sociedade e no seu cotidiano. A linguagem não é impessoal e muito menos imparcial, são utilizadas várias técnicas de persuasão para convencer o leitor a acreditar nos acontecimentos narrados nos cordéis.
Os assuntos transitam entre aventuras, mitos, lendas, romances, boatos e histórias cômicas. É muito comum encontrar também cordéis que reproduzem desafios de ícones nordestinos como Lampião, Padre Cícero e Frei Damião. Os temas mais sérios como os religiosos, políticos e sociais também estão muito presentes. Grande parte dos autores aproveita para criticar a realidade e as condições em que vivem, sempre abusando da ironia e do sarcasmo.
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Podemos dizer que o cordel também tem caráter jornalístico, já que os desastres, as inundações, as secas, os cangaceiros, as reviravoltas políticas são retratadas em centenas de títulos por ano. Um bom exemplo disso é o cordel intitulado “A lamentável morte de Getúlio Vargas", que foi feito imediatamente após o cordelista Delarme Monteiro da Silva escutar a notícia do suicido do ex-presidente no rádio. O sucesso foi tanto que ele vendeu 700 mil exemplares em apenas dois dias. Outros assuntos da mídia que tiveram grande repercussão foram "O trágico romance de Doca e Ângela Diniz" e "Carta do Satanás a Roberto Carlos”, este último inspirado na música "Quero que vá tudo pro inferno”, do rei da Jovem Guarda.
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Entre os autores principais estão Leandro Gomes de Barros e João Martins de Atahyde. Leandro foi o pioneiro na publicação, edição e venda dos poemas e lançou o primeiro cordel em 1893. Ele foi o mais famoso e importante cordelista e vendeu mais de um milhão de exemplares do seu livreto “O Cachorro dos Mortos”.
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Já João, foi o que mais produziu, além dos seus inúmeros escritos, ainda comprou os direitos autorais das obras de Leandro quando ele faleceu. Cuíca de Santo Amaro, também foi um importante autor e talvez o mais radical de todos. Fazia denúncias contra corruptos de sua época e era amigo íntimo de Jorge Amado, que o incluiu como personagem em alguns de seus contos, como o famoso “A Morte de Quincas Berro D’água”.
Outra característica marcante da literatura de cordel são as xilogravuras. Esse método de ilustração é primeiramente esculpido em madeira e depois impresso no papel. As capas dos livretos são sempre ilustradas com esses desenhos e, atualmente, muitos xilógrafos nordestinos vendem suas gravuras individualmente.
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Esta manifestação popular já foi muito estigmatizada e sofreu muitos preconceitos pela informalidade de sua estrutura e linguagem. Com o passar dos anos, passou a ser cada vez mais respeitada e hoje é admirada por muitas pessoas em diferentes lugares do país, tendo ganhado, inclusive, uma Academia Brasileira de Literatura de Cordel.
Juntando poesia, gravura e protestos, a literatura de cordel representa uma das mais interessantes expressões da arte brasileira. Além disso, influenciou renomados escritores brasileiros como Jorge Amado, Guimarães Rosa e José Lins do Rego, mostrando que nem sempre o que é popular é de baixa qualidade.

Ave-Maria da Eleição Leandro Gomes de Barros
No dia da eleição O povo todo corria Gritava a opposição Ave Maria.
Via-se grupos de gente Vendendo votos nas praças E a arna dos governos, [a urna do governo] Cheia de graça.
Uns a outros perguntavam O Sr. Vota comnosco Um chaleira respondia Este é com vosco.
Eu via duas panellas Com miudo de 10 bois Comprimentei-a dizendo Bemdita sois.
Os eleitores com medo Das espadas dos alferes Chegavam a se esconderem Entre as mulheres.
Os candidatos chegavam Com um ameaço bruto Pois um voto para elles E' bemditos fructos.
O mesario do governo Pegava a urna contente E dizia eu me gloreio Do teu ventre.
A opposição gritava De nós não ganha ninguem Respondia os do governo Amen.


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Enviado por Tópico
visitante
Publicado: 21/01/2016 09:19  Atualizado: 21/01/2016 09:19
 Re: O Lamento De Outro Jó
é verdade que '...somos e voltaremos para o pó!
Nada somos!'. parabéns, amigo Gyl.


Enviado por Tópico
Volena
Publicado: 21/01/2016 15:04  Atualizado: 21/01/2016 15:04
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 Re: O Lamento De Outro Jó
Amigo talvez sejamos uma velinha de sândalo que se vai apagando e se torna cinza...só Deus sabe.
Gostei muito e perdoe mandar-lhe o meu testemunho, abraço Vólena
*******
Podia ter sido um passarinho
de penas luzidias e acetinadas
embelezasse o céu ao esvoaçar
e oferecesse alegres chilreadas.

Podia ter sido uma borboleta
transparente leve e graciosa
encantasse quem me olhasse
e fazer inveja à própria rosa..

Podia ser um amoroso anjinho
atirando setas, rindo à socapa...
asinhas brancas e todo nuzinho.

Podia ser linda, parecer uma fada
mas que sou eu afinal na vida…
Um ponto no espaço, mais nada!


Enviado por Tópico
visitante
Publicado: 26/01/2016 10:40  Atualizado: 26/01/2016 10:40
 Re: O Lamento De Outro Jó
Obrigado pelo entusiasmo na leitura dos meus simples e pobres textos espero que traga com os inspirados seus, luz aos céus da boca e do mundo ...