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Sonetos : 

Soneto da boca do idólatra

 



Qual átrio de templo subterrâneo é a boca idólatra,
abluída na pia sepulcral, asseada em prato de rubis;
acólito de canhestro Anubis acode o mal o ofiólatra,
chafurda às trufas bolotas nos colmilhos dos javalis.

Terrível se queda imerso, recluso do mal que late,
encarcerada a gira soa a repreensão dos imortais;
cerra no mármore gélido a palavra que não abate,
adentrado nas votivas noites aos arrastos brutais.

Quiçá exista a palavra que voe através das brisas,
mais outra vez envolta, é o absenteista que arrasta,
a ser tutelado em asseada sombra pelas pitonisas.

Se ao alvitre da razão não fosse uma vida suficiente
culpado de tudo e nada, todo mal do pico não afasta,
sobre tal cupidez nasce o sol ofendido permanente.

 
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ReflexoContrito
 
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Enviado por Tópico
visitante
Publicado: 25/03/2016 22:37  Atualizado: 25/03/2016 22:37
 Re: Soneto da boca do idólatra
Até lembrei de Cruz e Sousa, muito bom soneto!