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Poemas : 

quarenta e dois, Bill Withers

 
O meu espelho
é um rio que passa
depressa.

Corrente que não se espaça;
no seu lugar
apenas começa.

Conto luas cheias
à velocidade da luz.
E tardes cruas nas veias.
Pergunto-me se ainda vou a tempo,
da graça,
de ver a água que passa.

Em cada regresso ao passado que guardo num perfume velho,
descubro hoje um aroma,
ao acaso,
e temo a medo o atraso…

O que será que se atrasou comigo,
que à velocidade cobre da brisa,
deixei de degustar,
guardar na boca, dissolver na saliva?

Caviar, beijo, orgia…
(sem dúvida, orgia)

Entre
correntes e prisões
e tantas outras liberdades,
há metades que correram inteiras,
pés atrás
que seguiram em frente.

Hoje ouvi
um belo dia,
no meio de um dia belo,
cedo.

Tirei da coberta mais um dado adquirido
que me custa e maravilha.

É quando me apanham no que sou menos,
que sei que ainda posso, sei ali, reinar numa captura,
que rebento num riso, num pranto,
num poema.


A minha pátria é a língua portuguesa.
Bernardo Soares

Saibam que agradeço todos os comentários, de coração...
Por regra não respondo.



 
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Rogério Beça
 
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Enviado por Tópico
Nanda
Publicado: 31/08/2019 13:35  Atualizado: 31/08/2019 13:35
Colaborador
Usuário desde: 14/08/2007
Localidade: Setúbal
Mensagens: 11186
 Re: quarenta e dois, Bill Withers
Rogério,

Mais um belo poema de um resistente que ainda por aqui anda.
Bj
Nanda