
Deus Morto?
Ah, meu Deus, esta é a minha face,
toda cheia de verdades;
mas verdade alguma existe,
exceto uma:
tu começas a morrer assim que nasces.
Fiz de uma casa um continente,
cheio de cômodos e de uma cozinha,
perdida, coitadinha,
encolhida e profunda.
E toda a ignorância que nela abunda
grita ao mundo:
— Adivinha!
Claro que, quando sumir o último burguês
de um pequeno espaço aflito,
haverá um absurdo arquétipo brutal
neste mundo, agora virtual,
que tua face fez e desfez.
Ah, meu Deus, então adivinha:
de que vale tanta filosofia,
se até já te disseram morto,
e tantos aplaudiram sem nenhum desconforto,
enquanto, até hoje, cacarejam como galinhas?
alexandre montalvan
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