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Poemas : 

solstício

 
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ceifando águas resistentes à luz do vento
vi-te pela transparência das pétalas esvoaçantes.

. alvoroço constante.

como ar deslocado pelas palavras
perante esta insensatez

persegues
e desentranhas cantos opostos desnudados
enquanto

exageradamente
refazes o nosso tempo com outras cores. esse nó

intimamente escondido na garganta
refulge na assimetria do traço imperfeito

enquanto desiquilíbrios
destecem nomes de dentro para fora. silêncios.
(afinal o solstício ainda agora recomeçou...)



Ricardo Pocinho - O Transversal



"Floriram por engano as rosas bravas
No inverno:veio o vento desfolha las..."
(Camilo Pessanha)

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Transversal
 
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Enviado por Tópico
Rogério Beça
Publicado: 27/06/2020 05:58  Atualizado: 27/06/2020 05:58
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Mensagens: 1861
 Re: solstício
As saudades que tinha destes poemas da tua lavra.
Este, claramente, é de livro.

"...ceifando águas resistentes à luz do vento..."
Que beleza, logo para começar. Misturas elementos aparentemente imiscíveis, a água, a luz e o vento.
Podes ter água com vento (tipo Pedras, ou Vimeiro) mas água com luz é outra fruta (Luso?) a luz do vento é uma valente metáfora para o conhecimento da mudança, sendo o vento a mudança e a luz, bem, está subentendido.

"...como ar deslocado pelas palavras
perante esta insensatez..."

O ar deslocado pelas palavras sugere gritos, força, e a insensatez é uma demonstração de força bruta, mas fraca. Sensatez é força forte (permite-me o pleonasmo).

Depois surge o momento alto do poema, muito literal mas que qualquer ser humano se identifica:
"...esse nó
intimamente escondido na garganta..." é uma dor estranha que nos tira o apetite e a capacidade de deglutição, até o ar custa a entrar.

E claro terminas com um terceto não menos destacável.

Poemas destes não aparecem muitas vezes, nem em ti que escreves tanto e tão bem.

Muitíssimo obrigado pela partilha.
Já guardei.

Abraço

Enviado por Tópico
IsabelRFonseca
Publicado: 29/06/2020 12:35  Atualizado: 29/06/2020 12:35
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 Re: solstício


Lindo sentimento neste alvoroço das palavras
entre cantos desnudados num solstício
de perfeitos silêncios em nó

um abraço poeta maior

Ricardo Pocinho - O Transversal