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Das palavras perdidas adornadas em sussurros,
pintam-se algumas telas suspensas num quarto deserto,
despovoados os barulhos ali fora, tão perto,
absurdos os ecos julgados revelados de tão omissos, tão perto.
Não encontrarei um universo, isso não é para mim,
nem ctónico que seja, nem revelado pelas vicissitudes dos impossíveis temores,
saberei dos gritos, dos gestos que me revelaste
anestesiando o mar em sobressalto.
Poder-te-ia imaginar, apenas
numa pausa do olhar, perene o olhar,
e a mesma voz outrora débil, clamaria em trovão pelo ondear
neste entardecer deserto.
E,se não houverem mais palavras?
Ficará esta hemorragia que nos persegue mar adentro, sei-o
pelo desfalecer das velas enfunadas mirrando a cada ventania,
tão símiles aos grãos de areia secos pelo sol a pique.
Avisa-me da chegada dos nenúfares perfeitos quando a matina te clarear os sonhos.
Clareia-me o hoje afora.
(Ricardo Pocinho)
Ctónico (ou ctônico) – que reside nas cavidades da terra. Segundo a mitologia grega referia-se aos deuses ou espíritos do mundo subterrâneo