https://www.poetris.com/
Poemas : 

A Geometria dos escombros

 


Ensurdecedor se levanta o pó
e a cidade cega tateia em desespero.
Janelas envidraçadas se entregam
de peito aberto até que o ar
se encha de chuva
de estilhaço.
Alguns pilares resistem à vibração
do ar, como soldados suicidas,
enfrentam explosões
da temperatura hedionda
e vão trepidando e se quebrando
antes da desconstrução fatal.
Por alguns minutos, cinzas
sufocam gemidos e estes sucumbem
ao silencio.
Alguns gritos chegam com o vento;
balburdias da correria
pós conflitos
depois que a poeira senta
e a cinza se cola em alguns
bravos monumentos,
escombros revelam ao mundo
suas geometrias
e a dor calada em cada fotografia


Leia mais: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=317642 © Luso-Poemas




Nem sempre as palavras que me carregam
contam de mim, e, ainda assim. suportam tudo que levo,
porque sabem do meu gosto de pensar...





Face lll de MarySSantos
 
Autor
MarySSantos
 
Texto
Data
Leituras
149
Favoritos
0
Licença
Esta obra está protegida pela licença Creative Commons
12 pontos
6
3
0
Os comentários são de propriedade de seus respectivos autores. Não somos responsáveis pelo seu conteúdo.

Enviado por Tópico
Jorge Santos
Publicado: 17/01/2023 22:04  Atualizado: 17/01/2023 22:04
Subscritor
Usuário desde: 18/08/2021
Localidade: Azeitão, Setúbal, Portugal
Mensagens: 1977
 Re: A Geometria dos escombros


Enviado por Tópico
GabrielaMaria
Publicado: 18/01/2023 09:31  Atualizado: 18/01/2023 09:31
Da casa!
Usuário desde: 04/09/2022
Localidade:
Mensagens: 327
 Re: A Geometria dos escombros
.
Encontrei o máximo nessa renovação ou apresentação.
Abraços!


Enviado por Tópico
Rogério Beça
Publicado: 25/01/2023 17:04  Atualizado: 25/01/2023 17:04
Colaborador
Usuário desde: 06/11/2007
Localidade:
Mensagens: 1678
 Re: A Geometria dos escombros
Azulejo em pó, é só juntar água



Já guardei um tijolo dos destroços,
está num monte à minha espera
com vidros, azulejos e a primavera
e sangue, carne apodrecida, ossos...

Se fizer, à mão, um castelo e fossos
com esse entulho, onde antes era
um país, uma pátria, uma fera,
onde se bebia de tantos poços,

ou posso construir, repetir pontes,
de mais tijolos de outros montes:
um quebra-cabeças decapitado.

Neste eterno e escurecido inverno,
nas mãos apenas guardo o inferno
e todas as pontes sem o outro lado.


de cheiramázedo