Quando esvoaçou o último morcego,
Subtil e manso, sem quentura dada,
Rutilando mudo pela calçada,
Veio o sol à tumba do meu sossego.
Luz, como a voz dum filósofo grego,
Ali tão presente, mas não gerada,
Na ínfima fresta viu a sua entrada,
Luzindo na mortalha do aconchego.
E lutámos como amantes na cama,
Sem amor que avivasse a débil chama,
Campa minha, em que arena te tornaste?...
De mim para mim uma dor exclama:
- Ergue-te dessa cova onde tombaste!
Pela alma dos versos que ainda não cantaste!
19 de Fevereiro de 2026
Viriato Samora