Sempre sobra
se a obra é de valia e monta
as mãos, nem aos pares
são iguais, acuso.
Mas, é quando está pronta,
e a conta se cobra
que parecem milhares
um só parafuso.
Coisa de zelo
falta
ou
excesso.
Por vezes, é melhor não tê-lo.
Onde uns vêem parafusos a menos,
outros vêem parafusos a mais.
Sou fiel ao ardor,
amo esta espécie de verão
que de longe me vem morrer às mãos
e juro que ao fazer da palavra
morada do silêncio
não há outra razão.
Eugénio de Andrade
Saibam que agradeço todos os comentários.
Por regra, não respondo.