Poemas : 

(des)aparafusar, ou poema mais ou menos

 
Sempre sobra
se a obra é de valia e monta

as mãos, nem aos pares
são iguais, acuso.

Mas, é quando está pronta,
e a conta se cobra

que parecem milhares
um só parafuso.

Coisa de zelo

falta
ou
excesso.

Por vezes, é melhor não tê-lo.

Onde uns vêem parafusos a menos,
outros vêem parafusos a mais.


Sou fiel ao ardor,
amo esta espécie de verão
que de longe me vem morrer às mãos
e juro que ao fazer da palavra
morada do silêncio
não há outra razão.

Eugénio de Andrade

Saibam que agradeço todos os comentários.
Por regra, não respondo.

 
Autor
Rogério Beça
 
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