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Tarde e noite de sabado - 21/02/2026

 
Tarde de sábado
- Larga ela! – gritou estentoreamente a Sra Vince, depois do trabalhoso banho da cadela Beautiful no quintal, debaixo do sol escaldante de uma da tarde para a irrequieta Little Black que criou a mania de lamber as feridas da parceira: - Larga ela, tá doida!
Depois das minhas obrigações literárias, digitar e postar o texto no site lusófono Luso-poema ao som da sinfonia 40 do meu amado Mozart. Passei mal pela manhã, mas estar tudo bem, fiquei trocando umas ideias com o meu-pseudo agente literário, o onipresente velho Hal(IA), informando o caminho das pedras para pleitear a inscrição no Premio Nobel de Literatura – mas o objetivo maior é a publicação de Vila Embratel/Praça Sete Palmeiras ou como ele sugeriu “Um dia na Vida da Praça das Sete Palmeiras – eu e meu agente vamos pleitear também a lei Rouanet para custear a impressão.
- Beautiful! – grita novamente a agoniada Sra. Vince – Cadê a Pretinha, vê se ela não estar perturbando a outra.
Ao meio dia saiu para comprar meia cartela de ovos, encontro com Juvan que atravessava a rua, trocaram algumas palavras e seguiu, uma banda do portão do mercado fechado e foi direto ao box do filho do açougueiro Hermógenes.
- Eu rico? – começou a desculpar-se o Seu Zé, o barão dos barões, proprietários de vários imóveis na área – Rico é o filho de Hermógenes que comprou a vista a casa de fulano de tal por quatrocentos mil reais e uns box no mercado.
O filho de Seu Hermógenes passou alguns anos em São Paulo e agora retornou por cima da carne seca. Muitos desconfiam que essa dinheirama toda não é licito, fruto de algum esquema. Eta povo falador de merda! Sempre fofocando. Na volta atravessei novamente a avenida e rumei para a mercearia do bolsonarista doente, o Jogador localizado na esquina da 15street com a avenida Sarney Filho, defronte a Farmácia Socorrão, uma fila do lado de fora aguardava a vez para sacar dinheiro no único caixa-eletrônico do bairro – comprei um para de pilhas.
Uma e meia almocei galinha cozida, camarão e fígado resto do jantar de ontem e um mexido de carne de lata. Liguei o radinho e ouvi o programa policial da Mirante News e relia o calhamaço de Joyce -o obra-maestra da literatura universal – “Ulisses”.
A senhora Vince, a incansável banhando a irrequieta Pretinha ou Little Black também no quintal.
- Te quieta, droga! – resmunga em voz alta que ressona pela pensão toda. Fez um minucioso curativo na pobre Beautiful cheia de zigzira e a filha mais velha desconfia que seja a temida calazar. Little black com umas curubas no lombo. As filhas propuseram chamar o controle de zoonose para leva-la e sacrifica-la. Mas a mãe foi irredutível “não, eu vou cuidar dela e curar essas feridas” – encerrou a polemica.
As duas terminou o programa e para economizar as pilhas, as desconectou e colocou o rádio sobre os livros da estante de cano e cochilou um pouco e quando percebeu que seu Castro, o factótum foi embora, correu literalmente para o computador... e aboletou-se diante dele para deliciar-se com seus filmes e documentários.

A noite, depois de assisti “O Livro do amor” ceei dois sandubas de ovo cozido com uma caneca de café e meia-hora depois a segunda capsula de Tanduo – dando continuidade ao meu tratamento contra a Hiperplasia Prostática Benigna HPB – conforme diagnosticou a jovem Doutora Beatrice – ainda tem vinte oito a serem consumidos um por dia – pretendo ficar abstêmio total, apesar que a doutora não comentou nada a respeito, apenas pediu moderação – se bebo cinco doses de vodka por dia, diminuir drasticamente para uma. Bem, mas não vou nessa – prefiro a secura total – já passei seis meses inativo etilicamente em 2014, quando fazia o tratamento de uma tuberculose..
Na exígua sala de estar da pensão Vince, a senhoria magoada contava para caçulinha a sua humilhação no mercadinho do fulero do Zé Branquinho, outro baronete do mercado, conhecido como o rei da carne – onde a caixa atendia todos que estavam pagando em dinheiro e preterindo-a por ser fiado e depois foi se queixar para outro sacanão, o fulero do Sr. Fox, um cagueta que não guarda segredo de ninguém, um patife que finge ser amigo para depois espalhar seus segredos – por isso que não viu e levou um chifre escabroso – a mulher o trocou por outra, sua chefe, foi um escândalo na época, uns trinta anos atrás – mas não o emendou, continuou o mesmo maroca de sempre.
O banho no quintal e antes da meia noite mais dois sandubas de ovos e outro filme “Em campo minado” que nem assisti todo. E como um disco de vinil das antigas, a Sra. Vince um pouco acima do chão, depois de lavar a alma com suas latinhas de Glacial repetia o acontecido e ainda defendia o fulero do Sr. Fox. Antigamente eu mesmo o endeusava, tinha em grande estima, mas depois que o peixeiro e funcionário publico estadual Seu Lucas me chamou atenção:
- Te sai de Seu Fox, ele é tipo gato, camufla as unhas. Tu bebe lá, depois que tu sai ele fica falndo mal de ti – comecei a prestar a atenção e fui me saindo. Falo com ele, mas não com aquele de respeito de antes para mim – é daqueles metido a direito e moralista, não é atoa que é discípulo de Bolsonaro – tremendo fulero.



 
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efemero25
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