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RESENHA (uma conversa entre Léo e Beto)

 
[Léo entra caminhando, Beto já está no palco. Se cumprimentam com soco fechado]

— Léo:

A nova, mano, já manjou a fita?
Aquele bagulho lá do outro dia?
Negócio no grau, o fervo agita,
Mas virou zona, entrou numa fria.

— Beto:

Tava escrito, brother, tava na cara
que o treco torto ia funfar assim.
Quando o cria deu de dar a vara,
Eu sabia que o esquema era ruim.

— Léo:

Era parada fácil. Só desenrolar,
Era fazer andar. Tocar sem pressão.
Mas surgiu um enrosco de lascar,
o trem todo entrou na contramão.

— Beto:

Foi quando pifou e parou a onda
Mexeu na geringonça sem a manha.
Cena ficou feia, desandou redonda,
E, na treta, no rolo, ninguém ganha.

— Léo:

Pior! Bicho no corre veio com migué,
disse que o movimento tava na mão,
E, na hora do vamô vê, meteu o pé,
sumiu, deixou a tranqueira no chão.

— Beto:

Que aperto! Só babado doideira!
E agora, resolve como essa brasa?
Ou coisa logo, ou vai virar leseira,
O B.O. bate e chega na tua casa.

— Léo:

Pode crer, mas eu já dei meu grau,
botei as bugigangas todas pra rodar,
quebrei o galho todo, coisa e tal,
agora só o paranauê... prá finalizar.


[Léo e Beto se olham, concordam entre si e viram para a plateia]

REFRÃO [duas vozes em uníssono]

[Estrofes 1 e 2: Léo e Beto cantam juntos]

No esquema, no lance ou no corre
Quando a bola esta na nossa cola
Na manha, suave, bora evitar o porre
Se pintar enrosco, a gente desenrola

A parada segue, segue o movimento.
Qualquer treta a gente faz o esquema.
Continua, no jeito, com nosso talento.
É nóis que toca todo esse sistema.

[Estrofe 3: Call-and-response com a plateia]

“No corre, no bagulho é cada mané” [Performers]
“Cada enrosco que cai na nossa mão” [Plateia]
“A manha é nossa, e não cabe migué” [Performers]
“É nóis na fita, irmão, nesse mundão” [Plateia]

[Finalização]

— Beto:
Firmeza então. Vai fazer o esquema
com os trecos e troços do pico?

— Léo:

Se vou. Se o negócio não dá problema,
amanhã o lance todo tá no tico.

— Beto:

E depois que resolver essa parada,
a gente faz aquele rolê da hora?

— Léo:

Rola, mano. Coisa garantida,
se o bagulho funfar é sem demora.

— Beto:

Saquei. Qualquer enrosco tu me avisa,
Vou zerar o rolo, eu manjo do riscado.

— Léo:
Valeu, parça. É disso que precisa:
alguém que entende o corre complicado.

— Beto:

Tamo junto, irmão. É nóis na fita.

— Léo:

Sempre.
Segue o movimento, giro se prepara,
o esquema pira, a manha é infinita,
e o bagulho todo ainda se repara.

[Ambos se abraçam firmemente, mano a mano, e congelam por 2 segundos antes de blackout/fade]
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Souza Cruz

Concordo que meus escritos (via de regra) saíram de de livros velhos.

Para variar escrevi essa peça em dueto usando léxico-coringa em decassílabos (predominante).
 
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souzacruz
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