— Léo:
E aí, cumpadi, tu manjou a fita?
Aquele bagulho lá do outro dia?
O negócio no grau, sempre agita,
mas o lance virou uma zona fria.
— Beto:
Tava escrito, brother, tava na cara
que o troço ia funfar torto assim.
Quando o cria deu de dar a vara,
Já sabia que o esquema era ruim.
— Léo:
É que a parada era só desenrolar,
fazer o corre, tocar sem pressão,
mas surgiu um enrosco de lascar
o trem todo entrou na contramão.
— Beto:
Foi quando rolou aquela tal onda
Mexeu na geringonça sem manha?
Cena ficou feia, desandou redonda,
Na treta, no rolo, ninguém ganha.
— Léo:
Pior! Bicho depois veio com migué,
disse que o movimento tava na mão,
E na hora do vamo vê, meteu o pé,
sumiu, deixou a tranqueira no chão.
— Beto:
Que aperto! É só babado doideira!
E agora, resolve como essa brasa?
Ou coisa logo ou vira trambiqueira
ou o B.O. bate e chega na tua casa.
— Léo:
Pode crer, mas eu já dei meu grau,
botei a bugiganga toda pra rodar,
quebrei o galho todo e tal
e agora é paranauê pra finalizar.
— Beto:
Firmeza então. Vai fazer o esquema
com os trecos e troços do pico?
— Léo:
Se vou. Se o negócio não dá problema,
amanhã o lance todo tá no tico.
— Beto:
E depois que resolver essa parada,
a gente faz aquele rolê da hora?
— Léo:
Rola, mano. Coisa garantida,
se o bagulho funfar é sem demora.
— Beto:
Saquei. Qualquer enrosco tu me avisa,
que eu desenrolo, eu manjo do riscado.
— Léo:
Valeu, parça. É disso que precisa:
alguém que entende o corre complicado.
— Beto:
Tamo junto, irmão. É nóis na fita.
— Léo:
Sempre. O movimento segue, o giro não para,
o esquema gira, a manha é infinita,
e o bagulho todo ainda se repara.
Souza Cruz