Monday, 11
- Se deixar um dinheiro nas mãos de Charmille, pode acreditar que vai receber – Vangloriou-se o próprio depois de entregar uma certa importância para Dona Noca, uma de suas habituées. – Não fico com nada de ninguém.
- Eu tava muito louca, tu acredita que ainda fui na casa de mamãe numa moto uber – disse Dona Noca com a cara de ressaca e sentando-se para mamar a primeira cerva da manhã.
O poeta ferrou Dr. Colhão ou Marinaldo o limpador de piscina que bamburrou ontem na portaria de um restaurante na avenida dos holandeses, Calhau – Dias das mães, o movimento foi intenso e as gorjetas também. Comprou um uritinga no Seu Maziro na banca improvisada na Praça do Bacurizeiro, Vila Embratel, queria beber um caldo grosso – esperava o vizinho barbeiro para se quitar de um corte de cabelo que ficou devendo desde a semana passada, enquanto isso sorvia homeopaticamente uma gorotinha de cana Gostozinha e conversando com Juvan Senior que depois um longo período largo da oficina apareceu e desabafou as suas a magoas e ressentimento contra um bom parceiro. Acertou também a encomenda de duas grades que o poeta e Bardaux vão fazer por duzentos mangos.
Quase as doze Charmille atravessa com o bandeco que pegou no Cibagoga em frente ao Comercial Vila do comandante Lasierra na lateral do mercado na rua 17.
- Sai de boca caralho que tu não é baton poeta - -gritou Dona Neca entrando com uma sacola e entregando ao comandante Lasierra.
- Dona Neca acabou de ganhar um xicrão. O poeta deu vontade de ser mãe também -brincou o comandante vistoriando o conteúdo da sacola no colo. – Neneca vamos trabalhar! – convocou.
Prontamente ela colocou a sacola sobre a mesinha com os presentes que ganhou da filha do finado Bispo.
- Vamos lá – confirmou pegando no fundo o recipiente de alumínio e saiu para buscar o café num restaurante próximo.
- Já mandei até pra São Paulo, agora fiquei doido mesmo – disse euforicamente o comandante enviando o vídeo do Tik=tok com ele, o poeta, Seu Riba Fodinha e o mestre Zeno dançando e outros personagens do mercado local para seus conhecidos.
O poeta enchera o copo de plástico de vodka, traçou ,mentalmente a sua rota, despediu-se de Lasierra que se preparava também para sair mais tarde rumo a casa de sua Mama Grande no habitacional Turu. E o poeta zarpou rumo a pensão na rua 16 – Dona Noca curiosa toda olhou de esguelha e ao lado na outra mesa, Charmille concentrado consultava e calculava seus devedores na bíblia branca.
A travessia pelo estreito de Ormuz foi tranquila com o poeta equilibrando-se com o copo na mão e os papeis sobre a invisível faixa de pedestre. O céu azulíssimo e as nuvens alveolares branquíssimas como nas pinturas de Magritte – “Panico” no ar da Jovem Pan – Oito castanhas (oitenta reais) de credito podre na caderneta de Lasierra – Uma só lapada secou o copo e deitou-se.
No começo da noite capou real da compra das bananas da Sra. Vince e entornou a primeira dose de vodka no vizinho de Lasierra – depois mais outra sob o auspicio de seu compadre que lhe deu um real chorado – Duas Brahmas no Ed Paul e o debito também aumentando por lá, deu uma passada na casa do parceiro Bardaux para acertarem a encomenda de Juvan – na volta sentou-se na Praça do Bacurizeiro para debelar a ultima lata. E retornou a pensão sem muitas delongas – para jantar fritou um bom ovo no azeite de babaçu e o devorou no arroz e feijão – delicia dos deuses.