Um livro, em repouso, nunca lido,
Da frase com rebuço nunca dita,
Na vaga dum mar que ruge ao ouvido,
Ou num afago de pele que excita…
Numa prece de reclusão maldita,
Se ao invés de ter chorado ter rido,
Ou na poesia que fosse reescrita,
No instante em que já nada faz sentido…
Porque em parte alguma existe em fragrância,
A alma das almas que tombaram mortas,
Largadas de corpos tornados pó…
Fundidos numa discreta substância,
Dado à solidão das horas absortas,
Existo no meu momento mais só.
23 de Abril de 2026
Viriato Samora