Sei, a cada despertar,
que não mais te vejo,
então lacrimejo,
e escrevo porque desejo
contigo conversar,
sentir-te presente
na minha mente
Laurent, meu filho.
meu confidente
amigo omnipresente,
escrevo por instinto,
parece que te sinto
como se falasse contigo.
as nossas conversas a sós.
assim quase ouço a tua voz
Não sei se ouves o que te digo
Mas abro-te a minha alma
E acredita, isso m’acalma
No fundo sei que fantasio
Porque renuncio e adio
O que não tem remédio:
um vazio e o futuro tédio
sem o diário:- “papá,
como é que está?”
Pois filhão, como te chamava
Estou como não imaginava,
No sitio errado
No lugar que nos foi trocado.
Sabes filho, de tanto amar-te
Meu maior desejo era fazer arte
A arte que tu tanto adoravas
a poesia como o último que levaste
mas Laurent, velho na acorda de manhã
pintor, escultor ou compositor
apenas consegue tentar por amor
Não sou poeta mas, quem sabe, um dia escreverei
um texto que (pela persistência e sorte) possa ser lido como poema