Evasão de Mim
Quão falsos eram os teus olhos castanhos
que prometiam édens, chorando.
D' amor não seria; pecados tamanhos
decerto, de quem vive enganando!
Memórias me chagam a alma d' estocadas
tão certeiras. Quantas traições geradas
que s' evadem em tristes bebedeiras
em desditosas e prenhas rameiras!
E d' alma ferida, senil m' arrasto
E p' ra longe da que me jurou amar;
(fosse d' amor puro, por que jurar?)
Solitário, nas sombras, eu m' afasto
Só p' ra morrer na tristeza dess' amor
que, de fortuna, foi pleno de dor.
Soneto tradicional em decassílabos.