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Poemas, frases e mensagens de London

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de London

Sou um andarilho das estrelas... admirador de Jack London, pela vida que teve e pelo escritor que foi. A minha homenagem a ele ficou em meu pseudônimo, e na frase que trago (em todos os sentidos) comigo: Prefiro ser um cometa, a um planeta adormecido!
J

A Consciência Cria a Realidade

 
Você se vê como um corpo. Delimitado no espaço e no tempo. Mas o mesmo fenômeno de se ver em algum lugar é muito ligado à noção de estar ciente de algo. Estar ciente é estar consciente...
Ser consciente então é apenas saber estar em determinado lugar, em determinado tempo... Tire o lugar e o tempo, e fica apenas o "saber". O saber independe de lugar e tempo. Na verdade, como visto, lugar e tempo é quem dependem do saber.
Então, você sabe. Você é um ser senciente, e usa diversos meios para se "localizar", meios que chama de sentidos. "Aqui", na terra, você acha que tem cinco deles, embora sejam mais, mas vamos deixar por isso.
O que queremos dizer, é que não existem lugares como céu e inferno. Lugares geográficos, quero dizer. Eles estão dentro de você! É a sua consciência que cria o mundo, e em massa, vocês criam todas as situações cotidianas pelo que passa o mundo. Todas as mentes, estão interligadas num lugar profundo, que costumam chamar de inconsciente coletivo. Mas, é esse tal "inconsciente coletivo" que chega mais perto daquilo que chamam divindade. Pois é nessa energia mental atemporal que está concentrada todas as memórias, conhecimentos, experiências e vivencia de cada ser que já passou pela terra, até a menor frase ou ruido já dito por um deles. É a fonte universal, de onde você veio, para onde você vai, e invariavelmente, de onde absorve todas as características que fazem de você quem você é. De um ponto de vista mais distante, este consciente coletivo é um único ser. Assim como você parece ser único em relação a uma única célula de seu corpo. Mas, visto de perto, como eu posso vê-lo agora, você é um número absurdo de células e moléculas, e cada uma delas tem a sua função e mesmo personalidade.
O universo é mental. Pensamento. Uma vontade de sentir com ação própria, criando o seu próprio meio. Diante disso, há universos incontáveis e inimagináveis, se você puder alcançá-los. Vai por mim, essa cadeira onde você se senta, não existe. Ela não existe por si mesma, ela precisa de você para existir, para dar sentido a ela. Sei que, no fundo, sabe do que estamos falando, pois você guarda essa informação no fundo de sua alma, num outro sentido do qual não fala muito, e que costuma chamar de intuição. Aquela voz distante, que fala do fundo de sua alma, e às vezes até grita, na esperança de você ouvi-la.
 
A Consciência Cria a Realidade

Viajamos Entre as Mentes

 
O Ser é que cria a experiência. O espaço, altura, largura, distância, paredes... Nada disso existe! São meros artifícios para a experiência. O que há, na verdade, é uma rede realmente infinita de pensamentos que se entrecruzam, cada um percebendo o seu próprio, e aquele que pode compreender.
Olhe lá fora para o seu mar... Ele foi uma criação mental um dia, de um Ser que achou interessante aquela formação. Outro Ser, então, percebeu a "imagem" criada, achou-a interessante, e a incorporou a si mesmo, passando a compartilhar com o "criador" original, aquela "imagem" marítima. Claro que ele acrescentou algumas coisas pessoais a esta imagem agora compartilhada... como nuances de verdes e azuis.
Uma outra entidade então, vendo o que as outras duas compartilharam, resolveu participar também... acrescentou marés, a sensação do molhado, o som gutural das ondas... Outras vieram, e cada uma acrescentou de si, algo que lhe agradava: peixes, algas, uma praia... E assim, dividiam entre si a experiência sensorial e mental, vibrando na mesma faixa, percebendo uma mente o que a outra percebia. Pois tudo é mental. E você mesmo se divide em dois, ou em três, às vezes, se perceber bem...
Isso foi há muito tempo, em seus termos. Tempos imemoriais demais para relatar. Essas entidades alçaram voos maiores, criaram outras realidades inexprimíveis das quais compartilham agora entre elas. Realidades impossíveis de descrever para vocês.
Mas vocês, enquanto fragmentos mentais dessas entidades ancestrais, percebem o que elas deixaram para trás. Porque vocês mesmos são partes delas. Filhos de um sonho. E aprendendo a criar ainda, um dia vocês mesmo criarão as suas próprias realidades, e encontrão aqueles que desejarão partilha-las com vocês. Até que um dia, fragmentos de seus próprios pensamentos criarão consciência, e experimentarão os sonhos que vocês mesmos deixaram para trás, ao alçarem novos voos.
E assim caminha a eternidade, em ciclos. Criadores e criaturas. Numa onda infinita, onde a única diferença é aquilo que se pode e se quer perceber.
O estado de ser, É. Ele não precisa da matéria para existir. Ele existe por que ele É. Todo o resto é derivado, porque nada existe sem uma vontade, e para ter vontade é preciso Ser.
Só alguém que É pode expressar-se. E a expressão em seu mundo traduz em som, em ondas. E o som, por sua vez, em palavras. E a alma da palavra, aquilo que a ela imprime movimento, chama-se Verbo.
Verbalizar é emitir uma vontade em ondas. E é em ondas (vibrações) que um pensamento atinge o outro. E assim que você se identifica com o outro do lado de cá.
O seu ego é só um artificio, usado pela mente para especializar a experiência. Como quando você fecha um olho para mirar melhor com o outro. Se você visse a verdadeira realidade do que te cerca, ficaria extremamente desorientado. Dia virá em que coisas serão reveladas outra vez. A humanidade partirá de novo para novas percepções. Aqueles que estiverem prontos. Mas o ego de muitos está viciado, não viveriam sem esse mundo de ilusões. Para esses, bastam que as ondas se arrebentem nas pedras, desde que sejam saciados em seus instintos básicos. Eles ficaram aqui ainda, por muito tempo em seus termos. Esse mundo como está basta a eles, chegam mesmo a se regozijarem com a violência, a ganância, a desordem. Vibram na mesma faixa.
Alguns, alçarão seus voos. Levarão daqui a experiência para fazerem coisas melhores, e não repetirem o que viram de pior aqui. Não há como descrever, numa linguagem que possam entender, a luz e a pujança que resplandece em realidades assim...
 
Viajamos Entre as Mentes

O Eu que não sou Eu

 
Há muito tempo atrás... quero dizer, quando eu fixava a minha atenção para o "outro lado" do eterno agora, uma parte de mim necessitava se conhecer melhor. É o que os místicos chamam hoje de busca do Eu. A busca de si mesmo. Não estou aqui, reduzindo pessoas a um termo, como se místicos fosse uma classe diferente de seres. Na verdade são apenas pessoas momentaneamente inclinadas a fatores internos transcendentes, tanto quanto materialistas são pessoas momentaneamente inclinadas a fatores externos imediatistas. Um nome não é nada, mas às vezes é preciso usá-los.
Naquela época, eu buscava Eu. Quero dizer... tentava encontrar algo dentro de mim que me definisse para melhor e me orientasse diante de um mundo aparentemente caótico e sem sentido. Ou com tanto sentido, que parece caótico. Vai entender. Seja como for, o Eu naquela época implicava em individualidade. Um Eu significaria um self eterno, imutável e perfeito, que atravessaria as correntezas do tempo, incólume, com a cabeça erguida de orgulho e iluminado, como se não tivesse mais nada para se aprender. Afinal, iluminar-se é descobrir tudo sobre o Universo. E uma vez que se descobre tudo, nada mais há para se fazer.
Assim, estranhamente, depois de muitas idas e vindas, deparei-me comigo mesmo da forma mais fácil que eu jamais imaginara. O Eu do sonho! Por estranho que pareça, o Eu do sonho é diferente do Eu acordado. E estranhamente ainda assim sou Eu! Quem sou Eu?!
No sonho, eu nunca questionava o Eu desperto. E o Eu desperto sempre questiona o Eu do sonho. Eu no sonho costumo ser mais corajoso, inteligente, esperto e feliz, do que o Eu desperto. Mas ainda assim, tenho absoluta certeza de que sou eu. O Eu desperto, por sua vez, questiona-se se é aquele Eu do sonho...
Assim, entendi, que existiam dois Eus! Totalmente independentes, mas completamente ligados e únicos! Então, na busca do meu Eu, primariamente descobri que não era bem assim, um eu.
De forma que, num belo dia, desperto eu... (qual dos Eus?!), de frente para a janela do apartamento, olhando as plantas lá fora, três andares abaixo. Havia um quê de diferente, inexprimível, mas notável, que cercava o meu ambiente e a atmosfera lá fora. Foi quando dei por mim, num piscar de olhos, quase numa iluminação de consciência, de que eu estava sonhando! Lembrei-me claramente de ter acabado de me deitar, talvez uns quarenta minutos antes, logo depois do almoço num domingo, mas estava ali, agora, de pé olhando pela janela, num quarto banhando por uma luz morna, clara, meio embaçada, mas ainda assim, o meu quarto.
Um pensamento estranho, mas absolutamente legal, assaltou-me: Estou lá dentro, deitado na cama, e aqui, de pé, perto da janela! Pensei também, imediatamente, quão legal seria pular pela janela e sair voando em direção às nuvens lá fora! Eu iria subir feito o Super-Homem, a milhão por hora e rasgar as nuvens lá em cima, navegar por entre os picos mais altos das montanhas, e também, quem sabe, flutuar por sobre as ondas do mar.
Ensaiei o pulo pela janela, toquei o beiral e levantei a perna direita. Mas, uma pausa. Era tudo tão real! Ainda me sentia com peso! Olhei pra baixo mais uma vez, tudo real, nos conformes!... E se eu não estivesse sonhando?! E se apenas acordei grogue, depois de um sono pesado, e to aqui na frente da janela, ainda meio dormindo e me julgando sonhando?! Seria uma queda e tanto até lá embaixo!
Voltei pra trás. Queria ter certeza de que estava a dormir na cama, e nessa hora, comecei a ter duas consciências ao mesmo tempo! Sentia-me claramente deitado na cama, e ainda assim, percebia o ambiente em frente à janela na qual eu estava de pé.
E assim, de repente, comecei a sentir uma cócega estranha na face e no nariz, como se um espanador estivesse tentando me fazer espirrar. Era, como percebido depois, os cabelos de minha nuca no corpo do sonho, tocando no nariz do corpo material deitado na cama. Foi um dos instantes mais estranhos que já me lembrei. Nesse exato momento, pude perceber dois corpos: Um deitado, e um outro se assentando devagar por sobre ele!
Agora sim, sonolento, levanto-me. Arrependido é claro, de não ter saltado pela janela e voado... Mas, de certa forma, orgulhoso, de ter pensado duas vezes, vai que eu estivesse certo... a queda não seria agradável.
Conquanto, naqueles dias, permanecera em mim uma incognita: Eu realmente estava acordado? Estou acordado agora, ou tudo é um grande sonho, inclusive aquilo que chamam de realidade?
Fui buscar um Eu, e admiravelmente encontrei vários Nós. Claro, porque, depois daquele dia ainda me vi de diferentes maneiras, em diferentes mundos, tempos e realidades! Tudo de uma só vez!
Mas o estranho, é que até hoje, eu... quero dizer, Nós, não sabemos quem é o observador central, aquele que parecer por ordem no aparente caos onde infinitas personalidades percebem-se a si mesmas num único fluxo de consciência.
 
O Eu que não sou Eu

A Estrada Infinita... 6 ... Dos Guardiões do Limiar

 
Depois de ter feito os exercícios que mencionamos... de ter concentrado/visualizado aquela energia a entrar por sua testa e invadir o seu corpo... e de ter, claro, começado a vislumbrar o "outro" mundo, acho então que já podemos começar a tratar dos "guardiões" aqui.
Primeiro: guardiões é mais um eufemismo. Eles não são guardiões propriamente ditos. Eles não tem de guardar nada. Na verdade são consciências, assim como você, só que não estão mais focados na realidade física, por assim dizer. Podem ser, de acordo com a sua linguagem, pessoas mortas, pessoas dormindo, ou pessoas explorando o lado de lá, assim como você.
Chamamo-os de guardiões, pois de muitas maneiras, será a primeira coisa diferente que vai perceber do lado de lá, e geralmente eles estarão de pé na sua frente, como se o guardassem ou vigiassem.
Devo acrescentar, que é daí que vocês tiraram todas as lendas e histórias de terror que têm, acerca de seres fantásticos ao longo do seu tempo linear. Como estão fora da matéria rígida, e tem familiaridade com ela, por certo eles podem manipulá-la, e tomar a forma que desejarem. Seis formas são corriqueiras, e cada uma delas tem um propósito. Podem aparecer como crianças, meninos ou meninas. Podem aparecer como sombras de variadas formas, ou até sem forma. Podem vir como mulheres ou homens adultos. Podem mostra-se como animais diversos, de um pequeno cachorro até um grande urso. Podem vir em luzes de variadas cores e formas, ou finalmente, como seres monstruosos, humanoides ou não.
A grande pergunta: eles são maus?
A grande resposta: você se acha uma pessoa má?
Vejamos. Como eu já disse, o seu "mundo" é rodeado por uma crosta densa e pesada de energia que podem chamar de negativa, negra e escura. A terra não é necessariamente um paraíso, como vocês mesmos podem comprovar diariamente. Uma coisa que verão ao sair do corpo, se continuarem na faixa de "frequência" do planeta, é que passarão a ver o céu num tom mais escuro ou avermelhado, ventanias exorbitantes e poderosas, paisagens e construções macabras. Resumindo, os guardiões do limiar são pessoas humanas que vivem ou viveram aqui em tempos passados, assim como você vive agora. Só que lá, eles tem mais poderes e conhecem e manipulam o ambiente em que vivem. O que você faria, se fora do seu corpo, pudesse manipular a mente e a matéria de outra pessoa? Pergunte-se isso, antes de mais nada. Muitos de vocês fazem isso agora, em vida, manipulando a mente e a existência de muitos semelhantes seus... Imagine ocultos nas sombras, em forma de espíritos...
Devo temê-los? Bem, matar você eles não vão, se é que entende a ironia... Eles, se forem mau intencionados, tentarão amedrontá-los com medos ancestrais, medos arquetípicos que acompanham a humanidade há eras. Medo de sombras, insetos, monstros e coisas assim. Encare como um teste. Um teste de nobreza e coragem de alma. No mundo onde os pensamentos governam, se sobrepõe quem é mais firme em suas convicções! Pode encontrar um demônio de cinco metros na sua frente, mas se tiver o coração firme, com apenas um olhar o transformará numa singela borboleta, e o banirá de suas visões.
Mas não os subestime. Tamanho não significa nada aqui, a forma é relativa, o pensamento é a regra, e muitos sabem disso. A pisque é tudo, e se forem experientes eles tentaram atacá-los psicologicamente. Pode encontrar, de repente, uma jovem menina de 15 anos sentada na sua cama, de camisa listrada, cabelos grandes, pele clara, acima de qualquer suspeita. Isso, para uma pessoa que acaba de cruzar o limiar, pode ser de um choque psicológico sem paralelos, maior ainda do que se encontrasse o próprio diabo em pessoa. Isso, porque quebra as suas defesas psíquicas. Te deixa sem reação.
Os maus intencionados vão querer duas coisas de você...
 
A Estrada Infinita... 6 ... Dos Guardiões do Limiar

Reflexos de Uma Outra Vida........

 
Assim como dito outras vezes, a humanidade está conectada, no fundo, a uma única consciência universal, por assim dizer. Consciência esta, é claro, fora do tempo, fora de todos os conceitos humanos atuais. Explicar isso é assaz difícil, considerando sempre a noção de tempo, espaço, localização, em que estão engessados agora, por sua cultura, ciência, e mesmo razões universais de escolha.
Uma pista desta profunda ligação é aquilo que todos vocês, independentemente de cultura, fronteiras, fenótipos, e qualquer conceitos falsamente apartadores, trazem em comum e bastante perceptível. São conceitos psíquicos profundos, trazidos de um outro "tempo", manifestados atualmente na sua forma de ver e viver o mundo. Esses conceitos são sempre únicos, carregados de simbologia, interpretados por vocês de uma memória ancestral há muito esquecida, mas não abandonada, e que resume, em última análise, a personalidade de cada um sobre a terra, esteja ele temporariamente alheio a isso ou não. Falamos do que um dos seus psicólogos mais inspirados já falou, e que já foi dito também por outros antes, afinal, como visto, no fundo dividimos a mesma psique, e logo, todas as "informações" são acessíveis a todos, se procuradas devidamente.
Observe que determinadas figuras simbólicas sempre tiveram, e sempre terão lugar em sua sociedade. Seja de forma contada, escrita ou cantada, em todas as civilizações de todas as eras, se procurar por um deles irá encontrá-los, porque são ecos de sua memória ancestral, de coisas que você sabe que sempre existiu e sempre existirá. Estão guardados em memórias além do tempo. Retratos da humanidade enraizados no espírito humano. São aquelas figuras, que sem saber porquê, vocês trazem do fundo de suas almas, e as fazem se manifestar em seu mundo, na forma de símbolos. Dentre os mais conhecidos:
A Árvore da vida. Uma árvore gigante, geradora de tudo o que há. Sempre vertical, buscando o céu, com as suas imensas e grossas raízes retorcidas a lançar-se nos ares. Transmite a ideia da geração da vida enquanto orgânica.
O Herói: a figura da redenção humana sobre todas as dificuldades, aquele que luta pelos outros em nome do que é correto, e sem esperar nada.
O Mártir: o que se sacrifica, o escolhido, o número um que surgirá e expurgará o mal da humanidade.
O Profeta: o portador da verdade e dos segredos divinos, aquele que traz uma novidade aos homens do mundo.
A Grande Mãe: a figura máxima da mulher, geradora dos homens, simbolo da fertilidade.
O Ladrão: o que configura a esperteza frente as dificuldades da vida, o criminoso ingênuo e carismático, que mesmo errando, não faz verdadeiro mal a ninguém.
O Rebelde: o eterno questionador, o insatisfeito, aquele que quebra as regras do sistema e não aceita autoridades fabricadas.
O Explorador: o aventureiro, o destemido, aquele que se entrega ao descobrimento, aquele que não encontra fronteiras.
O Vil: O antagonista, o vilão, que não faz nada a não ser ser contrário aos melhores princípios aceitos.
O Poeta: Aquele cujo encantamento o faz tentar traduzir em palavras e sons os segredos da vida e conceitos mais abstratos da natureza.
O Mago: o manipulador da natureza, o cientista, o bruxo, o poder humano sobre a matéria.
O Gigante: a barreira frente ao homem, a figura que representa os muros intransponíveis, e pela sua dificuldade, a glória de vencê-los.
O Louco: a perda da razão frente as dificuldades da vida, as tolices humanas.
O Cômico: a capacidade de rir de si mesmo, e de rir da própria existência.
O Amante: o que viverá e morrerá por amor, que terá a sua vida guiada por esse sentimento.
O Déspota: a representação da fúria humana por dominação, a capacidade do ser humano em conquistar e destruir em nome do poder.
O Ceifador: a figura encapuçada, aquele que retira a vida, como se ceifa o trigo, o medo da humanidade de ser retirada do seu seio de convivência.
O Sofredor: aquele que suporta todas as agruras da vida, o sem sorte, aquele que é digno da pena humana.
A Mulher sensual: a dominatriz, a que desperta os desejos carnais mais secretos, a beleza tocável e impura.
A Virgem: a inocência feminina, a mãe desejada por todos, a beleza intocável e pura...
Estes são, entre outros, símbolos adormecidos nos seus inconscientes, que um dia emergem sem percebê-los. São significativos para todos os seres humanos, são personagens constantes de seus dramas reais e fictícios, em todas as culturas, raças, países, ideais e estilos, em seus termos. Um exemplo de que o interior humano tem uma única origem e um único papel. O de viver e entender que Tudo é uma coisa só.
 
Reflexos de Uma Outra Vida........

A Rosa

 
A guerra devastara tudo, não sobrara nada que valesse a pena. Era o condado de Cottingley, Irlanda, logo após a 1ª guerra mundial. Estávamos todos atônitos com o que descobrimos que os humanos eram capazes de fazer. Mas também estávamos de certa forma, felizes, porque depois de um conflito como aquele, certamente não iríamos querer outro. O retorno para casa houvera sido triste. Não caíram bombas lá, mas a maioria dos jovens foram levados pela guerra. Não se via mais crianças trepadas nas árvores, nem jovens correndo pelas ruas ou namorando nas praças. A inocência havia acabado, ficara lá, nos campos e nas fábricas. As jovens foram forçadas a deixarem a cidade para irem trabalhar nas fábricas de bombas ou de tanques, e por lá morrido de tuberculose, estupradas, ou casadas com homens bem mais velhos, para terem a esperança de saírem da penúria em que se encontravam.
Josh fora um dos poucos rapazes que retornaram inteiros. Pelo menos, por fora. Depois de enterrar pessoalmente dezenas de amigos na guerra, descobrira que sua noiva havia morrido num acidente com uma ogiva, numa das fábricas. Os dias em Cottingley se tornaram como eternos domingos à tarde, quando se senta num banco perto de um bosque, e fica olhando o sol se pôr, esperando a eterna segunda, que nunca vem.
O bosque de musgo era infame em toda a cidade. Lugar a ser evitado. Ainda podiam ser encontradas cordas e esqueletos dos que se enforcavam por lá. Histórias sobre fantasmas, homens estranhos e luzes andantes que arrepiavam até os ossos homens experientes, e os mantinham a uma distância segura de lá...
Mas, Josh se sentiu atraído por seu magnetismo. Era um lugar abandonado pelos homens, mas mesmo assim, lindo. A luz feérica que entrava, dobradas entre as folhas das árvores, espalhava um tom verde-claro sobrenatural, como uma chuva de luz que desce sem pressa e se fixa nas coisas, como gotas de orvalho cintilantes. As aves e os insetos sussurravam uns com os outros, sempre escondidos dos olhos dos homens, como se zombassem deles. Era um ambiente que te abraçava e te sufocava, te convidado à tristeza e à reflexão, e se você não estivesse suficientemente satisfeito consigo mesmo, acabaria pendurado por uma corda, ou pulando no precipício que dava fim ao bosque.
Talvez, Josh quisesse mesmo esse destino... eu não sei. Só sei que ele caminhou por um bom tempo, embrenhando-se na vegetação, respirando aquele ar frio que te refresca por dentro e te esquenta a superfície dos olhos... Até que ele se deparou com uma clareira, onde uma única rosa reinava esplendidamente. Eu poderia dizer que ela era a rainha de todo o bosque! Todo o verde fugidio ao seu lado, contrastava com o vermelho sanguíneo de suas pétalas, magnificamente abertas e frondosas. E a luz que descia das copas das árvores, a iluminavam feito holofotes naturais. Era a coisa mais linda que ele já tinha visto.
Primeiramente, ele sentiu a inclinação de deixá-la ali. Não poderia colher tão bela flor, arrancar de seus ramos uma obra tão sublime da natureza. Mas ela era tão linda que não poderia sair dali sem levá-la consigo, ainda que soubesse que ela não duraria um dia dentro de um jarro d'água. Mas ele quase não teve escolhas.
Procurou com todo o cuidado decepar a rosa sem danificá-la, mas o cuidado que teve para com a flor, não o teve para consigo mesmo... e feriu-se em um dos seus espinhos...
E enquanto uma fina gota de sangue surgiu em seu dedo, sentiu-se tonto, caindo em vertigens, ajoelhando-se em frente à flor.
Num primeiro momento faltou-lhe ar, pensou-se envenenado. Sua pele fria tremia, a sua boca secava. E então, as suas pernas trincaram, num som de madeira seca. Os seus braços enterraram-se no chão, como cipós, e os seus cabelos pendiam para a terra como ramos de uma oliveira. Gradualmente, foi tornando-se branco como um fantasma... e a sua pele e carne tornaram-se finas como um papel... Até tomar a forma de uma flor, para sempre encravada no chão.
A sua consciência era a mesma. Sabia do ocorrido... Sentia tudo... Mas não podia gritar e nem avisar ninguém. Ele não saberia dizer se estaria para sempre naquela situação, ou se o próximo e severo inverno, seria definitivamente o seu algoz.
Ele torcia para que fosse...

Um dia encontrei escrito num templo dentro de um bosque, a seguinte inscrição:

Fina flor que os espinhos guarda
Solitária... frágil, sempre isolada
Que a chuva destrói... o vento, a geada
Serás de finas e doces pétalas a sua mortalha.

Mas antes de partir, tem dentro do peito,
Do mais nobre e justo direito,
O sonho de viver um grande amor,
Pois nem uma flor, quer um mundo de solidão, e dor...

Então uma fada enfeitiçou-lhe as cerdas com um pó
Para que assim não mais vivesse a rosa só
Pois um dia alguém se encantará incrivelmente
Quando em seu espinho ferir-se, irremediavelmente

E assim, aquele que tiver o seu dedo a sangrar
Sabe como o futuro para ele virá.
Entende que o desespero e a tentativa serão em vão
Pois em breve, como raiz, terá os seus pés cravados no chão.

E assim, sempre ao lado de tão encantadora rosa
Por quem tão e devastadoramente se apaixonara,
Que ao vê-la colhida numa tola poda.
Como um simples e solitário cravo, agora chora.

O seu destino agora é esperar
Por que um cravo não tem espinhos...
Logo ficará sempre sozinho,
Até que o vento frio e daninho, para sempre venha lhe decepar...
 
A Rosa

O Golem

 
Golem é uma criatura criada por outro ser humano para servi-lo. No Brasil não se precisa disso, porque, geralmente, aqui, a classe menos favorecida já serve a mais favorecida, de tal forma tão intensa e servilmente, que criar um golem, embora relativamente fácil, aqui seria totalmente desnecessário.
Mas não na terra de Manolus. Isso foi há um certo tempo, é claro, mas ficou gravado na história de um povo, e é bom que se conte.
Era uma vila de camponeses, lá pelos idos de mil duzentos e pedrinha... E a vida era sobremaneira difícil, nada comparado com os dias de hoje no bRAZIl, mas ainda assim, difícil.
Você tinha que acordar bem cedo para não morrer de frio até às dez da manhã. Acendida a fogueira para aquecer a casa, tinha que correr para pescar ou caçar, para não morrer de fome até às três da tarde... Já “comido”, tinha que se preparar para o desjejum da noite e para dormir, para não acordar morto. Se já não tivesse sido comido por alguma fera ou morrido pela picada de um mosquito. Isso tudo dentro de uma cabana de dois cômodos, no meio do bosque, e com nove bocas para sustentar.
Dia a dia, a mesma rotina... e com vinte e seis anos nessa época, você era um ancião de cabelos brancos e banguela.
Um mago que passara pela vila, num belo dia, e vendo aquela situação no mínimo degradante, ensinou Manolus a fazer um golem.
Para quem quiser fazer, é fácil (Se você já não estiver explorando algum pobre coitado desvalido) ... Eu mesmo tenho três golens, e o segundo deles está digitando está história enquanto eu a dito, os outros dois, nem me perguntem...
O mago deixou as instruções, e Manolus as seguiu como pôde, ou seja, mal e porcamente! Primeiro, juntou a lama errada. Era para ser lama de rio, com água corrente. Como o rio que ele conhecia era apenas um riacho cheio de pedras, ele juntou lama da lagoa, que é água parada. Era para ele colocar amor e dedicação ao esculpir a forma desejável... Mas como ele fez tudo às pressas, ficou parecendo uma marionete de arame. E era para escrever o nome “Emeth” na testa da criatura, mas como a testa da criatura era pequena - assim como a cabeça de Manolus - só deu para escrever “Eme”... A merda estava feita!
No início a criatura cumpria o seu papel. Pescava, acendia a fogueira, fazia uma sopa horrível de cenouras... e vigiava a casa a noite. Mas com o tempo começou a querer também ser como o seu amo. Também queria comer, queria nadar, queria ter sentimentos... E então, eis que ...
E então, eis que a criatura passou a cobiçar cada parte do corpo responsável por um sentido ou sentimento que ela desejava ter. Ora, com o tempo ela passou a perceber que o amor, por exemplo, brotava do coração. O paladar, da língua... A sabedoria e a inteligência, do cérebro... (quanto a isso Manolus podia ficar despreocupado). E assim, de observação em observação, o golem decidiu que tinha meios de se tornar humano!
Um dia, não muito tarde a partir dali, um dos filhos de Manolus acordou sem os olhos, desesperado, gritando que havia trevas por todos os lados! Houve correria e desespero, e em meio ao sangue que ainda vertia, perceberam na janela a cabeça do golem observando... !gora com olhos próprios!
Não era preciso ser um gênio para entender o que estava acontecendo. Trancaram-se todos dentro de casa, e por longos dias acompanhavam o ruído do golem lá fora, tentando entrar, arranhado a porta como um cão...
Por um tempo conseguiram afastá-lo, mas um dia, quando a noite caiu e todos dormiram, inclusive um dos filhos que deveria ficar de prontidão, uma outra criança despertou, agora sem o couro cabeludo!
Foi uma outra correria, não entendiam como a criatura entrara... e lá fora, degustando o sofrimento dentro da cabana, a criatura de barro dançava, agora com uma sinistra e pegajosa peruca loira.
E assim, conforme os dias iam passando, surgira um banguela... um desnarizado (talvez essa palavra não exista), um sem orelha... sem língua... Até sem bilau. Porque, pelo que me constou depois, o golem queria era ser macho...
Até que perceberam que faltavam apenas duas coisas para satisfazer o desejo terrível da criatura em ser humana. Um cérebro e um coração!
Manolus ainda não havia sido violado, e a sua esposa também não. A coisa estava tensa. Um espirro na escuridão era a certeza de um sopapo na orelha... de quem ainda a tinha...
Nove dias sem sair da cabana... quatro sem comer... Até que alguém bate a porta:
Toc, toc... - Sempre quis escrever essa onomatopeia...
Manolus abriu a porta, embora o golem não costumasse bater antes de entrar, Manolus também não costumava usar muito o cérebro, como visto.
Era o Mago! Sim, lá estava ele. Contemplando aquela cena dantesca, dos moradores da cabana brancos como fantasmas, por não verem a luz do sol já a algum tempo, e magros como pescoço de peru, por não comerem nada há dias.
Um sorriu-lhe sem os dentes, o outro, estava sem as orelhas, a outra, sem cabelo... e aquilo parecia que as portas do inferno haviam sido abertas.
-Onde está ele? Onde está ele? - quis saber Manolus.
-Partiu, foi-se para sempre.- respondeu-lhe o mago.
-Como pode, ele não completara a sua transformação! Ainda faltam-lhe o coração e o cérebro.
-Não Manolus, meu filho. Você se engana, a transformação do golem está completa... Ele desejava ser um humano, e tornou-se um. Primeiro, antes mesmo de roubar-lhes a primeira orelha, quando cobiçou, desejou e invejou... Ali, já era um humano completo... Quanto ao cérebro e ao coração... São usados por poucos, principalmente os dois ao mesmo tempo...
 
O Golem

Eu Sonho Com a Borboleta, Ou a Borboleta que Sonha Comigo?

 
Eu estava sentado sobre uma pedra, era março de 2004, e uma borboleta grande de asas azul cobalto passou por mim, como se eu não representasse nada, e pousou com pouca monta no meu ombro esquerdo. Eu tinha a estranha impressão de que o dia estava diferente, mas não sabia definir o porquê. Às vezes me sinto assim... Achei aquilo estranho, porque geralmente costumam nos evitar os insetos e os animais mais delicados, coisa que acho inteligente da parte deles, mas aquela borboleta, por algum motivo, resolveu pousar ali.
No início, fiquei admirando aquele belo exemplar de Lepidoptera, cujas asas refletia uma interessante frequência de ondas eletromagnéticas do espectro azul. Lembrei-me que esse tipo de inseto, embora belo, vem daquela repugnante larva que não me agrada muito, e procurei espantá-la... Mas ela ia e voltava... voava e pousava de novo.
Uma moça, muito bonita, passou e elogiou o fato de uma borboleta ter pousado em mim, fato raro e digno de observação, como visto. Fiquei lisonjeado, claro, mas algo me incomodou na hora, embora eu não conseguisse dizer o que exatamente.
Fui vencido pela borboleta, e a deixei ali, enquanto observava o movimento do outro lado da rua. Os carros iam e vinham, as pessoas se acotovelavam com pressa e sem se darem conta da vida passando ao lado delas, uma chuva se ensaiava no horizonte, o barulho sempre insuportável do trânsito...
Então, de repente, me vi acordando com alguém abrindo a porta das dobradiças enferrujadas. Eu estivera dormindo o tempo todo. Mas não me dei conta disso, era tudo tão real e lógico. Na verdade, em meus sonhos, nunca questionei a realidade que vivia, por mais absurda que me parecesse depois de acordado! Ainda deitado na cama, esfregando os olhos, lembrei-me da moça do sonho, e porque ela havia me despertado um estranhamento. Era a minha vizinha que havia morrido há pouco mais de dois meses. Mas no sonho, ela estava viva. Lá, ela existia, e a minha memória de agora estava morta.
Ao olhar para o lado, no parapeito da janela, uma coisa me surpreende. Uma borboleta enorme, de asas azul cobalto, espreitava os arredores do quarto. Acho que ela queria entrar! Assustei-me na hora! Será que eu também veria a minha vizinha? Eu ainda estava sonhando? Eu estava acordado? O que é a realidade? Talvez eu seja apenas um sonho de alguém, ou mesmo o sonho da própria borboleta.
 
Eu Sonho Com a Borboleta, Ou a Borboleta que Sonha Comigo?

Um conto de Natal - By Jeff London

 
Um conto de Natal - By Jeff London
 
Um Conto de Natal - By Jeff London

Ano 3126.

Nave espacial terrestre aporta em Épsilon 4256-9, conhecido como planeta Amazo. Pertencente ao sistema binário de Plêiades, e conhecido há quatrocentos anos.
Análise geografológica iniciada pelo mecanismo ônico cristalino do cérebro quantico positrônico:
-> Tempo/Percurso: 443 anos luz.
-> Dimensão planetária comparada: 256% em relação à Terra. Geografologia:
->Três satélites naturais: Dois dos quais mais distantes em relação ao raio natural e uma lua no formato elíptico.
-> 11 oceanos, 26 mares, e seguimentos fluviais indefinidos em número.
->Temperaturas: min. -78ºc máx. 34ºc - Composição líquida de H2O na atmosfera 80%
-> Ar respirável: 76,89% - aceitável.
-> Radiação nociva a sistemas orgânicos: 0%.
-> Flora e fauna: Baseada na clorofila, ciclos energéticos, evolução normal dos musgos até às plantas superiores clorofiladas - predominância dos espectros solares verde, amarelo e azul nas folhas - Caducifólias - Perenes - Gramídeos - -Estepes - Trundas - Taigas - Coniferas.
-> Mamíferos, aves, répteis e outras espécies não identificáveis/catalogadas.
-> Minerais: cristais raros, metais raríssimos, gemas preciosas, rochas variadas, minerais energéticos em 1012%.
-> Espécie inteligente dominante: Seres bípedes sexuados - padrão humano terrestre - adaptados à gravidade planetária, altura média 1,83 m. - Grau de consciência, inteligência, saber, e experiência empírica evolutiva: 714% ao Quociente de inteligência de maior nível humano registrado. Capacidade de armazenamento cerebral orgânico de 1x10³ TB.
-> Conhecimento do espaço contíguo e além: Dominação completa e abrangente da viagem espacial - conhecimento acerca de 7 000 000 de galáxias - conhecimento e observação de um grupo de 12 000 planetas habitados, 256 000 não habitados, nenhuma colônia.
-> Regime de viagem: três vezes a velocidade da matéria escura - Dobra espacial - Supressão do tempo - Manipulação volumétrica da matéria/energia.
->Temperamento psicossociológico: Extremamente pacífico.
-> Conhecimento ou posse de armas de destruição/ ou meios de dizimação em massa: 0%
-> Desconhecimento ou desprezo pelos conceito de guerra, dominação, destruição.
-> Planeta não apresenta divisões territoriais geográficas, ideológicas ou baseada em fenótipos climáticos temporais.

- Origem! Aqui é Bruma...
- Prossiga nave Bruma!
- Épsilon 4256-9 favorável à colonizção e estadia humana.
- Excelente! Ater-se aos episódios específicos de catalogação.
- Certamente. População pacata... ausência de armamentos.... trazer apenas armas básicas de subjugação e dominação.
- Recebido Bruma!

Um nativo aparece por sobre uma colina gramada, não parece surpreso ao ver a nave espacial flutuando próximo a um morro.
Ele se aproxima e diz:
- Seja bem vindo!
O cosmonauta, experiente, mas, encabulado, responde:...
- Obrigado... Vejo que conhece o meu idioma. E ainda é mais semelhante à minha espécie do que o meu computador pôde supor!
- Por que a surpresa?
- Nos outros planetas não é assim. Existem algumas diferenças...
- Entendo... Sabe, vocês vieram rápido, rápido demais. Nos surpreenderam, não achamos que fossem conseguir, por agora.
- Conseguir?... Do que está falando?
- Digo... a viagem, oras. Romper o espaço, o tempo... O meu povo não achou que conseguiriam tão cedo, mas nos surpreenderam de novo! Passaram habilmente pelo cinturão de asteroides da nebulosa vermelha, e pelo vortéx de energia em Betelgeuse.
- Como sabe essas coisas?
- Por que a surpresa? Sabe que somos inteligentes.
- Sim, eu sei. Mas, nos acompanhar tão de perto...
- Bem mais de perto do que possas imaginar. O cérebro artificial ali dentro de sua nave não lhe contou tudo...
- E o que ele deveria saber?
- Isso não importa mais... A pergunta pertinente seria: Quer mesmo tomar este planeta? Precisa mesmo dele?
- ... É o que fazemos. Mas, não se preocupe com isso. Vamos dividi-lo com vocês. Os seus recursos não serão usados em vão, mas compartilhados! A nossa cultura e a sua serão uma só. A era em que os meus ancestrais invadiam e pilhavam, acabou! Envergonhamo-nos por essa época! Viemos oferecer-lhes o nosso modo de vida, ensinar e aprender como vocês. Temos muito o que dividir.
- Ah sim, o seu modo de vida... Eu entendo, mas, não está realmente me reconhecendo?
- Você?! Eu deveria? - perguntou o cosmonauta.
- Sabe... Sempre achei o seu planeta lindo! Pelo menos, naquela época. Uma linda pérola de vidro azul, quando o vi, pela primeira vez... Havia potencial em vocês! Ah, sim, havia...
- Do que estás a falar?
- Ah menino, é uma longa história... Faz muito tempo, muito tempo mesmo. Cheguei assim como você, na minha pequena nave. Mas naquela época, o seu povo ficou deslumbrado, e era tão inocente, como crianças. Havia potencial, sim havia.
- Eu não estou entendendo!
- Vocês nunca entenderam... E então, Eu voltei depois, num choro de um bebê, porque tudo deve começar numa criança. Como uma semente... Eu, e o meu povo trabalhamos muito por sua gente. Embora vocês nunca tivessem nos entendido bem. Naquela época era preciso guiar-lhes pelas mãos. E veja agora! Aqui está você, longe de casa, através do espaço, e sem precisar de minha ajuda.
- ......
- Três mil anos e não aprenderam nada... É realmente uma pena. Conseguiram chegar aqui, atravessas galáxias sem fim, mas não trouxeram nada de bom.
- Você... Você, disse que voltaria....
- Eu levei-lhes a sabedoria, o amor, e a compreensão. Vocês a usaram para dominar uns aos outros, e ainda usam, não é mesmo? Mas nada está perdido! Veja bem. Começaremos de novo, temos paciência. Sempre tivemos. Voltaremos no tempo, de novo e de novo... Quantas vezes forem necessárias! Até que, um dia, você chegue aqui nos oferecendo amor e irmandade. Até que este passo que você deu, não seja desperdiçado outra vez.
- Você nunca voltou!
- Voltei dezenas de vezes! Mas, como nunca foi o que vocês esperavam, não fui notado. Nunca é o que vocês esperam. Mesmo da primeira vez, não o foi... Mas um dia, irei subir este morro novamente, e aqui estará você...Esperando-me com um abraço. E eu ficarei feliz por você ter atravessado a galáxia inteira apenas para dá-lo a mim. E mesmo eu tendo de voltar no tempo centenas e centenas de vezes, tudo terá então, finalmente valido a pena.
 
Um conto de Natal - By Jeff London

Infinita Mente

 
A profundidade de um segredo se compara com a sua importância e com a dificuldade de expressá-lo. São coisas importantes demais para serem traduzidas, pois as palavras as diminuem, transformam o que antes era Ilimitado dentro de você, em coisas normais, quando são ditas. A linguagem humana não fora feita para transcender, assim como um uivo jamais poderá traduzir uma sinfonia. As coisas mais importantes do mundo estão guardadas bem perto do coração, ali, ao lado dos segredos mais valiosos, que os seus inimigos adorariam encontrar e destruir. E quando você fala sobre elas, as suas lágrimas descem, como se uma intermitente chuva de granizo caísse indócil em seus olhos abertos. E as pessoas lhe olham sem entender nada, porque os seus corações habitam lugares outros, que não o seu, e não entendem a importância do que fora dito, que de tão importante era para você, que você até chorou enquanto dizia. Mas não é na dor que está a lágrima que desce, mas no segredo que ficou guardado lá dentro, não por falta de um narrador, mas de alguém que o compreenda...
Transformar a vida numa fábula verdadeira, de forma que ela possa fazer sentido a quem ouvi-la, é como chegar a um deserto e convencer o seu ressequido povo de que do outro lado do mar salgado existe uma terra deslumbrante, onde o chão forra-se de esmeraldas, e um néctar fresco e doce sobe do chão pelas árvores e é oferecido a qualquer um que quiser pegar. É como tentar transformar um adulto em uma criança, e convidá-lo a entender que a noite é sim, uma caixa de joias, e que foi aberta por uma princesa para iluminar a sua tenda escura.
Mas o coração humano está trancado em si mesmo, dentro de uma casca inviolável. Não lhe interessa néctares e nem esmeraldas, que não sejam apenas para ele. Aguarda-se que uma luz cruze os céus e venha libertá-lo do mundo e de si mesmo, e não entende que cabe é a ele libertar-se do eterno naufrágio que ele mesmo cometeu.
Conquanto, a estrada é longa, e ainda que tudo pareça solidão e tudo pareça estar perdido, ele segue, rumo ao horizonte. Não há outro lugar para ir, e ainda que tome outra direção, sempre seguirá rumo à mesma aurora, pois não fizestes do mundo uma esfera por simples acaso, pois que em todas as direções de uma esfera há um horizonte. E pela mesma razão, não fizeste a noite revezar com o dia, em trevas e em claridades, e nem o sol morrer e nascer, cada dia por sua vez, e nem a lua minguar e ressurgir exuberante, em suas fases necessárias, sem um motivo. Há motivo em tudo, nada há de inútil, e todas as coisas nos contam histórias, à sua maneira.
Há símbolos e segredos em todos os lugares, para aqueles que sabem olhar. Então, um dia, uma voz vem carregada pelo vento e sussurra, às vezes no ouvido, às vezes no coração, e diz: Não é o narrador que importa, mas o ouvinte.
 
Infinita Mente

A Estrada Infinita...7... Dos diferentes propósitos dos guardiões do limiar

 
Como dito linhas atrás, propósitos diferentes animam cada forma tomada pela consciência não centrada na matéria, quando ela percebe uma outra consciência ainda inexperiente.
Quando você adentra o mundo dos pensamentos, o mundo astral ou mundo dos espíritos... nomes não importam... você não é percebido, como uma imagem que de repente surge do nada num mundo pré-existente. O que acontece, na verdade, é que você passa a perceber as atividades ao seu redor, e isso, por sua vez, reverbera em todas as consciências presentes lá. Você sempre esteve "lá", mas agora eles vão saber que você percebe. É mais ou menos como uma gota d'água que encontra a superfície de um lago e a agita. Tudo no lago passa a te sentir. Enquanto você era cego para essas coisas eles não tinham interesse em você, mas agora, sabendo que você pode ver, eles virão.
Primeiro, como já dito... esqueça conceitos encrustados em sua cultura sobre o bem e o mal. Claro, o mal existe em seu mundo, isso é fato, mas ele foi criado por você. Lá também o será! Se uma criatura se aproxima de você, ela esta querendo interação, e usará a sua psique para conseguir isso. Se você é uma pessoa que está, por assim dizer, muito envolvida com esse mundo, atrairá seres como você, envolvidos nesse mundo. Em outras palavras, seres ainda apegados a coisas materiais e terrenas, e eles usarão linguagens bem familiares para com você, como medo, dúvida, tristeza, desejos...
Uma imagem bem corriqueira pelos lados de lá, é a figura da criança. Nada evoca mais a inocência, a fragilidade e ainda, a questão do inexplorado, do que a figura ancestral da criança. Menino ou menina, o ser que usará dessa imagem procurará desarmá-lo psiquicamente. Ou ainda, despertar-lhe um profundo pavor, dependendo das intenções dele. A psique humana na terra, está presa a valores culturais de que a criança é imaculada, e macular essa imagem causa profundo terror no inconsciente humano. Ver uma menina desfigurada ao pé de sua cama evocará medos ancestrais que a sua mente racional não vai saber processar... pronto, estará a mercê da consciência que quer lhe abusar.
A segunda forma é a sombra. O mistério, o desconhecido, o inacessível... A sombra evoca o medo da raça humana, a supressão do sentido da visão. O recado ao homem antigo de se afastar, temer. A entidade em forma de sombra quer te manter longe do mundo dos pensamentos, ou mundo dos espíritos. Ela não quer que você vá lá. Ela pode ser até mesmo alguém que gosta de você, mas não deseja que você tome conhecimento do mundo astral. E porque? Ora, algumas pessoas simplesmente não voltam desse passeio por vontade própria. Muitos humanos que caminham no mundo astral conscientes, não desejam voltar para a vida material, muito simplesmente porque lá é a sua casa verdadeira. Mas ao não voltar, você morre, e tem de recomeçar toda uma história de vida e conhecimentos novos. Pois o que não se termina hoje, terminar-se-á amanhã. Por isso, e não raramente, a sombra virá na figura arquetípica da morte. Sim, a tradicional foice e o tradicional capuz preto. Poucos são os que a encaram de frente...
Muitos virão em formas humanas. Homens, mulheres adultas. São os que no passado se chamavam de incubus e sucubus. São seres ainda muito ligados a matéria, e por isso, ligados a energias sexuais corporais humanas. Não são demônios ou malignos, isso não existe. São apenas pessoas, embora não mais focadas na realidade física, mas mesmo assim, carentes. Eles procuraram despertar energias sexuais, e se encontrarem receptividade, farão o que querem fazer.
As formas animais, monstruosas e medonhas, é a "fantasia" escolhida pela consciência que deseja confrontar você! Um inimigo de outros tempos, por assim dizer, que deseja parecer mais forte que você para enfrentá-lo numa luta "física". E como aqui o pensamento é tudo, se você pensar que é mais fraco, o será. Já vi um grande urso peludo "destruindo" o quarto de uma pessoa, usando a própria pessoa para isso. Arremessando-a contra a parede, quebrando o guarda-roupa todo, só para a pessoa despertar depois e ver tudo inteiro, e perceber que tudo não passou de um episódio no plano astral. Mas também já vi uma alma corajosa enfrentar um polvo de quarenta metros de altura,lutando entre seus tentáculos! Essa é só uma pequena demonstração do universo dentro de você.
Já ouviu falar em duendes, gnomos, fadas? Pois muitos espíritos virão dessa forma pra você. Essa é uma forma lúdica de se apresentarem, e muitas vezes assim eles chegam para as crianças. A figura desses seres desperta desprendimento, brincadeiras, sonhos... Assim eles te pegarão pelas mãos e te levarão a lugares incríveis. Você tem que perder essa visão rígida de mundo que você tem, e entender que tudo, inclusive o que você pensa de si mesmo, é apenas isso mesmo, pensamento! Eles virão com essa intenção, libertar os seus conceitos rígidos. Mas por que eles farão isso? Oras, porque você pediu. Só não se lembra... Não se esqueça, você não é apenas este ego que por hora carregas, que faz você ser quem você é aqui na terra, das oitos da manhã às dez da noite, quando vais dormir. A consciência que você verdadeiramente é te escapa de uma forma inexprimível, e você sendo quem você é beira a inocência. O seu ego é uma ínfima parte do seu Eu verdadeiro. Vou te dar um exemplo bem terreno para que possas entender: Hoje você tem 40 anos... Esqueceu-se que um dia foi uma criança, que gostou de brincar de bonecos, que gostava de circo, que acreditava nas pessoas... Hoje você é amargo, mas já foi um jovem que acreditava no mundo... Esta personalidade jovem ainda existe dentro de você, ela ainda é parte de seu ego, embora não o use muito desperto. Mas ela existe ainda dentro de você, é parte válida sua... e quando sonha que estais a brincar de boneco, quando sonhas que ainda está na escola... e essa parte sua se manifestando...
A personalidade humana é só a ponta pequena de um imenso iceberg. Assim como toda a sua história e realidade, como jamais fora sonhada por nenhum cientista da matéria ou da alma...
 
A Estrada Infinita...7... Dos diferentes propósitos dos guardiões do limiar

O material de que são feitos os Sonhos

 
De muitas formas a vida que você leva é um sonho que se cristalizou. Mais ou menos, você fixou tanto a sua atenção num pequeno ponto de sua consciência, que este ponto passou a ser a sua única referência. Isso lhe deu um ego e uma personalidade que se identifica com ele. Antes, a sua atenção espalhava-se por todo o cosmo, e você era cada átomo dele. Mas, achou por bem experimentar outras sensações. E, claro, essa parte sua, que mergulhou neste mundo de percepção restrita, esqueceu-se de suas outras partes. Assim teve de ser, do contrário, não se concentraria o suficiente neste jogo de suposições a que você chama de realidade.
Antes, este mundo era apenas mais um dos infinitos sonhos que você tinha. Você "sonhava" todos os sonhos ao mesmo tempo. Tudo era possível. Mas entenda, não estava ficando sem graça, e nem você se entendiou. A alma é um amalgama de criatividade e curiosidade tão intensos, que ela explora tudo e todas as possibilidades. A versão de você aqui, é apenas um dos braços dessas infinitas possibilidades. Isso se somará à sua totalidade, e passará a ser, como vocês definem, uma nova experiência. Há sentimentos, sensações e experiências que não podem ser vividos em determinadas "dimensões". Existem cores, formas e sabores, que vocês não podem experimentar aqui enquanto humanos. Precisarão viver em outro "mundo", viver outros sonhos, para só então, experimentarem essas novas sensações, e elas, por sua vez, adicionarem-se à completude do ser que você é. Isso faz parte do infinito e delicioso jogo de Ser. Como você, em sua casa, ensaia já agora, em ser diferentes pessoas, em diferentes lugares, ao sonhar acordado, ou mesmo ao ligar o seu vídeo game e vestir o personagem que melhor o representa.
A essência do seu ser é curiosa, criativa. Você quer saber o que é ser um pássaro. Uma aranha. Morrer e nascer... E você já foi tudo isso, e ainda é. Mas espere, não tem que entender tudo isso, por que a vez de agora é a deste sonho. Um sonho encantador e terrível, cheio de dramas e emoções. Onde você se perdeu e busca se encontrar. Onde o mundo é sólido e limitado e você não pode voar para as estrelas. Onde o seu corpo dói e você sente o mal na pele. Não se preocupe, é apenas um, dos seus milhares sonhos. Cada um deles, a forma como reagiu a eles, fará de você uma única completude, a sua identidade definitiva, que nunca está completa, mas que se define por si mesma.
Sabe, como em todo sonho, sempre há alguém que vem lhe cutucar. Sempre alguém aparece, e devagar chega ao seu ouvido, dizendo num sussuro: Hei, está na hora de acordar...
 
O material de que são feitos os Sonhos

A estrutura de percepção que você aceita

 
Você "vive" dentro da memória dos seus "antepassados". Você interpreta isso como espaço e tempo. Vocês vivem o auto-aperfeiçoamento de si mesmos. O que vocês percebem como evolução, não é nada mais do que o aperfeiçoamento de suas consciências. Você "foi" os seus antepassados. A consciência é pensamento, e o pensamento molda a realidade. Todas as formas são dependentes de seus pensamentos, e você não apenas cria formas, como também as muda. Sua consciência percebeu que já não precisava mais de uma calda. Essa calda deixou de existir, e ainda há um vestígio dela em sua forma atual, você interpreta isso como tempo. O seu sistema nervoso autônomo recorda a você que um dia você foi uma planta.
Vocês se comportam como artesões especializados. Assim que dominam uma técnica, passam logo para outra, aperfeiçoando-as sempre. Vocês tem orgulho das suas invenções, mas não inventaram nada, fisicamente falando. O seu avião, por exemplo, é a imitação de um pássaro, aperfeiçoado no decorrer do tempo, em suas tentativas e erros. E assim, em tentativas e erros, vocês vão e voltam, aperfeiçoado a si mesmos, como um artesão que se torna mestre a cada aprimoramento de sua obra.
A história evolutiva da sua terra. A história humana e física, é a história de si mesmos, aprendendo, aperfeiçoando, entendendo, errando e acertando... vocês interpretam isso como o tempo.
Mas, não há apenas uma história evolutiva. A consciência não é linear, e já lhes dissemos que tempo e espaço não existem. Posso dar-lhe um exemplo, de uma forma que talvez você possa entender, que existe uma terra, tão autêntica e real em seus termos, onde na segunda guerra mundial os aliados não venceram. Existe uma terra, também, onde em detrimento dos mamíferos, foram os lagartos que "evoluíram". Existe uma terra destruída pela hecatombe nuclear. E uma que progrediu tão esplendidamente, que lhe arrancaria lágrimas de emoção se pudesse contemplá-la. Você pode vislumbrar fragmentos delas em suas viagens astrais, em seus sonhos lúcidos, ou naqueles momentos mágicos, entre o sono e a vigília, quando o seu ego restritivo solta as suas amarras e todas as realidades então, se unem.
Quando venho aqui, venho lembrá-lo de que é você quem trilha o seu caminho, e aquilo que você espera e deseja será o que vai encontrar. Quero que encontre e forme dentro de você a Terra de seus sonhos. Espero, sinceramente, que as suas expectativas sejam as melhores possíveis. Eu vivi todas essas experiências, todas, probabilidades que seus melhores computadores não podem contar. Sou parte de você, e essa experiência já está dentro de mim, registrada. Você não tem que vivê-la, se não quiser. Então, meio que em seus termos, sou aquele adulto que vem pegar na mão da criança e atravessa-la na rua, em segurança. Você pode, se quiser, seguir sozinho, embora todo o conhecimento que irá adquirir você já tem. Liberdade e amor são palavras que nunca deveriam andar separadas, embora frequentemente vocês se esqueçam disso.
A liberdade é sua, o aceno é Nosso. E seja qual caminho que tomar, estaremos sempre por perto. Não haveria como ser diferente.
 
A estrutura de percepção que você aceita

Uma Looonngaaaa Espera....

 
No fim de uma estrada de chão, tão comprida que atravessa o horizonte visível, jaz um imenso castelo gótico coberto de neve, que de tão branca, ao refletir a luz do sol chega a cegar, temporariamente, um viajante desavisado. Foi erguido há séculos, muitos séculos mesmo, antes dos historiadores nascerem, e da palavra história ainda ter um significado. Dorme, imperturbável, sobre o cume fino de uma montanha esquiva, num dos cantões da Hungria, desde quando toda a Europa não passava de um grande feudo, e o próprio país, sequer existia.
Ele é cercado por desfiladeiros íngremes de centenas de metros de profundidade, e por montanhas tão afiadas, que lembram a boca de uma fera carregada de dentes ameaçadores. O frio sopra com tal ardência e sem piedade, que congela até a alma os peregrinos que atrevem a se aventurar por ali. E isso não foi uma força de expressão! Nessas estranhas paragens, não é raro de se ver figuras humanas congeladas no tempo, em pleno ato de caminhar, como que tomados de repente pelo destino, prolongando-lhes o eterno agora. Já não são nada mais, apenas estátuas centenárias, que jamais descansarão!
E é, pois, no fundo deste palácio sombrio, no qual o próprio mal evita se aproximar, que vive um rapaz de aparência jovial. No entanto, mais velho do que o próprio castelo que habita... e do que, talvez, o próprio tempo.
Há um tesouro no mais afastado dos cômodos, no mais amplo dos quartos, no mais protegido dos lugares da Terra, onde o inverno, semelhante a um velho descabelado e de barba comprida e alva, sopra pessoalmente com o seu hálito frio, o gelo de todas as eras do universo! Um tesouro que o velho rapaz guarda com todo o zelo do mundo. O corpo inerte do primeiro e último amor que teve...
Por causa do frio o corpo jamais irá se decompor. E ali, ele contempla, com o olhar mais triste do mundo, a única coisa que ele nunca cansou de olhar ante as eras do planeta.
Ele está lá, eu posso vê-lo! Sentado junto a uma parede escura e fria, sempre olhando para a razão de sua alma...
Ele não vai morrer nunca! Porque a morte em pessoa não quer se aproximar dali...
E ele nunca se congelou, por que a chama do amor que traz consigo, o mantém vivo, quente e condenado...
 
Uma Looonngaaaa Espera....

A Rosa...

 
A guerra devastara tudo, e não sobrara nada que valesse a pena. Era o condado de Cottingley, Irlanda, logo após a 1ª guerra mundial. Estávamos todos atônitos com o que descobrimos que a humanidade era capaz de fazer. Mas, também estávamos, de certa forma, felizes, porque depois de um conflito como aquele, certamente não iríamos ver outro...
O retorno para casa houvera sido triste. Não caíram bombas aqui, mas a maioria dos jovens foram levados pela guerra. Não se viam mais crianças trepadas nas árvores, nem jovens correndo pelas ruas ou namorando nas praças. A inocência havia deixado a minha pequena vila, ficara lá, nos campos... nas fábricas... As jovens donzelas partiram, foram trabalhar nas fábricas de bombas e de tanques, como um meio de "lutarem" na guerra. Por lá morreram de tuberculose, de gripe, algumas estupradas ou casadas com homens bem mais velhos, para quem sabe, terem um pouco de esperança em dias melhores.
Houve um rapaz, um dos poucos que voltara inteiro. Pelo menos, por fora. Depois de enterrar pessoalmente dezenas de amigos, descobrira que a sua noiva havia morrido num acidente com uma ogiva, numa das fábricas. E então, os dias em Cottingley se tornaram como eternos domingos à tarde, ociosos, tristes, como quando se senta num banco perto de um bosque, e fica olhando o sol se pôr, esperando a eterna segunda, que nunca vem.
O bosque de musgo era infame em toda a cidade. Lugar a ser evitado. Ainda podiam ser encontradas cordas e esqueletos dos que se enforcavam por lá. Histórias sobre fantasmas, homens estranhos e luzes andantes que arrepiavam até os ossos homens experientes, e os mantinham a uma distância segura de lá...
Mas, aquele rapaz se sentira atraído pelo seu magnetismo. Era um lugar abandonado pelos homens, e isso o deixou ainda mais lindo. A luz feérica que entrava, dobradas entre as folhas das árvores, espalhava um tom verde-claro sobrenatural, como uma chuva de luz que desce sem pressa e se fixa nas coisas, como gotas de orvalho cintilantes. As aves e os insetos sussurravam uns com os outros, sempre escondidos dos olhos dos homens, como se zombassem deles. Era um ambiente que te abraçava e te sufocava, te convidado à tristeza e à reflexão, e se você não estivesse suficientemente satisfeito consigo mesmo, acabaria pendurado por uma corda, ou pulando no precipício que dava fim ao bosque. E assim, por isso, ele se tornou amaldiçoado.
Talvez, ele quisesse mesmo esse destino... eu não sei. Quem sabe? Só sei que ele caminhou por um bom tempo, embrenhando-se na vegetação, respirando aquele ar frio que te refresca por dentro e te esquenta a superfície dos olhos e te deixa com vontade de nunca ter existido...
Até que ele se deparou com uma clareira, onde uma única rosa reinava esplendidamente. Com o seu porte e a sua beleza, eu poderia dizer que ela era a rainha de todo o bosque! Todo o verde fugidio ao seu lado, contrastava com o vermelho sanguíneo de suas pétalas, magnificamente abertas e frondosas. E a luz que descia das copas das árvores a iluminavam com um foco de luz feito aparentemente só pra ela. Era a coisa mais linda que ele já tinha visto.
Primeiramente, ele sentiu a inclinação de deixá-la ali. Não poderia colher tão bela flor, arrancar de seus ramos uma obra tão sublime da natureza. Tocar nela seria uma afronta contra as musas da beleza e do encanto. Mas ela era tão linda! Tão absoluta... que não poderia sair dali sem levá-la consigo, ainda que soubesse que ela não duraria um dia dentro de um jarro d'água. Mas ele quase não teve escolhas.
Procurou com todo o cuidado decepar a rosa sem danificá-la, mas o cuidado que teve para com a flor, não o teve para consigo mesmo... e feriu-se em um dos seus espinhos...

E, enquanto uma solitária gota de sangue surgia em seu dedo, sentiu-se tonto, caindo em vertigens, e ajoelhando-se em frente à flor.
Num primeiro momento faltou-lhe o ar, pensou-se envenenado. Sua pele fria tremia, a sua boca secava. E então, as suas pernas tremendo, racharam, num som oco de madeira seca. Os seus braços enterraram-se no chão, como cipós, e os seus cabelos pendiam para a terra como ramos de uma oliveira. E gradualmente, foi tornando-se branco como um fantasma... e a sua pele e carne tornaram-se finas como um papel... Até tomar a forma de uma flor, para sempre encravada no chão.
A sua consciência era a mesma. Ainda era ele preso na forma de flor... Sentia tudo... Mas não podia gritar e nem avisar ninguém. Ele não saberia dizer se estaria para sempre naquela situação, ou se o próximo e severo inverno, seria definitivamente o seu algoz.
Sabe, ele torcia para que fosse...

Então, um dia, andando por ali, encontrei escrito num velho e esquecido templo dentro de um bosque, a seguinte inscrição:

Fina flor que os espinhos guarda;
Solitária... frágil, sempre isolada;
Que a chuva destrói... o vento, a geada;
Serás de finas e doces pétalas a sua mortalha.

Mas antes de partir, tem dentro do peito,
Do mais nobre e justo direito!
O sonho de viver um grande amor...
Pois nem mesmo uma flor, quer um mundo de solidão, e dor...

Então, uma fada enfeitiçou-lhe as cerdas com um pó;
Para que assim, não mais vivesse a rosa só;
Pois, um dia, alguém se encantará incrivelmente...
Quando em seu espinho ferir-se, irremediavelmente!

E assim, aquele que tiver o seu dedo a sangrar;
Sabe como o futuro para ele virá.
Entende, que o desespero e a tentativa serão em vão...
Pois em breve, como raiz, terá os seus pés cravados no chão!

E assim, sempre ao lado de tão encantadora rosa;
Por quem, tão, e devastadoramente se apaixonara,
Que ao vê-la colhida numa tola poda.
Como um simples e solitário cravo, agora chora...

O seu destino agora é esperar...
Por que um cravo não tem espinhos!
Logo, ficará para sempre sozinho,
Até que o vento frio e daninho, para sempre venha lhe decepar...
 
A Rosa...

A Professora Querida

 
Stephany Mallord sempre foi um exemplo de carinho e de dedicação. Ninguém, dela jamais poderia emitir uma opinião desabonadora ou ofensiva, assim como, omitir uma única nota de elogio sequer. E ela não era assim apenas em sala de aula, mas também como pessoa e como amiga. Desde criança já ensaiava as suas primeiras aulas, junto às suas bonequinhas de pano, que ela mesma costurava a mão, com esmero.
Jovem, bonita, radiante, de cabelos ruivos médios, e aquelas lindas sardas no rosto alvo… Ainda lembro-me do perfume que ela deixava ao passar, e do vestido de professora que balançava à menor brisa. Olhos grandes e brilhantes, e um sereno sorriso nos lábios.
Morreu de repente em sala de aula! Foi um rompimento vascular repentino na cabeça. Os seus olhos e ouvidos sangraram na hora, e o seu vestido branco ficou com réstias vermelhas, como fitas de carnaval! Como morava numa vila entre as montanhas, de acesso ruim, quase intransponível, o seu corpo ficou três dias em sala de aula, escorado na porta - onde ela se apoiara em seu último alento - como uma simples escora de madeira.
Passaram-se dois anos...
A sala da doce professora não era mais a mesma… Os alunos estavam impossíveis, a nova professora, ríspida e grossa, não os cativava, e nem conseguia impor a disciplina.
Stephany Mallord apareceu, então, na porta! Naquela maldita tarde de sexta-feira, com o seu longo vestido esvoaçante, cheirando a mofo e obstruindo a saída!
Ninguém deu um pio... parecia que algo apertava a garganta de todos… só se viam bocas abertas e suores descendo pelas testinhas inocentes, como se a chuva do dia anterior não tivesse encontrado teto que a contivesse.
Eu me lembro de seu rosto cru, como gelo e cera, não havia mais sardas, e ela insistia em olhar a todos, um por um,com os seus olhos parados e mortos! A iris, antes azul como o firmamento, tornara-se cinza como a lápide fria de um cemitério, e os cabelos, outrora esvoaçantes, empapados de um líquido que os pregavam feito cola.
Ela entrou como se não fosse com ela… vomitou algo extremamente vermelho e mal cheiroso na Senhora Lorna, a nova professora, que derreteu sua carne, deixando-a na forma de um amontoado de ossos e tecidos.
-Agora, vamos continuar a lição… – disse ela. Até hoje a minha espinha congela, só de lembrar...
Ela tirou de sob o vestido agulha e linha. Tinha também alguns botões de roupa…
Cada um de seus alunos tinha uma personalidade, que ela, mesmo morta, fez questão de não esquecer:
Nos mais espevitados, costurou-os nas cadeiras, um a um. Primeiro as pernas… depois os braços… e em alguns, também a cabeça. Era uma linha robusta e negra, quase tão grossa quanto um dedo. Aos mais desatentos, abriu-lhes o crânio e costurou os seus cérebros no forro do teto. E, finalmente, aos mais ceguinhos, que faziam questão de se assentarem mais na frente para verem melhor, costurou-lhes nos olhos botões, como fazia à suas bonecas.
Quando chegou em mim – tentei correr, mas quem disse que saia do lugar? – Ela fez-me um leve carinho nos cabelos e libertou-me! Corri feito uma gazela até a porta, e ainda olhei para trás uma última vez. Ela sorriu-me e acenou.
Sabe, eu a entendi... Sempre lhe escrevi histórias, e ela adorava tanto, acho que de certa forma, ela queria que eu contasse isso a todos. Claro, eu pago um preço por ainda estar vivo. Nada nesta vida é de graça... E toda noite, sai ela de meu guarda-roupa, do amontoado de roupa que eu jamais dobro, senta-se à beira de minha cama, e me acorda tocando em meus cabelos. Tenho de me levantar e lhe contar uma histórias, enquanto sou observado por aqueles olhos enormes e estranhos, que me olham sem me ver.
É... estou ficando sem histórias, sem alguém por ai tiver alguma, me mandem!

PS: Com verdadeira Urgência!
Está anoitecendo...
 
A Professora Querida

Caotic Dream?

 
- Deixe eu lhe contar um sonho que tive. Li um ensaio de Philip K. Dick...
-No seu sonho?
- Não, eu o li antes do sonho. Esse é o preâmbulo. Era sobre aquele livro, Flow My Tears, the Policeman Said (Minhas lagrimas caem, o policial falou), você o conhece?
- Ele ganhou um prêmio por esse livro.
- É um que ele escreveu muito rápido. Simplesmente fluiu. Ele sentiu como se o estivesse psicografando, ou algo. Quatro anos antes de vir a ser publicado o livro, ele estava em uma festa, e conheceu uma mulher com o mesmo nome que a mulher do livro. E o namorado dela tinha o mesmo nome que o namorado da mulher do livro. E ela estava tendo um caso com um delegado de polícia, que tinha o mesmo nome que o delegado de seu livro. Tudo o que ela dizia sobre a vida dela parecia ter saído de seu livro. Isso tudo o deixou muito assustado, mas o que ele podia fazer? Anos depois, ele foi pôr uma carta no correio e viu um sujeito meio estranho em pé, ao lado de seu carro. Mas, ao invés de evitá-lo, como normalmente teria feito, ele disse: "Posso ajudá-lo"? E o sujeito disse: "Sim, eu fiquei sem gasolina". Ele lhe deu algum dinheiro, coisa que jamais teria feito. Ele chega em casa e pensa "Ele não conseguirá chegar ao posto. Ele está sem gasolina!"
Então, ele volta, acha o sujeito e o leva ao posto de gasolina. Enquanto estaciona, ele pensa: "Isto também está no meu livro! Este mesmo posto. Este mesmo sujeito. Tudo!" Bem, este ocorrido é um tanto assustador, certo? Então ele resolve contar a um padre que ele escreveu um livro e que, quatro anos depois, tudo isso aconteceu.
E o padre diz: "Este é o Livro de Atos dos Apóstolos". Ele responde: "Mas eu nunca o li!" . Então ele lê o Livro de Atos e lhe é estranhamente familiar. Até os nomes dos personagens são iguais aos da Bíblia!
O Livro dos Atos se passa em 50 d.C. Então, Dick criou uma teoria segundo a qual o tempo é uma ilusão e estaríamos todos em 50 dC E que a razão pra ele ter escrito esse livro era que ele de algum modo atravessou essa ilusão, esse véu do tempo, e o que ele viu ali foi o que acontecera no Livro dos Atos.

Ele se interessava pelo gnosticismo e pela idéia de que um Demiurgo, ou demônio, teria criado essa ilusão do tempo para nos fazer esquecer que Cristo retornaria e que o Reino dos Céus estava pra chegar. E que estamos todos em 50 dCe há alguém tentando nos fazer esquecer que Deus é iminente. Isso define o tempo e a História. É só um tipo de devaneio ou distração contínua.

Então eu li isso e pensei: "Que estranho". E, naquela noite, eu tive um sonho. E nele havia um homem que, supostamente, era um paranormal. Mas eu pensava: "Ele não é realmente um vidente". Então, de repente, começo a flutuar, levitando até atingir o teto. Eu estava quase atravessando o telhado, quando digo: "Ok, Sr. paranormal, tudo bem, eu acredito em você". E flutuo de volta. Quando meus pés tocam o chão o vidente vira uma mulher usando um vestido verde, e esta mulher é Lady Gregory. Ela era a patrona de Yeats, uma irlandesa. Mesmo nunca tendo visto a sua imagem eu tinha certeza de que esse era o rosto de Lady Gregory.
Então, enquanto andávamos, Lady Gregory vira-se para mim e diz "Deixe-me explicar-lhe a natureza do universo. Philip Dick está certo quanto ao tempo, mas errado quanto a ser 50 dC. Na verdade, só existe um instante, que é agora. E é a eternidade. É um instante no qual Deus está apresentando uma pergunta, que é basicamente: "Você quer fundir-se com a eternidade? Você quer estar no céu?" E estamos todos dizendo: "Nããão, obrigado. Ainda não". Logo, o tempo é apenas o constante "não" que dizemos ao convite de Deus. Isso é o tempo. Não estamos em 50 dC, como não estamos em 2017. Só existe um instante. E é nele que estamos sempre".

Então ela me disse que esta é a narrativa da vida de todo mundo. Por detrás da enorme diferença, há apenas uma única história, a de se ir do "não" ao "sim".
Toda a vida é: "Não, obrigado. Não, obrigado". E, em última instância é: "Sim, eu me rendo. Sim, eu aceito. Sim, eu compreendo". Essa é a jornada. Todos chegam ao "sim" no final, certo?

Então, continuamos a andar e meu cachorro corre em minha direção. Fico tão feliz. Ele morreu anos atrás. Estou fazendo carinho nele e percebo um troço nojento saindo de seu estômago. Olho para Lady Gregory e ela tosse, se desculpando. E há vômito escorrendo por seu queixo, e o cheiro é horrível. E eu penso: "Peraí, isto não é só cheiro de vômito. É cheiro de vômito de gente morta!". Isso é duplamente horripilante. Então percebo que estou no Mundo dos Mortos. Todos à minha volta estão mortos. Meu cachorro morrera há 10 anos, Lady Gregory há muito mais tempo.
Quando acordei, pensei: "Aquilo não foi um sonho. Foi uma visita a um lugar real, o Mundo dos Mortos!".

- O que aconteceu? Como você conseguiu sair de lá?
Cara, isso foi uma daquelas experiências que transformam a vida. Eu nunca mais voltei a ver o mundo do mesmo jeito.
- Mas como é que você finalmente saiu do sonho? Esse é o meu problema. Eu estou aprisionado! Fico achando que estou acordando, mas ainda estou num sonho. Quero acordar de verdade. Como se acorda de verdade?
Eu não sei... Não sou mais tão bom nisso. Mas, se é o que está pensando, você deve fazê-lo, se puder. Porque, um dia, não será mais capaz... então - é fácil - simplesmente acorde.

PS: Phillip K. Dick diria mais tarde: "Decifrado, meu romance conta uma história bem diferente da história da superfície (...). A história real é simplesmente esta: o retorno de Cristo, agora rei em vez de ser servo. Juiz em vez de vítima de julgamento injusto. Tudo está invertido. A mensagem central da minha novela, sem o meu conhecimento, era um aviso para os poderosos: você será julgado e condenado em breve.
 
Caotic Dream?

Com Plexo

 
Quando você era criança, as suas ideias eram incompatíveis com as que você tem hoje. Isso se você tem mais de trinta anos, e cresceu. Talvez, guarde um pouco da criança que foi dentro de si, mas o fato é que as suas células, cada um de seus cabelos, o branco dos seus olhos, que definiram quem você era na infância, deixaram de existir. De uma certa forma, você deixou de ser quem você foi, e parece que a criança se foi, porque o ego dela, as ideias e sonhos, não é o seu ego de hoje, nem as suas ideias, nem os seus sonhos. Há exceções é claro, mas regra geral...
Mas a criança não morreu! Ela é, e foi parte válida de você, como um irmão mais novo que um dia você pode encontrar por ai, olhar com os olhos cheios de duvidas e ternura, e pensar: aquele foi eu... Não! Aquele sou eu ainda, num canto escondido aqui, dentro de mim. Isso quer dizer, que nada do que você foi ou passou foi em vão. Porque, cada um de você que ficou pelo caminho, é um eu válido e existente por si só. Pois acredite, quando você ia atravessar a rua e desistiu, em algum lugar, num universo paralelo, o seu eu atravessou a rua, e criou toda uma nova perspectiva de “futuro” para aquele eu. É mais ou menos como uma estrela que irradia fachos de luz para várias direções e incomensuráveis distâncias, mas ainda assim, cada facho continuando a ser parte da estrela original. Mas, para quem olhar, quando o brilho do facho chegar, nova estrela vai ver.
É complexo? Não faz ideia! Aqui está resumido por demais, simplificado demais! Tudo é simples e compreensível demais perto de certas coisas... É fato notório que tanto a ciência como a religião se baseiam em conceitos, regras e leis, motivo pelo qual se prendem a um conservadorismo que, embora tolerável, retardam suas evoluções e seus resultados. Quando cientistas ou religiosos ousam acrescentar ideias novas são rapidamente contestados, criticados e alienados. Mais tarde, depois de perceberem que suas ousadas teorias tinham fundamento, são perdoados, aplaudidos e aclamados. Uma é exatamente igual a outra, previsíveis, porque são humanas, entendíveis, porque são humanas. Viu! Todo o comportamento humano segue esse padrão. Dúvida, medo, raiva, reconhecimento (rendição)... Tudo isso porque, na verdade, competimos um com o outro por espaço, reconhecimento, sexo. E achamos que se perder, acabou, pois somos finitos, e só temos uma chance de nos perpetuar.
Então, se algo não é cognoscível, se não o entendemos, se nos escapa... Se é indefinível, então não é humano! E isso é bom. Conceitos além da humana terceira dimensão, não podem ser apreendidos por um cérebro que viva na terceira dimensão. Tente colocar um cubo dentro de uma folha de papel de duas dimensões. Agora tente colocar algo que tenha quatro dimensões dentro de um cubo. Acho que você nem consegue compreender algo que tenha quatro dimensões, não é?
O que chamamos de Deus, tem infinitas dimensões! Dá pra compreendê-lo, defini-lo, reduzi-lo a uma definição humana? Não! Graças a Deus. Senão ele seria humano.
Mas somos a imagem e semelhança de Deus! Isso, porque você tem infinitas dimensões que não pode compreender agora. Uma delas atravessou a rua lá atrás... a outra, é a criança que você foi... que dizer é... ou melhor... vai ser. Ah, esqueça!
E como dito, entender o ser humano é fácil, moleza. Quando ele não quer dividir o conhecimento é simplesmente porque o ego quer manter o controle dos outros. Porque controle é segurança, e quero me sentir seguro num mundo caótico que não compreendo. Quero alguém que me sirva, que me traga água se eu não encontrar. Que me traga comida. Que me dê atenção...
Mas, se você estiver pronto pra servir, ao invés de mandar, como ensinou o Cristo, então terá vencido o seu ego. E isso o levará a dimensões maiores. E é estranho, porque quanto mais entrega da sua individualidade egoística, mas consciência de si mesmo você tem, e mais definido como indivíduo você é. Complexo? Graças a Deus!
Ah... mas o amor é tão simples, então ele deve ser invenção humana!
Simples? Onde está a simplicidade no amor? Defina-o! Porque existe o amor por uma mãe, por um filho, por um irmão, por uma esposa. O amor por um cão, por um gato. Por uma obra de arte, por uma lembrança. E todos eles são terrívelmente diferentes, e espantosamente iguais!
O poeta disse que, como pode causar nos corações humanos amizade, se tão contrário a si mesmo é o mesmo amor? Complexo...

Como posso dar a minha face esquerda, se na direita tomei um tapão?! Complexo...
Como posso considerar alguém diferente de mim?! Complexo...
Como posso gostar de alguém que não gosta de mim?! Complexo...
Parece coisa de outro mundo, de outra dimensão...

Como posso dar crédito a alguém que escreve um monte de asneira?! Complexo...
Como posso ser bom, num mundo que só valoriza o que é mal?! Complexo...
Como posso viver por alguém, se tudo o que se faz é matar e jogar a pá de cal?! Complexo...
É, parece coisa de outra dimensão, não há outra maneira... Complexo.

Como posso ler um poema que procura rimar, se no final de cada estrofe o cara - complexo – me dá?
Complexo... é o que há.
 
Com Plexo

A Estrada Infinita ... 5 ....

 
...Quando, há muito tempo, "conversamos" com a sua gente, ajudando-os a seguirem em frente nesta rude vereda a qual escolheram, precisávamos deixar nossa mensagem de alguma forma para os outros passantes. Naquela época, a escrita estava em sua infância, e era privilégio de poucos. Então, deixamos mensagens de outras formas, formas universais que todos, naqueles dias, podiam entender. Viemos primeiro nos sonhos. Nos sonhos de todos! Mas poucos se lembravam. Depois, deixamos mensagens por aqueles que se recordavam dos sonhos, ou podiam nos ouvir, e assim, na forma de estruturas megalíticas e estátuas, na forma de símbolos e cores, desenhos... muita coisa foi registrada. Foi um aceno nosso, uma forma de dizer..."aguentem firme, não estão sozinhos"...
Então, o "tempo" foi passando. As suas inclinações foram se refinando. A sua intelectualidade, aflorando. Veio a escrita na argila, nos papiros. Registramos assim as nossas ideias, o nosso recado. E cada dia mais a evolução artesanal do homem facilitou a nossa comunicação. Todos aprenderam a escrever, surgiu o papel, o livro, a máquina de escrever... e agora, o computador. A mensagem pode ser disseminada mais rápido, os pensamentos vão se tornando uníssonos, e o homem e a sua espécie, sem se dar conta, vai tornando-se uma só de novo. Uma só mente...
Seguindo a evolução de suas técnicas, nas muitas realidades prováveis, um dia a comunicação que deu um salto no computador, dará outro, ainda maior. Conectarão as mentes biológicas aqui, sonharão acordados. A mensagem será ainda mais disseminada e mais facilmente apreendida.
E um dia, se merecerem... ligarão um aparelho eletrônico, pouco menor que os seus atuais celulares, e dirão:
-Oi?!
-Olá!
-Vovô, é você?
-Sim, sou eu!
-Que bom é lhe ver e lhe ouvir!
-Digo o mesmo!
-E então? Como é ai do outro lado da vida? Como foi morrer?
-Nossa! Você não vai acreditar! Tenho tanto a lhe dizer!...
 
A Estrada Infinita ... 5 ....

A Árvore

 
Existem muitos de mim.
Não estranhe. Vou falar de uma única árvore, que também é muitas.
Um dia passei por ela, eu era um velho numa estrada, o sol estava forte na ocasião. Para mim aquela árvore era um Oasis, e a sua sombra fresca a coisa mais valiosa pra mim, em muito tempo.
Um outro dia eu passei por ela, de novo. Eu era um jovem, e tinha muitas coisas em mente. A primavera da vida me deslumbrava, e as tantas possibilidades que se desenhavam perante mim me deixavam deslumbrado. E eram tantas as coisas que chamavam a minha atenção, que eu não a vi. Ela não significou nada. Não havia nada lá para mim. E ela era nada.
Há muito tempo eu fui um inseto. Aquela árvore era um mundo inteiro! Eu não a via como árvore, porque da dimensão do meu tamanho, eu não conseguia vislumbrá-la como um tronco ramificado coroado de folhas e de flores. Uma única folha pra mim era como uma cidade inteira, então, a árvore era um mundo inteiro. Não existia nada além dela, pra mim.
Como vento eu não a via. Apenas sentia-a resvalando-se em mim. Ela era uma conjugação de sensações, como uma cócega que começa forte, depois se suaviza, até quase desaparecer por completo. Mas ainda assim eu sentia uma ou outra folha balançar em minhas entranhas, mas para mim não eram folhas. Eram pequenas cócegas.
Quando fui uma criança ela foi para mim uma amiga. Ela sempre foi a outra ponta onde eu amarrava o meu elástico. Quando fui um rico industrial, que precisava daquele terreno para multiplicar a minha fortuna, ela foi pra mim uma inimiga. Eu desejei arrancá-la pela raiz e queimá-la, e erguer no lugar dela uma torre de vidro para arranhar o céu, e mostrar a todos o meu poder.
Ela foi a minha casa, um dia, quando fui um pássaro. Até hoje pode se ver, depois do terceiro galho, do lado esquerdo onde bate o sol da manhã no solstício de inverno, o buraco onde morei e construí o meu ninho.
E por último, hoje pra mim ela é uma lembrança. Uma lembrança das infinitas possibilidades, e da infinita ignorância.
 
A Árvore

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