*Rainha*
“Para lá das minhas linhas,
Das margens em que te antevejo,
Caído no chão à espera do cortejo,
Que alcança as badaladas das Rainhas,
Que calcam as calçadas branquinhas!”
Foram os desejos,
Que moveram o mundo em que ainda giro,
À espera do teu ombro, de um abrigo,
Para chorar essas mesmas lágrimas de sangue,
Que não param de caiar…
Sim! Habitaram-me desejos,
Onde de negro vestia a minha pele macia,
Para o teu beijo que tanto acaricia,
A minha doce malícia no pescoço,
Como se sugasses deles maresia…
E foram esses mesmos desejos,
Que me lamentam o pensar,
Por deles tirar o prazer de amar,
Para além e aquém da escuridão,
Em noites que calco as calçadas na multidão!
Marlene
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Coisas surreais
Já vi dar pérolas a porcos
Cuido que é um desperdício
A vida é mesmo um hospício
Onde os vivos parecem mortos
A mim já nada me espanta
Tenho um olhar surreal
Se já nada levo a mal
Também já nada me encanta
Um porco de bicicleta
Não deixa de ser um suíno
Com estatuto de atleta
Já não há coisas banais
Já nada me surpreende
Sei que sou bota de elástico
Intransigente, por vezes
Venho de um tempo obsoleto
Não me encaixo, não me adapto
Vivo num saco de plástico
Reciclado muitas vezes…
O que podia ser um poema
São só coisas surreais
Maria Fernanda Reis Esteves
50 anos
natural: Setúbal
O anonimato
É assim caro amigo,
Nada de perguntas complicadas,...
Só mesmo apenas mais um esforço desnecessário,
Sim,
Fora do normal, ...
Porque a ideia é sair do conforto de pensar em nada,
Sabendo que domamos a arte da cabeça vazia,
E deslizar pelos gritos das ruas que conhecemos,....
Os cantos,
Os vértices,
As esquinas,
As retas sujas e perigosas,
Cheias e impossíveis de replicar,....
E isto tudo porque queremos refúgio,
Comprar ao preço que for,
A medida certa de qualquer coisa parecida com,
O anonimato
Apresento te um poema,...
Todo o poema começa com o sol,
Um pingo de água tépida,
De cheiro inconveniente,....
São as pessoas a dize lo,
E assim que a manhã
sai pelo arco de outros triunfos,
O poema insulta,
Renova se no calor
apropriante da tarde,
Com decisões esforçadas,
Um lavrar de ideias sem corpo,
E que contam de formas diferentes,
A quem o poema toca,....
E na noite,
Na toalha bordada do escuro que nos envolve,
O poema adormece,...
Vou agora mostrar to,
Como se do meu
recém nascido te falasse
Declaração de interesses
és do meu amor,
tal como és da
minha dúvida,
dos meus bibelôs de sala,
vestidos de seda
imaginária, ,....
és de quem vier,
mas de mim,
não sairás,
enquanto o cacilheiro
se arrasta,
vagaroso,
pela espuma irresolúvel
de um qualquer fim de noite,...
e convence-te,
que seres minha,
é o melhor de dois mundos,
na mesa do final de cada dia
Poema em escada
Olha o meu pulso,
A minha pele,
Os
Tons diferentes de sonho,
Que a luz me namora,...
Pensa no que fui,
E mais ainda no que,
Estando para vir,
Se recolhe
Como a vontade da fala,
Acanhada e de dúvida,....
Dá me a água,
Como se do teu pensamento,
Brotasse a próxima linha
Do
Meu capítulo por acabar,...
Já é tarde,
O sono joga ao desejo comigo,
E a derrota faz de ressonância
do que
Deixei por fazer quando estava frio
Campanha (e)leitoral
Caros (e)leitores,
Muito me apraz ter a honra de a vós, aqui do púlpito, me dirigir. Como mero servo das letras, aspiro a obter a inscrição do meu nome no passeio da fama da literatura mundial. Para isso conto com a vossa eleição, através de assíduas leituras, veementes recomendações e manifestações de louvor.
Prometo escrever lindos textos e poemas, daqueles que fazem corar o sol de tanta luz irradiar, assim como me comprometo a não causar qualquer espécie de rebuliço ou situação menos decorosa.
Com elevada subscrição,
O Poeta Morto.
O retorno
Ela acordou atônita pois nunca havia
Sonhado daquela maneira.
O passado veio atormentá-la,
Mas parecia um pesadelo; seu coração
Sincero estava ofegante como antes...
Como naquele dia que teve que decidir
Pela razão, quando não houve compreensão!
Estava sonhando com uma antiga paquera...
Nada além disso: Sequer um beijo,
- Ela havia desistido antes -, ele era comprometido
Fugia aos seus princípios se relacionar
Com alguém naquela condição.
Naquela noite, sonhou com ele.
- Ele em silêncio a olhava sem dizer nada;
Demonstrava uma expressão séria, meio que.
Que ’me dera? Estou passando por esta vida
De desilusões... E não vivi um dos meus sonhos.
- Ele estava bem vestido num terno preto!
- Ela chegou perto dele pôs suas mãos com receio
Na sua gravata no intento de arrumar.
Mas ele fez pouco caso!
Em silêncio permaneceu retirando-se em seguida.
Partindo dali sem falar, sem externar um carinho;
Com um olhar vago e triste a olhava,
- Ela continuou olhando sua partida perdida...
No seu vaguear lúgubre, com um nó na garganta.
No seu pensamento: O que será? Por quê?
Àquela visita repentina, sem dizer nada!
Seria um presságio? Teria algo para revelar?
Todavia, a magoa de passada era de um outono
E / ou de uma primavera foi mais forte!
Deixando – á sem norte. E ao olhar para aquela
Realidade encheu-se de tristeza incerteza,
Sabia do sentimento dele, mas não podia...!
Deveria ter pedido perdão.
Quando pensou em o fazer, gritar! Acordou.
Quem poderia retornar para dentro de um sonho?
19/9/17
Mary Jun
O tempo descalça-se,...
Com frequência,
À noite,
Olhamo nos como estranhos,
De frontes depois encostadas sorrateiramente,....
A novidade não se nota,
Pois de resto
como a inteligência,
A pressão de fazer melhor
do que o instante anterior,
Tira a memória reprodutiva
ãs pessoas,...
E à medida que o tempo se
descalça,
Se despe,
Apercebemo nos
que mais ou menos,
Mais mão reconfortante,
Menos suspiro de conforto,
O ficar tudo na mesma,
Devotadamente se deita,
No espaço que nos
sobra na cama
Aurora, podias ser maria, sara
a esperança,
aurora,
podias ser maria,
sara,
não teres nome,
a esperança está
em deixares correr
a cortina,
salvaguardares a memória,
a morte que o sol traz, ...
a esperança chama-se amor,
e penas de cisne
à beira de um lago dourado,
pelo enrolar dos dias,...
amorosa a comparação,
mortal a vontade de mudar