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Poemas, frases e mensagens de Árvore

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de Árvore

O mais velho de sete filhos, desde cedo assumi responsabilidades impróprias e costumava escrever minhas experiências na anciã de ser compreendido através delas. Isso não ocorreu! Nu

Um poema aflora (fragmento)

 
O não sono chega.
Meus faróis acesos.
Toda convergência possível era luz em meus olhos.
 
Um poema aflora (fragmento)

( Meu primeiro poema) Sem nome...

 
Troveja!
Lá fora chove e
Os verbos se soltam,
Se perdem.
 
 ( Meu primeiro poema) Sem nome...

ASAS E GARRAS

 
Ela quer ser livre
Ela quer ser louca
Ela quer ser plena em quase tudo

Ela quer ser livre
E não prende o cabelo
Ela quer ser solta e não calça sapatos
Namorados ela também não tem

Não há quem a tenha
Mas, ela tem tudo
Tudo é seu e não é
Pra quê ter coisas na bolsa?

Ela é louca e não sabe
Ela sabe e não é
Ela locomove o espaço
Ela para o passo deles
Para o meu também

Ela é louca e livre
E lisa a sua pele é
É sedosa e amável
Indubitável ela é
É perene e extensa
E amena e forte
Ela chora sempre
E corre com lágrimas ao vento

Quem não quer ser amado?
Claro, ela também quer
Mas, é campo minado a vida inconstante dessa mulher
Pois ela quer ser livre pra chorar suas dores
Pra amar seus amores, pra pular e correr

Ela é Preta, e sua cor é tudo
O mundo que escorre em gotas de lágrimas e suor
Ela é o pecado, o Diabo-Deus
Ela é incrível, incompreensível
É água e óleo misturado
Um campo minado em meu colo
 
ASAS E GARRAS

CARDÁPIO

 
Eu te fiz em musica,
Sinfonia confusa.

Olhei o menu e pedi você!
 
CARDÁPIO

Campo Santo

 
Um campo parco, encima dum morro, muito mal cuidado, era santo. Antes de tudo, haviam pessoas defronte o portão fraco e enferrujado. Rostos úmidos e frágeis, com uma tristeza que,como todos sabem, duraria pouco. Ao pé da ladeira, uma cena bonita, aqueles corpos significantes a espera de um outro que, de certa forma, ao mesmo tempo estaria e não estaria lá.

Depois de algum tempo, o suficiente para cansar aos que ficaram de pé, o Motivo veio através do portão, imediatamente depois de subir amargamente a ladeira. Belas ladainhas de coros fúnebres, desde uma antiga casa, vinham sendo cantadas. Homens nem sempre tão esbeltos revezavam-se em ajudar a locomoção, mas sem a desejada gratidão do Motivo. Pelas vielas pouco espaçadas caminham todos irrigando as pedras que, adicionadas ao canto, estavam tristes sob os passos ritmados. A musica seguia, não parou mesmo quando passou o portão enferrujado.

Naquele parco campo onde ninguém morava haviam, fotos, flores, e memórias perdidas e invisíveis. Os rostos frágeis com gentileza se amontoavam consultando o gemido que em coro gemiam, esperando a despedida de um alguém que não havia. Acompanhados pelo padre, que os pecados expurgava, á volta do fosso e daquele Motivo, sofrendo uma dor que é difícil explicar, oravam todos odiando a Deus.
 
Campo Santo

Tímida

 
Vi um pé entre milhares,
aparentemente ela precisa de poucos movimentos cardiovasculares
para irrigar seus passos certos.
será que se espreguiça
quando o sangue faz seu rosto ficar vermelho
e ela se olha no espelho?
seria um pecado não se impressionar!
mas é claro que uma dia,
espero, verei esse corpo frágil
se abrir em braços largos
e com milhões de beijos e afagos
abraçar a terra.
 
Tímida

Árvore

 
Não sou homem, sou Arvore. Abstenho-me desse conceito môno-semântico. Ser homem implica em ser o que não se é, e sou o que sou.

Quando um ser se nomeia homem constrói, em si, conceitos incorruptíveis, absolutamente sólidos. Não me sinto no direito de não mudar. Minhas angustias forçam-me as mudanças de "espírito".

Tentativa vã a de ser uno.

Quem de fato é homem? Que absurdo é esse? Quem esculpiu tamanha utopia? Meu pênis não me responde, minhas mulheres nunca tentaram, meu pai, esse sim foi homem, num mundo em que se pôde imaginar concreto andando.

Essa necessidade de se distinguir?

Um homem para criar o universo, para medir todas as coisas? Um homem para indagar sobre si, sobre o sentido de pronunciar-se, concluir-se, conceituar-se?

Eu sou uma Árvore, homens não abraçam e respiram o mundo. Homens dormem e sonham e amam e choram. Sou Árvore porque sou, escolhi ser. Imponente pelo que sou não pelo que faço. Sou frondosa e alta e quase perene e verde e só numa cidade grande.
 
Árvore

O VENTILADOR

 
O ventilador está cheio de homens.
não posso contemplá-lo!
contemplá-lo seria
contemplar a miséria,
o desleal.
seria silenciar-se
diante da desgraça,
da fábrica e de duras horas de trabalho.
procurei o que contemplar...
mas, o ventilador está lá
me devolvendo à cidade,
me fabricando um homem moderno
de olhos fechados e boca aberta,
de ouvidos fechados e alma também.
que acredita e ora à máquina e ao lucro.

Este texto já foi carregado neste site em uma outra conta, na qual tive problemas e não posso mais usa-la.
 
O VENTILADOR

GUDES

 
Para escorregar e cair,
Olhar pro céu e as estrelas,
Voltar a ser criança.

Para lembrar da terra
E das bonecas,
Dos tempos do quintal.

Pra fugir da rotina,
Voltar a ser menina,
Machucar, correr pra mãe.

Para lembrar do tempo
Em que tudo era doce
E não havia preocupações.

Esquecer das brigas e intrigas
E com todas as amigas
Fazer um mundo no quintal.
 
GUDES

MÃOS DADAS

 
Para que servem as mãos se não para da-las?
Tocar a palma da mão outra?
Para que, se não cede-las à alguém?

E quando se cede à palma...
Aplausos!
E quando se cede a palma...
Ternura!

É banal e casual e usual
Pois assim a fizeram.
Se me faz falta te-las,
Obrigado pela mão!
 
MÃOS DADAS

SAPORÊRE

 
Esse mundo sabe à ela

O seu gosto está em tudo

Me amarga e dulcifica

Me trás água à boca



Que sei dela?

Nada.

Só seu gosto sei.

Ela sabe à verde,

Ao sabor do vento,

Do balanço das árvores,

Do escuro da noite.



Um mistério grotesco que trava o céu da boca

Uma candura sutil me arrepia a nuca.

Não pararia de falar de seu gosto

Mas ela sabe à tudo.
 
SAPORÊRE

GÊNESES

 
as mulheres todas estão grávidas
elas todas querem parir
criar algo novo
um edifício
uma flor.

todas prenhas darão a luz
falarão línguas de reis
tomarão o poder
o poder é delas!

pobres coitados, os homens
eles só pensam trabalho.
 
GÊNESES

Analgésicos

 
Quanta dor em minha existência,
insuportável estado meu.
por favor dê-me ignorância
 
Analgésicos

Poucas espectativas

 
Sem casa

sempre assim

sem poesia

desde quando

se tenha coragem

para saber

que toda casa

poesia

e coragem

são

sempre pouco

sempre os mesmos

por mais

que sejam

muitos
 
Poucas espectativas

Os Ratos

 
Os ratos adoram minúcias.
E com minúcias eles roem a lógica,
Devoram e desconstroem silogismos categóricos.
Com patas pequenas e brancas,
Quase rosadas, eles se põem de pé,
E provocam o riso dos outros.
Quando se tem nas mãos a duvida
É cada vez mais difícil
Pensar com coesão,
Então, eles,
Os ratos,
Voltam as suas minúcias,
Voltam-se aos outros,
E roem tudo com minúcia!
 
Os Ratos

Anátema (A queda)

 
Eis que surge da minha cruz
um sustentáculo herbal
homens tatoados
crucificam-se
de ponta cabeça
e eu na benção me afundo
pois tão profundo
é o poço em que se encontra o real
 
Anátema (A queda)

MANIFESTO

 
Suas memórias fatigantes
nas minhas memórias me cansam,
incita-me um desejo intrigante
de cansar-me mais e mais.

ora, ao passo que caminho
nesta tão nefasta sombra
me assombra a nefastice
de impiedosa beleza.

o que é belo se desvela,
o que é feio se desvela,
o que é bravo se desvela
e ainda não se tem nada

nem se poderia ter
nesta vida ou em outra,
o que poderia ter é o que é tudo
e não é muita coisa.

não é ter, mas tendo
a entidade das pessoas
que de infinitas possibilidades
um alguém te cede uma.
 
MANIFESTO

Afastaram- se todos

 
Quantas horas de desprezo
nesses seus dias fétidos?
Um vazio constante e leituras mal feitas.
Há sempre por que fraquejar.

Não contamos com vossa conveniência,
não cantamos os vossos hinos.
Desde meninos nós somos assim,
individualistas.

Quantas horas de desprezo
em seus dias fétidos.
 
Afastaram- se todos

Das Ninfas

 
Pousam macias sobre o corpo de outono
As folhas frágeis e lentas...
Veste o seu fluido vestido,
Veste-se liquefeita...
Brilha a tua melodia que é bem mais que som...

Este texto foi escrito como comentário do poema “Sobre meu corpo envolvente” de ConceiçãoB.
 
Das Ninfas

Poema esquecido desde 2006 (sem nome)

 
Minha vontade de ser e estar
Está a um passo de ser
O que esperava que fosse
Quando estivesse com 20.

Que seja o que Deus quiser
Por que eu não quero nada
Estou a um passo de ser o que esperava antes
Não tem por que nem para que falar.

Estou a esperar
Mas espero calado
Assassinando minhas idéias.

Tão próximo de ser o queria aos 20
Não desejava nada
E agora o que sou (?).
Não foi uma pergunta
Foi uma faca
Para matar minha sede.
Não aguardava o ser
Mas ele já tinha chegado...
Talvez tivesse percebido.

Contudo muito calmo e quente
Sentia meu cormo dormente...
Na companhia do escuro
Eu vinha na contra mão.

Encontrei hoje este texto em um dos meus cadernos perdidos do ano de 2006...
 
Poema esquecido desde 2006 (sem nome)