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Poemas, frases e mensagens de Juanito

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de Juanito

Como a rosa

 
 
:

COMO A ROSA

Que fortuna tão distante,
que o pensamento imagina
luminosa.
Que esplendor tão rutilante,
daquela ilusão divina,
misteriosa.

Quanto andar, quanta fadiga,
quanta pena e sofrimento
que tortura.
Este evocar que fustiga,
a inclemência deste vento,
tão segura.

E esta vida que já é nada,
mas que noutro tempo fora
tão ditosa;
sem fragrância e desfolhada,
sente saudades e chora
como a rosa.

ALMA HERIDA

Qué fortuna tan lejana,
que la memoria imagina
prodigiosa.
Qué esplendor de la mañana,
de aquella ilusión divina,
misteriosa.

Cuánto andar, cuánta fatiga,
cuánta pena y sufrimiento
que tortura.
Este evocar que fustiga,
la inclemencia de este viento,
tan segura.

Y esta vida que no es vida,
más que yo viviera otrora
como un sueño,
el alma dejome herida,
de tanto como la añora
con empeño.
 
Como a rosa

Cego de nascença

 
.

Ele é cego de nascença,
este Amor que já me invade,
por vezes desejo ardente,
por vezes pura saudade.

Ele está dentro de mim,
dançando na noite escura;
ele não precisa ver,
ele é luz, ele é tortura.

O seu fado misterioso
leva meu sonho, minh'alma,
por um mar embravecido,
por um lago em noite calma.

Anseio de entrar em ti,
alma elevada na altura,
olhos absortos de gozo,
vento de imensa ternura.

Ele é cego de nascença
e fere com a poesia,
colocou luz nos teus olhos
sem saber que eu morreria.
 
Cego de nascença

Vêm do norte, vêm do sul

 
 
Vêm do norte, vêm do sul,
as aves sulcando os céus,
atravessando montanhas,
altas cumes, calmos rios,
planícies, desfiladeiros
e as ondas do imenso mar.

Vêm do norte, vêm do sul;
elas são irmãs do vento,
que as sustenta, quando passam,
nesse mágico momento.

Vêm do norte, vêm do sul,
as lembranças, os suspiros,
daqueles ventos perdidos.
 
Vêm do norte, vêm do sul

Amor imprevisto

 
 
Boiar não quero mais nesta incerteza,
pois tudo neste mundo está marcado
pelo fado afinal, e com certeza
não poderá durar o bem sonhado.

Pensar não quero mais em fantasias,
num sonho florescido e bem amado,
se as minhas tão escassas alegrias
são chuvas que lá vão pelo beirado.

Gozar quero do amor quando ele chega,
amando nesse instante e com fé cega,
apenas ele pouse, de improviso.

Gozando dessa mão que assim me toca,
o amor que ela oferece e nada evoca
será meu bem amado paraíso.

* * * * *

De qué sirve esperar al amor puro
si todo en este mundo está marcado
por la suerte fatal y a buen seguro
no existe el paraíso tan soñado.

De que sirve soñar con fantasías,
con campos verdecidos y lejanos,
si al cabo las contadas alegrías
escurren como el agua entre las manos.

Gocemos pues de Amor cual éste llega,
gocemos de ese instante con fe ciega,
tan pronto como pose, de improviso.

Gocemos de esa mano que nos toca,
su amor que nos ofrece y nada evoca
será nuestro anhelado paraíso.
 
Amor imprevisto

Café gostoso

 
 
.

Quando menino eu tinha uma amiguinha.
Uma vizinha, às vezes,
nos convidava para tomar um café.
Ficávamos ambos, sozinhos, na cozinha,
o café recém-feito,
tão gostoso!!
Então imaginávamos que aquele era o nosso lar,
e morávamos lá, juntinhos,
unidos por um grande amor.
 
Café gostoso

chuva

 
 
É miúda e desce leve
até este chão tão sedento,
parece que sempre esteve
regando meu sentimento.

A chuva me vai trazendo
uma música anelada,
o rumor de estar vivendo
numa outra terra sonhada.

A ramagem gotejante
relembra o antigo lar
onde brilhou fascinante
o mais lindo despertar.

Toda a fronde assim lavada
vibra ao compasso do vento
e uma fragrância olvidada
perfuma meu pensamento.
 
chuva

Astro perdido

 
 
Reflecte o esplendor de um astro amado
o brilho do luar e a sua quimera;
parece resgatar a primavera
a brisa de um amor recém-chegado.

Parece recobrar esse legado
de um sol cujo calor fundiu a neve,
com raios de ilusão e instante breve,
que torna com fulgor ressuscitado.

Bem sei que este clarão fere ao olvido;
florescem idos gozos que eu sentia
nos raios deste sol nunca esquecido.

Gozemos, seja apenas um momento,
com esta luz que outrora possuía
aquele bem amado firmamento.

* * * * *

Refleja el resplendor de un astro amado,
la luna, que al brillar todo conmueve,
parece recobrar la brisa leve,
la brisa de un amor recién llegado.

Parece recobrar aquel legado
de un sol cuyo calor fundió la nieve,
con rayos de ilusión e instante breve,
que torna con fulgor resucitado.

Bien sé que tal fulgor hiere al olvido;
reviven muertos gozos que sentía
los rayos de aquel astro tan perdido.

Gocemos, sólo sea por en momento,
con esta luz que otrora poseía
aquel tan bien amado firmamento.
 
Astro perdido

uma linda melodia

 
 
Uma linda melodia
perfuma com seu relato,
este luar de saudades,
este tão velho retrato.

Uma canção que se ouve
pelo mar do sentimento,
como uma lágrima à toa
é levada pelo vento.

Uma forte tempestade
dentro do meu coração
levanta as ondas dormidas
duma perdida paixão.

Pelos ares da memória
e sem que exista motivo
transita o eco fatal
do que não tem mais olvido.
 
uma linda melodia

Perfume de Rosas

 
.

Vibra um aroma de flor,
fragrância de amanhecer.
Rosa que treme no ar,
orvalhada de prazer.

A rosa que tanto anelo,
rosa efémera e bendita,
relembra com seu perfume
aquela efémera dita.

Pétalas de ilusão viva
que o rude sopro do vento
foi arrancando sem pausa
do caule do sentimento.

Mas seu perfume porfia
e também porfia o amor,
apesar desta distancia
que enche o meu peito de dor.

* * * *

Vibra un aroma de flor,
fragancia de amanecer.
Rosa que tiembla en el aire
orvallada de placer.

La rosa que tanto anhelo,
rosa efímera y bendita,
recuerda con su perfume
el gozo que en mi alma habita.

Pétalos de ilusión viva
que el rudo soplo del viento
me fue arrancando sin pausa
del tallo del sentimiento.

Mas su perfume porfía
y también porfía el amor,
a pesar de esta distancia
que me inunda de dolor.
 
Perfume de Rosas

soneto de amor

 
 
Absorto ante o amor
permaneço admirado
do viço esplendoroso dessa flor,
do signo misterioso do seu fado.

É luz que purifica,
canção que faz vibrar o sentimento,
incenso que perfuma e se dissipa
por toda a imensidão do firmamento;

vibrar perante a luz da bem amada,
encanto no sentir,
pisar por uma terra imaculada.

Amar é pois fluir
na música imortal duma balada
que deste mundo vil nos faz fugir.
 
soneto de amor

Passarinhos

 
 
Ouço um lindo canarinho
Que canta na sua prisão;
Na gaiola, coitadinho,
Ele chora a sua paixão;

Com certeza porque clama
Pela amada canarinha
À quem ele muito ama,
E também, presa e sozinha.

Ele não pode fugir
Nem da prisão nem do fado
De nunca poder sentir
O calor do ser amado.

Mas a sua voz é tão bela,
Tão sentido o que ele canta,
Que mesmo desde a sua cela
Vibra o céu na sua garganta.
 
Passarinhos

Amor platônico

 
 
Buscar o teu olhar que me fascina:
verdade tão imensa e céu tão puro;
amor que tanto anseio e que procuro
qual busca um cego o dom da luz divina.

Sentir que é uma quimera peregrina,
andar detrás de ti num céu obscuro,
saber que nos separa um alto muro;
que apenas é um amor que se imagina.

Teu nome de mocinha, tão amada,
ecoa como voz que eu pressentia
ser canto de paixão idolatrada.

Teu ser que é de ilusão e fantasia,
de boca carmesim tão anelada,
transcende ao vasto mar e até à poesia.

* * * * * *

Buscar ese mirar que me fascina,
que es don de la verdad y es puro cielo,
ese mirar azul que tanto anhelo,
esa ilusión vivaz que tanto anima.

Sentir que es ilusión tan peregrina,
que es ansia, que es pesar y que es desvelo,
que es triste y afligido desconsuelo,
que apenas es amor que se imagina.

Tu nombre de muchacha tan amada
resuena como un eco que intuía
ser canto de pasión idolatrada.

Tu ser que es de ilusión y fantasía,
de boca carmesí en sueño besada,
trasciende al ancho mar y a la poesía.
 
Amor platônico

Tan fuera de control

 
 
Cual es la luz del sol
tan alta fue mi dicha,
y hoy anda mi desdicha
tan fuera de control.

Por sueños inmortales
corrió la juventud
con la alegre virtud
de tiempos tan vitales,
mas queda en los anales,
en un bello arrebol,
aquel cielo distante
tan fuera de control.

Y ha quedado la rosa
que otrora florecía
sin saber que sería
espina dolorosa,
y aquella tan hermosa,
bajo la luz del sol,
sonrisa de tu boca
tan fuera de control.
 
Tan fuera de control

Mágico farol

 
 
Qual é a luz do sol,
alta foi minha dita;
e é luz que ressuscita
de um mágico farol.

Por sonhos imortais
correu a juventude
com a alegre virtude
de tempos tão vitais,
mas fica nos anais
perdida no arrebol
aquela luz distante
de um mágico farol.

Ficaram essas rosas
que outrora floresciam
sem saber que seriam
saudades tão ansiosas,
lembranças luminosas
num imenso lençol
de mar que a luz reflete
de um mágico farol.

* * * * * *

Cual es la luz del sol,
tan alta fue mi dicha,
y hoy anda mi desdicha
tan fuera de control.

Por sueños inmortales
corrió la juventud
con la alegre virtud
de tiempos tan vitales.
Mas queda en los anales,
en un bello arrebol,
aquel cielo distante
tan fuera de control.

Y han quedado las rosas
que otrora florecían
sin saber que serían
espinas dolorosas,
al evocar las cosas
que en un rojo crisol
fundiolas el destino
tan fuera de control.
 
Mágico farol

Terrível ferida

 
 
Aberta ficou minh'alma
por tão terrível ferida,
aquela que já rasgou
o ritmo da minha vida.

A fogo ficam gravadas
saudades do velho lar,
banhadas de dor profunda,
banhadas pelo luar.

Vou percorrendo essas ruas
que outrora foram sustento
daquele canto d'aurora,
de tão divino elemento.

Sonho daqueles instantes
que inda não sabem morrer,
pranto salgado nos olhos,
esperando eles vier.

Miragens pelos desertos
daquilo que já morreu,
vibra nos ventos o ritmo
do que sonhei qu'era meu.

* * *

Abierta quedó mi alma,
sangrando su abierta herida,
aquella que hubo cegado
aquella luz tan querida.

A fuego quedan grabados
momentos del viejo hogar,
bañados de tanta angustia,
añorados con pesar.

Camino por esas calles
que otrora fueron sustento
del bello canto de aurora,
de tan divino elemento.

Sueño de aquellos instantes
que no se dejan morir,
llanto salado en los ojos
por quererlos revivir.

Espejismos del desierto,
de aquello que feneció,
vibra en los vientos el sueño
de lo el alma vivió.
 
Terrível ferida

Perdido

 
Perdido nos meus sonhos me recreio;
evoco o meu passado.
O livro das lembranças sempre leio,
do que já foi andado.

Livre de todo anelo e pelos mundos,
tal como faz o vento,
vibram sonhos distante e profundos
e o triste pensamento.

Tristeza que conforta pois evoca
o meu jardim perdido.
Destino inexorável que convoca
a um mundo fenecido.

* * * *

Perdido en la distancia me recreo,
evoco mi pasado.
El libro de los sueños siempre leo,
absorto y admirado.

Libre de todo anhelo y por los mundos,
tal como lo hace el viento,
vibran sueños lejanos y profundos
y el triste pensamiento.

Tristeza que conforta pues evoca
aquel jardín perdido.
Destino inexorable que convoca
a un mundo fenecido.
 
Perdido

Sonhos

 
 
.

Sonhava que amanhecia
numa querida alvorada.
Sonhava que assim vivia,
sendo feliz sem mais nada.

Mas desconheço quem sou
e no lugar que eu estou
vago como um vagabundo,
que chora e que vai sofrendo
pois tudo o que está vivendo
fica fora do seu mundo.

Caminho com passo ausente,
com meu medo recorrente
que não me deixa partir;
assim meu canto afligido
evoca o mundo querido
que não posso descobrir.

Nunca acaba este desterro
nem minhas penas enterro
nem acaba a maldição,
e nesta noite estrelada
sonho com essa alvorada
que ilumina o coração.
 
Sonhos

pardaizinhos

 
pardaizinhos
 
.

Os pardaizinhos cinzentos
cantam todos, tão cedinho,
e acompanham, as suas notas,
meu jeito de andar sozinho.

Encanta os meus ouvidos
seu coro de voz gostosa,
tal como o meigo suspiro
duma saudade amorosa.

Me faz bem ouvir seu canto,
tão humilde mas tão belo,
evoca um mundo feliz,
o mundo que eu tanto anelo.

Vão pulando pelo chão
esses lindos passarinhos,
seus bebês querem comer,
estão famintos nos ninhos.

Procuram qualquer bocado,
qualquer inseto que passa,
para que os filhinhos tenham
esse olhar cheio de graça.
 
pardaizinhos

mundo feliz

 
 
Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei

Manuel Bandeira

Meu ledo coração passa triunfante
Por esse mundo grato e tão amado,
Que para o meu lazer tenho criado
Duma visão sonhada e deslumbrante.

É um mundo de grandeza rutilante,
E nada com certeza lá anda errado,
Por isso sou feliz de tê-lo achado,
Morando mesmo dele tão distante.

Assim contente estou, e imaginando
Que tenho lá meu lar e a minha vida,
E os lindos passarinhos vão cantando

Bem cedo a sua toada tão sentida;
Então é quando vou-me despertando
Do sonho dessa dita tão querida.
 
mundo feliz

A lagartixa Rosinha

 
.

Conheço uma lagartixa,
Rosinha é o nome dela;
simpática e brincalhona
e além disso muito bela.

Tem uma pele bonita,
tem uma cauda comprida;
tomando banhos de sol
parece que está dormida.

Tem uma língua retrátil,
mas não gosta de fofoca,
serve apenas pra levar
os insetos para a boca.

Rosinha é muito querida,
ela é culta e educada,
nunca faz mal a ninguém
e nunca fica zangada!
 
A lagartixa Rosinha

Hoje sou a saudade imperial
Do que já na distância de mim vi...
Eu próprio sou aquilo que perdi...
Fernando Pessoa