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Poemas, frases e mensagens de Jdcc1

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de Jdcc1

Integridade

 
Eu
Pronome pessoal
Em transição
Intransitável

Nós
Pluralidade inofensível
Em colisão
Circunstancial

Eu
Oposição aos fatos
Em tédio
Subliminar

Nós
Subsistência volúvel
Em cordas frouxas
Arrebentação
 
Integridade

Do equilíbrio (cordial)

 
"Não levo ninguém a sério o bastante para odiá-lo."
(Paulo Francis)

Me equilibro; e tento me equilibrar
Na gentileza e na estupidez
Na estupidez da gentileza
E na gentileza da estupidez
 
Do equilíbrio (cordial)

N° 1 (Aldravia)

 
Amor
nos
extremos
do
cordão
umbilical.
 
N° 1 (Aldravia)

Revoluções

 
Realidade avessa,
inversa
como a sombra da caverna.
Pontas e vontades soltas,
Absortas
presas no fio da navalha.
O paralelo da existência,
da sobrevivência,
Adaptação.
Vidas verticais.
Horizontes diminuídos.
Costumes e consumos.
Nesse imediatismo
De querer mundos inteiros.
(E são poucos os que querem
mundos internos)
 
Revoluções

Devotado as minhas dúvidas

 
Onde o diabo colocou o inferno
Senão no fardo de uma consciência pesada?
Onde está a consciência de ser
Senão na sutileza de uma alma atravessada?

Onde está a essência do pecado
Senão na natureza humana?
Onde está toda a razão
Senão nessa incoerência profana?

"Mas, me permito errar sempre que necessário
Sem medo do agora,
Escrevo meu próprio cântico do calvário
(Deixei meu ateísmo lá fora)"

Quem dera eu soubesse todas as respostas
E pudesse aqui transcrevê-las
Garanto que todos me virariam as costas
Por medo de conhecê-las

Mas do mundo não sei nada
E o mundo não sabe nada de mim
Eu tenho medo de começar
Pro começo não chegar no fim.
 
Devotado as minhas dúvidas

Presença

 
 
Ela chega
E meu mundo inteiro chega com ela
Ela fica
Vai ficando

Me pega
Me envolve no corpo dela
Me saca
Vai se entregando

Me perco
E nem sei me encontrar
Eu amo
O jeito dela de amar
 
Presença

No céu da poesia

 
No céu da poesia voam as palavras plenas
Aproveitam sua liberdade
Sobre o mar dos sentimentos
E como as gaivotas,
Às vezes mergulham,
Em busca de sobrevivência
E quando com sorte,
Voltam ao céu da poesia
Saciadas de amor...
 
No céu da poesia

Sobre os crédulos incrédulos

 
Como pode
a indiferença brotar aos montes
enquanto o mal se espalha por esta selva de pedras?

Não somos reféns do mal
somos reféns da nossa própria indiferença
que nos encurrala entre a corda bamba e o abismo

Talvez meus versos estejam saindo deveras moralistas
não é minha intenção assim fazê-los
afinal, sou a censura da censura que censura

E no final,
eu aprendo muito com esse ativismo de sofá
me ensina como não deve ser feito
 
Sobre os crédulos incrédulos

Nessa noite tudo será silêncio

 
Eu amo o silêncio
Aquele silêncio barulhento da alma
Que fala na quietude da paz.

Não sei o porquê, mas adoro o outono
Mais do que as floridas primaveras
Talvez seja o vento... Inspirador.

A chuva me alegra, me acalma
Muito mais que a fascinante melancolia do sol
Não me arde a pele, me molha a alma.

A noite me arranca suspiros...
E enquanto o sono não vem
Eu continuo sonhando acordado.

Então, quem sabe
Numa noite chuvosa de outono
Os bons ventos me tragam a quietude da paz?

Nessa noite tudo será silêncio.
 
Nessa noite tudo será silêncio

Oração pro universo

 
Marcas n'alma,
Na pele
Nascença.

Falta prece,
Falta fé,
Descrença.

São sonhos,
Pesadelos
E imaginação.

É silêncio,
Agonia
E introspecção.

Da demência,
Da lascívia,
Carpe diem!

Obrigado universo,
Pela vida (in)sucesso
Amém!
 
Oração pro universo

Que me faça amar

 
Aquele olhar que cê me trouxe
Naquela tarde de dezembro azul
Ainda tá aqui comigo

E eu não deixo de lembrar
Não deixo de lembrar

Aquele beijo que calou nós dois
Ainda tá guardado na memória
Algum dia eu quero repetir

Pra nunca mais parar
Nunca mais parar

E as mil razões que você tinha
Pra me rever um dia desses
É meu motivo pra ligar agora

E eu peço que me faça amar
Só peço que me faça amar
 
Que me faça amar

Reflexão

 
Mesmo os filósofos
Não têm que te fazer pensar
Por quê então os poetas
Têm que te fazer amar?
 
Reflexão

Um soneto pro tempo

 
Só em ti encontro a transmutável precisão
De sorrisos na chegada e lágrimas na partida
Só em ti encontro o cerne da perfeição
Na relatividade de tudo e na finitude da vida

Seja o que for, faça o que fizer
Continuará sendo infinito em breve instante
Me aposse e faça de mim o que quiser
Pois sou refém da tênue paz do teu semblante

Habita em ti o segredo mais oculto e o sonho mais disperso
Se alinha em ti toda a imensidão do universo
És a alma da loucura e a razão da liberdade

És inefável, autossuficiente, indestrutível e forte
És o tempo—dono de si, da vida e da morte
E é tua, só tua a solidão da eternidade
 
Um soneto pro tempo

Da eternidade necessária

 
Há a hesitação
de acreditar no impossível.
Meu caos.
Íntima existência
de limitações parábolas
ilusão marcada
desmascarada...

Sob o sol maldito
d'um inferno singelo
sensível as pequenas lembranças
que desatinam
em sobras de salvação
ajuizado final
em que o futuro é simplesmente
o pó...
 
Da eternidade necessária

Nonsense (I)

 
Não me confundam
O eu e o eu lírico

Nada temos a ver
Nunca teremos

O eu lírico é um personagem
Marolando nas linhas

E eu sou só um personagem
Marolando na vida
 
Nonsense (I)

Ambiguidade

 
O purismo e indulgência de um
A obscenidade e intolerância do outro
Eis-me aqui
Entre os dois lados de mim
 
Ambiguidade

Dependente (ou dos fracassos da razão)

 
Quisera eu
Ser a razão em pessoa
Mas as pessoas não tem razão
Quem dera eu

Por isso devo admitir
Que eu dependo do amor
E o amor se independe de tudo
Ele simplesmente se faz existir

Enfim, sou emoção
Não a flor da pele
Nem a flor da alma
Sou simplesmente emoção

Talvez eu caia em contradição
Ou as contradições se desfaçam em mim...
 
Dependente (ou dos fracassos da razão)

Invento-me

 
Invento-me todo santo dia,
Abnego as falhas e virtudes de outrora,
O que fui ontem não me agrada no agora,
Invento-me meio a redundância e covardia.

Sinto-me demasiado distante de mim mesmo,
Coloco-me a disposição fiel à mudança,
Agarro-me na saia curta da esperança,
Deixo-me ser, tentar ser, a esmo.

Acuso-me de todos os pecados passados,
Acuso-me até dos não cometidos,
Pensando assim que minha alma evolui.

Invento-me todo santo dia,
Quanta pretensão e hipocrisia,
Invento-me e volto a ser o que sempre fui.
 
Invento-me

Epigrama da liberdade

 
Mesmo enclausurado, refém do tempo e indefeso
Mesmo minha vida em centelhas ínfimas
Só estarei verdadeiramente preso
Se o for num cárcere das almas

Pois a liberdade é a origem
Da verdade,
Do sonho e da ilusão

Ora a liberdade é a vertigem
Da vaidade,
Do orgulho e ambição

“Então, queimo eu no fogo da clausura
Sucumbindo as chamas e a liberdade tão perto
Será miragem ou em minha alma principia a loucura?
--ó liberdade, sou sempre em tuas águas liberto
 
Epigrama da liberdade

"Uma oração pelo santo Dinheiro"

 
O mundo vai
ou acha que vai
submisso a essa fé radical
não é só na floresta que louva-deus é canibal.

O nome do pai, do filho e do espírito santo
em vão,
antes clero
hoje livre instituição.

Sem onipotência
nem onipresença
a religião é um jogo,
a fé mendiga e deus exposto.
 
"Uma oração pelo santo Dinheiro"

Jeferson