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Poemas, frases e mensagens de Jdcc1

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de Jdcc1

Integridade

 
Eu
Pronome pessoal
Em transição
Intransitável

Nós
Pluralidade inofensível
Em colisão
Circunstancial

Eu
Oposição aos fatos
Em tédio
Subliminar

Nós
Subsistência volúvel
Em cordas frouxas
Arrebentação
 
Integridade

Que me faça amar

 
Aquele olhar que cê me trouxe
Naquela tarde de dezembro azul
Ainda tá aqui comigo

E eu não deixo de lembrar
Não deixo de lembrar

Aquele beijo que calou nós dois
Ainda tá guardado na memória
Algum dia eu quero repetir

Pra nunca mais parar
Nunca mais parar

E as mil razões que você tinha
Pra me rever um dia desses
É meu motivo pra ligar agora

E eu peço que me faça amar
Só peço que me faça amar
 
Que me faça amar

Do equilíbrio (cordial)

 
"Não levo ninguém a sério o bastante para odiá-lo."
(Paulo Francis)

Me equilibro; e tento me equilibrar
Na gentileza e na estupidez
Na estupidez da gentileza
E na gentileza da estupidez
 
Do equilíbrio (cordial)

N° 1 (Aldravia)

 
Amor
nos
extremos
do
cordão
umbilical.
 
N° 1 (Aldravia)

Revoluções

 
Realidade avessa,
inversa
como a sombra da caverna.
Pontas e vontades soltas,
Absortas
presas no fio da navalha.
O paralelo da existência,
da sobrevivência,
Adaptação.
Vidas verticais.
Horizontes diminuídos.
Costumes e consumos.
Nesse imediatismo
De querer mundos inteiros.
(E são poucos os que querem
mundos internos)
 
Revoluções

Devotado as minhas dúvidas

 
Onde o diabo colocou o inferno
Senão no fardo de uma consciência pesada?
Onde está a consciência de ser
Senão na sutileza de uma alma atravessada?

Onde está a essência do pecado
Senão na natureza humana?
Onde está toda a razão
Senão nessa incoerência profana?

"Mas, me permito errar sempre que necessário
Sem medo do agora,
Escrevo meu próprio cântico do calvário
(Deixei meu ateísmo lá fora)"

Quem dera eu soubesse todas as respostas
E pudesse aqui transcrevê-las
Garanto que todos me virariam as costas
Por medo de conhecê-las

Mas do mundo não sei nada
E o mundo não sabe nada de mim
Eu tenho medo de começar
Pro começo não chegar no fim.
 
Devotado as minhas dúvidas

Claustrofóbicos da própria mente

 
Na clausura da tua postura
Toda a escassez de um sentimento
Na eloquência de minhas palavras
A revolução, o torpor, o tormento

Mas eu só sei fazer poesia
As vezes nem isso faço direito
E você não faz nada
Só que faz isso muito bem feito

Conservadorismo inútil, gritante
De braços cruzados, intransigente
Neoliberalismo afoito, conciso
De braços abertos, indiferente
 
Claustrofóbicos da própria mente

Nonsense (I)

 
Não me confundam
O eu e o eu lírico

Nada temos a ver
Nunca teremos

O eu lírico é um personagem
Marolando nas linhas

E eu sou só um personagem
Marolando na vida
 
Nonsense (I)

Ambiguidade

 
O purismo e indulgência de um
A obscenidade e intolerância do outro
Eis-me aqui
Entre os dois lados de mim
 
Ambiguidade

Dependente (ou dos fracassos da razão)

 
Quisera eu
Ser a razão em pessoa
Mas as pessoas não tem razão
Quem dera eu

Por isso devo admitir
Que eu dependo do amor
E o amor se independe de tudo
Ele simplesmente se faz existir

Enfim, sou emoção
Não a flor da pele
Nem a flor da alma
Sou simplesmente emoção

Talvez eu caia em contradição
Ou as contradições se desfaçam em mim...
 
Dependente (ou dos fracassos da razão)

Dos meus versos pra ela

 
Tua insegurança sempre chega sem aviso prévio
Mas se quiser meus braços podem ser teu porto seguro
Só quero que saiba que te chamar de linda é constatar o óbvio
E que meu amor é louco, mas hoje em dia só amores loucos tem futuro

Quando digo futuro eu não estou rotulando a forma de amor, nem a forma de amar
Só estou deixando claro que independente de tudo eu quero sua presença comigo
E essas suas 24 horas de sofrimento me afetam, como eu nunca pensei que fossem afetar
Em não te fazer sofrer reside todo o dilema e em saber que falhei reside todo o castigo

Quando fazemos do Carpe diem um carma, fazemos da complicação o mais simples
E quando fazemos da confiança algo tão grande, fazemos ainda mais pequenos os tormentos
Nunca fui bom com declarações de amor, como poeta esse é meu calcanhar de Aquiles
Mas a fraqueza de minhas palavras não se comparam com a força dos meus sentimentos

Eu sempre achei que nosso lema fosse a loucura, mas eu sempre estive enganado
Nosso lema é a intensidade, foi graças a ela que tudo isso começou
E se começou é porque tem um propósito, então jamais darei por terminado
Só peço que nunca se esqueça que eu pedi pra ficar. E você deixou.
 
Dos meus versos pra ela

1964

 
É uma reação em cadeia
Onde o primeiro pecado é o pecado final
É sobre transferência de culpa
Argumentação irracional

É um cabo de guerra
Até a corda arrebentar
É um falso discurso de paz
Quero ver, pra quem o dedo vai apontar?

Lembram do evangelho de Maria Madalena
Apócrifo: "não há pecado"
Como forma de anistia
Perdão instaurado

É a prole em mistificação
E os ideais avulsos
A tortura virou Alzheimer
Em cada linha dos discursos

Eu falo das inversões
Do conformismo ao se contentar
Que liberdade é essa
Onde o cachorro é quem te leva pra passear?

Tentam caçar as ratoeiras
Armando os ratos
Cordeiros em pele de lobo
É a indiscrição dos fatos

Autocensura míope
A um palmo do nariz a escuridão
Só se enxerga o que se quer enxergar
Eu não culpo, "humanos" pensam com o coração

Mesmo amando o pacifismo de Gandhi
A revolução não deve esperar
Lembrei do Raul, o dia em que a terra parou
O Brasil decidiu continuar

No pleno gozo das suas faculdades mentais:
Brilhante Ustra ou Carlos Mariguela?
Quem atirou primeiro?
Quem sujou a bandeira verde e amarela?

Morrer afogado no raso
É o castigo dos conservadores
Mentes limitadas
Limitam também os amores

É o PACO opaco
De pensar de um lado só
Chega a gritar de medo
Chega a doer de dó

Eu não confronto opiniões
Eu respeito os dois lados
Mas são moedas distintas
Cara e coroa dos mal fadados
 
1964

Reflexão

 
Mesmo os filósofos
Não têm que te fazer pensar
Por quê então os poetas
Têm que te fazer amar?
 
Reflexão

Um soneto pro tempo

 
Só em ti encontro a transmutável precisão
De sorrisos na chegada e lágrimas na partida
Só em ti encontro o cerne da perfeição
Na relatividade de tudo e na finitude da vida

Seja o que for, faça o que fizer
Continuará sendo infinito em breve instante
Me aposse e faça de mim o que quiser
Pois sou refém da tênue paz do teu semblante

Habita em ti o segredo mais oculto e o sonho mais disperso
Se alinha em ti toda a imensidão do universo
És a alma da loucura e a razão da liberdade

És inefável, autossuficiente, indestrutível e forte
És o tempo—dono de si, da vida e da morte
E é tua, só tua a solidão da eternidade
 
Um soneto pro tempo

Da eternidade necessária

 
Há a hesitação
de acreditar no impossível.
Meu caos.
Íntima existência
de limitações parábolas
ilusão marcada
desmascarada...

Sob o sol maldito
d'um inferno singelo
sensível as pequenas lembranças
que desatinam
em sobras de salvação
ajuizado final
em que o futuro é simplesmente
o pó...
 
Da eternidade necessária

Epigrama da liberdade

 
Mesmo enclausurado, refém do tempo e indefeso
Mesmo minha vida em centelhas ínfimas
Só estarei verdadeiramente preso
Se o for num cárcere das almas

Pois a liberdade é a origem
Da verdade,
Do sonho e da ilusão

Ora a liberdade é a vertigem
Da vaidade,
Do orgulho e ambição

“Então, queimo eu no fogo da clausura
Sucumbindo as chamas e a liberdade tão perto
Será miragem ou em minha alma principia a loucura?
--ó liberdade, sou sempre em tuas águas liberto
 
Epigrama da liberdade

N° 77

 
Franca fórmula
De falha revolução
Eis, um homem só?

"Continua tentando mudar o mundo sozinho."
 
N° 77

Presença

 
 
Ela chega
E meu mundo inteiro chega com ela
Ela fica
Vai ficando

Me pega
Me envolve no corpo dela
Me saca
Vai se entregando

Me perco
E nem sei me encontrar
Eu amo
O jeito dela de amar
 
Presença

No céu da poesia

 
No céu da poesia voam as palavras plenas
Aproveitam sua liberdade
Sobre o mar dos sentimentos
E como as gaivotas,
Às vezes mergulham,
Em busca de sobrevivência
E quando com sorte,
Voltam ao céu da poesia
Saciadas de amor...
 
No céu da poesia

Sobre os crédulos incrédulos

 
Como pode
a indiferença brotar aos montes
enquanto o mal se espalha por esta selva de pedras?

Não somos reféns do mal
somos reféns da nossa própria indiferença
que nos encurrala entre a corda bamba e o abismo

Talvez meus versos estejam saindo deveras moralistas
não é minha intenção assim fazê-los
afinal, sou a censura da censura que censura

E no final,
eu aprendo muito com esse ativismo de sofá
me ensina como não deve ser feito
 
Sobre os crédulos incrédulos

Jeferson