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Poemas, frases e mensagens de JoseMonteiro

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de JoseMonteiro

Ser poeta, eu não me canso

 
Ser poeta é ter mil e uma palavras
É não saber por onde começar
É ter mil e um sonhos
E não saber o que se pode sonhar
É ter quimeras, ilusões e devaneios

É ter força, é ter alma infinda de ansiedade
E ter sempre mais um anseio
È dormir nas estrelas e acordar na lua
È fazer do sol o seu recreio
E brincar com seus raios em qualquer rua

É viver a vida com todos os sentidos
Fazendo de todos um só para a amar
É ter amor pelo simples viver
E viver só por um simples olhar
E num simples olhar ver a alma engrandecer

É ter o infinito da beleza
E não definir o que é mais belo
É ter grandeza e ser o mais pequeno
É ser o fogo que atenua o gelo
É ser o doce e alimentar-se de veneno

É ter o esplendor alcançado
Sem nunca ter ganho a batalha
É ser rei do reino perdido de alendor
É fazer do coração a sua muralha
E ter como única arma todo o seu amor

É carregar coragem no peito
É ter bondade e muita bravura
È carregar no dorso humildade
E transformar seus medos em aventura
Ser poeta é viver e ter realidade
 
Ser poeta, eu não me canso

Em tristeza

 
Em tristeza, me sinto alagado
Cego de felicidade, mudo de alegria
Descrevo este pensamento com ironia
Por me sentir, um pouco rejeitado

Rejeitado, palavra forte, estrondosa
Que ecoa em mim voraz
Desertando de meu interior a paz
Deixando os espinhos de uma rosa

Por inteiro me vão flagelando
Abrindo fendas de rancor
Por onde se escoa todo o amor
Que nestas letras está faltando

È assim, este meu vazio em prosa
Coisa que eu não consigo mudar
Pena minha, de ter alma bondosa
Pena também, de a não saberem acarinhar
 
Em tristeza

Saudade e distância,pesado fardo

 
Bebo sozinho um copo de whisky, embriago-me
Quebro o silêncio com uma doce melodia, liberto-me
Sinto-me ausente de tudo que ficou para trás, recordo
Deito-me com sonhos á minha frente, mas acordo

Porque a vida não é um sonho eterno e sublime
E eu não soube tracejar seus trilhos, perdi-me
Recordação, distância, saudade, lembrança, pesado fardo
Ultrajo-me em fantoches irreais, para não ser eu o enganado

Inconsequente verdade que é minha, e não quero
Dias sem fim, noites sem passar, lamento, espero
Por um momento que não me imponha disfarce
Num lugar que não me esconda, perto de quem me abrace

Que falta de um abraço, tanta que desespero
Apelo a deus fechando os olhos, a pêlo de mim sincero
Livre-me deste mal, planta que em mim cresce
Tenho corpo e mente fraca, meu coração não me obedece

Por vezes não queria ser assim, assim tão real
Talvez fosse insensível a chagas desta dor, deste mal
Ou então ser dono do que não existe, um poder infinito
Para que meus anseios se alcançassem, com um simples grito

Mas vivo escondido, refugiado apesar de ser um ser normal
Não sou insensível, nunca tive poder, sou meramente banal
Vivo longe de tudo, o que na vida é mais bonito
Família, amigos, do meu Portugal, não esqueço a isso me limito
 
Saudade e distância,pesado fardo

Ser poeta

 
Ser poeta vem na alma
Olhar o mundo com inspiração
Fechar os olhos por um momento
E senti-lo no coração

Girar a sua volta com a mente
As cortinas do horizonte abrir
Rebolar sempre sem parar
E nele deixar a alma fluir

Ver na luz um ponto escuro
Na escuridão ver uma luz brilhar
Entoando a vida com louvor
Iluminar o espírito para sonhar

Soltar as rédeas do sentimento
Sentirmo-nos a flutuar
Todos na mesma viagem
E diferentes paragens alcançar

Dar cordas á imaginação
Iludir com palavras a verdade
Trocá-las e com elas brincar
Ser poeta é ter realidade
 
Ser poeta

Brilho, só de luz

 
Eu queria ser uma mente brilhante
Mas só acendo a luz, no escuro
E depois, tudo é um diamante
Apenas eu, não tenho futuro

Eu sonho, dia e noite, eu sonho
Nunca acordo, para os viver
E este sono já é tão velho
Como com quanta idade, se pode morrer

Não se pode dizer que é muito, nem pouco
Apenas se pode dizer que é uma vida
Seja ela a mente de um grande louco
Ou a de uma morte precoce, atingida

A minha, a minha voa por aí
Nunca atinge uma verdade
Entre tanta coisa que vem e vai
O que fica é só saudade

Nesta viagem escrevo para mim
Não tenho a quem mais dar
E mesmo sem nunca atingir o fim
Ninguém me pode parar

Nesta viagem, não me falam inglês
Nem dizem que eu o falo bem
Eles dizem que falo bem o francês
Apenas porque eu falo com eles também

E meto apenas as coisas no lugar
Pois sou eu o forasteiro
E por mais que me possa indignar
Nunca estou, em primeiro

Fico quieto no meu canto
A minha vida é apenas um comboio
E sigo em viagem num vagão solto
E apenas com os pés me apoio

Eu dou passos e tantos em vão
Pois este comboio é indomável
Não tem o pedal do travão
O que o torna imparável

Viver é só viver e pronto
Como a locomotiva leva tudo p’ra frente
E todo o homem é tonto
Se pensa que é diferente

Nós somos a locomotiva
Vamos p’ra frente e levamos tudo atrás
E a única coisa positiva
É a entrada nela de pessoas

Em tantas que saem e não voltam
Outras tantas acabam por voltar
E tantas que nunca lá foram
Mas vieram para ficar

Segue comboio, segue a linha
Já que o fim eu não o vejo
Não tens travão, nem rodinha
E só viver é meu desejo

Não sei se ele anda a carvão
Ou se segue, a todo o vapor
Só sei que bate um coração
E viaja muito, pelo amor

Ó sonhador, sonhador, que eu sou
Cada viagem é um paraíso
Nem de todas as paragens, gostou
Mas nunca perdeu o seu sorriso

Tragam-me água da mais pura
Que não me sacia qualquer sede
A minha sede é só de aventura
E de ser poeta, nada me impede

Tenho em mim, loucura entranhada
E de serenidade, tenho um poço cheio
Embarco na praia já navegada
Sou agora um barco que não tem freio

Ao sabor do vento, quase que flutuo
Mas o meu pensamento esvoaça
E vem sempre a razão, porque o continuo
Pois se o barco pára, é a desgraça

No mar alto sem ver a costa
Perdido no epicentro do oceano
Qualquer bem que se sinta
Tem o mesmo sentir de leviano

Se há coisa impensada é o amor
Por mais que o pensem, nunca é igual
E o seu verdadeiro esplendor
Vai muito mais além, que aquilo que é banal

Ele vem no gesto, ele vem no olhar
No peito aberto e nos abraços
Ele vem sem caminho para andar
E alimenta os desejos, já esquecidos

Dar um beijo é banal, um abraço e um carinho
Mas é sozinho, que ele se pode sentir
E sentir sempre que se tem um caminho
Para apagar a saudade, que ainda está por vir

Amar é querer sem ter
E depois de ter querer mais
Amar nem sempre se pode escrever
Se os sentimentos forem reais

Amar é sentir o primeiro encontro
Já na hora da despedida
Partir sabendo que em teu coração moro
Dando-te um palácio em minha vida

Só serei rei, se tiver rainha
Pois o meu reino mais que amor, nada tem
E os valores são coisa tão minha
E o maior deles é o de poder fazer o bem

A minha riqueza é um precipício
Com safiras, esmeraldas e diamantes lá no fundo
O medo de saltar é um ofício
Ou um modo de estar no mundo

Carrego a me enfeitar, gramas de ouro
Não sei quantas nunca as pesei
Mas não pesa mais este tesouro
Que o fumo dos pregos do caixão, que eu já fumei

E quantas gramas por mim aquecidas
E derretidas na palma da mão
Também estas em cinzas tornadas
E como elas mais coisas, com o vento voarão

Levar a vida de uma forma boa
Ainda não lhe encontrei e resolvi a formula
Há tanta parte que me magoa
Que fica difícil poder terminá-la

Faz-me tédio o que faço o que vivo
Nunca sei se sei viver
Sobreviver é algo instintivo
E eu sobrevivo, com o instinto de não morrer

Sou mente brilhante, sou sonhador
Sou o que quero ser, ou o que sou
O escuro não é assustador
Pois a luz é algo que eu lhe dou

Quantas folhas poder escrever
A minha vontade escreverá
As muitas ou poucas que podes ler
E talvez eu, já não esteja cá

O texto é longo é assim a vida
Farto de ler e de viver e de olhar
Continuar de um ponto de partida
Aonde um dia se vai voltar

E relembrar o esquecido
Como texto que se releu
E no final ter percebido
Que o poema também é teu
 
Brilho, só de luz

Sou passarinho sem asas

 
Sou passarinho sem asas
Com duas penas saltito o mundo
De pedras de gelo faço brasas
Que apago com as penas num segundo

Viajo do inferno para o paraíso
Não tenho bico p’ra cantarolar
Todo o som que liberto é um sorriso
Na boca da palavra amar

O meu ninho é uma estrela
Construída com raios de sol
A lua cheia é minha cinderela
Eu sou p’ra ela o seu farol

Sou passarinho muito astuto
Tive o mundo como professor
Luz e calor são o meu fruto
E tudo em mim é só amor
 
Sou passarinho sem asas

A uma grande mulher

 
Vejo-te fraca a fracassar
E vejo força p’ra me ajudar
Escondes lágrimas p’ra eu não ver
O que sofres p’ra não me perder

E que ajuda te posso dar
Que homem cruel estás a criar
Tu não me fizeste assim
E agora já sou dono de mim

Sei que nunca vou desistir
De teus lábios fazer sorrir
Peço desculpa por fracassar
E falhar na questão de te amar

Amor de ti nunca me faltou
E por vezes pouco orgulho te dou
Mas tenho orgulho de te ter a meu lado
Perto de ti sempre me senti amado

Dás-me força p’ra eu viver
E tantas vezes te faço sofrer
Arrancarias de ti o coração
Se fosse para minha salvação

Por vezes penso poder-te iludir
Mas és tu que não consegues desistir
Eu desisto muito facilmente
Quando contigo quero ser diferente

Deste-me a conhecer o verdadeiro amor
E por vezes dou-te tanta dor
Mas por mais que possa errar
Tenho meu jeito de te amar

Neste momento tenho alma de criança
O espírito carregado de esperança
Prometendo a mim de ti nunca abdicar
Por mais homem que me possa tornar

Para ti serei sempre menino
Tenho pena porque não me domino
E nunca te deixar perceber
Que á minha maneira estou a sofrer

Sem pensar daria minha vida
Para a tua não ser sofrida
Mas tua vida iria agonizar
Se visses alguém me enterrar

Queria ter-te sempre a meu lado
Mas todos seremos histórias do passado
E tua história eu vou marcar
A mulher que mais me soube amar

Tenho medo sei que um dia vais morrer
Tenho medo pois posso-me perder
Tal dor não dá para agora sentir
E tenho medo de um dia a descobrir

És a minha maior verdade
Fazes tudo para eu ter felicidade
E nada me vens cobrar
Apenas companhia ou conversar

E até isso não consigo fazer
O que me ensinaste estou a desaprender
Mas nunca te deixarei para trás
Para mim tens o valor de um ás

O baralho da vida e complicado
Sinto-me um filho desnaturado
Por minha mãe sempre amado
 
A uma grande mulher

Por vezes, tenho esta leve ideia

 
Por vezes, tenho esta leve ideia
De ser o sol, em plena lua cheia
E me vão adorando, como se fosse a lua
Num dia em que raios de sol brilham nesta rua

Tenho uns tantos sortilégios, e pecados
Que como doença, a alma estão aprisionados
Sortilégios leves, e pecados libertinos
Proibindo-me a vivência, de tantos meninos

Vejo-te futuro, bem aqui a minha frente
És o espelho desta alma, ainda mais carente
Espelho triste, porque mostras o passado
Essa feia imagem, de a quem tudo foi negado

Por momentos curtos, que alongam a vida
Meu ser contempla, esta ideia erguida
A de que a vida, e um transporte de bem-estar
Atormentado por furacões, em pleno alto mar

Que maior tormento, poderia eu ter
Do que saborear o salgado, que a vida faz beber

Quão doce serias mar, se fosses mel
Quão doce serias vida, se teu amigo não fosse um papel
 
Por vezes, tenho esta leve ideia

Após a morte é o explendor

 
Palavras, são levadas pelo vento
Vento que por aqui passa, como alimento
E mais palavras me vai ofertar
Para esta fome de poesia, saciar

Palavra rica, que alimentas a existência
Por não te saber, caí nesta decadência
Ficando apenas, um coração nobre
Para que este poeta, na poesia seja pobre

Não te aprendi, ninguém me ensinou
Cada palavra que sei, meu coração soletrou
Ou então é alquimia, do pensar ser poeta
Que ainda sem palavras, não impõe qualquer meta

Sou o vasto e o pleno de tudo
Com metade do dicionário, como sobretudo
Estou onde nunca poderei chegar
Com um troféu que não posso levantar

Este nada que me consome, nada me deixa
Cada palavra soletrada é apenas uma madeixa
Daquela linda cor, que eu não vou ter
A que o poeta só tem, depois de morrer

Por isso o agora é completo desatino
Amanhã por esta hora, o mesmo destino
Quem sabe vou aprender mais uma palavra
Para sorrir desta minha sorte macabra
 
Após a morte é o explendor

Visão poética

 
È no flutuar, das minhas memórias
Que as histórias, se deslumbram
Revelando segredos, mortos e vazios
E corpo acima, vou sentindo calafrios

O temporal, que evoco em mim
E me percorre a insatisfação
Todo o meu ser é pleno, de angústia
Tenebrosa é, a minha concepção

Eu ergo vales e montanhas
Levito no céu, e olho a terra
E retiro do fundo, de minhas entranhas
Pedaços feios, da primavera

As flores murchas, reavivam
Eu dou-lhe a vida, que não tenho
A tempestade, é coisa fingida
E o fingimento, é só parte, desta vida

Sacio o mar, com as águas do ribeiro
Que por inteiro, preenchem o rio
Forço a luz na escuridão, das cavernas
E meu castelo é um lar, sempre sombrio

A fluorescência, tem de longe, o meu frescor
Fogosidade e robusto, são forma de meu ser
Engrandecer será sempre, flagelo e ardor
Entre outras tantas coisas, que só o poeta pode ver

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Visão poética

Os sonhos são maravilhas

 
Os sonhos são maravilhas
São lindas ilhas, repletas de loucuras
São aventuras p’lo insistente
Onde ninguém ficará carente

Sonhos são magia indesvendável
È embarcar numa viagem imparável
È fechar os olhos, e sorrir de fantasia
Fazendo escala a alma, em plena alegria

Sonhos são sonhos, não pesadelos
Sonhos é querer vivê-los ou revivê-los
De pesadelos, não quero ouvir falar
È tão bom quando posso sonhar

Nem me dou conta de brotar um sorriso
Que em sonhos, te vai acarinhar
E nada mais vai ser preciso
Se este verso teus lindos olhos alcançar
 
Os sonhos são maravilhas

Abrigo o tempo

 
Há sempre aquele dia, que não queremos
Como se abrigássemos o tempo, e ele não passa
E aí o próprio tempo, torna-se coisa improvisa
Que visa a minha imagem ou a de outrem
Ainda que eu mesmo, não seja ninguém

E vou passando despercebido das coisas
De todas as coisas, que não me podem perceber
Assim como o tempo, frio e sol, é maneira de viver
Perco-me, no meu caminho de homem
Por uma desventura ou por ir mais além

Quando tão pouco, vivo a própria vida
Como a carga da caneta, que a tinta findou
Como se eu trocasse a carga e a caneta reavivou
Quando tão pouco, não saio daqui, desta viagem
Deixando em tantas paragens, metade do que a alma não tem

Fica sempre um pedaço meu, por onde passo
Em troca de um pedaço, que eu mesmo tirei
E era tanta a beleza, toda essa que eu desejei
E volto disfarçado, no dia na noite, no entretém
Serei mesmo eu, ou é um outro poeta que vem
 
Abrigo o tempo

Sinto, querer ser menino

 
Sinto os olhos pesados
Sinto uma dor nas costas
Sinto os membros cansados
Sinto o corpo cortado ás postas

Sinto um cansaço permanente
Sinto que nunca é mais do que isto
Sinto um cansaço de ser gente
Sinto que luto e nada conquisto

Sinto que minha alma se resigna
Sinto prepotência em todo lado
Sinto o querer de ser algo que não se designa
Sinto que o preciso p’ra não viver enganado

Sinto que o cansaço é só desta vida
Sinto que uma outra talvez não fosse assim
Sinto que esta está fragilizada
Sinto até mesmo que sinto não gostar de mim

Sinto que o tempo é veloz
Sinto que leva tudo e não perdoa
Sinto de leve a rouquidão da minha voz
Sinto que ela para o vento entoa

Sinto as palavras a voar
Sinto gostar de mim mais que nunca
Sinto que nas palavras a flutuar
Sinto que é na do amor que minha alma embarca

Sinto sem nunca sentir
Sinto porque assim o defino
Sinto que um sentir maior há-de vir
Sinto vontade de ser outra vez menino
 
Sinto, querer ser menino

O sonho não passa, de poesia

 
Meus pés, juntos vão saltando a corda
A corda, que o sol e a lua, vão balançando
Vem então uma estrela, que me acorda
Porque comigo, estava sonhando

E este sonho é tão sincero
Que a alma, me está a ofertar
Este pequeno dom, que tanto venero
E no céu me faz acreditar

Porque a beleza, não é infinita
Apenas se dispersa, pelo universo
É este esplendor, que minha alma grita
Por cada sonho seu, ser um verso

Não há lugar na terra, p’ra este libertino
Que cobre o planeta terra, com sua mão
Que sonha o universo, já desde menino
E também já o fechou, em seu coração

A ânsia está a tudo aliada
Pois nada chega, nada é alegria
Ficando sempre, esta espada encravada
Que o sonho não passa, de poesia
 
O sonho não passa, de poesia

Desassossegadamente sossegado

 
O desassossego é este sossego
Que de tão sossegado nada faz
E eu à rebimba me entrego
Como escravo ao capataz

Sem ter o corpo transudado
Sem um campo de cultivo
Tenho o olhar equiparado
Como se à vida eu sobrevivo

Que de tal feição me arremessa
Que eu nada posso arremessar
Apenas granjeio a vida avessa
Pois seus frutos vêem usurpar

Sossegarei sim um dia
E a terra para laborar deixarei
P'ra quem desassossego repudia
Ainda que sossegado eu sei
 
Desassossegadamente sossegado

Fraco poeta, sonhador

 
As minhas palavras, as que eu escrevo
Eu sei, que são de facílima interpretação
Eu simplesmente, lhe dou relevo
Por serem entoadas em meu coração

Sei que são rimas, da antiguidade
E não têm, valor comercial
Paupérrimas palavras, quase sem verdade
Que a minha escrita, tornam banal

Houve momentos, que as quis perder
E distanciar-me, desta ingenuidade
Também ansiei, não saber escrever
P’ra não ser vaidoso, sem vaidade

O que será, desta alminha no mundo
Deste fraco poeta, sonhador
Terá predestinado, seu segundo
Ou esperará a morte, sem qualquer valor

Lá no fundo, não pedi p’ra ser poeta
Mas sem as palavras, sinto a solidão
Então tento cuidar bem delas
E assim cuido do coração
 
Fraco poeta, sonhador

Recordação

 
O silêncio da cidade
As casas estão caladas
As portas todas fechadas
Um roído na noite se esconde
Onde pára o teu sorriso?
Nas janelas abre-se um friso
Uma luz virada para a cidade
A realidade do impossível
Um possível momento de atracção
Uma flecha que rasga o coração
O tempo reparte-se em pedaços
Abraços que ficaram por dar
Espaços de solidão no vazio
Um arrepio ao som de um assobio
Que cruza uma esquina
E passa por casa dessa menina
A brisa que paira no ar
Um beijo que ficou por dar
Agarrar com força a ilusão
Recordação de quem amor perdeu
Antiga recordação de alguém
Que na cidade a escondeu
 
Recordação

Uma palavra é magia

 
Uma palavra é magia
Um lindo sonho uma ilusão
Uma letra que nos elogia
Nos da musica ao coração
É uma pauta de fantasia
Que nos leva a viajar
Encoraja a nostalgia
E nos lembra aquele olhar
Que ficou no pensamento
É breve esse momento
E a palavra e curta
Para podermos perceber
O que realmente ela quer dizer
 
Uma palavra é magia

O que é ser poeta?

 
O poeta não escreve, o poeta descreve
O poeta, não se limita apenas a sentir
Faz esse sentimento crescer em alguém
O poeta é um sonhador nato, mas não apenas sonhador
Descreve em sonhos o que é real, mas com amor
O poeta não é desigual a ninguém, nem tão pouco diferente
O poeta pára, medita sozinho, descreve e trabalha a mente
O poeta não é deus, ou algo sobrenatural
O poeta é humano, sente alegria e tristeza, o bem e o mal
Ser poeta não é uma questão de ser astuto
È ser simplesmente da natureza, o mais belo fruto
Ser poeta é unir o espírito á alma e pensar com o coração
Alcançando perfeita sintonia, para uma boa reflexão
Ser poeta, ser poeta, ser poeta…………………………
Penso que o poeta é simplesmente como o amor
Não tem definição, nem fim
 
O que é ser poeta?

Coração sabichão

 
Pensei definir amor
Que irónico meu pensar
Revelei-me tão sonhador
Que até nos sonhos pôde amar

Depois pensei guardá-lo na mão
Mas é grandioso para o prender
Então guardei-o no coração
E comecei a enlouquecer

Meu pequeno coração
Em minha mão pode caber
Mas é o único sabichão
Que o sabe desenvolver

Que irónico meu pensar
Se o amor não cabe na mão
E cabe num cantinho mais pequeno
Que é o nosso coração
 
Coração sabichão