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Poemas, frases e mensagens de RAMA.LYON

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de RAMA.LYON

O calor da fogueira

 
O calor da fogueira
 
O CALOR DA FOGUEIRA

Cai a neve de mansinho
Produzindo branca teia,
A cobrir da cor do linho
As casas da minha aldeia.

Como sendo seu costume
A velhinha cá da Beira,
Vai à lenha, acende o lume,
Faz vibrar uma fogueira.

Depois vai saboreando
O calor zeloso e terno,
Lá fora o vento uivando
Mede forças com o Inverno.

Como ela fica contente
À volta desta braseira,
Cortejada docemente
Por tão nobre companheira.

Se os netinhos lá estão
Ainda sente mais alegria,
Palpita-lhe o coração
No passar de cada dia.

Oh que bom ter o conforto
Debaixo deste telhado,
Onde o ramo mesmo torto
Nos dá fogo redobrado.

Brilha a brasa na lareira
Sempre, sempre a crepitar,
Louvada seja a fogueira
Que aquece o nosso lar.

RAMA LYON
 
O calor da fogueira

A minha azeitona preta

 
A minha azeitona preta
 
A minha azeitona preta

Azeitona madurinha
Nos ramos fazendo enfeite
Vais deixar de ser pretinha
No lagar feita em azeite

Mas na rama a baloiçar
Não te tornes descuidada
Porque podes ir findar
No bico da passarada.

Resistes ao Inverno frio
E ao rigor dos temporais,
Não queiras perder o pio,
Escorraça esses pardais.

Dentro em breve o lavrador
Te prenderá em seus braços
E vais seguir com fervor
O caminho dos seus passos.

No lagar vais ser moída
Com a arte portuguesa,
Transformada em bebida
Para o bem da nossa mesa.

Vais sofrer outra faceta
Nesta tua caminhada
Deixarás de ser preta
Para vires a ser dourada.

Num trabalho complexo
Feito em ti com deleite
Mudas de nome e de sexo
E passarás a ser azeite.

Rama Lyon
 
A minha azeitona preta

Lágrimas de emigrante

 
LÁGRIMAS DE EMIGRANTE

Nos braços duma quimera
Converti-me em emigrante,
Ganhei a saudade austera
Que me abraça a cada instante.

Ao partir ao Deus dará,
A minha aldeia deixei
E ninguém hoje saberá
Quando eu lá voltarei.

Tendo o Céu como parceiro
Nesta minha grande empresa,
Sou um pobre mensageiro
Da cultura portuguesa.

Assim ando vagueando
Pelos trilhos que Deus quis,
Nesta vida caminhando
A clamar o meu país.

Sem juiz fui condenado
Como um dia o foi Jesus,
Sigo sempre carregado
Com o peso da minha cruz.

Como um ser que hoje tem
Um fado em cada esquina,
Não torno culpas a ninguém,
Esta é bem a minha sina.

Essa mesma que um dia
Me trocará a vida errante
Por uma grande alegria,
De não mais ser emigrante.

Rama Lyon
 
Lágrimas de emigrante

Rainha Santa Isabel

 
Dando ouvidos ao coração
Ansioso p'ra ser feliz,
Partiste um dia d'Aragão
P'ra viver noutro país.
E Portugal foi o teu ninho
Onde espalhaste o calor,
Entre o rei e o pobrezinho
Numa cruzada de amor.

Os teus gestos foram nobres
E o povo reconheceu,
O que fizeste pelos pobres
Foi uma bênção de Deus.
Uma das lendas famosas
Saíu um dia do teu regaço,
Quando o pão se fez em rosas
P'ra te livrar dum embaraço.

Foste uma alma boazinha
A fazer bem neste país,
Foste Santa, foste rainha,
Foste esposa de D. Dinis.
Foste alguém que aqui ficou
Consagrada uma jóia rara,
Junto de quem sempre te amou
Em Coimbra, Santa Clara.

RAMA LYON
 
Rainha Santa Isabel

PORTO SANTO

 
A Ilha de Porto Santo
Foi por Deus engalanada,
Coberta com fino manto
Feito de renda dourada.

Tem imensa galhardia
Apesar do solo agreste,
É um mundo de poesia
Num paraíso terrestre.

Encontrei nos seus cantinhos
Toda a minha inspiração
E os versos vieram sozinhos
Deslumbrar meu coração.

Como é linda a sua praia
D'areia fina, solta ao vento,
Que ela nunca mais me saia
Do fundo do pensamento.

E o seu povo tão gentil
Sorridente, hospitaleiro,
Que retraça o seu perfil
Copiado dum marinheiro.

Essa ilha maravilhosa
Guardada no meu peito,
Não é cravo nem é rosa
Mas é um...amor-perfeito.

Por ser terra abençoada
Eis a razão porque canto
À formosa ilha dourada,
Meu amado Porto Santo.

RAMA LYON
 
PORTO SANTO

Mais um São Martinho

 
Mais um São Martinho
 
Mais um São Martinho

Corre o sol pró poente
E do pipo corre o vinho
Vamos lá ó minha gente
Hoje é dia de São Martinho

A ventania vai soprando
Na rama do castanheiro
E a castanha vai tombando
Diretamente pró braseiro

Mais tarde toda contente
Salta prá boca do povo
E porque está muito quente
Rega-se com vinho novo

Assim se afina a garganta
Desta malta entusiasmada
Que mal ou bem ainda canta
Até chegar a madrugada

Desculpe lá a vizinhança
Que esta noite está de pé
Vamos beber com pujança
Mais um copo de água-pé

Juntem-se a nós no arraial
Mostrem o peito à reinação
Hoje o ruído não faz mal
E nós temos a explicação

Se a noite é barulhenta
Não há problema nenhum
Quando a castanha rebenta
Já se sabe… que faz pum

Rama Lyon
 
Mais um São Martinho

Inês de Castro

 
Inês de Castro
 
INÊS de CASTRO

Certa noite um camponês
No Mondego ouviu cantar
Era a alma de Dona Inês
Que voltou pra nos saudar

Montemor breve acordou
Ao ouvir canto tão belo
E uma estrela iluminou
As muralhas do castelo

Cantava a noite d’outrora
Em que o rei lhe traçou a sorte
Que a partir daquela hora
Seria condenada à morte

Vieram príncipes e princesas
E nobres de todo o lado
Para escutar a subtileza
Deste canto tão magoado

Falava com ansiedade
De Pedro que tanto adorou
E da Corte sem piedade
Que à morte a condenou

Lembra a noite malfadada
E todos aqueles horrores
Quando foi assassinada
Junto à Fonte dos Amores

Mas no fim o que a conforta
É o amor que Pedro lhe tinha
Que mesmo depois de morta
A distinguiu como rainha

Rama Lyon
 
Inês de Castro

Homenagem ao bombeiro

 
HOMENAGEM AO BOMBEIRO

Vejo chamas, sinto o calor
Que abrasa o país inteiro.
Vejo o esforço, sinto o ardor
Com que luta o bombeiro.

Com a agulheta na mão
Pelas vertentes da serra
Combatendo esse dragão
Que pôs fogo à nossa terra.

Não tem horas de trabalho
Nem cama para dormir.
Faz da vida um atalho
Para o seu dever cumprir.

Como é triste o que ele vê
Num Portugal chamuscado
Onde tudo está à mercê
Deste fogo tresloucado.

Ouve os gritos d’aflição
Do povo em cada aldeia
Onde aquela destruição
Junto às casas serpenteia.

Apesar de andar cansado
Com o suor a correr do rosto
Vai lutando como um soldado
Que nunca abandona o posto.

Ele merece nosso respeito
Pela sua grande coragem
E por isso tem o direito
A esta simples homenagem.

Rama Lyon

HOMENAGEM AO BOMBEIRO
 
Homenagem ao bombeiro

Dezasseis de Outubro

 
DEZASSEIS DE OUTUBRO

Nesta data que hoje vou
Recordar uma vez mais,
Uma cegonha pousou
No telhado dos meus pais.

Deslizou devagarinho
Como quem vinha por bem
E foi pôr-me com carinho
Nos braços da minha mãe.

Foi um correio especial
Que acabava de chegar,
Uma prenda filial
P´ra dar vida àquele lar.

Como é que isto pode ser,
Ninguém pára o progresso,
A encomenda veio cá ter
Sem ter selo nem endereço.

Foram instantes d’alegria
Vividos naquela hora,
Que lembramos dia a dia
Pela nossa vida fora.

Tantos anos já passaram
Desde a minha meninice,
Que ao longo me deixaram
Caminhando prá velhice.

Mas não quero hoje chorar
Sobre as folhas do calendário
E feliz…vou festejar
Mais um dia d’aniversário.

Rama Lyon
 
Dezasseis de Outubro

O cravo e a rosa

 
O cravo e a rosa
 
O CRAVO E A ROSA

Eras rosa de jardim
E eu cravo de pôr ao peito
Juntou-nos S. Valentim,
Hoje somos amor-perfeito.

Nesse laço de paixão
Com que o santo nos uniu
Ficou tamanha junção
Que até hoje não partiu.

Mas muito, pelo contrário,
Na roda da nossa sorte,
Esse amor incendiário
Cada vez está mais forte.

É chama que nos aquece
Quer de noite, quer de dia,
Linda estrela que merece
Toda a nossa simpatia.

Ilumina os nossos passos
Pela estrada da doçura
Deitando nos nossos braços
Uma luz…feita ternura.

Amar é nosso destino
Nas horas boas e horas más,
É um tal poder divino
Que tudo por nós ele faz.

Que a história carinhosa
Que o nosso amor bendiz,
Dê ao cravo e à rosa
Um final muito feliz

Rama Lyon
 
O cravo e a rosa

O menino pobrezinho

 
Naquela aldeia velhinha,
Numa casa degredada,
Nasceu uma criancinha,
Da fortuna, deserdada.

Fazia pena ver o menino
Tão pobre como ninguém,
Desde o dia em que o destino
Lhe deu a vida sem vintém.

Em Dezembro, por sinal,
Uma carta quis escrever,
Para o velho Pai Natal
Uma prenda lhe trazer.

Feliz nos seus devaneios,
Até dava gosto vê-lo,
Saltitando prós correios
Sem ter dinheiro pró selo.

Mas de lá voltou chorando
Sem a carta poder mandar
E no caminho foi pensando
Pedir a Deus pró ajudar.

Entrando em casa rezou
Uma oração de esperança
E uma luz divina entrou
No seu peito de criança.

O milagre veio a surgir
Nessa noite celestial;
Bateram à porta, foi abrir,
Estava lá o Pai Natal!...

RAMA LYON
 
O menino pobrezinho

A capelinha do monte

 
A capelinha do monte
 
A capelinha do monte

Lá no alto, tão branquinha,
No esplendor da serrania,
Brilha aquela capelinha
Onde nós fomos um dia.

Decorria a procissão,
Quando eu te abordei
E ao bater do coração
Meu amor te declarei.

Lembro ainda com saudade
O vermelho do teu rosto,
A corar de f’licidade
Nesse lindo mês d’Agosto.

Com a nossa timidez,
Num beijinho doce e terno,
Fizemos com sensatez
Uma jura d’amor eterno.

Na romaria do monte,
Enlaçados mão na mão,
Como a água lá na fonte
Nasceu a nossa paixão.

E cresceu cada vez mais,
Ao longo de muitos anos,
Sem nunca haver temporais,
Decepções ou desenganos.

Louvada seja a Senhora
Que mora naquele altar,
Pela ideia protetora
Que teve em nos juntar.

Rama Lyon
 
A capelinha do monte

Dia do trabalhador

 
Dia do trabalhador
 
DIA DO TRABALHADOR

Haja sol ou temporal
De casa hoje não saio,
É feriado em Portugal
No dia primeiro de Maio.

Os problemas vão pró canto,
Nem sequer me vou ralar,
Vou dormir como um santo,
Hoje é para descansar.

No país, por todo o lado
O melhor que hoje se tem,
Como tudo está fechado
Não se paga a ninguém.

Alegra-me o inventor
Que teve a ideia brilhante,
De brindar o trabalhador
Com um dia repousante.

Se eu não fosse exagerado
E até ver que fica mal,
Pedia para ser feriado
Muitos dias em Portugal.

Mas prefiro ir desfilando
Entre sonhos e ilusões,
Com o povo resmungando
Contra governo e patrões.

E lá por hoje ser feriado,
Ninguém deixe de pensar,
Naqueles que são obrigados
De neste dia trabalhar.

Rama Lyon
 
Dia do trabalhador

FESTAS E ROMARIAS

 
FESTAS E ROMARIAS

São as festas e romarias
Que se fazem pelo V’rão
Uma fonte de energias
A dar vida ao coração.

Do Algarve até ao Minho
Tudo canta alegremente,
Nestas festas do ‘‘povinho’’
Que divertem nossa gente.

A reinação nunca falta
Mesmo que seja modesta,
Com o esforço da malta
Cada terra tem sua festa.

Os foguetes vão p’ró ar
À mistura com cantigas
Que já saem sem cessar
Da boca das raparigas.

Há conjuntos de gaiteiros
E a banda da freguesia,
Há namoros verdadeiros
A dar vida à romaria.

E à noite para animar
Esta nossa rapaziada,
Segue o baile sem parar
Até romper a madrugada.

Nossas festas são tão belas
Apesar da crise actual,
Abençoadas sejam elas
Que dão alma a Portugal.
.
Rama Lyon
 
FESTAS E ROMARIAS

A POESIA DO OUTONO

 
A POESIA DO OUTONO
 
A poesia do Outono

O dourado do Outono
Dá ao poeta inspiração
Pra fazer com certo abono
Um poema d’exceção

A paisagem traz os versos
Com o sol resplandecente
Envolvendo em tons diversos
A serrania à nossa frente

Uma oferta com certeza
Do Verão que já findou
Bem-haja a alegre beleza
Da estação que já chegou

Vista do alto do castelo
A miragem vale a pena
No seu manto de amarelo
Se escreve um bom poema

Mesmo pela noite fora
Quando a lua sorrateira
Se levanta e beija agora
Esta terra cá da beira

Fica o povo deslumbrado
Com este banho de luar
E o poeta maravilhado
Vai escrevendo a meditar

Se a floresta sobressai
Com mil cores de magia
Em cada folha que cai
Há um verso de poesia

Rama Lyon
 
A POESIA DO OUTONO

S. Valentim...Somos dois inseparáveis

 
 
Ouça o poema declamado em:

http://www.youtube.com/watch?v=xS_W8KJQiJk

SOMOS DOIS INSEPARÁVEIS
***********************
O nosso amor verdadeiro
Que há tantos anos é assim,
A catorze de Fev’reiro,
Faz lembrar S. Valentim.

Numa paixão desmedida
Começámos mão na mão
E seguimos pela vida
Coração com coração.

Nunca pode ser esquecido
O tempo que já passou
Desde o dia em que o Cupido
Uma seta nos atirou.

Recordo tempos passados,
Com saudades de voltar
Àqueles beijos roubados
Que tu não me querias dar.

Fui ladrão, não vou negar,
No caminho dos teus passos
E foste tu a vir parar
À cadeia dos meus braços.

Carinhoso, eu procurei
Ser um óptimo carcereiro,
De tal forma que nem sei
Qual de nós é o prisioneiro.

Entre abraços e beijinhos
Sempre fomos tão amáveis,
Como ternos passarinhos,
Um casal de inseparáveis.

RAMA LYON
 
S. Valentim...Somos dois inseparáveis

Uma flor para a Mulher (Poema)

 
UMA FLOR PARA A MULHER

Pus um beijo numa flor
Com ternura de poeta
P´ra mandar com muito amor
Ás mulheres deste planeta.

Homenagem bem singela
Da mais pura simpatia,
Que essa flor seja a janela
Sempre aberta noite e dia.

Que ela nunca crie espinhos
No centro do vosso lar
E vos rodeie de carinhos
Sempre, sempre, sem parar.

Que vos dê muita coragem
Ao longo da vossa estrada,
Perfumando essa viagem
Nesta vida complicada.

E nas horas menos sãs,
Ela faça compreender
Que em todas as manhãs
Vosso sol volta a nascer.

Que ela seja a luz divina
Cheia de amor e carinho,
No virar de cada esquina
A mostrar o bom caminho.

E vos faça perceber
Que o homem verdadeiro,
Quer que o dia da mulher
Se festeje o ano inteiro.

RAMA LYON
 
Uma flor para a Mulher (Poema)

Neste dia do Pai

 
NESTE DIA DO PAI
(19-3-2009)

Vou sofrendo a minha dor
Por alguém que já partiu,
E a saudade desse amor
Para sempre me feriu.

Mas um grito de coragem
Do meu peito hoje me sai
Pra deixar justa homenagem
Àquele que foi meu pai.

Não esqueço a bondade
Com que sempre me criou,
Nesse berço de amizade,
Tantas vezes me embalou.

Foi num mês de Fevereiro
Que a minha alma vazia
Nesse adeus derradeiro
O viu descer à terra fria.

Tanta mágoa me deixou
Nessa hora da partida
Que minha alma ficou
Desgostosa toda a vida

Se eu tivesse portador
Com certeza mandaria
Um abraço cheio de amor
A lembrar-lhe este seu dia.

Que a paz seja seu brilho
Aí no Céu onde o pai está,
Que na terra este seu filho
Nunca mais o esquecerá.

RAMA LYON
 
Neste dia do Pai

Os caminhos do amor

 
Os caminhos do amor

Nos tempos da mocidade
Deus traçou a minha sorte,
E nas asas da liberdade
Eu parti sem passaporte.

Eram os anos da inocência,
De uma vida feita em flor,
Onde os ventos da evidência
Me conduziam pró amor.

Percorri muitos caminhos
Sem rumo nem direcção
E entre rosas e espinhos
Procurei teu coração.

Nessa longa caminhada
Que eu vivi com tal ardor,
Tinha a fé incontestada
De achar um grande amor.

E no fim desse caminho,
Como raios de primavera,
Encontrei lá num cantinho
Dois braços à minha espera.

Fez-se o sonho realidade,
Nessa hora à tua beira,
Começou a felicidade
Contigo prá vida inteira.

Os versos deste poema
Hoje são velha paisagem,
Mas eu nunca senti pena
De ter feito essa viagem.

Rama Lyon
 
Os caminhos do amor

Cordel de palavras

 
 
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Com a devida vénia da minha amiga poetisa FERNANDA MESQUITA
 
Cordel de palavras