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Poemas, frases e mensagens de Paulo Silva

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de Paulo Silva

O VAGABUNDO

 
Ausente do mundo
Ausente da vida
Chegou ao fundo
Não tem mais saída
O pobre vagabundo
De cabeça perdida
Vagueia nas ruas
Vagueia nas estradas
Pelas pedras nuas
Daquela calçada
Chegou mais além
Sem saber porquê
Dinheiro não tem
Comida não vê
E a sorte jamais
No chão vai dormir
Envolto em jornais
Num qualquer jardim
A ouvir os pardais
Uma vida perdida
Ausente do mundo
Numa esperança sentida
É assim a vida
De um pobre vagabundo
 
O VAGABUNDO

O NOSSO ALENTEJO

 
Serras, veredas
Caminhos
E estradas velhas
Ribeiros que pouco correm
Para dar de beber ás ovelhas
Arvores secas a cair
Vinha que já não dá uva
O Inverno está para vir
Com ele virá a chuva
Os ribeiros vão encher
Ovelhas irão beber
E árvores irão florir
E o povo irá sorrir
Quando estiver a chover
E eu espreitando á janela
E através dela o que vejo
Vejo campos a florir
No nosso querido Alentejo
 
O NOSSO ALENTEJO

FALEI COM A LUA

 
A lua falou comigo
Baixinho ao meu coração
Com sua voz de ternura
Palavras meigas e doces
Bem cheias de emoção

Contou-me que estava triste
Que a noite se tornou fria
Porque o poeta de outrora
Debaixo do seu luar
Não mais escreveu poesia

Com carinho respondi
Não fiques triste donzela
O poeta vai voltar
Mas até ele chegar
Tens a companhia das estrelas

E continuei a ouvir
Pela madrugada dentro
Pobre lua que tormento
Que saudades do poeta
Que voltará com o vento

Tornei-lhe a responder
Com a noite a terminar
Querida lua podes crer
O poeta de que falas
Promete que vai voltar
E poesia escrever
Debaixo do teu luar
 
FALEI COM A LUA

VIDAS PERDIDAS

 
A madrugada começou fria e gélida
Pelas ruas são cada vez mais
Aqueles que fazem das estrelas o seu tecto
Sonhos que cabem numa simples mala
Os cobertores que não têm abafar o frio
Estômago vazio tristes lembranças
Alimentam esperanças
Recordando a vida que passaram outrora
Junto da família e amigos
Mas a crise e o desemprego
Trouxeram-nos para a rua
A viver do nada
Onde o nada por vezes é muito
Onde por vezes uma simples palavra de conforto
É superior a uma refeição que é difícil de arranjar
Vidas perdidas
Vidas rejeitadas por uma sociedade que vive
Olhando apenas para si e só para si
Fruto de um egoísmo incompreensível
Fruto de uma vaidade falsa
Num país que já foi nosso
E que agora não é de ninguém
E cá estamos novamente junto deles dos sem abrigo
Com uma sopa quente e uma palavra amiga
Para tentar ultrapassar ou amenizar a solidão a fome e o frio
Até que venha a nascer o sol novamente
 
VIDAS PERDIDAS

A PASSAGEM

 
Já fui criança
Fui jovem
Brinquei com bolas de trapo
Também já perdi a esperança
Tive a vida num farrapo

Quando jovem
Tive sonhos
Como toda a gente tem
Andei por sítios medonhos
Que não interessam a ninguém

Também fui feliz um dia
Por pouco tempo talvez
A vida não me sorria
Mas hoje
Hoje sou feliz outra vez

Agora já homem feito
Sei o que quero e onde vou
Nos meus sonhos dou um jeito
Mas sei que nada é perfeito
E sou apenas quem sou
 
A PASSAGEM

O QUE SERÁ DE MIM

 
Se um dia partires
Que será de mim
Que sentirei eu
Ao ver-me só
Sem ninguém
A quem entregar
O meu amor
Sem ter o teu carinho
Sem sentir os teus
Lábios nos meus
Quando me dizes boa-noite
É impensável deixar de sentir
O teu carinho
As tuas meigas palavras
Quando te peço para tudo decidires
O que será
O que será de mim
Se um dia tu partires.
 
O QUE SERÁ DE MIM

O SONHO

 
É noite
O Sol desapareceu para além do horizonte
E ela apareceu, mais linda que nunca
Toda vestida de branco.
Seus olhos brilhavam no meio da escuridão
Fria e serena
Tudo isto numa solidão de arrepiar
Seus cabelos balouçavam ao sabor da brisa que
Se fazia sentir
Trazia um manto, também este branco
E foi então que vi e senti que era um Anjo
Um Anjo do Bem
Vinha para me levar
Tinha chegado a hora
A hora de partir para um mundo novo
Sem guerras, sem tristezas, sem mentiras
E sem solidão.
Ao caminhar até si, vi que se afastava
Mas porquê?
Foi então que abri os olhos e acordei
Afinal era um sonho.
Um sonho que podia ser realidade.
 
O SONHO

MONTEMOR

 
Era ainda muito novo
Quando me deste guarida
Cidade de Montemor-o-Novo
Onde iniciei minha vida

Aí cresci e fiz amigos
Fui feliz e namorei
Mas estava um sem abrigo
Quando um dia te deixei

Quase vinte anos de vida
Por tuas ruas passei
Fui vagabundo na noite
E na tua ermida rezei

No início era homem bom
Por todos era abraçado
Nos últimos tempos era mau
Por muitos indesejado

Um dia decidi partir
E no silencio da noite saí
Montemor, tu me acolhes-te
Também me abandonas-te
Por isso não me despedi
 
MONTEMOR

PRESO AO PASSADO

 
Preso ás amarras do passado
Não vou continuar
Vou acordar um coração
Que dentro do meu peito
Estava adormecido
Vou soltar para o mundo
Um amor que estava
Enfraquecido
Uma paixão escondida
Que agora está a ser vivida
Vou olhar para o espelho
E dizer
Estou aqui
Vou viver a vida que perdi
Estou pronto a começar
E preso ás amarras do passado
Não vou continuar
 
PRESO AO PASSADO

DESABAFO DO POETA

 
De que nos serve a nós poetas
Ter momentos mais sensiveis
Se a vida nos deixa marcas
Muitas delas bem visiveis

Nos momentos bem dificeis
Que todos atravessanos
No peito a nostalgia
Quando na escrita desabafamos

De que nos serve a nós poetas
Escrever frases sem fim
Se um dia quando morrermos
Já nada será assim

E quando chegar essa hora
Sairá então de cena
O poeta escreve e chora
No seu ultimo poema

E para os que gostarem
Do que o poeta escreveu
A obra vão continuar
E ao mundo inteiro gritar
O poeta não morreu
 
DESABAFO DO POETA

TRAIÇÃO

 
Tu que lamentas a vida
Pensas que já está perdida
E vives sem qualquer razão
Choras por um golpe de amor
Dado por uma mulher sem louvor
Que feriu teu coração

Foi um casamento destruído
Lindos momentos vividos
Debaixo do mesmo lar
Foi o fim de tantos sarilhos
Tristezas para os teus filhos
À espera do pai chegar

Foste a mulher que amei
Muito carinho te dei
E não soubeste aproveitar
Iludiste-te com falso amor
Por palavras de um traidor
Que te está a desgraçar

Não chores de arrependimento
Lembra-te do meu sofrimento
E da vergonha que passei
O amor que destruíste
Corações que feriste
Nunca mais esquecerei

Teus filhos pedem-me para voltar

Já pediram a chorar
Que querem um amor de pai
Eu a chorar respondi
A vossa mãe eu perdi
Para casa o pai não vai.

Não te desejo mal
Pois não sou um animal
Que não tem coração
Só peço que ames meus filhos
Não lhes arranjes mais sarilhos
Porque para mim já não
Tens perdão.

Nota do autor:
Este poema faz parte do meu livro "Relatos de uma vida"
 
TRAIÇÃO

SAUDADE

 
Que me perdoem todos os lusos
eu colocar um poema tão intimo.
Mas é uma forma de eu homenagear o meu qieridi pai
que faleceu á dois dias atrás.

Desde já o meu obrigado a todos.

Tantas coisas ficaram por dizer
E outras tantas foram ditas
E agora nada podemos fazer
Levou-te para sempre essa maldita

Sempre foste um bom amigo
Dedicado companheiro
Obrigado pai querido
Para nós sempre o primeiro

Já cá mora no meu peito
Uma profunda saudade
Pois chegou a dura hora
Partiste para a eternidade

Tanto sofreste paizinho
Para teres aqui chegado
E ficarão para sempre
Recordações do passado

Um passado que foi pobre
Mas rico em sentimentos
E que agora recordamos
Apenas os bons momentos

DESCNSA EM PAZ
PAIZINHO
 
SAUDADE

A RAZÃO DA SAUDADE

 
Hoje já nada sei
Nas ruas por onde caminhei
Não me recordo o que plantei
Se as saudades presentes
Ou os amores distantes
Hoje recordo o tempo que passou
E choro pelo que não vivi
Mas não me arrependo
Dos sonhos que idealizei
Que sonhei e que também vivi
Viajo pelo meu mundo e tento compreender
As razões desta saudade
Olhos que choram sem felicidade
É assim que hoje vivo e sinto
Com esta saudade que teima em ficar
Hoje mais uma vez
Sinto-me revoltado e magoado
Vou tentar sobreviver
Tentando perceber onde será que eu errei
Ou realmente não nasci para amar e ser amado
 
A RAZÃO DA SAUDADE

FOLHA DE PAPEL

 
Só tu não me deixaste
Comigo não foste cruel
Sempre boa companheira
Linda folha de papel

Nas minhas horas mais tristes
Companheira noite e dia
Comigo tudo sentiste
Folha de papel alegria

Um dia tudo acabou
Não sei o que aconteceu
Na caneta não pegou
E a folha de papel ardeu
 
FOLHA DE PAPEL

Á BEIRA MAR

 
Caminhava na areia á beira-mar
A leve brisa tocava-me no rosto
E fazia-me esquecer por uns momentos
Que existia
Era como se estivesse a flutuar
Nada ouvia
Nada sentia
Apenas caminhava
Por uns instantes parei
Suavemente passei as mãos sobre a areia
E o meu corpo tombou sobre ela
Já deitado
Contemplava o céu e as suas estrelas
A sua beleza era tanta
Que decidi contá-las
Mas uma delas movia-se constantemente
Irrequieta
Só mais tarde me apercebi
Que aquela estrela eras tu
Que me procuravas
Do outro lado do oceano
 
Á BEIRA MAR

TESTAMENTO

 
Quando um dia for velhinho
Já sem nada poder ver
Caminho devagarinho
Mas já não posso escrever

Esse tempo há-de chegar
Bem depressa podem crer
De nada serve chorar
Sei que um dia vou morrer

Muitos anos vão passar
Por estas ruas pequenas
Um dia hei-de encontrar
Alguém que possa contar
A vida ao ler meus poemas

Estes tão profundos temas
Que eu escrevo com sentimento
Eu nada posso deixar
Só deixo os meus poemas
No meu pobre testamento
 
TESTAMENTO

O FUTURO

 
Caminhos longos que percorri
Um sonho lindo que vivi
Parei e deixei passar
Um passado que perdi

E com o terrível vicio
Terminei o meu viver
Voltei então ao início
Pois tudo estava a perder

Chorei, gritei, pedi esmola
Comi e dormi na rua
Tentei voltar a ser eu
Numa noite olhando a lua

Consegui o que esperava
Nada o fazia prever
Ali o futuro começava
A vida então abraçava
E voltaria a viver

Olhando para traz agora
Vejo a vida que perdi
Vou recuperar sem pressa
A vida que não vivi.
 
O FUTURO

PARA TI PAI

 
Pai
Hoje escrevo para ti
Sentado na minha cadeira da inspiração viajei no tempo
E foi tão bom recordar
Recordar aqueles bons momentos que passamos juntos
Sabes pai
Recordei aquelas tardes quentes de verão em que eu chegava da escola
E alegre e ansiosamente esperava que tu chegasses
Do árduo trabalho do campo
E mesmo cansado
Ainda ias para aquela que era a tua horta
O nosso pedacinho de terra de onde tu sabiamente retiravas
Quase todo o nosso alimento
E eu acompanhava-te
E nessa viagem recordei também as muitas vezes que eu
Traquina e irrequieto me portava mal
E tu irritado comigo me açoitavas
Por muito tempo me senti revoltado
Mas mais tarde ainda jovem compreendi que não o fazias por mal
E sempre gostaste de mim assim como eu sempre gostei de ti
E nunca te condenei por isso
E terminei a minha viajem a recordar aquelas
Tuas ternurentas palavras que me dirigiste quando já a tua saúde estava debilitada
“Gostava de te ver meu filho feliz e com a vida organizada”
São palavras que jamais esquecerei
Hoje posso dizer-te, sou feliz e tenho uma vida
Mas cá no fundo, bem no fundo do meu peito
Sinto-me triste e infeliz
Infeliz por não poder dar-te o bem mais precioso “ a saúde”
Infeliz por não ter possibilidade de te dar um bem estar digno
Que eu entendia ser junto da tua companheira e minha mãe
Na tua própria casa
E assim tiveste que partir para um lar de idosos
Deixando para traz 50 anos de momentos tristes, momentos felizes
Dias de luta e de angustia
Mas sempre com dignidade e um sorriso no rosto
Mas tenho ainda para te dar muito amor
E dizer em voz bem alta para que o mundo inteiro possa ouvir
“ obrigado pai por eu ser o homem que sou hoje”
 
PARA TI PAI

A POBREZA

 
Pensei escrever-te um poema
Para toda a nossa vida
Mas será só um por dia
Para ti minha querida

De tudo temos passado
Horas boas horas más
Sempre juntos lado a lado
Temos alcançado a paz

Mais uma dificuldade
Está para aparecer
Talvez sim por culpa minha
Que prometo resolver

Sei que o dinheiro não o temos
Nem onde o ir buscar
Talvez na devida hora
Alguém com bom coração
Então nos possa ajudar

Como a vida está difícil
Já não sei o que fazer
Por vezes
A dispensa está vazia
E sem dinheiro para comer
 
 A POBREZA

SERÁ O VENTO

 
Sente-se o vento
Nas ruas desertas
E naquele momento
Há janelas abertas
Abertas para a vida
Abertas para o mundo
E parou o vento
Naquele segundo
A janela fechou
O vento abrandou
E ela chegou
Chegou de mansinho
Entrou devagarinho
E tentou sua sorte
Naquele momento
Abriram-se as portas
Pensei que era a morte
Começou a chover
Fecharam-se as portas
As janelas também
Espreitei para ver
E não era ninguém
Não era ninguém
Naquele momento
A morte não era
Era só o vento
 
SERÁ O VENTO