O Gótico
O meu coração está vazio
faz tempo que o meu instinto partiu
solitária escrevo para ti
pode ser que um dia te tenha aqui
Procuro-te nas sombras do luar
És criatura mas sabes amar
Agarro-me ao que me é conhecido
porque tu ainda és desconhecido
As feridas são visiveis por todos
Estou doente porque me viram
Comporto-me na vida sem modos
chorei quando os outros sorriram
Um dia vou estar bem
Quando a vida me abraçar
ainda sou cria sem mãe
contigo é fácil superar
Ainda me dói ter de acordar
a vida é só uma miragem
A ti te devo a minha coragem
para o dia que tenho de te enfrentar
Último acto
Não há cura para a dor
Só nos resta a esperança
De renascer, outra vez, amor
Em busca da mudança.
O orgulho não vale nada
Neste mundo tão ingrato
E nossa fé foi abandonada
Para um último acto.
O sangue que nos deu vida
É o nosso passaporte
Por isso, minha querida
Te encontrarei depois da morte…
José Coimbra
Obscura paixão
É ter o calor no coração
E tentar quebrar o gelo
Antes que a escuridão
Torne tudo num pesadelo.
É arrancar o selo proibido
E procurar pelo paraíso
Que se encontra perdido
No teu frio sorriso.
É a diferença que mente
Entre o bem e o mal
D´um vazio que se sente
Dentro do teu olhar fatal…
José Coimbra
Desejada paz
A melancolia que a alma oprime
Deixa um vazio enorme e doloroso
Onde a própria existência é um crime
E o corpo, um recipiente tenebroso.
É encontrar os segredos mais obscuros
Nas trevas da solidão mortal,
Injetados pelos medos puros
Que curam as feridas com sal.
Na escuridão a dor ingrata fustiga
Esperando, o que o futuro traz,
Tendo a morte como única amiga
Que promete a desejada eterna paz…
José Coimbra
Maldita saudade
Ainda sinto a sua presença
Na indiferente madrugada,
Uma luz de esperança
Na solidão da almofada…
Ainda sinto o seu calor
Do seu irresistível abraço,
Mas só restou a maldita dor
Na penumbra do cansaço.
Ainda oiço a sua voz
Tão doce e serena,
Mas a saudade é atroz
E à agustia me condena…
Ainda chamo o seu nome
Entre a escuridão da cama
Pois a agonia me consome
Como uma inapagável chama.
Um amanhã não sei se haverá
Mas esta noite a irei visitar,
Não sei o que acontecerá
Mas com ela quero ficar…
Como é a vida sem ela
Mas com um gesto trémulo
Coloco a rosa negra, a mais bela
Sobre o seu túmulo…
José Coimbra
Voar
Olhos observam-me,
A tentar escapar,
Mas eu não escaparei.
Não desta vez.
Já é tempo de voar,
E desta vez, nada me poderá salvar.
Ouço as garras arrastarem-se no chão,
E sei que é o fim.
Não me posso esconder,
Não há modo de correr,
Estou exausta demais.
Levem-me,
No vosso voo eterno,
Nas asas negras
Que nada pode colorir.
Não chorem por mim,
Isto é apenas o início,
Do meu voo final.
Vou voar...
Imagem: olhares.com Autor: Ruben Andrade
Música: "Unforgetable" By: Yuki Kajiura
Marie
E então, pousou a caneta de tinta permanente que lhe tido sido oferecida no aniversário...
Aquelas, tinham sido as 3 horas mais compridas da sua vida.
Marie, tinha apenas 15 anos, mas sabia muito dos males que existem. Quando tinha apenas 4 anos, perdera a mãe... Mal se lembrava dela... O pai... Qual pai? Aquele homem com quem vivia sozinha há 11 anos? Aquele que sempre a ignorara?
Agora, era finalmente o fim. O fim de todo o sofrimento, de toda a mágoa, de tudo!
Naquelas 3 horas, Marie tinha escoado a sua alma e tudo o que sentia para o papel amarelado...
"Mundo, de ti, despeço-me. Não aguento tudo o que me remói por dentro. A amálgama de sentimentos que tenho vindo a acumular irá ser por fim um suspiro de alívio. Não sei se alguém irá sentir a minha falta, ou se alguém irá pelo menos lembrar-me, mas essas dúvidas, apenas me dão mais coragem para partir. Sei que quando partir, talvez encontre a minha mãe. Ou talvez não. Talvez apodreça aqui, debruçada sobre esta secretária, já que ninguém se há-de lembrar de mim.
Nos 15 anos que vivi, percebi que a vida não é assim tão bela, e porquê continuar a viver, se posso exsudar-me para um sítio onde esteja mais dormente? A efémera beleza do meu reflexo, nunca mais será vista, pelos meus olhos, e agradeço por isso.
Lembro-me de sorrir, quando a minha mãe me penteava os cabelos e me cantava canções de embalar. Mas depois, tudo escureceu, e eu fiquei assim, sozinha. Vivendo na mesma casa que um homem que me ignora.
Agora, despeço-me, mas sei que não o faço por mim, faço-o para que aquele homem que se diz meu pai e que deambula pelos corredores, nunca mais tenha de virar a cara quando passo.
"A arte da vida é fazer da vida uma obra de arte.", disse Gandhi, mas eu digo,
"A arte da vida, é pintar o quadro da nossa morte." "
E assim, Marie, pegou na faca que tinha trazido da cozinha, e voou, ao suspirar de alívio.
Segunda Parte:
http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=144778
Imagem: google imagens
Bem, hoje estava a sentir-me um pouco gótica (rsrs) e decidi escrever a carta de suicídio de Marie, uma adolescente de 15 anos.
P.S. - Todos os factos mencionados nesta história
são fictícios.
Qualquer parecença com a realidade é pura
coincidência.
Continuo
Deambulo, por entre as sombras das ruas.
Não sei se me vão assustar,
Se me vão descarnar.
Deambulo pelas ruas, escuras,
Querendo apenas esconder-me,
Num casebre trancado.
Sinto os fantasmas do passado,
Perseguindo os recantos de mim.
Lá no fundo, sei que não vou escapar,
Mas já nem isso importa,
A ausência,
Fez-me ficar dormente,
E já não sinto a tortura,
De não poder voltar.
De não poder voltar,
Para o calor de um beijo,
Só para o calor de um deserto,
Vermelho e preto,
Como a última coisa que vejo.
Imagem: olhares.com Autor: Miguel Queirós Pinto
Música: L'etre las - L'envers du miroir By: Arkdaemon
Maíne
A brevidade do olhar
Consumido nas longas horas
Aparta-me da ânsia,
Flerta com o medo ancestral.
Minha dolorosa respiração
Suave no espasmo outonal
Cresce a medida em que nossas bocas
Entrechocam-se no silêncio,para o nunca mais
Do falso esquecimento.
Ainda sinto suas feridas em meus ossos,
Em meus olhos fechados para a partida,
Nas cavidades mais profundas de recondita devassidão.
Sangue em vão explode como desprezo
Junto ao mijo e ao carinho tempestuoso
Nada sobra.
É sempre tão tarde para o recomeço,
Do corpo desfeito na marca eu carrego
A langue conveniencia do entorpecimento externo
Solitário como o mito de nosso romance
Decompondo-se ao sabor da inocencia perdida
E da irreparável falta.
Sombra Entreaberta
Quero que me levem daqui,
Para um buraco negro
Que me matem os sentimentos
E me obriguem a ficar exangue de lágrimas.
Tranquem-me num quarto escuro
E traguem-me a vontade e a esperança.
Acabem com os fantasmas
De uma porta meia fechada.
Perseguidores de palavras,
Que rasgam e cortam
A alma sombria.
Estou melancolicamente silenciosa.
Arrancaram-me tudo, directamente de mim.
Imagem: olhares.com Autor: Artur Ferrão
Música: Rachmaninov's Vocalise Op 34 14, Cello and Piano.