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Pablo Neruda : Não é preciso
em 31/08/2008 15:30:00 (4859 leituras)
Pablo Neruda

Não é preciso assobio
para estar só,
para viver a escuras.

Em plena multidão, em pleno céu,
nós nos lembramos de quem nós éramos,
ao íntimo, ao desnudo,
ao único que sabe como crescem suas unhas,
que sabe como se faz seu silêncio
e suas pobres palavras.
Há Pedro para todos,
luzes, satisfatórias Berenices,
mas, para dentro,
por debaixo da idade e vestimenta,
ainda não temos nome,
somos de outra maneira.
Não só para dormir os olhos se fecharam
mas sim para não ver o mesmo céu.
Nós cansamos de súbito
e como se tocassem no campanário
para entrar ao colégio,
regressamos à pétala escondida,
para o osso, para a raiz semi-secreta,
e ali, súbito, somos,
somos aquele puro e não lembrado,
somos o verdadeiro
entre os quatro muros de nossa única pele,
entre as duas espadas de viver e de morrer.


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Enviado por Tópico
visitante
Publicado: 27/10/2008 22:57  Atualizado: 27/10/2008 22:57
 Re: Não é preciso
Somos uma consequência de coisas, que, muitas vezes, nem escolhemos. Somos o que fizemos, e o que fizeram conosco. Somos também o que não fizemos... O que se foi e o que será convergem no presente e é sempre ele que existe de facto. Assim, dia após dia há uma constante ilusão de existência. Este poema bem mostra que o corpo apenas encerra em si o que somos, a essência na existência.

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