Luso-Poemas
Registe-se agora!     Login

Publicidade


Utilidades

Consultar

Outros

Quem está aqui

125 visitantes online (75 na seção: Poemas e Frases)

Lusuários: 5
Leitores: 120

MarySSantos, Liliana Jardim, Rohrig, Srimilton, mcris, mais...

Licença

Licença Creative Commons

Proteção anti-cópia

Protegendo os seus poemas com Tynt

Eventos Luso-Poemas

Partilhar Textos : 

santos. anjos e bicicletas

 
.



não tirem o vento às gaivotas - sampaio rego sou eu


houve tempos em que acreditava em deus - era criança. e por cada pai nosso rezado. ao cair na cama os sonhos apareciam feitos de fé. o sol despertava com tanta força dentro do corpo que o pecado era não aproveitar a esperança da água baptismal – acordar sem pecado e crescer para pecar - hoje não acredito em nada e quando digo nada é mesmo nada - deus foi desaparecendo com os ciclos contínuos do nascer e morrer dos dias. e com ele os santos milagreiros. o advogado dos dentes. o dos cravos. o das causas impossíveis. o da memória. a da trovoada e mais uns quantos que por nunca ter precisado deles acabei por abandonar – mais tarde acabei por esquecer os anjos. o primeiro foi o anjo da guarda. ao deitar costumava rezar sempre três orações. três vezes a mesma. por ser pequena e ficar com medo de que uma significasse pouca fé para um anjo que se queria sempre alerta aos perigos diários que um catraio sempre é capaz de fabricar – confesso que na altura tinha medo de zangar o anjo da guarda. era um anjo importante. aparecia em todos os livros da catequese. e mesmo nas igrejas estava sempre presente na maior parte das telas pintadas a óleo. preenchia as paredes ao lado de todos os santos e na minha igreja estava mesmo ao lado da nossa senhora. num dos altares mais importantes de oração – ainda me recordo de ouvir dizer em casa um provérbio que sempre me deixou a pensar: ao menino e ao borracho põe deus a mão por baixo – eu queria ter este deus por perto. queria ter o meu anjo da guarda a meu lado. precisava deles. precisava de crescer devagar e em segurança. não os podia zangar. porque zangados podiam atirar-me abaixo da bicicleta que um dos meus amigos me emprestara. e se então partisse a cabeça destruía a esperança de que o meu pai. mais tarde ou mais cedo. acabasse por me realizar o sonho de ter uma bicicleta só minha. uma onde eu pudesse pedalar para lá dos montes da minha cidade. eram altos para a idade que não imaginava sequer que tinha. mas não me saía da cabeça nunca poder subir ao cimo daquelas colinas com a minha bicicleta – mas as pernas não paravam de crescer e eu sempre a rezar. sempre a fazer o correcto. sempre a tentar ser justo. sempre a ver os defeitos e nunca a valorizar as virtudes. queria ser todos os dias melhor. queria crescer. queria ser livre. queria ser dono da minha vontade. queria ir onde o corpo me quisesse levar – não adianta rezar quando deus não te quer ouvir – nunca caí abaixo da bicicleta. mas também o meu pai nunca caiu abaixo daquele medo que hoje sei que era amor – acabei por morrer de tristeza. ainda hoje estou morto desta tristeza – talvez para os filhos o melhor seja mesmo morrerem a pedalar de felicidade – aos meus filhos dei-lhes bicicletas. sei que tudo é ainda igual ao meu tempo. a única coisa que mudou foi o tamanho dos montes. hoje são muito mais difíceis de transpor. as estradas são mais perigosas. mais artimanhas. mais curvas. mais tudo que por ser mais velho já não tenho a certeza do que seja – mas nem tudo é pior. em contrapartida vou atrás a empurrar. a pé. mas feliz por os ver em cima das minhas bicicletas


-

anjo da guarda

minha companhia

guardai a minha alma

de noite e de dia

-

anjo da guarda

minha companhia

guardai a minha alma

de noite e de dia

-

anjo da guarda

minha companhia

guardai a minha alma

de noite e de dia
Autor
sampaiorego
Autor sampaiorego
textos deste autorMais textos
Rss do autorRss do autor
EstatísticasEstatísticas
 
Texto
Data 31/07/2012 23:58:57
Leituras 216
Favoritos 0
Licença Esta obra está protegida pela licença Creative Commons
Enviar este texto a um amigoEnviar
Imprimir este textoImprimir
Salvar este texto como PDFCriar um pdf
Recentes
1ª de maio – o povo já não ordena
abril. há amigos à tua espera nesta esquina do teu povo
a morte das flores
sinto. abril
sou natal
Aleatórios
sai da frente guedes
a4
escrita em risco - vulcão
procura
esotérico
Favoritos
o invisível - Alexis
com pé. - Margarete
abraço-te. - Margarete
Até onde nossos pés desejarem... - Vania Lopez
(a sombra ensaiando na porta da frente) - Vania Lopez
Os comentários são de propriedade de seus respectivos autores. Não somos responsáveis pelo seu conteúdo.

Enviado por Tópico
Vania Lopez
Publicado: 01/08/2012 04:40  Atualizado: 01/08/2012 04:40
Colaborador
Usuário desde: 25/01/2009
Localidade: Pouso Alegre - MG
Mensagens: 14782
 Re: santos, anjos e bicicletas
O vento brinca, anjos calam,
bicicletas voam. Num vai e vem do tempo
que culmina no colo de uma prece.
Perfeito é pouco... bjs

Enviado por Tópico
sampaiorego
Publicado: 01/08/2012 15:49  Atualizado: 01/08/2012 15:49
Colaborador
Usuário desde: 31/03/2010
Localidade: algures virado para o mar com gaivotas
Mensagens: 972
 Re: santos, anjos e bicicletas
é assim a vida de um pecador com memória - está na hora de viajar ao passado - obrigado vânia

Enviado por Tópico
zésilveiradobrasil
Publicado: 01/08/2012 16:43  Atualizado: 01/08/2012 16:47
Luso de Ouro
Usuário desde: 18/02/2008
Localidade: Niterói (em tupi-guarani = águas escondidas) RJ/Brazil
Mensagens: 12072
 Re: santos, anjos e bicicletas
o que vale no homem é o que ele diz e escreve das experiências de vida com ou sem anjos, aves-maria, pais-nosso. delas, são os filhos que absorvem e acabam arquivando os ensinamentos, e ainda jovens, vemos alcançarem precocemente os cimos, numa remota época em que os visualizava com grau de dificuldade. hoje cessaram os receios, e também a força nas pernas para as pedaladas. gostei de por o meu olhar aqui.
meu abraço caRIOca
zésilveiradobrasil

Enviado por Tópico
sampaiorego
Publicado: 03/08/2012 10:45  Atualizado: 03/08/2012 10:45
Colaborador
Usuário desde: 31/03/2010
Localidade: algures virado para o mar com gaivotas
Mensagens: 972
 Re: santos, anjos e bicicletas
obrigado josé - às vezes vou à janela e sem dar por isso encontro o passado - belo passado. apesar de ter medo de me tornar um daqueles saudosistas que só sabem valorizar o seu tampo. escrever o que vejo da minha janela é agora uma prioridade - este lavar da alma ganha necessidades com a idade. ou então dos bicos de papagaio - abraço

Enviado por Tópico
visitante
Publicado: 02/08/2012 23:04  Atualizado: 02/08/2012 23:05
 Re: santos, anjos e bicicletas
Mais uma bonita meditação num anunciar intenso as preces antigas...ainda me lembro, rezar o terço antes de me deitar, ir à missa todos os domingos e com um véu branco na cabeça já dentro da igreja, a ida à catequse para depois fazer a 1.ª comunhão, o crisma entre outros sacramentos, a confissão de tempos a tempos...
Desfrutei imenso o seu texto Sampaio e vivi com intensidade os velhos tempos:
Ainda assim me lembro de outra oração que se dizia a seguir àquela que vc postou:

"Anjo da guarda meu guardador
guardai a minha alma para nosso senhor".

Abraços
Luzia

Enviado por Tópico
sampaiorego
Publicado: 03/08/2012 11:42  Atualizado: 03/08/2012 11:42
Colaborador
Usuário desde: 31/03/2010
Localidade: algures virado para o mar com gaivotas
Mensagens: 972
 Re: santos, anjos e bicicletas
mais uma viagem ao passado – teimo em escrever estes pedaços de vida mortos mas não enterrados. é como quem diz. ressuscito histórias para papel – não conhecia essa oração. mas no fundo a sua leitura traz a mesma devoção e proteção ao crente – beijo e obrigado luzia pela interação

Login

Usuário:

Senha:

Lembrar-se



Esqueceu a senha?

Cadastre-se agora.

Texto Aleatório

Comentários Recentes

Recentes no fórum

Luso Pensamentos

Frase

É incrível que, no intuito de justificar as nossas crenças, coloquemos Deus na terra e o Homem no céu

(Garrido)



A folha

A folha cai no verão.
( Era folha de papel)
Não consigo pegá-la
Porque o vento é forte
E me leva para longe.

Matheus



Insanidade perfeita

Sinto-me cansada
Já me faltam as palavras!
As que saboreio entre dissabores
Da minha própria loucura
Já não sinto o meu corpo
As vogais consomem-no
Adormece em brandas consoantes
Ficam tantas frases por dizer
Aquelas,
Que já não consigo escrever,
Falta-me a força
A caneta começa a tremer
Soluça.
O meu olhar constrói
O que meu pensamento rejeita
Esta sou eu,
A doce mulher
A insana, poeta...

(ConceiçãoB)



Tempestades

Tudo em mim, são dias de tempestades...
Por isso entrego minha alma à poesia
E meus dias a escrever versos
E meto uns poemas em velhas garrafas
E as levo para as águas intermináveis dos mares
- revoltos e tristes -
E as lanço, na singela esperança
De que um dia alguém os leia
Ainda que meus pés não estejam mais sobre este chão
E meu corpo tenha sido já lançado no ventre desta terra impura
E minha alma tenha também partido
- para a imensidão do infinito com que sonho,
ou para o abismo solitário que me amendronta...

(Vanessa Marques)


vaga-lume

... beijar-te

- era ser
pássaro azul
dedilhando ugabe

era levitar
beber das nuvens
e desfolhar os céus

era um doce caminhar
sem tocar o chão
estirpes desaguando
em aljôfar...

era dédalo a calar-me
se acontecia
cascata de sonhar-me
na boca que feliz
se fenecia

- e era livre
sendo chama
toda asas
vaga-lume
brilhante
como quem ama.

(RoqueSilveira)


Nós de poesia

A vida é feita de incompletudes...
Como os bares de mesas vazias
Nas calçadas
Ou as longas estradas
Repletas de nada dos dois lados

Ainda assim, escrevo
Mesmo sabendo que em mim
desatam-se nós de poesia
E atam-se outros em seguida.

O fato é que
Daquilo que me resta
Faço-me humanamente completa
meramente humana...

(Vanessa Marques)



Frase

"Amor" é o presente dado sem esperança de retorno,
e o que esperamos é apenas que não seja rejeitado

(Junior A.)



Frase

Como posso explicar
Esta dor
Invasora
Da minha alma
Senão dizer
Que és a mentira
Mais verdadeira
Da minha vida...?

(Raquel Naranjo)



Frase

O amor é como a justiça:
Injusto e cego.

(TrabisDeMentia)



guardanapos

do nosso beijo,
muralhas

do nosso amor,
migalhas

do nosso verbo,
mortalhas

dos nossos papos
poemas
em guardanapos

(Niké)



Sexto sentido

Tenta ouvir o silêncio...
Ver a luz na escuridão profunda...
Cheirar o aroma da mais pura água...
Sentir a textura do vento...
Saborear a doçura do sal...
Quando o conseguires...
Irás te descobrir...

(gera)



Só saudade

Dor que sente
Dor que não se mede
Que vai e vem

Com a vida vou rolando
Com a dor vou buscando
Talvez alívio...

Quando doer que seja
Sem deixar morrer
Só saudade...

(amasol)



A foz

Se cada coisinha que eu sei correspondesse a um rio... E se cada um deles desaguasse na mesma foz...Esta não teria senão o tamanho de uma bacia bem pequenina na qual eu refresco os meus cansados pés. Os rios seriam tão curtos quanto a minha felicidade, tão estreitos quanto a minha existência, tão secos quanto a minha solidão. Mas talvez, talvez bem no fundo da bacia, talvez para lá das lágrimas turvas, e para que eu me possa orgulhar, talvez sorriam dois peixinhos, que eu, apesar da distância possa contemplar! E quem sabe... Uma flor se incline e faça nascer, na foz uma flor que eu possa colher!

(TrabisDeMentia)

Siga-nos

Posts relacionados, Plugin for WordPress, Blogger...