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Crónicas : 

Anormalidade de ser normal

 
"Normalidade é um estado padrão, normal, que é considerado correto, justo sob algum ponto-de-vista. É o oposto da anormalidade. A normalidade muitas vezes se dá por conta de uma maioria em comum, sendo anormal aquele que contraria esta maioria. A normalidade também se dá por um resultado padrão ao realizar uma operação com alta probabilidade de se repetir."

Assim se define a normalidade sendo tomado por anormal tudo o que é o seu antónimo. Mas é anormal ser-se normal e nesta antítese/contradicção se guarda o auge de toda uma vida. Que interesse tem uma pessoa que age da mesma forma que agem umas outras mil e tal pessoas? O mesmo interesse que tem uma menina que se veste exactamente igual a outras vinte meninas. Nâo há interesse na semelhança! Não há interesse na normalidade!
Ou o conceito de normalidade está ao avesso e deve ser mudado ou entendido por cada qual de forma diferente, ou aqueles que interessam vivem na chamada anormalidade.
O que te interessa afinal?
Se conheceres alguém diferente despertar-te-á certamente o interesse, a diferença é um valor que hoje em dia pode ser considerado um adjectivo. É melhor alguém diferente do que alguém igual mas a diferença só se encontra na igualdade.
O conceito "diferente" não quererá certamente definir alguém que se distingue dos outros, pelo menos alguém que caminha para o outro lado quando todos caminham para o lado oposto. A anormalidade está para a diferença como a normalidade para a igualdade e por isso nunca deveremos temer os ditos "anormais".
É tudo uma questão de conceitos que no fundo nos arrastam exactamente para o mesmo lugar, nós mesmos. E tu? És normal/igual ou diferente/anormal?
É bom deixar segura aqui a questão de existirem diferentes pessoas que se comportam de igual modo mesmo sem serem iguais entre si mas, hoje em dia, tudo é composto por catálogos, quase que podemos colocar etiquetas nas pessoas. Só os anormais são anormais até entre si, cada um se vira para o seu lado e é tão interessante conhecer esse lado!
Os grandes senhores da literatura portuguesa nunca foram normais, pelo menos não cabiam na definição de normalidade que hoje em dia está inscrita em cada um de nós, porque somos dicionários ambulantes e temos tendência a deixar que isso nos comande; esses ditos senhores que viviam a sua vida aparte só são génios porque não temeram a sua anormalidade, aliás, usaram-na para escrever grandes obras e executar grandes feitos.
Se te chamarem anormal orgulha-te disso e nunca te sintas inferior.
Dá-te ao luxo de ser anormal na normalidade e não normal na anormalidade. A segunda hipótese seria uma espécie de invulgaridade ridicularizada.


. façam de conta que eu não estive cá .

 
Autor
Margarete
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