Poemas, frases e mensagens de Warmien

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de Warmien

Menina e mulher

 
Foi assim que a conheci,
quase uma menina ainda,
vestida de inocência,
mas já audaciosa e provocante.
Acabou por ser uma rainha,
um tesouro bem guardado,
acalentando meu coração.

E eu sorria,
enquanto você permanecia
com a túnica da inocência.
Uma garota apenas,
que eu gostei como menina.

Depois a reencontrei,
num belo corpo de mulher,
às vezes mergulhada
em tantas ansiedades...

Uma garota sensível e carente,
trazendo em si uma mulher desejosa,
uma fera aprisionada
no seu corpo virgem e inquieto,
ainda amedrontado
mas antevendo o prazer
que poderia dar e sentir.

Seu desejo apreensivo,
irrequieto, nervoso,
desejando romper as grades
que o aprisionam
e finalmente explodir
na plenitude de um orgasmo,
satisfazendo os desejos ardentes,
que castigam seu corpo casto,
queimando sua pele morna e macia,
arrepiada de tentações reprimidas.

Seu corpo inocente e ainda imaculado,
ansioso por se iniciar,
descobrir os caminhos do amor sensual,
sentir os eflúvios de um gozo pleno,
satisfazendo seus instintos
de fêmea voluptuosa e tão cobiçada.

Então a amei como mulher!
 
Menina e mulher

Alma bifurcada

 
Só num dia de sol consegue pensar em nós,
quando a chuva cai, ambos estamos sós.
Nublando o céu, até agora safira brilhante,
a chuva cai em linhas de cristal fino,
o firmamento, como um espelho vazio,
grisado de melancolia,virou cinzento.
As folhas das árvores tornam-se escuras,
um abismo sem fim rumo às alturas.
Em pé à janela, uma dicotomia, a alma bifurcada,
entre o dia de sol claro e a tristeza da chuva,
entre eu e você, entre nós; entre juntos e sós.
 
Alma bifurcada

Aguarde os primeiros pingos da chuva

 
Não abra essa porta,
nem queira sair agora!
Vamos aguardar que caia a chuva,
quando poderemos ficar sozinhos
ouvindo as gotas na vidraça
embalando os mais auspiciosos sonhos.

Abrigue o rosto em meu peito,
sinta o quanto estamos ligados
num mesmo sentimento
- se a você soa incompreensível,
a mim sugere ser apenas nosso amor.

Vire-se para mim, exponha o corpo
não esconda nem mais um sorriso,
libere a respiração ofegante
-deixe que prevaleça o desejo
de ficar mais uma vez.

Se quiser, permaneça em silêncio
- para que palavras nesta hora?
Sei que não posso prendê-la mais,
grilhões e algemas não a reteriam
depois da inamovível decisão.

Pode ir, mas não agora!
Por hora, não abra a porta
fique um pouco mais
aguarde que se inicie a chuva
quando poderemos juntos sair
dividindo as gotas alvissareiras,
talvez realizando desejos escondidos,
emanados dos recônditos de almas sonhadoras.

Tristemente reconheço a inutilidade dos esforços,
sei não posso impedir que se vá.
Suplico que não saia agora!
Aguarde os primeiros pingos da chuva,
eles nos deixarão sozinhos,
imersos em nossas verdades não reveladas.
 
Aguarde os primeiros pingos da chuva

Lindo lugar

 
Lindo lugar,
a paisagem era tão bela,
enfeitada pelo voo de pombas brancas,
ligeiras aves francas
que vivem entre os suspiros do vento
fugindo da tempestade que flagela;
mas nada se comparava
ao brilho que o seu olhar revela;
ao esplendor que ele irradia,
nem aos reflexos de seus cabelos
ao sabor da brisa, mensageira singela
de algumas alegrias,
longe das manhãs tão frias,
no esplendor de um entardecer
tão cheio de harmonia,
mas tão triste sem você.
 
Lindo lugar

Se és pétala

 
interação com o poema “SOU” da poetiza Maria Valadas
http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=302599

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Se és a pétala que cimando o caule pelo colibri anseia,
deixes despreocupada beijarem-te as ondas altaneiras;
permitas que a veleidade de um momento sobrevenha à razão,
e cesses a resistência dessa maré peregrina, eterna caminheira.

Esses teus sentimentos sugerem cumplicidade,
divide-os pois, comigo, leda, sem mais demora,
deixa-me fazer parte desse plenitude.
Libera o guardado segredo da vontade,
esqueça a virtude cogente nas atitudes;
nesses anelos róseos de plena juventude,
premente anseio que de teu coração aflora.

No reflexo formoso da lua vistosa
sejas a gota cintilante do orvalho suave,
baixes esse talude que protege a renitência
essa vicissitude de momentos sensuais
.
Sejas fênix ressurgida das cinzas antes que finde o fôlego,
seques as lágrimas que teimam encharcar teu rosto,
mas venhas sossegando todo tua ansiedade.

Deixe de viver os sobressaltos de outrora,
encontres em mim mais que uma metáfora.
Deixes que a aurora te encontra lidima senhora
e relhe meu peito, assente sem dó a espora
faça com que espanquem anseios para fora
na cumplicidade silenciosa da mansidão desta hora

Fiques para um sonho realizar....
 
Se és pétala

Dançando ao som dos madrigais

 
Talvez dancemos um dia ao som de tímpanos profanos,
acompanhadas pelo ritmo de citaras e sautérios insanos,
e o som único de inconfundível bandolim barroco
tangido por bardo trovador, insone e meio louco.

Ainda mil menestréis medievais com alegres alaúdes,
elevando a musica suave aos capitéis da nave central,
espalhando sorridentes sons por todo aquele salão real,
agora repleto de gentis damas a lançarem sorrisos amiúdes.

Então, serei Lancelot do Lago, garboso na armadura brilhante,
de remotas terras guerreiro conquistador e triunfante,
mas que se queda ledo a procura do olhar intenso e profundo,
de uma doce Guinevere de vestes vermelhas, esvoaçantes,
mostrando sua real figura iluminada à luz do luar ao fundo,
extasiando com sua presença todos seus cavaleiros galantes.

Num andar cuidadoso irrompe no grande salão brilhante,
passando pelos casais extasiados, dançando alucinantes,
todos assim sorridentes, exibindo vestes tão elegantes.
Cauteloso em seu andar, saudando os pares dançantes,
percorre com o olhar todo o átrio em procura tão incerta,
até deparar-se com a linda dama de vermelho coberta,
sentada em seu trono distraída, mas com olhar penetrante,
talvez se recordando de sua Lionese querida e tão distante.

Ferido pelo dardos lançados pelo olhar da dama tão instigante,
de imediato como hipnotizado por aquela imagem marcante,
convida-a para dançar com um galanteio ousado e insinuante:
- És a única que já vi de tão nobre porte e belo semblante.

Sublime e gentil, ela sorri, com a cabeça então agradece,
e os lindos olhos marcantes para o chão então desce,
mas já com um tremor no corpo o rubor mescla ao carmim
das meigas faces rosadas às vestes de esvoaçante cetim.

A resposta é um doce e longo sorriso, a gentil mão estendida,
quedando-se altiva, mas firme, esperando ser conduzida,
e tomando-a pela mão, num átimo estão no salão entre os casais,
dançando alegres, mais um belo par ao som daqueles madrigais.
 
Dançando ao som dos madrigais

Lembrança

 
Não te vás.
Lembra-se sempre, não te vás.
Por que desaparecer assim
levar seu rosto e seu sorriso
para tão longe,
distante do meu coração,
tão e tão distante de mim.....

Não te vás...
Continua a mostrar teu olhar
como no primeiro momento
em que olhaste para mim,
e então teu sorriso
fez-me também sorrir.
 
Lembrança

À nova musa

 
Vi o musgo recobrindo vetustas pedras,
restos das muralhas das antigas cidadelas;
a luz da manhã se propagando nas aguas do riacho
aquecendo o orvalhos nas pétalas das flores.

Também os vales exuberantes cobertos de grama,
refletindo no céu vermelho do entardecer brilhante;
edifícios, monumentos, museus e tantos altares,
atentamente reparados em horas de preciosa solidão.

Vi as trilhas nas dunas das areias vagantes do deserto,
e o silencio à sombra dos carvalhos centenários,
não cedendo aos caprichos do vento brincalhão,
insistente em farfalhar impetuoso as folhas ao redor.

Nos espelhos das enseadas protegidas por montanhas,
vi ondas crisparem o azul em formidáveis vagas,
e novamente formar-se o lago de agua limpa,
num remanso cantante coroado de espumas prateadas.

Já vi o brilho dos raios ao troar dos trovões,
ribombos cruéis meio à tempestade inclemente,
e o suave encantamento dos píncaros nevados,
cumes furando as nuvens como estacas do céu.

Mas nenhuma emoção se compara ao sentimento,
quando vejo uma nova musa assim tão cheia de charme.
 
 À nova musa

Contra tudo, contra todos (Acalentando o meu sofrer)

 
Contra tudo,
contra todos,
um sopro no vento!
Meus olhos que não estão
em seus pensamentos.
Tudo sopro de vento!
Lábios vermelhos,
verdes olhos,
e os cabelos negros,
linda imagem de mulher!

Mas o que tenho
são só saudades!!!
E a saudade
não é apenas
um sentimento intenso
que magoa
e fere de morte o peito!

Também às vezes,
é uma carícia no rosto,
acalentando meu sofrer.
 
 Contra tudo, contra todos (Acalentando o meu sofrer)

Sinto a sua falta

 
Sinto falta de você, sinto mesmo!
Muita falta de você. De verdade.
Não estou mentindo.
Sinto falta do brilho do seu olhar
a me guiar.

Da sua voz gostosa,
Do seu jeitinho de falar,
dizer que está carente,
e precisa de mim esta noite...

Sinto falta de você, sinto mesmo,
muita falta de você.
Das nossas conversas,
aquelas conversas longas
nas quais só você falava,
e eu escutava embevecido.

Sinto falta dos seus carinhos,
de ouvir você dizer
que poderia ter sido minha
se eu quisesse.

Sinto falta de ouvir você dizer
que quer dormir de conchinha
e sentir minhas mãos no seu corpo.
Então eu conto o tempo
que falta para você voltar.
e quero que as horas corram
para transformarem-se em dias
e passar logo estas semanas
que está tão longe de mim.

by warmien
 
Sinto a sua falta

Um pedido à brisa suave de uma tarde cálida

 
À brisa suave que acaricia meu rosto,
brincando comigo
como se querendo consolar,
afastar a tristeza, peço com fervor.

Vá, brisa, soprando de mansinho,
voe até minha linda
e diga a ela dos meus sentimentos mais puros.
Se ela estiver dormindo,
fale baixinho no ouvido,
diga que meu amor e carinho são tão grandes
e visíveis em todos os lugares,
sensíveis como o perfume dos narcisos
que se curvam nas margens dos riachos cristalinos.

Ela poderá sentir
nos últimos reflexos da luz
no final do dia,
no brilho da primeira estrela
e nos raios de prata do luar,
toda ternura que trago para oferecer,
como gotas do orvalho cristalino
acariciando pétalas de rosa.

Poderá ouvir meus murmúrios
no eco do vento farfalhando os trigais,
no bater de asas de um beija flor,
na expiração condensada dos animaizinhos numa manhã fria.

Vá, brisa suave!
Mas, não! Não diga que estou sofrendo,
não quero palavras tristes.
Brisa suave que acaricia meu rosto,
vá até minha linda
e sopre em seus ouvidos
todas as palavras que não pude dizer,
para que quando acordar,
pense que sonhou comigo
e saiba de todo o meu imenso amor.
 
Um pedido à brisa suave de uma tarde cálida

Nosso segredo

 
Eu a pretendo por completo,
você inteira, seu corpo inquieto,
a carne e a alma,você todinha,
sem pressa, inteira minha,
e plena de desejo de me satisfazer.
Então, se acaso você vier,
que venha excitada,
deixe toda sua inocência guardada.

Quero manter sua alma ilibada,
sempre terá a inocência preservada,
mas venha com seu corpo assim,
esse seu corpo só para mim,
preparado para ser devassado,
de prazeres tantos conspurcado.
num lúbrico e voluptuoso festim,
no qual será toda minha enfim.

Do espírito mantenha a pureza,
mas nesse corpo com certeza,
que seja um virgem safada,
minha fêmea bem desavergonhada,
disposta a tudo me oferecer
para ter e dar muito prazer,
sabendo que seu corpo de mulher amada,
também é carne por mim cobiçada.

Seu corpo nu, esplendida visão,
carne branca de muita tentação,
sinto nesse seu sorriso um convite,
que aguça mais o meu apetite.
Então quero você por inteira minha,
sem controle, sem nenhuma linha,
deixando-se invadir sem nenhum receio,
perdendo todo e qualquer freio.

Quero ter essa sua carne tenra e crua,
que para meus olhos dance nua
e em seu próprio fogo se consuma,
despudorada, sem vergonha nenhuma.
Eu quero vê-la apaixonada,
na minha vontade sempre pregada,
tocando impudica seu próprio corpo,
ficando do seu mel encharcada.

Ouvir seus gemidos em ritmos crescentes,
de débeis balidos a gritos pungentes,
gozando com os dedos alucinada
diante de minha imagem se afastada,
revelando todo o ardor da sua paixão,
entregando-me todo o seu coração.
também sentido que sou só seu,
que somos um só e seu corpo é meu.

E depois do intenso amor,
de queimar com tanto ardor,
de ser minha vadia devassa,
tão pungida de amor, toda lassa,
recolha-se a sua virginal figura,
volte a ser a menininha pura,
intocada criatura que por um nada,
cora de pudor, de tão envergonhada.

E seu eu disser que foi minha,
zangue-se e feche essa carinha,
de anjo celestial que toda era,
torne-se infernal, uma quimera
completamente ofendida nesse recato,
negue de pronto qualquer contato.
Diga que não tenho intimidade,
que nada aconteceu de verdade,

Diga que tudo foi só uma simulação,
estou longe do seu coração.
Diga que a outro é que realmente ama,
que por ele ainda chora e chama.
Diga o que quiser, me dê castigo,
mas quando estiver comigo,
esqueça que não sou nada,
seja minha fêmea, minha amada.

Desfrute lambuzada do gozo tão intenso,
e sinta-se amada, sinta o amor imenso,
e sabia que por você, minha querida
eu daria até a própria vida.
Este será o nosso segredo
então, se entregue sem medo,
que seus ais de volúpia, toda sua sede,
jamais atravessará aquela parede.

Então, será minha nas noites de paixão,
manhosa, meiga, liberta de qualquer prisão,
mas durante os dias serei “o nada seu”,
serei o seu amante que o dia escondeu.
 
Nosso segredo

Deixe-me sonhar com seu amor

 
I.
Ardente corpo fremente,
procurando na escuridão,
olhos de esmeraldas.

A lâmina de afiada espada,
a chama dos deuses lares
cultuando imagens sagradas.
Uma vela apagada,
nos alvores da madrugada,
não perca seu olhar.

Centelhas faiscantes
provêm do seu olhar.
Abro meu coração,
chamo para ele os sonhos
de uma noite que passou.

II.
Seu sorriso abre o meu coração,
como flor no orvalho da noite.
Receba aljôfar com meus beijos,
deixe-me com meus sonhos,
deixe-me ser como todos os outros.

Deixe-me dormir e ter visões doçura,
na madrugada ainda sonolento e rindo,
mas tomado de alegria sem par.

Não se atreva a proibir meu sonho,
viva uma vida e deixe-me sonhar
sem horário para acordar.

Na manhã abrir os olhos,
saber que está a minha espera.
Então vou dormir depressa.
Deixe-me dormir para poder sonhar.

Uma boa noite, minha linda!
Durma em paz,
estou indo sonhar com seu amor.
 
Deixe-me sonhar com seu amor

Não feche os olhos

 
Eu não vou deixar que as sombras da noite
caiam sobre os meus versos.
Mesmo que sejam sombras doces e amenas
estarei ansioso para espantá-las
abrindo as janelas de minha alma
para que os passos de luz
dela façam estrada luminosa.
Hoje estou ansioso para ver as sombras
mesmo a doce penumbra do entardecer
quedarem-se diante dos passos de luz.

Então, minha linda,
enquanto escrevo meus versos
não feche os olhos
nem por um momento
pois sem a luz do seu meigo olhar
a escuridão toma os pensamentos.

Mas essa escuridão não resiste
aos raios de sua beleza,
a todo o seu esplendor,
a toda luz do seu olhar .

Por isso, minha linda
aguarde que terminem os versos
que dedico ao seu louvor,
não feche os olhos lindos
nem por um momento
mande embora as sombras
que teimam em ficar.

Por fim, minha linda,
eu não vou deixar que as sombras da noite
caiam sobre os meus versos,
pois assim poderei ter o seu olhar
a iluminar meu triste viver.
 
Não feche os olhos

Acariciando a minha saudade

 
Eu me deixei tomar pelo céu claro
iluminado pela chuva de estrelas,
com o peito guiado pelas saudades,
mas tão livre para me perder nelas.

Então, num repente,
sua imagem eu vislumbro
entre as copas das nuvens,
e sei então que a felicidade
também está lá, escondida,
esperando o anoitecer.

A sorrir, aguardo o entardecer
para sentir sua presença.
Seus olhos verdes,
após o por do sol
trazem de volta as estrelas,
tornam-se fontes luzes,
acariciando a minha saudade.

Gosto de ficar silente na noite,
sentindo o toque leve e suave,
como se sua alma benfazeja,
qual um barco descreve um arco
sem se afastar do cais,
trazendo a um porto seguro
todas as minhas incertezas.

E no acariciar suave da brisa,
na cálida noite silente,
no brilho das estrelas,
reflexos de seus olhos verdes
sinto sua alma junto a mim,
e seu amor a embalar um sonho.
 
Acariciando a minha saudade

Eu sou a fonte ( Flor das campinas )

 
Eu sou a fonte
que em riacho límpido se transforma,
águas corredias que se vão
matando a sede da terra.
Tu és como a corça tímida,
que gentil se aproxima
e molha os lábios nas águas
para aplacar tua sede de carinhos.

Eu sou o tronco vetusto
da árvore teimoso ainda em riste
aguardando mais um outono
resistir aos vendavais
para poder apoiar teu corpo
se um dia precisares de arrimo.

És a flor,
juventude que canta nas campinas
extasiando meu olhar,
És o colibri
que esvoaçando dança e vai,
encantando as manhãs
das primaveras da tua vida tão bela.

Tua sina é seguir pela vida,
apartada de todos os labéus,
desfrutando dos triunfos
que o destino haverá de te dar.

E eu estarei aqui,
riacho a correr pela colina,
sempre fresca água cristalina
para aplacar a tua sede,
hei de resistir às procelas,
sempre ser um tronco ereto e firme
para te dar apoio,
mas por dentro chorando
por não poder seguir teus passos.

Por que, um dia,
irás para longe de meus braços,
um dia vais partir
e eu vou ficar pelo caminho,
como um tronco seco ainda em pé.
 
Eu sou a fonte ( Flor das campinas )

Minha sensibilidade ( ou a falta dela)

 
E diz que eu não tenho sensibilidade!
Pode até ser verdade, isso cogito.

Mas, só você sabe o que é o gozo da fêmea,
compungido e infinito, às vezes constrito,
que sobe à garganta, e não sufoca
um gemido de prazer que aflora,
e a deixa febril, nada sutil,
a ponto de gritar, como loba no covil,
de deixar-me desavergonhado
tirar das fibras dos seus seios,
sem freios, nem receios,
tudo aquilo que pleiteio,
toda aquela sede que festejo,
a nuvem de desejos ardentes
que somente em seu corpo
saboreio tão dolente.
 
Minha sensibilidade ( ou a falta dela)

Poema desesperado para os olhos de minha linda

 
 
Como o meu peito em chamas
o firmamento se incandesce,
e talvez compreendendo a minha dor
o céu vai se enrubescendo,
até que corado, ruboriza-se por completo.

A brisa suave da tarde
embala gorjeios de pássaros,
até que finalmente
os últimos reflexos daquele fogo que ardeu,
se apaga na linha do horizonte
anunciando que chegou a noite em minha vida,
que viverei para sempre
na escuridão da sua ausência,
longe do fulgor dos seus olhos verdes,
longe do seu corpo, do seu calor.

Sei que estou sozinho agora.

E nunca mais, nunca mais,
meus versos serão para você,
para dizer que estava tão linda,
como o espetáculo que a natureza
proporciona a cada entardecer,
quando disse aquele adeus.
 
Poema desesperado para os olhos de minha linda

No mar revolto dos seus cabelos

 
Perco-me em pensamentos
no mar revolto dos teus cabelos,
um mar banhando todos os sonhos
que tenho contigo,
revelando um lugar
longe de tudo,
e onde vamos estar juntos,
longe de todos.
Serenos,
sem agitação
deixando calmos os corações
baterem leves,
no compasso,
como na música a bailarem.

Nada poderá nos atingir,
nada nos fará mal.
Então,
não tenha medo !
Teu medo é infantil,
estarei sempre aqui
para velar e proteger.

Mesmo que apareça uma tempestade,
não abala nosso castelo.
Mesmo que a terra trema e se abra
em abismos insondáveis,
tudo passará,
e continuarei a sonhar
no mar revolto dos seus cabelos,
sonhando que está ao meu lado,
que eu a protejo
e velo pelo seu sono
para que possa sonhar
e quem sabe
pelo menos em sonhos
ver a minha imagem talvez.
 
No mar revolto dos seus cabelos

Mea culpa

 
Em meus versos tenho cantado as desilusões e as tristezas de um amor perdido. Ao ler os poemas, talvez até alguém possa ter pena do sofrer do poeta sempre procurando o amor da sua linda musa inspiradora. E até pode granjear simpatias para um sofrer que diz tão desmedido.

Mas esse poeta canta e conta uma realidade própria. Um mundo paralelo que ele próprio criou para extravasar sentimentos. Diria que são sentimentos profundamente egoístas. O poeta canta a própria dor e despreza os sentimentos da musa. Torce os fatos levando a crer que é uma vítima da mulher que tanto ama e não responde aos seus carinhos.

Teria alguém a curiosidade de querer saber os motivos das agruras de amor do poeta egocêntrico? Foi simplesmente abandonado pelo seu amor ou cometeu atos que a levaram a deixar de falar com ele e afastar-se, resoluta e inamovível nessa decisão de não mais dar a ele o afeto que tanto reclama?

Minha musa, minha linda é uma pessoa extraordinária. Linda e sensível, dotada de qualidades ímpares. Como não se acha em cem milhões de pessoas. Essa é a realidade que trago agora à tona deixando fluírem meus sentimentos, desta vez não de forma egoísta como vinha fazendo.

Gostaria muito que minha linda me perdoasse e voltasse. Queria poder lhe dar um afetuoso abraço, ou ao menos apertar as mãozinhas entre as minhas, provocando um contato entre nossos corações. Olhar fixamente para aqueles olhos tão lindo e deixar que vejam nos meus a sinceridade das palavras ora ditas.

Não tive atitudes corretas. Agi atabalhoadamente mais de uma vez. De forma equivocada fui estúpido e injusto chegando a dizer palavras que feriram a sensibilidade da linda mulher que me dava afeto e atenção. E teve anteriormente a nobreza de me perdoar mais de uma vez, talvez esperando que pudesse tornar a ser a pessoa gentil que um dia conheceu e foi capaz de também de proporcionar-lhe momentos felizes.

Como dito na canção do magistral poeta Vinícius de Morais, “um dia o perdão também cansa de perdoar”. E foi isso que aconteceu. Tive outras oportunidades para que pudesse demonstrar que poderia que posso ser uma pessoa melhor. Que poderia fazer com ela tivesse somente momentos felizes, respeitando a sensibilidade, fazendo-a sentir-se muito querida e importante privilegiando a pessoa ímpar que na realidade é.

Só posso pedir e esperar ser perdoado, não pensando em mim, mas apenas pensando que hoje já não a faço sorrir como nos primeiro momentos em que nos conhecemos.
 
Mea culpa

De arrebatada figura,
sou altivo, sou forte,
não carrego lutos e mágoas,
até um dia enganei a morte,
na sua faina de colher almas
e renasci.