Poemas, frases e mensagens de FilamposKanoziro

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de FilamposKanoziro

Um pedido ao por do sol [1]

 
Mais de uma vez havia pensando em tornar real o significado daquela palavra. Muitas vezes, muitas vezes mesmo, os sons dos gonzos das pesadas portas girando pareciam lânguidos, numa malicia quase inocente.

Rindo, sentou-se. Seis corvos voavam, anunciando os primeiros pingos da chuva de verão. Percebeu que estavam algo descontrolados. Ao sol poente, a terra não parecia assim tão compacta como deveria ser se observados os parâmetros da ISO 9001.

Respirou fundo quando ela chegou. Percebeu, algo entristecido que tudo estava mais vazio, os ratos já haviam roído o caixão e foram embora, restou apenas uma súplica, como que saindo dos olhos dela, decretando o final dos dias e noite tão solitários de longa data.

Repassou mentalmente as recomendações do mentor. Deveria tomar cuidado com o escuro do celeiro e com os pregos. Jamais roeriam cravos de metal, em que pese devorassem toda a madeira. Deveria aguardar o por do sol sem adormecer; na vigília constante, o êxito da empreitada, a manutenção da própria felicidade assim como a conhecia atá então.

Tomado de coragem, abriu os olhos e finalmente disse:

- “ Casa comigo? –
 
Um pedido ao por do sol [1]

O bichinho de estimação de Lord Barkerville

 
"Rio carrega rolos de água, não leva leite nem fluxos de pura luz extraída das escalas de energia. Serpente rastejando corta a cidade varrendo as silhuetas dos passantes refletidas no espelho. Como fino pincel rompendo a linha curva da sobrancelha, o traço de rímel vai ficar fantasmagoricamente preto, contrastando à luz solar e névoa das charnecas escocesas frequentadas pelo cão do demônio rugindo de sono no frio deste inverno letal. Aquele, diriam alguns, apenas um bichinho de estimação de Lord Baskerville, usando fato de linho acariciando o verão. não mais que isso.
Pois bem. Recapitulando, temos ainda que quando as plantas fantasmagóricas do pântano rompem a linha de rímel dos olhos pretos a nevoa se vai e o sol surge na charneca possibilitando que o cão saia a passear com seu dono. Ou sem ele, aos murmúrios abafados. Se bem que não carrega sozinho a sacolinha para recolher dejetos. Obrigatória por lei em alguns lugares. Em outros, nem tanto. "
 
O bichinho de estimação de Lord Barkerville

Quando o silêncio dos trovões é mais forte do que o burburinho dos raios

 
“Não sorrio enquanto quando amarro os sapatos. Sorrisos seriam como bandeiras desfraldadas, exaltando a inutilidade atual dos cordões e amarrís diante da praticidade do velcro.”.

Creio que não deva mais dar atenção às pessoas que amaldiçoam o mundo inteiro. Assim como você, estou muito preocupado com determinadas questões semânticas ou mesmo questionando a interpretação teleológica. Tudo isso não importa desde que possamos juntos admirar um amanhecer. Só faça-me o favor de não furtar a neve das tempestades do inverno. Elas estão circulando e já notei que existem faixas de classificação para que possamos observar estrelas junto a uma fogueira. E decididamente, sem você, eu não poderia ouvir outro trovão ou ver a luz brilhante de um relâmpago.

Vou levar um guarda chuva para enfrentar ventos violentos, desmaios dos raios e impressões dos furacões. Sem falar nos drones dos ciclones que causam mais problemas agora do que quando estávamos juntos. Considero as importâncias tanto dos relâmpagos quanto dos trovões ouvindo sua voz sussurrando até que as velas se extingam vez que gosto sobremaneira de tirar o pós das letras antes de iniciar a leitura de um bom livro. Já os não tão bons assim, leio-os mesmo empoeirados. Afinal de contas, o silêncio dos trovões é mais forte do que a conversa dos raios entre si trocando faíscas de amor à lua da lua. Raios podem ser mudos e ter parentesco com velas de estearina mantendo, porém o orgulho. Fico mais tranquilo quanto aos trovões que ribombam a cada hora e 34 minutos.

Mas, continuando é importante dizer que em nenhuma família as cinzas dos antepassados foram obtidas através da chama da manga de um lampião a querosene. Suponha que por um momento, apenas por um insignificante e fugaz momento possa ser quebrado o vinculo existente entre a luz e o som percorrendo distancias iguais em tempos infinitamente desiguais. Daí a importância da distancia entre as pontas e o relâmpago bem como das cargas existentes nos cirros de encontro uns aos outros. A distância tem o poder de anular o som enquanto a luz brilha vez que há uma disparidade entre ambos, avaliada em 25.102.015 segundos em favor do relâmpago e em detrimento do trovão. Que poderá estar usando óculos escuros para não ser ofuscado.

Por outro lado, há de se considerar as permissões e certificados obtidos pelas faíscas conferindo o direito de terem som antes de emitirem luz própria. Trovões ais discretos mantém sempre a palavra empenhada espirrando quando são empurrados para cima de uma estrela correndo o risco de entornarem a Via Láctea. Acho mesmo que é mais importante o espocar da luz a apenas uma milha do pássaro voando descontroladamente numa troika já que a neblina esconde da matilha de lobos a trilhados penhascos, podendo todo som ficar perigosamente pendurado na borda.
 
Quando o silêncio dos trovões é mais forte do que o burburinho dos raios

O espírito das rimas andantes

 
 
“ Poupe seu dinheiro um pouco a cada dia. Quem voa em direção ao céu ouvirá sinos lilases.”

Aproveitei o intervalo e coloquei na palma da mão tudo que você deixou. Fui dormir, nem acordando com o barulho do coração quando instantaneamente baniu a felicidade. E dormir naquele momento, parecia atravessar uma tempestade de flocos da neve. Mas fui acordado por um barulho. Alguma coisa batendo nas costelas. Cheio de surpresa, não vi o milagre par compor a música com mais segurança quanto aos detalhes históricos.

È preciso mais que inspiração. Necessário se faz ter o corpo possuído pelos espíritos das rimas andantes. Acontece que estava ainda amarrando os cordéis dos sapatos quando fui obrigado a começar a responder às perguntas. Todas juntas ou uma de cada vez como convém. Mas juro sobre o túmulo que foi apenas amor.

http://palavrasdenscontruids.blogspot.com.br/
 
O espírito das rimas andantes

Sofia e os seres da borda da Terra

 
Não foi sem tempo para que as bocas de leão florescessem exalando o odor característico dos cravos de defunto. Tudo sob a luz das estrelas e também para contentar os demais familiares que quando em quando, queixavam-se estarem esquecidos.

Encerrada em pensamentos um tanto sofismáticos para àquela hora da manha, Sofia surgiu vestindo um taier brilhante, prateado com penugens que farfalhavam diante do ventilador. Em seu interior amadureciam pensamentos como um caroço de abacate manteiga prestes a brotar ainda na casca. No topo da escada em caracol sentia na face as correntes de ar que de quando em quando arrancavam penugens do traje, fazendo-as voar pelo ambiente qual planador alçando as termais no sopé de montanha.

- Onde poderia fretar um Jet Sky a esta hora da noite? – pensou. – Que surpresas e perigos me esperam na borda da terra? Afinal de contas, sou apenas uma gota no oceano, um vaga-lume meio ao clarão das estrelas. Se bem que sempre é melhor que ser uma rã que não conheceu nem o pai e nem a mãe, sorrindo para os raios do sol sem óculos escuros.

No pé da escada, observando cuidadosamente rótulos de garrafas de vinho, Grimaldi limpava a teste várias vezes tentando torcer o saca-rolha com certa habilidade até prendê-lo no topo da rolha escolhida. Divertia-se com as observações de Sofia que um dia viu carregava o gatinho e divertindo-se correndo com os cabelos soltos num verde prado, a alma repleta de felicidade como no final de um conto de fadas. Sem tirar os olhos das rolhas, respondeu:

- Todos sabiam de antemão que não seria mesmo possível embarcar o jumento naquela canoa. Boa parte das folhas iria desviar-se e os pássaros iriam voar muito além do horizonte milagroso em chamas. Vi mais de uma vez as fotos das manifestações. Além dos riachos e do lago gostei quando veio a chuva e molhou o dossel verde da floresta. Foi bem feito para os que não foram prudentes levando um guarda-chuva.

Sofia sorriu ao ouvir aquelas palavras. Sempre sorria quando Grimaldi fazia comentários sobre seu corpo bem quando dizia frases sobre a natureza. Doa alto da escada, levantou o joelho de modo a quedar-se numa pose sensual e disse com voz macia:

- Ainda é de manhã. Os raios do sol sempre irão absorver a aura das pessoas. Mesmo a chuva na distância acabará ficando atrás das paredes brilhando a luz de um ou outro relâmpago ao meio dia. Se o sol pode ser assim tão brilhante entendo por que vivo e respiro neste universo. Nunca entendi esse seu parentesco com a dinastia Ming...

De repente, os ventiladores pararam de funcionar e uma rajada de vento vindo do alto fez com que ambos silenciassem e piscassem os molhos para evitar o turbilhão de areia. Algo amedrontada pelo repentino e inusitado fenômeno que acabara de presenciar, Sofia desceu as escadas como se estivesse recebendo calor direto de um alto forno numa sensação que dançava ao som de antigas polcas. Enquanto despencava escada abaixo, lamentava que não foi comprovada a existência da criatura peluda da floresta, descrevendo um perfeito redemoinho com piruetas oscilatórias que provocavam cócegas na garganta a ponto de ser obrigada a verter uma ou outra lágrima amarga. Foi preciso usar de energia para não ser ofuscada pela luz âmbar e manter os cabelos mais ou menos alinhados quando ficou de cabeça para baixo. Mas, tinha pouco apetite e o sono era leve quando afinal aterrissou elegantemente no carpete da sala de jantar.

- Sofia, minha querida!- disse Grimaldi. - Sempre vejo uma porção de sementes de vincas azuladas em você. Prestes a eclodirem e se integrarem à natureza fazendo companhia aos grãos de areia que se soltam das curvas de níveis. Sabe que amo a natureza mais do que amo sua mãe, se bem que não há regozijo nenhum em comparar grandezas assim diversas e tão descomunais. Sinto toda a pureza da sua alma ondulando na brisa que sopra cálida desde as bordas distantes...

Ao ser lembrada da existência dos povos que habitam as bordas da terra, Sofia interrompeu a fala de Grimaldi apenas com um gesto das mãos mostrando-lhe a outra face da lua cintilante não sem um translucido brilho de lágrimas. Calou-se algo triste lembrando-se do temido encontro. Mais cedo ou mais tarde, mais dia, menos dia, teria que defrontar-se com as chamadas do vento do mar aberto escritas em negrito zumbindo nos cabelos. O coração já apertado iluminava os zumbidos dos ouvidos e dizia em voo cego pelos desfiladeiros das altas montanhas que na parte inferior do lago Ness algo brilhava nas noites de luar. Decidida a não ser suplantada por energias negativas, varreu rapidamente o carpete espalhando as penas e penugens do coração.

- Que beleza – pensou, enquanto se abaixava para apanhar o lixo numa sacolinha de supermercado. – Este mundo é tão vasto e brilhante que o arco-íris tornou-se mais quente e com mais cores. Jamais pensei, mesmo num dia assim tão quente que a brisa iria calcinar as flores, cobrir as folhas e deixar o arco-íris com tantos tons de cinza.

Grimaldi calou-se também. Percebeu que havia feito a brisa parar e descansar à sombra de olmos e teixos. Uma pena para as flores que acabaram sendo coberta por fina camada de leite em pó desviado da merenda escolar. Olhou em volta como se procurando alguma das criaturas das hordas celestiais. Somente viu flores e suas duvidas e medos cederam à curiosidade maior diante das perguntas de Sofia sobre a possibilidade de bolotas de pinheiro serem polinizadas in vitro. Pensativo, viu apenas ao longe o espantalho do milharal num inverno quente, assistido por cavalos, vacas e ovelhas trazerem as cores dos prados e muita água cristalina do riacho.
 
Sofia e os seres da borda da Terra

no brilho do salão

 
Flautas e címbalos
no brilho de salão
através da escuridão
deixe olhos cansados
contemplarem extasiados
as folhas de grama
que o vento espalha
por todas as partes
balançando com vigor
as flores roxas da paixão
do caramanchão de maracujá

sei que são folhas e flores mortas
mas o cheiro doce da ansiedade
permanece em minhas mãos
Como o meu sonho real
um vagar pelo universo
com o meu desprezo pela vida mortal
mesmo que seja fechada a estrada
onde eu te conheci.
 
no brilho do salão

Entre os abissais

 
Foi quando o dia inteiro emanou do ventre os metais,
o mês de agosto lembra o gosto do centeio maduro.
tantos nas florestas quanto nos afrescos celestiais
sempre haverá mais diversão se for jogo no escuro.

Quando acima das nuvens escurecidas pairam demônios
depois do branco fulgem esmaecidos raios no porta ló,
só veria um memento de lucidez antes dos pandemônios
espargindo puro tom de ouro no enxoval de quem vive só.

Só por um momento duvidei que do céu de azul banhado
casais de pardais naturais pediriam mais vidros de sais,
teriam a respiração abrupta de um aparelho desligado.

Entre os abissais enfrentando temporais setentrionais
doente meu coração parte em busca das mentes joviais;
tudo tão silencioso, diferente das musicas do passado.
 
Entre os abissais

Lamentável existir quem pense que ao odiar a vida, a morte será bem vinda

 
..........“Tanta destreza no atrevimento, afoiteza nas iniciativas das obras destituídas da modéstia e pudicícia, que de obrigação sempre devem nortear as ações dos que transpiram à temeridade, conspira contra a impavidez e intrepidez de tantos denodados. Estes, não se submetem às artes mais obscuras, não se curvam à coerção ilusória e venalmente prazenteira, implementações nem sempre materiais que jamais devem de ser vistas com bons olhos. Bem como a audácia e o arrojo nas empreitadas em face dos atentados ao agir com pejo denodado em prol da virtude, sem considerar razoável saber que existem os que admitem que, ao odiar a vida, a morte será bem vinda. “
 
Lamentável existir quem pense que ao odiar a vida, a morte será bem vinda

E viva o copo do mundo[2]

 
Não estou gostando dessa versão da Copa do Mundo. Não que eu despreze o berço onde nasci. Amo minha terra, a Pátria amada e mãe gentil. Mas, principalmente nesta época, existem lugares onde comecei a perceber toda a amargura do povo heroico sem saber como e nem por que dar eco ao brado retumbante das vozes exaltando Neymar Júnior.

Há estrelas como no lábaro, mas é preciso braço forte para conquistar o direito de ir à praia, deitar-se eternamente naquelas areias esplendidas ouvindo o pregão dos barraqueiros anunciando seus produtos ao som do mar e sob céu profundo. Numa praia estão explícitos os seios túrgidos da liberdade amamentando os filhos deste solo ansiosos para correr à casa de penhores e de lá retirar a cautela desta igualdade.

Haverá um lugar onde não se ouça falar de futebol quatrocentas vezes por dia? Onde meu espírito pode ser orgulhoso, por que ele ainda está pendurado no céu onde tremulante de emoção desponta o verde-louro daquela flâmula. Sei que há um lugar assim e lá irei repousar, deitado em berço esplêndido. Eternamente deixar passar o tempo e quando minhas cinzas estiverem adubando este solo que nenhum filho de mãe gentil há de abandonar, por que se sabe muito bem que há florões e chorões na América e na Europa, assim como em vários outros lugares onde a imagem do Cruzeiro resplandece.

E viva o copo do mundo, que o mundo entorna cheio de cerveja, até então proibida de frequentar estádios nesta terra.
 
E viva o copo do mundo[2]

Pensamentos negativos e histórias maravilhosas

 
Bem sei que atraio pensamentos negativos e histórias maravilhosas, quando o ruído das pessoas ao redor da praça da cidade desperta os navios no mar dormente. Alguns, maledicentes, acham que há poetas que usam vestes de pura seda e brocado, brilhando lantejoulas ao sol, mascarando desejos obscuros e esquisitos.
Não parece ser muita coisa, mas um professor de Geografia não tem que usar pince nez e nem vestir terno cinza, como um menino dividindo um segredo com a namorada de infância. Nem mesmo marinheiros devem ficar à sombra das estátuas que dormem na porta das catedrais, acima dos demais geométricos elementos góticos da arquitetura medieval, quais ressaltam os reflexos na luz nas canaletas, ao som de alaúde, quando cantam e riem, protegidos por mascaras negras.
Pode parecer inacreditável, mas é grande o numero de espadas espargindo sangue nas lâmpadas de luz fria, bem como é grande o número de mulheres que sonham com um carro velho e um novo amor.
 
Pensamentos negativos e histórias maravilhosas

Com certeza era um trabalho para anjos

 
Tudo bem. Você não vai acreditar, mas com certeza era um trabalho para os anjos. Não daqueles que vêm à noite, às vezes num voo charter preocupando o copiloto sobre a pressão do pneu do trem de aterrissagem. Preocupações mundanas essas. Não deve atinar. Tente ser alegre o dia todo enquanto o pensamento voa para longe... Creia que muitos anjos tiveram as asas removidas para que servissem num box de chuveiro. Para poderem banhar-se esfregando a poeira, lavando cuidadosamente com esponja embebida em sabonete líquido de alfazemas.

Certo que após o banho, com direito a condicionador nos cabelos, podem sentar-se na cadeira da cozinha e em silêncio contemplaram a paisagem através das cortinas xadrez. Se ainda for de manhã, talvez possam endireitar o pouco das asas que restou e tentar um sobrevoo. Não sem lágrimas, por que os anjos também choram à noite lágrimas de tristeza por lembrarem que não podem mais voar até o mar agora que o inverno chega.

O mundo não vai permanecer dormindo como imperador do reino eterno sob palmas dos bonecos de neve com narizes de beterrabas. Por isso ficarei em silêncio olhando através dos cílios procurando alcançar o horizonte distante. Tentando em vão perceber a linha onde o céu e o mar se funde. Lá haverá um picadeiro e as padarias estarão produzindo sonhos frescos para alimentarmos as gaivotas e assistirmos o por do sol debaixo de um guarda chuva fechado.

Como Fernões e Capelos, seguimos conquistando o vento através das pranchas de Wind surf, desde o chão, alçando voo como pássaro ferido. Em nós, a incapacidade de voar elimina as possibilidades de ruptura com costumes ancestrais. Um lote pouco invejável para se ter como herança, mas todos nós estávamos lá para ter um pouco de medo. Levamos as incertezas para o mar e o mundo não desapareceu. Como cegos tateando as frestas das rochas cobertas com tampos de vidro polido. Gaivotas vão nos levar com elas e não estaremos mais sozinhos cumprindo a promessa de ficar para sempre.
Sem alternativa, resta sorrir e esconder os olhares carinhosos do calor do sol protegendo a pele queimada. Nesse momento entendo perfeitamente que o inverno não será capaz de nos separar, o mar é interminável e nós nunca iremos morrer.
 
Com certeza era um trabalho para anjos

Não quero que jamais tenha asas

 
"" Quando vejo os casais assim, alegres, rodopiando ao som de valsas num salão imenso, penso o quanto a luz de um entardecer triste pode refletir as gotas de orvalho recebendo a brisa cálida e suave sob esse esplendoroso pálio de estrelas.
Então, me surpreendo a desejar de modo egocêntrico, que não quero jamais que tenha asas.Poderá voar de encontro ao sol, me abandonando na solidão.""
 
Não quero que jamais tenha asas

Num dia frugal sob a luz da lamparina

 
Num dia frugal, sob luz de lamparina, luz artificial,
o cisne levantará toda e qualquer cortina moral,
deixará a sina atual para viver no caminho torto.
Para esse tempo é que ora fugaz me transporto,
num dia frugal, sob luz de lamparina, luz artificial.

Um dia, afinal o freio do desejo estará extinto,
em que pesem dogmas consagrados da doutrina,
num dia frugal, sob a luz artificial da lamparina,
o cisne levantará toda e qualquer cortina moral.

Perdeu ou não achou no meio da neblina o porto,
na esquina privado do absinto na atividade vital,
e chá da china setentrional no córtex cerebral.
Não usa mais se deixar na mesma rotina banal,
perdeu ou não achou no meio da neblina o porto.

Já não se fala mais o nome daquela menina ideal,
não trará desconforto ouvir o mofina boquitorto,
perdeu ou não achou no meio da neblina o porto,
na esquina privado do absinto na atividade vital.

Meditará no horto rural exercendo a indisciplina,
a excrescência geral de página virada até o final,
tão casual foi apenas um figurado aborto mental,
na esquina privado do absinto na atividade vital,
meditará no horto rural exercendo a indisciplina.

Quem tem para si como desporto alçar a colina,
levando afinal no peito a saudade inquilino local,
meditará no horto rural exercendo a indisciplina,
a excrescência geral de página virada até o final.
 
Num dia frugal sob a luz da lamparina

Quando ler poemas foi assemelhado ao recipiente de pãezinhos

 
Quando se tem um pet de estimação sempre haverá a curiosidade de como colocar um nome. Habitualmente inspirados no dizer da palavra mais franca para serem após devidamente batizados acolhidos em braços quentes. Exceto se fo-rem lebistes, é claro. Em que pesem tais contratempos e contrariedades, até estou contente e exalo tantos sorrisos quanto os raios do sol em dispersão.
Isso para ativar os poderes da lâmpada de Aladim sem que Cinderela surja maravilhosa mergulhando de cabeça em Atlantis onde seria mantida com cuidado pelo Príncipe Submarino adornada de nácar e perolas raras. Nem sempre queridas ou acessíveis e nem menos disponíveis. Somente raras mesmo.

Pois bem. Derramado em um copo certa porção de espumante ( esse que não pode mais ser chamado de champanhe em virtude de leis internacionais ) nenhuma das conclusões deveriam ser açodadas. E sim examinadas como a conferir o ponto cruz sob a ótica despojada dos antepassados de pincenez olhando dos retratos. Imperceptíveis seriam as eventuais críticas, se é que as há. Ou houve, não estou bem certo. Tenho, porém, a certeza que espíritos despojados admiram o modo relaxado, olhando de longe as delícias do Jardim do Éden sem tocar no pedúnculo do fruto proibido. A maçã pode ficar escondida nas mãos frias de uma Eva remasterizada, pós-graduanda de boa família e melhores amigos, mas de olhos vazios quando lê um conto de fadas. Nessas ocasiões vibram os cílios diante das peripécias da fada da luz, mas acho que nenhuma garota moderna liga mais para isso. Ao contrário, acham um saco ler poemas. Pensando bem, o problema é delas e não meu ou dos poemas.
 
Quando ler poemas foi assemelhado ao recipiente de pãezinhos

pássaros mudos

 
no fim do corredor,
sacudido telefone;
o sono em chapéus.
no fio de elástico
foto em branco e preto,
da porta sem chaves.
faltavam nuvens
num céu deserto.
solitários assistindo
em grande estilo
pássaros mudos
dançando rock roll.
 
pássaros mudos

Dançando na chuva sem guarda chuva sonhando com uma capa de rayon

 
“ Neste vasto mundos de engrenagens que nos move, quantas serão as pessoas apaixonadas que perdem o metrô todas as noites enquanto olham para as estrelas ?”

Leia apenas a primeira linha caso não acredite em mim. Se não quer ouvir as palavras que trago no lado direito da mão esquerda deixe o calor do vapor da chaleira deslacrar o envelope. Posso lhe dizer que há amores e pelos que crescem a cada dia embora não compreenda nem por um minuto. Toda a minha vida, até o fim recordarei a visão dos olhos suaves e dos cabelos macios. Numa estrada, sob chuva forte, com fome, frio e absolutamente molhado até os ossos, é impossível dizer a cor dos olhos, não por deslize meu, e sim pela absoluta ineficácia do meio utilizado para se obter uma resposta.

Deixemos então que feche os olhos verdes e durma. Que seu sono seja longo o suficiente para que os primeiros sonhos percebam o significado. Deixemos que chore sem saber por que esta chorando e durante o segundo movimento da Valsa dos Patinadores pode esfregar as mãos nos olhos. Por que isso é viver. Isso é a vida acontecendo, significando mais que simples sorrisos sem movimentos de pálpebras. Um riso com arquear de sobrancelhas revela os tons castanhos dos olhos que como todos, gostam de ver soldados marchando, fardados ou não. Armados mas amados, em tudo obedecendo e sorrindo para os que entendem o verdadeiro significado de um sorriso num campo de girassóis e o valor de uma paisagem refletindo o doirado da penugem do baixo ventre.

Deixemos todos os tons se revelarem nos olhos cinzentos ao alvorecer quando as sirenes do navio derem o toque de recolher. As gaivotas, a chuva, todos em fuga desabalada para executar os parafusos suspensos no céu de espuma de rayon. Em seus olhos negros sinto a febre de sensações flutuando num mar sonolento onde deslizam estrelas desde a aurora até o arrebol. Daqui onde estou, deste lado da manhã, queria poder mandar um doce beijo como consagração das reflexões havidas em todas as casas de todos os mortos para gaudio dos pastores presentes no réquiem em ré menor finalizado pelo discípulo.

Deixemos que os olhos azuis reflitam a lua no silêncio branco das emboscadas mal sucedidas ao vento do mar aberto. Há uma multa diária e o adeus será inevitável para a pantera provocando lágrimas no menino lobo sob os olhares sarcásticos do tigre. Não acredite no que os outros dizem sobre todas aquelas coisas que fazem pouco sentido quando são ditas poucas vezes pelas mesmas pessoas.
18112015
 
Dançando na chuva sem guarda chuva sonhando com uma capa de rayon

O dia que o coração santo repetiu os nomes dos profetas lendo os rótulos dos vinhos

 
Num dia tão quente não deveria existir brilho na janela. Parece doentio a luz amarela atraindo borboletas para o vidro provocando repentina interrupção de um destino promissor.
Mas não tenha medo, Conscientemente é bom saber que tudo que assola o destino das irmãs fiandeiras deixa ansiosos deleites para perecíveis destinos. Entre outras coisas, barras de chocolate e latas de leite em pó não podem evitar o estrangulamento mesmo com aguda audição.
Neste aeroporto sempre é bom cobrir os olhos e se abaixar, crispando os dedos de modo visível, espalhando pitadas de dor e pólen. Com certeza, os pensamentos da águia rendem mais e sinto muito por não morrer e só desmaiar com a vela na testa. Vamos reinventar a produção da vida reconduzindo alunos ante o desvanecimento exacerbado do vinco entre as sobrancelhas.
Mas está na hora. Urge o tempo nas janelas reclusas nesta terça feira de agosto quando escrevo que outubro será vermelho para as meninas que vigiam e correm contra o mau tempo, descalças e servindo doses de vodca para um homem velho. Naquela câmara banhada pelo sol nada mais justo e inteligente que ouvir os soluços dos bêbados vestidos de púrpura e ouro. Em meio à miséria instalada dos ícones enegrecidos pela fumaça das piras de escarolas, pétalas de rosa se transformaram como vozes cristalinas do coro da igreja soando e repetindo incessantemente o nome do noivo.
E foi assim para a grandeza do universo que o coração santo repetiu os nomes dos profetas apenas lendo os rótulos dos vinhos.
 
O dia que o coração santo repetiu os nomes dos profetas lendo os rótulos dos vinhos

Nos semicírculos do gelo fino

 
Sempre achei que crianças sentiam-se tristes num mundo de adultos. Se bem que você pode sentir-se triste se um gato arranhar a sua alma, ainda mais se passou toda a infância sem ter ido uma única vez à farmácia para perguntas se os purgantes são fornecidos e gotas ou glóbulos, como num vidro de vitaminas cheio de bolinha coloridas de açúcar mascavo, todas com pés descalços correndo em desabalada carreira.

Nessas ocasiões, não importa se seus olhos são azuis ou foi reflexo do céu na grama e nas folhas. Faz de você um pássaro e quanto mais árvores visitar mais terá vontade de jogar amarelinha e cantar. Pode até decidir se a infância é mesmo um reino mágico de brincadeiras alegres ou uma maldição que não leva a cura milagrosa da diverticulite gasosa.

No mais, não se preocupe. Sempre que houver risos de crianças, haverá um adulto para lembrar da austeridade das medidas vendo céleres em auxílio da fina flor dos manguezais. Não valerá a pena já que nascemos para o mundo e o destino já foi providenciado desde as obscuras madrugadas despontando no gelo azulado, partindo-se como linha tênue no caminho para o litoral. Pois se observar com atenção, o gelo descreve um semicírculo antes de partir a delicada linha da vida. Daí, tudo termina de repente enquanto vento traça planos no riacho.

Calma então. Muita calma que as casas cabem nas mãos podendo também ser escondidas num envelope feito com cobertor acrílico. Se duvida, volta ao início, leia a primeira linha mais uma vez e acredite em mim.
 
Nos semicírculos do gelo fino

Luzes brilhantes flutuando nos becos celestiais

 
Através da porta sombria, aldravas de prata contrastavam com o sóbrio display de leeds, rigorosamente limpo e polido com esmero. Os dias frios, mesmo ainda no quartel do outono faziam a respiração exalar vapores, como neblina intocada diminuindo a correnteza do riacho, volumoso desde o degelo dos picos nevados pelo despertar da primavera em Praga. Liderando a paisagem, impassível na imobilidade, o cume ainda nevado espocava flashes em direção aos céus, iluminando as faces dos guerreiros do imperador Qin.
Velejavam zunindo ao longo de rotas oblíquas, bandos de tristes nuvens flutuando pelos becos celestiais . Silenciosamente nos reuníamos à aves circundando os flocos de algodão, observando no vale e nas encostas a inclinação dos pinheiros cravados nas rochas a ecoar sons distantes.
Forço a memória, tentando buscar a recordação da emoção das libélulas diante da chuva iminente. Aqueles cintilantes minutos de pérolas rolando pelos despenhadeiros, em vigília constante, acompanhadas por gaivotas vorazes evitando desmaios e tentando fugir pelas lacunas do rochedo. Depois de tanto glamour, o espírito se aquietou. Sombrio cedeu ao toque frio da mão dormente. No decorrer daquele dias, foi crescente a onda de desânimo para regozijo das estátuas de terracota em Xian.
 
Luzes brilhantes flutuando nos becos celestiais

Sempre haverá ícones

 
“ Pode haver paz em todos os lugares, até mesmo pelas frestas das janelas que não deixam passar mais que rouxinóis.”

Filampos Kanoziro

Pois bem. Dito isso, vejam bem vocês. Há de concordar cada um, que sempre haverá ícones, mesmo agora que o atacante ganhou de presente um frasco de água perfumada. Fará par com o pó de arroz. À medida que se esconderam sob o solo fresco do jardim, não precisaram pensar mais em quantos cravos seriam necessários para ferrar um tordilho. Então, que se dane a elevação dos juros acima das emoções que se pode ter ao assistir uma partida de futebol. O cinza é e será sempre cinza, embora vocês possam ver mais de cinquenta tons. Se bem que também há vários tons a serem observados nas paredes e na fumaça. Principalmente na produzida por um corpo que cai enquanto o vagabundo tocava em surdina.
E que se dane em dobro. Não é um gemido ou um olhar que vai mudar a ordem natural das coisas, nem vai tocar a alma angelical das jovens carentes e sonhadoras com emanações de fogo nos jardins da alma. Isso por que afirmo que toda alma tem encantos, recantos e jardins suspensos na leveza insustentável do querer. Jardins jamais serão como as nuvens. Querer nem sempre será separar. Uma nuvem não é feita de algodão como supúnhamos em criança. De modo que, ainda que seja possível seccionar o abdome com uma gazua, sempre há de se considerar é possível sentar-se sobre a carga transportada quando a carreta ainda não estiver na descida.
Estamos separados agora por uma costura em zigue zague já que o ponto cruz ficou ridículo. Daí a entender esses novos filmes, a distância é enorme. Não há mais histórias envolventes como antes, quando o alinhamento das construções não obedecia ordenamento dos gerentes de bancos. Certo que sempre poderemos tomar um café expresso em qualquer padaria, mas já não cabem em mim as alternativas e bravatas mais condizentes com um circo que com audição de orquestra sinfônica.
Concordo que um ícone tens qualidades consideráveis para transmitir ao atacante. Pode pegá-lo pelos braços, dar voltas no banco do jardim até ficarem suados. Ser atacante não é tarefa fácil assim como encher barris com tigela. Sempre haverá na janela uma luz piscando de oito em oito horas voltada para o quintal. Corre o risco de perder o respeito dos compatriotas e as contas de patrocínio da fábrica de bebidas mais interessada em exportar garrafas para o mercosul. É sempre assim. Aquele que morde os lábios, semeia ventos com alegria de autor de peças infantis.
 
Sempre haverá ícones