Poemas, frases e mensagens de Gilquele

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de Gilquele

PASSEIO NO ESCURO

 
O não-amor é depressivo.
Não anseia, não se alegra, não dá e/ou recebe carinho e nem sente saudade.
Um incomplacente mergulho no tédio de ser só.
Ai de quem vive assim...
A melancolia chama a morte por um canto desconhecido do homem, e ela o abraça sem que ele sinta dor.

O escuro... tudo passa, no escuro de não existir.
 
PASSEIO NO ESCURO

LUCIDEZ SOCRÁTICA

 
“De uma coisa tenho certeza: há muitas incertezas em mim!”
 
LUCIDEZ SOCRÁTICA

BANQUETE POÉTICO

 
 - Abra o cardápio... Sirva-se! Que te apetece nessa nuvem de algodão?
 - A mim, enche-me de sonhos e ainda me sinto leve... Não basta.
 - E o que dizes dos ventos carregados de folhas de outono?
 - Nostálgico, mas também não satisfaz-me. É passageiro como o tempo. Todavia não pare, vamos, atice-me os outros sentidos.
 - Posso sugerir-te essa pétala, colhida em meu próprio jardim.
 - Maravilhosa, nunca senti maciez tão profunda. Acho que entendo agora d'onde vem a deliadeza das mulheres. Continue...
 - Não menos importante, ofereço-lhe esta estrela do mar.
 - Formas exuberantes, mas acho que prefiro a vivência das cousas. Saber que elas existem é mais importante que tocar sua inexistência.
 - Pois bem, senhor, que achas de beber esta água cristalina vinda das grutas? Mais viva e existente não conheço.
 - Estás certo, meu caro. Nunca houve nem haverá nada vivo que não contenha água. A água é a própria vida que escorre nos dedos, ou no corpo, e evapora para os céus. Não sou digno de tal divindade.
 - Ei de agradá-lo, meu senhor. Prove então o néctar do amor.
 - Nunca houvi falar em néctar do amor.
 - És uma bebida forte e suave, fresca e quente, doce e amarga, que limpa a nossa alma e cega os nossos olhos, que transborda com uma simples gota, que embreaga-nos e apaixona-nos enlouquecidamente, faz-nos plenos e nada em um só instante... prende-nos sem amarrar-nos os pés ou as mãos, é a liberdade de querer ficar, a calmaria e tormenta, força e fraqueza do homem, é o pedaço do outro em nós e nós no outro, é ter cede e nunca saciar.
 - Parece-me apetitoso. Sirva-me, sirva-me. Quero enormes porções. Esplendoroso será o efeito desse néctar em mim. Quero sentir-me satisfeito de amor.
 
BANQUETE POÉTICO

TRUNCADA

 
O cheiro de solidão me apavora,
Estou submissa às minhas sensações,
Múltipla de faces, única na dor.
Quase agrido o meu ser com as minhas imposições – medo disfarçado de bem estar.
O sol sai com dificuldade entre as nuvens da incerteza,
Que amanhã me espera?

Sou quase fraca,
Sou quase forte.
Tudo é um nada que se perdeu dentro de mim*.

Neste ar de hoje,
Respiro esperanças,
Grandes e infinitas esperanças.
Talvez um dia eu seja,
O total essencial de mim – não apenas a metade.
 
TRUNCADA

AMANHECER

 
AMANHECER
 
A relva molhou meu pensamento,
Eu medo,
Eu tanto,
Eu tento!

O sol secará minhas angústias...
Eu tremo,
Eu rebento,
Eu chuva!

O amanhecer confunde meu desejo...
Eu simples,
Eu turvo,
Eu nego!

Meu eu interior me pede ajuda...
Eu ando,
Eu corro,
Eu fuga!

Para dentro de mim olho e me refaço...
Eu trinco,
Eu quebro,
Eu estilhaço!

(É assim volta e meia, meia e volta é assim)

Anoitecer devaneios é amanhecer empatia...
Eu nua,
Eu crua,
Eu poesia!
 
AMANHECER

CATIVO

 
Escravo do pensamento...
Eu tinto, eu risco, eu pisco e reinvento.

Um nome me veio à memória,
As luzes se acenderam,
E eu quase sonhei que tive um pesadelo...
Eu sono, eu sonho, eu mudo o mundo inteiro.

Voar já quis, sem asas,
Custou-me tempo, plano, ação...
Eu passo, eu ando e piso fundo no chão.

Na vida, sim, houve momento
Que entrei na contramão...
Eu nada, eu tudo, eu menos que um ladrão.

Ser poeta também é crime,
Já roubei um coração...
Eu preso, eu livre, eu sem redenção.
 
CATIVO

ES-PE-RA

 
A invenção das horas entristece-me.
Agora adiam-se encontros, ao pulsar da pequena máquina.
Ela jamais entenderá o coração dos amantes.

Maltrata-me os longos minutos, um atraso, coisa ruim desse tal negócio.
... quantas horas intermináveis faltam para eu te ver?

Cem batidas do coração e apenas uma do relógio,
Ele quase sai pela boca enquanto ninguém entra pela porta.

E enquanto o sol se vai, eu vou fitando-o impaciente,
Vai se indo o sol, o calor, o clarão e as horas!

No meu olhar latente, fica um gesto descontente,
De quem esperou numa hora de relógio,
A emoção de uma vida inteira.
 
ES-PE-RA

PARA ONDE VÃO OS SONHOS?

 
Meu pensamento colidiu com o seu.
Quantos sentimentos antigos explodiram dentro de mim.
Quê será que vem aí?
Toque? Beijo? Medo? Um novo fim?...

Novo começo?! Tenho certeza que a cada dia nasce comigo, mas... E o que eu não pensei? O que eu não quis? Para onde vão os sonhos não sonhados? Será que existe o “Mundo dos sonhos perdidos”? Se existe, quem habita tal lugar? Talvez a Esperança ande por lá, reciclando os sonhos e mandando-os de volta com uma nova roupagem, na tentativa de querermos sonhá-los novamente. E quem foram os descuidados que perderam os sonhos? Tenho um palpite: A Covardia, o Medo, a Angústia, a Solidão. Afinal, o que eles fariam com os sonhos? Nada. Na verdade eles nos distraem para não darmos vida aos novos sonhos de querer viver. Acho que esse é o segredo que torna pública a desesperança do homem. Um homem não vive em plenitude sem sonhos.
 
PARA ONDE VÃO OS SONHOS?

DEIXANDO-ME PARA TRÁS

 
Passarei por mim, e não ousarei a olhar para trás. Sim, abandonar-te-ei, eu-triste. Não me quero assim, tapando-me a visão do futuro. Ele é tão lindo e próspero, cheio de encantamentos e surpresas, adorarei desvendá-las. Mas tu, eu-triste, aprisionava-me em um ponto que nada tem a oferecer-me; lá nada se renova, hoje é igual a ontem, sempre. Esse lugar, que tu chamas de passado, estava me deixando cega, sabia? E eu, que tanto gosto de sonhar, já estava ficando sem imaginação para inventar coisas novas... Acho que nem eu mesma acredito mais nas minhas invenções. Por isso, deixo-te. E fica com esse teu passado bem longe de mim. Não quero mais sentir a mesma dor. Pois se for para sentir dor, que sejam novas dores, vindas de novas imaginações e dos sonhos que cultivarei dentro de mim. Está decidido. Não me olhes assim... Sim, sim também a amo, mas está chantageando-me para que não a deixe, não se enganes: EU RESISTIREI ATÉ O FIM! Tudo bem... Permito-lhe que me beije a face, afinal esteve comigo tanto tempo, por vezes cheguei até a pensar que tu eras eu plena. Ufa! Hoje acordei, e vou-me embora... eu-triste, nada mais existe de semelhante entre nós, entenda. Se queres, podes transformar-te em lembranças, aí poderás vir comigo. Não chores! Fizeste a tua escolha, eu também fiz a minha... Adeus, a felicidade me espera!
 
DEIXANDO-ME PARA TRÁS

O QUE VALE NA VIDA

 
Mais vale uma palavra não dita que o esforço de dizer mentiras;

Mais vale a recusa de um beijo que um beijo de consolação;

Mais vale ser apenas amigos que bodas de traição;

Mais vale refugiar-se em si mesmo que não ter refúgio algum (conhecer-se melhor é uma boa saída);

Mais vale contar até 10 e esperar a raiva sumir que não conseguir contar o quanto se arrepende;

Mais vale não esperar nada e ganhar um sorriso que esperar um beijo e não ser sequer notado;

Mais vale dar um passo de cada vez e perceber que está andando que tropeçar na própria imaturidade;

Mais vale sonhar com a poesia que perder-se nos devaneios da realidade;

Mais vale amar que achar que é amado;

Mais vale viver agora que esperar a vida perfeita, porque viver já é perfeito.
 
O QUE VALE NA VIDA

VERDADE PUNGENTE

 
Eu sei... mereci teus silêncios gritados.
Eu ouvi tua raiva na lágrima derramada.
Basta-me que me olhe, basta-me que me olhe...

Não quero teu perdão,
Apenas tua mão um instante.
Meu cálice são teus olhos sorrindo.
Permita-me que eu viva neles...

Nenhum adeus é para sempre.
Os ventos nos trazem de volta,
Com as lágrimas enxutas
E o corpo pesado de areia.

A vida caleja a gente.
A vida nos mostra os dentes
De vez em quando...
Me deixe ser apenas o sorriso nos teus olhos:
Uma única vez!
 
VERDADE PUNGENTE

TAIS MANEIRAS DE AMAR

 
Eu amo como quem sonha:
Com os olhos fechados e o coração com frestas de “pode entrar”.

Eu amo como quem rouba:
Com a ânsia de ter e medo de se encontrar.

Eu amo como quem sorri:
Com a comoção da alegria e magia de contagiar.

Eu amo como quem morre:
Com a dor da partida e a certeza de reencontrar.

Eu amo como quem ama:
Eu amo sem saber amar.
 
TAIS MANEIRAS DE AMAR

O INTRUSO

 
O espírito que em mim habita não é alma do outro mundo, nem espírito desencarnado de outras vidas. Ele foi se construindo de pedacinhos de mim, cacos de vidro quebrado dos meus desenganos. Eu conheci o amor inteiro. Eu conheci a amizade inteira. Eu conheci a felicidade inteira. A vida quem foi quebrando, pedacinho por pedacinho, por muito tempo. Ah, o tempo! Se não fosse ele nem sei o que seria de mim (ou desse espírito intruso). Esse tempo levado, que me viu tantas vezes chorar, decidiu por conta própria a colar os meus detritos. Usou uma cola especial (que mistura amor e fé) chamada esperança. Hoje esse espírito me eleva, me usa, me escreve, me canta... um canto que me refaz todos os dias. Sem espírito não há movimento, não há sonho, não há vida. O espírito que habita em mim, hoje não chora mais, das lágrimas se fez poesia.
 
O INTRUSO

AQUELE CONTO QUE EU NÃO FIZ

 
Quero um desconto por não saber fazer um conto, todavia procuro escrever com algum encanto. Eu ando de conversa com o amanhecer, da sua doçura e sua alegria. E, às vezes, eu canto o entardecer, das suas dores e agonias. Mas conto eu não sei... nunca consegui fazer! Não sei encontrar espaço, nem acertar o tempo, tampouco inventar pessoas com nomes e dramas (não dou nome a nada nem a ninguém - tudo que existe já tem nome) eu só penso e rio do meu jeito desajeitado de não saber inventar. Começo a pensar nas coisas à minha volta; como uma história tão simples de um passarinho que pôr-se a voar, foi atingido e quebrou a asa. Eu não sei quebrar a asa de um passarinho, minhas palavras se quebrariam antes que eu puxasse o estilingue. E se eu fosse inventar um conto de criança ia ficar com pena da criança ter que "trabalhar" na história, fazendo isso ou aquilo que eu mandasse; prefiro que ela leia (ou alguém leia para ela) e viva de imaginar. Só resta eu tentar um conto de adulto, e que não tenha passarinho. Aí fico sem saber o que escrever... porque sou criança com espírito de passarinho.
 
AQUELE CONTO QUE EU NÃO FIZ

O PORTO DA VIDA

 
Um motivo, uma dúvida, uma culpa.
Quase tudo é longe demais do cais,
Sempre indo, indo...

A razão de quem fica é diferente para quem vai.
O sentimento, o mesmo.

De solitário, só o cais.
 
O PORTO DA VIDA

CASUAL(MENTE)

 
Arrisquei a quietude dos meus dias para abrigar uma alma perdida. Não sei nada do seu passado e tampouco se terá futuro, porém quis proporcionar-lhe um presente seguro, real e feliz.
Tinha serenidade de menino, aquele homem, olhar de quem precisa de colo de mãe, um abraço fraterno talvez. Que segredos habitam em seu coração?
Levei-o para o sótão, não sei se por acaso ou por lá guardar as minhas preciosidades (a janela é meu baú de estrelas, novas e antigas), me acalma aquele lugar. Consciente ou inconscientemente achei que o faria bem. Bati a poeira, abri todas as entradas de ar e armei uma cama velha, com colchão em condições mais joviais; fiz tudo para que ficasse confortável e se sentisse acolhido.
Depois de acomodá-lo, recolhi-me. Enquanto meu corpo descansava, minha cabeça e meu coração estavam em pé de guerra, um conflito que surgiu quando o encontrei mendigando em um dos Bairros mais ricos da cidade. Isso contrastou não somente a riqueza e a pobreza de uma sociedade notavelmente injustiçada pelas diferenças de classes, mas o contraste que, muitas vezes cega: o desumano; que faz homens, mulheres e crianças passarem despercebidos, arrastando-se pelo chão, como se fizessem parte dele.
Leonel, assim chamava-se o meu anjo sujo, lançou sobre mim uma inquietação por estar vagando naquelas ruas a declamar versos. Drummond, Pessoa, Quintana, Patativa... tudo ele declamava, olhando para o céu como se a sua plateia estivesse lá. Talvez esperasse apenas o sorriso dos poetas a comtemplar a sua obra. Foi assim, distraindo-me com ele que quase fui atropelada, nesse instante percebeu a casualidade que me confrontava, e lançou-se sobre mim. Poderia dizer-lhe que nada aconteceu, caro leitor, mas este caso, para mim, já é um acontecimento. Por quê? Não sei; apenas sinto.
Levantei-me antes das nove e lembrei que não comia há quase dez horas.
Oh, meu Deus, Leonel! Lembrei-me subitamente do meu abrigado. Meu coração ficou pequeno ao imaginar a fome que podia estar lhe consumindo. Corri para o sótão e deparei-me com ele debruçado na janela com Davi, meu gato de estimação.
- Gatos adoram o luar! É quando anoitece que se sentem plenos – disse ele.
Não sei quais olhos brilhavam mais, os de Leonel ou do meu gato, mais sei que os dois estavam misturados à noite, eram uma extensão do brilho das estrelas.
Então, disfarcei o meu encantamento e convidei-o para jantar, não tinha preparado nada, nem sabia direito o que tinha na geladeira. Resolvi improvisar uma macarronada, sempre que não sei o que fazer, faço macarronada.
Comemos em silêncio. Ele com o olhar perdido, pensamento distante. Eu, só sabia a direção do dele, aqueles olhos é que me alimentavam naquele momento. Queria saber mais daquela alma perdida... seus sonhos, pensamentos, motivos que o moviam. Porque será que vivia nas ruas? De repente ele me olhou e disse.
- Eu não vivo nas ruas.
- Mas como... quer dizer... não?
- Não. É que fiz uma promessa, um pacto pessoal.
- Que tipo de pacto? Como assim?
- Amanhã te conto essa história... obrigada pelo jantar, boa noite!
Dito isto, Leonel recolheu-se ao "seu quarto”, deixando a casa mais vazia e meu coração mais angustiado. Meu Deus, que homem sai por aí declamando poesias, todo mal vestido, sujo, à procura de sei lá o quê, por causa de um pacto pessoal? Só sei de três coisas: meu corpo lhe deve pela vida, minha alma pelos versos e meu coração pela noite doce e agradável.
E quando o dia amanheceu, meu coração estava mais leve, porém meu pensamento na tal promessa. Não quis acordá-lo, então fui direto preparar o café para o apetitoso segredo que me consumia. Leonel não demorou muito e quando sentou-se à mesa já estava quase tudo pronto.
- Café? Leite?, nervosamente falei.
- Bom dia!, disse ele com um sorriso sereno. Café!
- E então... passou bem a noite.
- Maravilhosamente, em companhia das estrelas e de Davi.
Rimos desconsertadamente. E ele completou:
- Inclusive ele me contou um segredo.
- Ah, tá bom... que segredo?
- Que você me ama!
Fiquei pálida, totalmente sem cor, mas mantive a postura.
- Como assim? Você está louco?
- Não. Estou apaixonado.
- Como se atreve? Mal me conhece.
- Chegamos ao ponto, minha querida. Somos vizinhos de frente há dois anos e você nunca olhou para mim. Já eu... conheço todos os seus passos, seus gostos e manias. Tentei ser notado, mas você nunca reparou ao seu redor, nunca teve tempo para o amor. Mas eu vim resgatar você. Provoquei um encontro “casual” por meio daquilo que mais lhe atrai: a poesia. E o meu pacto pessoal é fazer você descobrir o amor, de preferência por mim.
Não soube o que responder por alguns longos minutos. Aquilo tudo era surreal. A coisa mais inteligente que consegui falar foi:
- E como é que você pode acreditar em um gato?
Foi aí que Leonel desmancho sua cara de eterno apaixonado e caiu na gargalhada. Inevitável não rir também...
Então percebi que o amor é como um sorriso... quando você dá de cara com ele, é inevitável não sentir-se feliz.
 
CASUAL(MENTE)

UM LEMBRETE

 
Quando quiser lembrar de mim, lembre-se do modo que eu te olhava e não da cor ou formato dos meus olhos. Lembre-se do que me fazia sorrir e não da minha boca ou som que dela saía. Quando quiser de mim recordar, lembrar quem eu realmente era, pense nos motivos que me faziam querer viver, os meus desejos, os sonhos que eu trazia no coração e a paixão com que os buscava; ao invés de pensar no meu tamanho, na minha cor, nas roupas que eu usava. Quando for relembrar a força da nossa amizade, ou do nosso amor, sinta em seu coração a intensidade e verdade de cada abraço, cada beijo e de cada palavra de amor; não dos presentes ou objetos que provavelmente trocamos ao longo da vida... e no final, se ainda não se lembrar de mim, tenha certeza, nós nunca nos conhecemos.

Publicado anteriormente no meu blog: http://diariodigitalbygilquelearaujo. ... /2015/03/um-lembrete.html
 
UM LEMBRETE

EM COMPANHIA DA DOR

 
Dê espaço à minha alegria, Dor.
Ela precisa sentir o gosto inerente da vida que passa,
A sua voz latente que arde no peito e cala.
Dê-lhe essa chance, por favor...

As luas já mudaram de fase,
E a minha face ainda é pálida e fria.
Não há janelas em meus olhos que disfarce,
A dor na alma nua e crua, repudia.

Eu sei... As meninas dos meus olhos ainda sorriem.
São elas que me sonham, que me iludem.
E ao despertar da noite é que vejo o dia,
nascido das possibilidades que recrio.

Sorria você também, Dor.
Meu peito já não cabe essa agonia,
De querer calor e só sentir frio,
De entristecer nos braços da alegria
 
EM COMPANHIA DA DOR

Gilquele Gomes de Araújo
Iguatu/Ceará/Brasil
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Lei N° 9.610 de 19/02/1998