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Tratado de solidão esfomeada

 
Tags:  vida    poemas    introspeção  
 
Depois de comer quando a fome não se explicava a si própria,
O objetivo de coisas entediantes como respirar,
Escrever cartas com destinatários ao critério,
Passava a ser diferente,...

Tinha outro som,
As pessoas deixavam elas próprias de ser sempre iguais,
E o desejo até de escrever bonito,
Com osso lá dentro,
E cálcio para chupar nas cartilagens,
Também isso divergia,...

Agora quando anoitece,
Se calhar o cordel irá servir para enforcar nem que seja menos um

 
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theartist_lc
 
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Enviado por Tópico
Jorge/Joel
Publicado: 02/07/2020 22:04  Atualizado: 03/07/2020 09:58
Subscritor
Usuário desde: 02/06/2020
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Mensagens: 350
 Re: Tratado da fome extrema
por isso vemos por aki tanto cordel ou lá como chamam ao fio rafeiro de ráfia e podre de velho, mas isso de artesão e artist é lá consigo e com a entremeada frita, né ??? Já pareço O Alberto Morávia, um tratado aquele rapaz iluste e escritor de vários alfarrábios assim como o outro autor de mais de 50 livros os quais dá à luz periodicamente como râs batráquias e com mais mil reais saídos do bolso dos papalvos da seita de ovnis dele pois ninguém os lê, não se consegue, talvez algum extraterrestre de passagem pela casa do patrono (amanhã faço anos e estou desolado com a maioridade, não quero fazer mais de 18, xiça) feliz navidad ...

Enviado por Tópico
Rogério Beça
Publicado: 03/07/2020 08:28  Atualizado: 14/07/2020 17:36
Colaborador
Usuário desde: 06/11/2007
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Mensagens: 1905
 Re: Tratado de solidão esfomeada
Gosto de cordel em vez de corda.
Deduzo menor espessura na comparação. Se pensarmos num enforcamento, por exemplo com um fio de aço, e um enforcado de mais de 100 kg, a uma altura de 7 metros é capaz do raio do fio, se não se partir, de servir também de guilhotina.
Mais uma Maria Antonieta e o seu reizinho.

Gosto de números negativos, Faz parte dos números racionais. Os naturais nada têm de negativo, nem, aliás o zero. É tudo natureza, apenas.

Sobre a veracidade nas acções de cada um de nós, ou da razão (já me estou a repetir) pela qual fazemos parece ser o que procuras explorar neste poema.

"...Depois de comer quando a fome não se explicava a si própria..."
porque será que se come?
A fome é auto-explicativa, é um sintoma que o corpo nos dá que tem falta de nutrientes.
Há a gula - o apetite pelo soberbo.
Há quem coma como forma de compensar algum desgosto (ai os bolos de chocolate).
Há quem coma para mostrar que come.
Há quem coma muito por hábito, desde criança que o fez e agora é um adulto em pré-obesidade (na melhor das hipóteses).
Há quem coma muito pouco por pudor, pelo medo do que os outros possam pensar de si.

Sem a fome, o objectivo é questionável.
Até nas cartas.
A primeira estrofe tem mensagem, sentido e direcção.

As consequências de ir sem fome são bem demonstradas na estrofe seguinte.
Escrever sem a fome da inspiração pode provocar essa divergência que tão bem falas. Pode (ou não) prejudicar a qualidade.

Há uma expressão usada pelos americanos que em português perde a graça, que tem a ver com a coluna vertebral. Ter coluna é ter essa garra, essa fome, esse "...Com osso lá dentro..." que aparece.

Gostei do tom provocador e acre.
Um pouco o teu estilo, que aliás gosto.
O favorito é meu desde o início.

Abraço irmã\o

Enviado por Tópico
theartist_lc
Publicado: 03/07/2020 09:22  Atualizado: 03/07/2020 09:22
Super Participativo
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 Re: Tratado de solidão esfomeada
Agradecido a ambos por me fazerem voltar a crer que este projeto é mesmo de apoio mútuo entre autores, e de estimulo à criação.
Coisa que não se tem sentido nestas ultimas semanas, aqui.
Obrigado.