1. Origens e formação
Nasceu em 1985, em Évora, com raízes familiares profundas em Monsaraz, no Alentejo .
A infância entre Monsaraz e Évora moldou fortemente sua sensibilidade, encontrando nas paisagens alentejanas não meros cenários, mas personagens vivas em sua poesia .
Estudou Secretariado, Animação Social, Turismo e Desenvolvimento, além de frequentar dois anos do curso de Teatro na Universidade de Évora .
2. Trajetória literária e cultural
Começou a publicar em novembro de 2009, mantendo desde então uma presença constante nos meios de comunicação, incluindo televisão, rádio, jornais e plataformas online .
Algumas obras importantes incluem:
Cartas da Vida (2010)
Uma Novena à Padroeira nas várzeas de Monsaraz (2010)
Resgate das Memórias de um Templário (2011)
Uma Alma de Mulher (2011)
Vozes (2013)
À Morte de uma Donzela, Três Gerações, Uma Alma, O Último Grito da Gaivota, Sonetos de um Jovem Romântico (2014)
Madrigais (2015)
Poesia, Fados e Destino (2016)
Évora Romântica – Roteiro Poético à Cidade de Évora (2017)
Cartas d'Évora (2019) .
3. Contexto literário e influências
A sua obra dialoga com o Romantismo e o Simbolismo, revelando ecos de autores como Garrett, Castilho, Lord Byron, José Régio, Teixeira de Pascoaes, Florbela Espanca, Camões e Fernando Pessoa .
A paisagem alentejana e a poesia regional (como Manuel da Fonseca e Eugénio de Andrade) estão profundamente presentes, tornando o território uma dimensão emocional e estética central .
O fado, com sua musicalidade e emoção, influencia seu estilo poético, aproximando-o do lirismo popular e de figuras como Amália Rodrigues .
A forte espiritualidade cristã, com símbolos religiosos, devoções marianas e misticismo, estabelece uma ponte com escritores como José Régio e Pascoaes .
4. Estilo, temas e estrutura poética
Temas recorrentes: saudade existencial, amor e perda, busca espiritual, solidão intimista e o destino, refletindo uma voz confessional e emocionalmente intensa .
Linguagem clara porém carregada de simbolismo; uso de formas fixas (sonetos, quadras, quintilhas), com rimas consoantes que evocam ritmo e musicalidade .
Metáforas clássicas — como mar, noite, gaivota, flor, cruz — reforçam seu lirismo tradicional e sentimental .
5. Envolvimento cultural e espiritual
Participa ativamente em instituições monárquicas e religiosas, como a Real Guarda de Honra da Casa Real Portuguesa, Confraria de São Dom Nuno, Real Irmandade da Santa Cruz e Passos da Graça, e a Irmandade do Senhor Jesus dos Passos de Évora .
Em 2018, foi co-fundador da Real Irmandade de Nossa Senhora da Saúde de Évora, onde assumiu a posição de primeiro juiz .
Em setembro de 2024, recebeu o título de Comendador da Ordem de São Miguel da Ala da Casa Real Portuguesa, concedido por D. Duarte Pio, Duque de Bragança .
6. Influências pessoais emocionais
Celeste Rodrigues: amizade marcante com a fadista, que o apoiou afetivamente e culturalmente (“Ricardo… pão, azeitonas e os seus versos e estou satisfeita!”) .
Maria Flávia de Monsaraz (escultora e poetisa), além dos poetas da linhagem dos Condes de Monsaraz, e os Padres escritores da sua família (Padre Henrique Silva Louro e Padre António do Carmo Martins) também marcaram a sua visão poética e identidade cultural .
Ricardo Maria Louro emerge como uma voz íntima e tradicional na poesia portuguesa contemporânea — um poeta que se apresenta como guardião das raízes alentejanas, da fé e da musicalidade do fado, ao mesmo tempo em que abraça os valores simbólicos e emocionais do romantismo. Sua obra oferece uma ponte entre o sagrado e o terreno, entre o íntimo e o ancestral.
Ricardo Maria Louro