Na fronteira do dia o luar veio,
Cancela fechada à luz que me engana,
Dourou o manto a essa virgem profana,
Em que refulgiu o marmóreo seio.
É mera treva a tal deusa romana,
Dum fogo feita, que já não ateio,
Tão incerta é a certeza em que eu creio,
Que entre as sombras só a noite é soberana.
No cálice do vinho que não bebo,
Resplandecente a lua em cristal puro,
Eis o milagre da fé que procuro…
Só na madrugada então me apercebo,
Nada aqui nasce, nada aqui concebo,
Tudo isto é rito da crença que abjuro.
03 de Outubro de 2025
Viriato Samora