Não querem o trevo da sorte,
Dispensaram o pé de coelho.
Aqueles da "casa forte",
Levando nem ficam vermelhos.
Chegaram lá com promessas
Para resolver a questão,
Mas tudo ficou às avessas,
Só vivendo no "bem-bom".
Encontraram a Galinha Aster,
Que bota ovos de montão.
Sendo todo esse grande tesouro
Pertencente à população.
Agora largaram a teta,
Preferindo o poleiro;
Querem clonar na proveta
Para aumentar nosso dinheiro.
Tem gente que não tem pão,
Está quase beirando a sarjeta.
Culpados dessa situação:
Quem mamou e secou a teta.
Abateram a pobre vaquinha,
Não sobrou nem o couro,
Depois que acharam a Aster
Que bota ovos de ouro.
Agora sou São Tomé:
Estou esperando para ver.
Pode falar quem quiser,
Mas ninguém irá resolver.
Enquanto a "pobre coitada"
Botar lá no celeiro,
A coisa vai ficar parada...
Acordem povo brasileiro!
Geremias
WhatsApp (55) 11 9 74307750
Escrevi este poema num suspiro de indignação e esperança. A fábula da galinha dos ovos de ouro, contada a crianças há séculos, carrega uma lição cruel: quem mata a fonte da riqueza por ganância, perde tudo. Olhei para o Brasil e vi essa fábula repetida em escala nacional — não por ingenuidade, mas por cálculo.
A "Galinha Aster" é metáfora de nossos recursos naturais, do pré-sal aos biomas, da agricultura à criatividade do povo. Um tesouro que, por direito, pertence à população. Mas vimos a "vaquinha" — a economia real, o pequeno produtor, o serviço público essencial — ser abatida enquanto se aposta tudo num "ovo de ouro" especulativo, clonado em laboratórios de ilusão econômica.
Não sou de esquerda nem de direita. Sou do lado de quem não tem pão. E quando vejo promessas virarem "bem-bom" para poucos enquanto outros beiram a sarjeta, calar seria cumplicidade.
O final, antes passivo, agora clama: "Acorda, povo brasileiro!" Porque a crítica só vale se abre caminho para a ação. E a arte só cumpre seu papel quando devolve ao povo o espelho — não para que se lamente, mas para que se reconheça e se levante.
Que esta música, se virar música, seja semente. Não sermão.