Aos domingos
passeio o meu cão
invisível no parque,
junto dos que levam os seus cães visíveis a passear
também.
Solto-o para que corra livre e brinque;
para que socialize, enfim, talvez um pouco.
Todavia, os cães visíveis ignoram-no e ele, coitado, volta a mim e queixa-se
baixinho junto ao banco onde me sento.
Faço-lhe festinhas e digo-lhe que é um lindo cão.
Talvez os outros cães não
o vejam, a ele que é invisível.
As pessoas cumprimentam-me e perguntam-me pelo cão,
e eu respondo que está logo ali,
a correr com a língua de fora.
Aquele invisível, insisto.
E eles seguem o dedo,
acenam com a cabeça
e afastam-se.
Sou o único
que passeia o seu cão invisível
ao domingo.
Talvez os outros donos
façam o mesmo
num outro dia qualquer
que não este.
Mas é apenas ao domingo que
posso levá-lo
a passear.
Durante o resto da
semana
chamo-o para dentro,
peço-lhe que se cale e sossegue
e ele, obediente,
adormece
silencioso
num canto
dentro de mim.