O que estou fazendo comigo?
Minhas asas estão machucadas...
E do sangue, fiz um abrigo;
Tudo me é distante;
E estão erradas,
as coordenadas;
E já não sei se é de vida ou morte
a pulsão que vivencio...
Mas para além da luz,
Para além da escuridão,
A Lua segue sendo noite
E também clarão
Desde muito cedo,
Me foi apresentada a dualidade;
Sendo nem uma coisa
Nem outra;
Nem tampouco,
metade-metade.
E a lua se repete dentro de mim;
Com sua natureza dúbia e noturna,
E só de ser, já sou disputa;
Cada escolha sempre resulta
Dos fragmentos da minha alma, em luta
E estando sempre nessa guerra,
não descanso;
E cansada, minha alma versa;
Mas mesmo sendo triste o canto,
e solo a orquestra,
A linha entre o bem e o mal
minha melodia atravessa!