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Poemas, frases e mensagens de C.Driade

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de C.Driade

As Peças(II)

 
E sentir-me assim?
Já não sei!

São coisas que
acontecem,
aparecem-me,
e me fazem acreditar
que o universo preza
em não se enganar.
 
As Peças(II)

Entropia

 
Ecoam sem vontade
em mim formas,
parasitas.
Formo-me delas,
sem configuração.

Finalmente
entendo-me assim, coisa:
Desordenação de partículas
que resultam num ser inobservável;
Dimensão de tempo
sentida em memórias profanas;
Disposição de ânimos
que entre si discordam;
Consciencialização da ventura
inepta de sentir;
Precessão da calamidade
que o universo influi...
Subsistir?
Não é então possível.

Tanto ser em mim
e nada sou...
Minto,
sendo a legitima entropia
que se originou.
 
Entropia

O Inolhar No Teu Rosto

 
Deixar-me-ei receber,
entender todo o gesto.
Entre inolhares,
saciar-me-ei
com o interesse que testo.

Alheias-te a reciprocidade
do nervoso.
Mas eu desisti,
já não escondo
o tom que tenho no rosto.

Olha-me então,
leva-me até aos teus pensamentos
deixa-me ter-te em mim,
por uns tempos.

Devo pedir ao universo,
o encontro com o teu rosto?
Ou, cheguei eu,
a mais um outro desgosto?
 
O Inolhar No Teu Rosto

O Lugar

 
Não deixo acertar
o tempo à memória.

Isto apenas é,
e estou aqui, porque
renunciei-me a sentir.
Calculadamente me deixei
cair, absorver pela imensa
dor, sem reconhecer.

Quero partir, mas parto-me
sem mudar sequer de lugar,
sem querer onde ficar.
Entregue à força,
procuro me levar,
deixar-me então
finalmente alcançar.
 
O Lugar

Grilhões da Memória

 
Deixar partir,
esquecer.
Recear,
querer ter e perder-me
na lembrança
do que foi,
tive e mereci.
Tudo me impede...
e não estás aqui
por tudo e nada
do que arranquei de mim
deixei morrer
e acabou.

Quero ir...
leva-me a memória também!
 
Grilhões da Memória

Subentendido

 
Não sou de dar a entender
que entendi, entendam,
vai por consenso subentendido.
Pois isto de entender,
não é facto adquirido!

Vá-se lá entender
o que não quer ser entendido
sem ponta solta no juízo.
Que só por querer saber,
sem pergunta ter,
não se chega a entender!

Eda Tadeu
 
Subentendido

Desejo

 
Quero levar-te,
Apenas a ti.
Até aos meus braços,
Pois pertences aqui.

Sentir-te nua,
Sem roupa alguma.
Precipitar-me em ti,
Sentir-me tua.

Gota a gota,
Saborear teu segredo.
Tuas mão em mim,
Perdendo o medo.

Pedir por fim:
"Só mais um beijo".
Saciando assim,
O meu desejo.
 
Desejo

Esperança

 
"No que seria o vazio
Encontrei lá alguém
Encontrei lá esperança,
Encontrei-te também."
 
Esperança

As Peças (IV)

 
Sabes que és,
e caiste no ser,
sacrificio de ter contigo
capacidade de requesitar
teus fins e desejo final.
Pois crês,
que apesar de tudo,
o universo não te quer mal.
 
As Peças (IV)

Sonhos

 
Se dormir for a minha terapia,
deixar-me-ei sonhar.

Há sonhos que
me lembram toda a fantasia,
que eu bem gostava,
que já não ligo.
Há sonhos que me consolam.
E por vezes, simplesmente,
tenho sonhos que me acordam.

Espero então pelos sonhos
de antigas fantasias.
Tais sonhos que me levam
a encontrar o que haverá de dia.
 
Sonhos

Na Noite

 
Oiço baratas na minha almofada,
com o meu arrastado pestanejar.
Oiço o sangue da noite,
o zume zume que embala a cidade.

Hoje deitei-me virada para a janela,
sem dormir, vendo um prédio sonolento,
como eu não estou.
E só não te queria à minha beira,
porque faz calor, e eu suo muito,
fico suja... amarela.

Deixo a janela aberta,
convidando melgas para me chuparem o sangue.
Deito-me na noite, sendo parte dela
esperando o seu efeito bumerangue.

Carla Venta
 
Na Noite

A Aula

 
Aqui é só perder por perder.
Aqui é só dor e maldizer.
Sabem nada por tudo,
Contudo nada para saber.
 
A Aula

Estupidez incógnita

 
Este grito no ar sufoca!
Não é para agradar,
e não o faz,
toda a estupidez incógnita,
que o eco nos traz.

Pode ser questão de ótica,
mas a mim tanto me faz,
ver gente sólida,
ou os fantasmas por trás.

Vera Soja
 
Estupidez incógnita

Certeza não é

 
Não há, não é, não sei.
Nem que, nem se, será.
Tudo o que, pode e foi.
Não é.

Mas onde raio estará?
Qual pergunta,
certeza, loucura,
Vida, se interrogará?

Mentiras da Mente...
São do mais.
Inundam-te e não o és,
não foste, nem serás.
 
Certeza não é

A Figura

 
Qual figura obsoleta,
neste mundo sem constante,
não me vim a esquecer?
Qual criatura esperta
que com breves movimentos
me conseguiu prender?

Cheiro, presença ou essência
que me calhou testemunhar,
tudo toma por coincidência,
para além daquele seu ar.

Ó dita soberana!
Trazes-te a mim sem o saber fazer,
toda a alma, tempo e vida,
em que me deixei perder.

Tudo perco,
sem sentido.
Mas o que disto é razão?
Com cara de riso, ainda hoje
pondero em vão,
toda a lógica de um mundo
que nos escapa da mão.
 
A Figura

Querer-te por tempo

 
Queres querer que queres,
mas sabes que em ti
não há verdadeiro querer.
Sabes que a verdade
não se faz de tempo,
mas sim com a visão de o ter.

E sabes que eu não quero,
não quero de todo,
te perder,
deixar ir a visão
de um tempo que esperei ter.

Eda Tadeu
 
Querer-te por tempo

Pacto Oculto

 
Coisas acontecem e nem tens
tempo para falar com os átomos
que tocaram e anseiam por mais,
de mais, a mais, posso ter mais?

Ah, cruel ânsia,
que levas todo o bom momento.
Que te concentras em mais,
sem saber o que há para dar.
Que voltas para desesperar, tocar,
revolver no sentimento.
Porque não voltas tu,
para matar fatal duvida?
E levar ao momento em que tu, eu,
nós criamos tudo.
 
Pacto Oculto

Alecrim

 
Alecrim, meu amigo,
teu fumo em mim se retem,
limpando as maleitas
que surgiram e não vieram sem
me afogar em memórias...
Mas isso agora não convém!

Curas-me assim então,
e tudo isso desaparece
com um respirar,
grato por ti,
e por te achar.
 
Alecrim

Em mim

 
Luto contra aquilo que nunca quis ser.
Nunca esperei,
Nunca pensei,
Não estava predestinada a ter...
Tão grande mártir,
Então a mim, tão pequena que sou...
Mas penso, fui feliz,
Com muitos méritos á toa.

Agora nada,
Já não sou,
O que tudo em mim sempre esperou.
 
Em mim

O Resumo

 
Esta tua falta,
Contigo ainda presente,
Consome-me a mim,
E eu a ti te consumo.

Este meu amar,
Que não sei mostrar,
Perde-te a pouco,
Sem te largar.

Para este amor sem fim,
Palavras procuro.
Mas p'ra quê?
Se eu em ti me resumo.
 
O Resumo

Maria Toranja