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Poemas, frases e mensagens de Raul de Oliveira

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de Raul de Oliveira

Não poderia dizer nada a mais por aqui além das respostas às perguntas que você fará. Portanto, visite o blog, converse... só assim você me conhece.

Menina Realidade em tempos sombrios

 
Viram.
Tempos sombrios virão.
Não pela ode apocalíptica
De malfadada crença
Não pela mão da doença
mas pela realidade.

Virarão.
Revirarão os olhos pela descrença
Na fé que se extinguirá
Na contramão ou tiro no pé
Da falta de esperança.
Dura. Nua. Raquítica.

Numa beleza sincerocídia
De comprovação inequívoca
Do seu histórico
dados racionais
Da nossa falta de fé.
De pé.
Atenta. Com olhos tristes
Vazios.
Acostumados a dor
Sem brilhos.
Acostumada à realidade.
Pura. Crua. Esquelética.

Não viram.
Viraram a casaca das suas escolhas
Realistas. Mistas.
Em suas conquistas.
Que trocariam por ver
Sentir. Sorrir.

Mas, viram? Tempos sombrios virão.

Marcos Raul de Oliveira
25/03/21 5:31
 
Menina Realidade em tempos sombrios

Evolução

 
Faz tempo que não rimo,
Tempo demais, sem paz.

Estou feliz, altivo e capaz
Especialmente completo
Repleto de afeto, sincero.

Mas ainda sem paz.

A mente inquieta prega peças.
O amor completo é perfeito
Mas ainda falta algo
Algo que atormenta
Esquentar, e não se afugenta.

É estranho, enfadonho
Um sonho
Pois é o impulso
Propulso, da evolução..
 
Evolução

A sombra escarlate

 
Irei contar uma história, não sombria, muito menos de fada; melancólica e triste talvez, mas uma história pantomímica que ao mesmo tempo têm tamanha altivez e pequinês.
É uma história de um duo, que é uno.
Pois um, não será, se o outro não for.
Vou mudar de tom, para você, prezado leitor, entender-me.
Era uma vez uma sombra.
Uma sombra viva, escarlate, na forma de uma pessoa.
Essa sombra, percorria as paredes, becos e redondezas dos lugares iluminados e tentava, em vão, encontrar sua luz. Retorcia-se de cá e acolá, mas atualmente disforme, sem saber onde se fixar. Sombra era, apenas, a amorfar.
Ela era uma sombra sem dono. Uma sombra vagante, viajante, que de dia escondia-se perdida em pequenos buracos e a noite, se misturava expandida, quase sem vida, em vários lugares e formas com a noite a passear.
Ela era sombra, você já percebeu, só não entendeu que por isso, vivia no escuro e carregava com ela mais e mais densidade com o passar das horas, onde quase se tornava etérea as vezes, palpável mesmo, mas com o passar dos anos mais pesada e mais morosa, cansada de subir pelas paredes ou de se transformar.
Cabe aqui uma ressalva temporal.
Como sombra as horas eram diferentes, mas os anos, há estes eram contundentes!
Também é valido dizer que ela era a figura fugaz de algo que um dia não era sombra. Mas deixe, estar.
Algumas vezes, dizem, que seu peso era tanto, mesmo para uma sombra, que quase virava piche, que se agarra no chão. Mas, ela não era física, e, aos poucos sumia, e se misturava na escuridão. Ao menos existia, fulgurando, perto de uma vela ou lamparina, de um led ou de luz do sol do meio dia.
Essa sombra foi criada de um coração partido, que sangrou, dias e noites até não poder mais. Isso dava seu nome, sombra escarlate, das gotas de sangue que marcaram seu chão. Poético! Patético! Uma sombra quase vermelha que não tinha lugar, como sombra ou centelha. Também não se sabe do coração partido. Contam alguns que já se consertou, se é que isso lá é possível.
Mas; essa sombra, era apenas a sombra daquilo que ela haveria de ter sido um dia.
Mas o que ela foi?
Não se sabe ao certo.
Uns dizem que eram parte de um grande amor que acabou, que seu dono, se matou, e ao esfaquear seu coração, cortou a ligação entre ele e a sombra. E claro, bem claro! Que isso teria sido ao sol do meio dia. Ele, brilhante, ela negra e altiva, espetaculares. Mas era miragem. E aquele sangue, caindo sobre ela, desesperada, fugiu antes do seu dono refastelar no chão!
Outros dizem que ela é fujona, que foi apenas um cortezinho de papel num coração apaixonado, mas que ela, medrosa de se machucar de novo correu, vermelha de vergonha!
Sabe-se com certeza que ela fugiu de um machucado. Daqueles que doem como se o mundo fosse acabar.
E que esses machucados, se não se curam, perduram, e aumentam a sombra que irá rouba-lhe a vida! Esse é o perigo da sombra escarlate! Esse é o terror!, o seu horror!
Alguns olham para ela, num joguete de luzes e a viam divertida, até como brincadeira. Outros, muito poucos, sabiam o quanto ela era perigosa, mas não para alguém, para ela mesma e aqueles que a alimentavam.
Algumas vezes ela se deslumbrava com olhos brilhantes. Saudosa de outrora felicidade luminosa. Diria até que era possível vislumbrar um brilho reflexo nos olhos da sombra encardida!
Mas era reflexo. Ela era sombra. E a luz, perdida... Assim estava.
Não sei se desejo contar a história da sombra, que corre de um lado para outro e se transforma nas figuras mais engraçadas ou nas mais sombrias, mas sempre furtiva, sem seu brilho. Sem achar seu dono, perdido, no tempo.
Dizem, que a sombra desliza a cada tentativa de ser capturada.
Não há falta de tentativa, mas ela só existe, porque há um pedacinho da sua luz perdida em algum lugar, mas ela, luz, se extingue dia-a-dia e a sombra cresce, vermelha, sozinha, corrida e fulgáz.
Vez ou outra, com o vento mais forte ou chuva, a sombra corre mais veloz, pq sente que irá sumir sem deixar vestígios. Outras e vezes ela apenas flutua, sombra de um sonho sem conclusão.
A única coisa que sabe-se ao certo, firme como concreto, é que a sombra procura uma luz para aquecê-la, pois depois que se perdeu, uma sombra sozinha, no sol não existe.
 
A sombra escarlate

Pequenas chamas

 
Tudo passa e tudo é nada
Somo infinitos imperfeitos buscando a perfeição.
Nada ditará o caminho
Tudo acontecerá como acontecerá
Não há planos que prevejam o ditame do futuro
E o futuro acontece pelas nossas mãos
Que, sem ao menos avisar, desaparece
Em um simples adeus desta vida.

Somos insólitos, fulgazes, pequenas chamas
Que num soprar, divino talvez, se apagam sem vestígio
Somos quem somos por aquilo que fazemos
Quem somos, um emaranhado de tudo, e nada.
 
Pequenas chamas

Contraditório

 
Não Sinto tanto sua falta. Mas, Tanto.
Tento sentir menos. Mas, mais.
Me apego em meias verdades. E Duvido.
Me escondo do sol e da lua. Me Vêem.
E quero negar meu amor. Dói tanto.
Numa verdade d'alma e razão. Que Contradição.
A tristeza me encontra. Nem procura.
Doem mais essas mágoas. Mentira pura.
E Grito a Deus por socorro. Que ignora.
Pois fomos nós que tomamos essa direção. Que Seguia.
Por isso dói tanto. Sua decisão.
E me tranco em mim. Fui preso.
Em meu coração. Tão seu.
E choro escondido as noites. Tão alto.
Para ninguem ouvir meus lamentos. Que Ecoam.
Sofrendo com sua ausência. Tão presença.
Olhando deprimido o vazio. Tantas lembranças.
Com um buraco em minha alma. Tão cheio.
Que você fez com tanta calma. Num golpe.
Do amor que partiu. Despedaçou.
Quebrou.
E só luto.
E tento perdoar pois te amo. Tanto ficou.
Acreditando que pode ser possível de novo. Impossível.
Mas é passado. Tão presente.
Então assumo minha fortaleza. Em ruínas.
Por dentro morto. Vivo.
Lembrando com tristeza. Tentando esquecer.
Vivo uma vida. Morto.
Dos bons momentos memoráveis. Tão distantes.
Outros, nem tanto. Que esqueço.
E durmo, praguejando e orando. Fico acordado.
Porque sou contraditório.

São três poemas e historias. Leia somente até os pontos para conhecer uma verdade. Leia depois do ponto para a outra e as duas, juntas formando uma terceira.
As frases únicas são inversões. Ou verdades. E não podem se/me contradizerem.
Temo ter cometido alguma gafe devido ao sono,
Mas foi trabalhoso expor minha alma e brincar com a construção. Apenas surgiu enquanto eu escrevia e argumentava comigo tentando organizar meus pensamentos.
Espero que gostem, ou não. Mas comentem.
 
Contraditório

Sentidos

 
Coisas da vida.
Observando o tempo passar.
Olhar com olhos de um voyeur às horas caminhar
Seduzir-se com o rodopio das hélices do ventilador
Perder-se no imaginar de uma visão de passado
Presente e futuro misturados em vibração não vibrante.

Observando apenas, cada instante
Sensibilizado com uma leve convergência do vento
Estruturado, sem estrutura, vagante.
Rodopiando, como as hélices do ventilador.
Parado com o vento lá fora.

Olhos parados neste momento de partida.
Não verei o chão.

Nariz erguido, fingindo, um ar de circunspecção
Numa alucinação de que tudo é diferente
E que você, simplesmente, não mudou.
É olhar para um espelho e observar um fedelho
De barbas grisalhas, cabelos ralos.
E aparelho ortodôntico.

O tato deixa de ser fato
O olfato busca fragrâncias que não existem
A visão já é cega como a alma que não sente
O paladar não tem mais sabores, só dissabores
A audição não ouve sua voz, só a minha.
Sozinha.

Uma piscadela, um sorriso, uma careta
Desfeita, num sorriso tristonho
Assim, viro o espelho para parede.
E você pare de me inquirir.
Eu simplesmente não sinto.
 
Sentidos

Cansado

 
Estou tão cansado
Cansado de mim, da vida e das pessoas
Queria uma alegria, prazer, tesão.
Não sexual, inocente.
Não ilustre, mas presente.
Não paixão, mas caliente.
Queria meu mestre bom. Orientando.
Queria meu coraçao. Descansado.

Estou tão cansado.
Cada batalha mata em mim
Um pouquinho de esperança
Um pouquinho da fé
Um pouquinho de ...
Estou tão cansado
Tão cansado.
 
Cansado

Caminhos

 
Olha, lá vai ele.
Mas é tão parecido com você.
Mas é que sou eu.
Você é ele?
Sim, eu sou ele e ele sou eu.
Como pode?

Pode que aquele é o que eu seria...
Que seria? Seria se seguisse por aquele caminho.
Mas estou na encruzilhada...
Aquele ali também sou eu..

Mas não olhe para trás.
Pq não?
Simples é o seu passado.
Mas eu me orgulho dele.
Mas é passado.
Nâo, é o futuro.
Como assim?
Aquele monte de passado, é meu presente.
E este presente é que faz o futuro.

Ah. Mas aquele lá ainda é você?
Não.
Pq não?
Por que ao escrever aqui, mudei meu caminho.
Aquele ali sou eu. Aquele seria eu, se tivesse seguido por outro lado.

Nossa, quantos eus...
Sim.. Eu, sou vocÊ amanhã e você sou eu hoje.
Seu caminho é cruzado pelo meu, mas ainda assim
Você não sou eu. Você é você, com um pouco de mim.

Como assim?

Você não leu?
Li.
Então você tem um pouco de mim.
Lá no fundo, é assim. Um pouco de mim, um pouco de você.
Tudo forma: o EU.
 
Caminhos

Cérebro

 
Queria eu fazer-te parar
Descansar, num mar calmo.
Queria eu fazer-te meu
Calar-te, num silêncio resoluto.
Queria eu fazer-te sentir
Ensinar, que não podes substituir o coração.

Eu queria e quero tantas coisas
e você só me dá palavras.
Algumas de desalento, outras
tormento.

Queria eu fazer-te coração
pois seriam dois e não um.
Queria eu fazer-te perceber
que um cérebro mesmo esforçado
será enforcado quando tentar entender
o sentimento do coração.
 
Cérebro

Hoje acordei triste e fui trabalhar

 
Hoje acordei triste
Olhei ao redor
luz queimada, dia frio, cigarro à cabeceira.
Ausência.
Peguei lembranças matutinas, me apeguei.
Quis apagar, ja era tarde e tão cedo.
As horas passaram
Veio uma saudade que doeu fundo.
Tive vontade de falar
Não havia ninguém.
Liguei a TV, desliguei. Caminhei como animal em cativeiro.
Pensei em te escrever, não havia tempo, motivo, palavras.
Hoje acordei. Escrevi um poema triste
E fui trabalhar...
 
Hoje acordei triste e fui trabalhar

Travessia

 
Só minha alma chorou...
Sentado à beira do portal
Pude constatar de forma escusa,
Sem a certeza louca.
O que era o meu mal.
A tristeza em minh’alma
Enegrecida de lágrimas contidas
Presas, sem saída...
Amarradas em minha garganta
calada e desesperada, dolorida.
De meus sonhos frustrados,
Minha solidão furtiva.
Minha morte espreitada,
Mas é esguia.
Não sei por que vivo.
Não sei porque não morro.
Um fim a tudo.
Sem pedir socorro,
Mas minha dor é algo incompreensível
Para outros... talvez compreensível,
Pra que gritar?
Lastimar para ser motivo de chacota.
Desprezado sem saber,
Sofrendo mais rindo de alegria,
Para se conter.
Dúvidas, tristezas, incertezas.
Ciúme, medo, solidão.
Crenças passadas, vida desperdiçada.
Sem consciência do que é ser,
Poder ou amar de verdade.
A consciência é doentia.
A tristeza é infinita.
A morte é certa, mas a fraqueza
É passageira.
Sentado na entrada do portal,
Abaixei minha cabeça e
Chorei, finalmente chorei
Pq já não tinha mais lágrimas
Nem corpo.
Só minha alma chorou,
Despejou o que prendeu
Por toda uma vida de amor
Sem amor. De tristezas e dor.
Na entrada do portal.
Levantei a cabeça e sorri.
Aliviado percebi,
Que já não estava nem mais aqui
Nem sonhando ali.
Atravessei o portal.

Setembro/99
 
Travessia

Há momentos, há palavras?

 
Há momentos em que as palavras fogem
Desaparecem simplesmente no ar
Há tanto a falar e tão poucas palavras
Que desalento, tento, mas há só o calar.

Há momentos que os pensamentos explodem
Rebentam como as ondas no mar
Há tantos fragmentos e cacos
Que me perco, tento, fazê-los colar.

Há momentos que as lágrimas desobedecem
Empalidecem meu semblante sem par
Há tanto para chorar e tão pouco alento
Que suspiro, tento, em vão fazê-las secar.

Há momentos que a dor é tanta
Que as palavras fogem...
 
Há momentos, há palavras?

Um ano de solidão

 
Hoje é completo um ano de solidão
na contagem cósmica de um espírito pagão.
Que, sondando o infinito, perde os anos
sempre buscando, uma simples explicação.

Não, não quero choro. Muito menos festa.
Comemorar com alegria, saudades, expressa.
O caminho foi traçado, não foi pontilhado
Na ligação que compõe essa peça.

Não queria me alongar, nem mesmo comentar
Mas qual o motivo de não registrar
ao menos compartilhar, um fardo, hoje leve
trancado numa gaveta interna a plasmar
a marca negra numa alma que tenta brilhar.

Ah! Como é fácil mascarar. Manipular.
Passar desapercebido sem se apegar.
Preso numa invisibilidade vazia a cantarolar
Solidão, saudade, vazio, buraco aberto
no céu descoberto sem uma única estrela
o caminho iluminar.

Não, não é preciso cantar, nem festejar
este aniversário é de pesar. De pensar.
De meditar. De comprovar.

Venha. Vamos saudar, companheira saudade
com um grito de liberdade, uma única certeza
promíscua, infundada. Que sou feliz!
Pois não há apego, não há fronteiras
Não há carinho, não há maneiras
de sonhar em paz contigo solidão, meu bravio cão.
Que trago junto a coleira
invertida já que me guias
a cantarolar, com a saudade companheira:
Parabéns a você, muitos anos de vida.
Bem dita, pre dita, sem fita.
Que amarre num presente.
A felicidade que um dia foi presente.

Ah como é boba a nossa ilusão.
Que, no vício da solidão nos faz ver
somente o bom, em recordação.
Felicidade não existiu. Foi uma quimera.

Saudade. Solidão. Vivacidade.
A loucura de alguém a comemorar 1 ano
de saudade, na mais profunda felicidade
de sua eterna companheira lua.

Esse poema é mais uma nota pessoal do que um texto que deveria ser publicado. É um conjunto incessante de perguntas e respostas dadas por dois lados de um mesmo eu. Quem sabe um dia, encontro a saída deste meu próprío labirinto onde me perdi.

Enfim, fica o registro. Um ano voa. No paradoxo do tempo que é eterno, mas nunca suficiente. E tão rápido quando estamos felizes, ou descontentes.

Vai entender. Nem mesmo a nós mesmos fomos capazes.
Enfim. Registrado.
 
Um ano de solidão

Uma caça ao poema marcado

 
Sou a pista 5
Sou uma caça ao tesouro
Uma busca ao que há de mais precioso
o sorriso duradouro
refletido, num espelho, no reflexo
de um diamente lapidado.

Eu sou um artesão
a esculpir devagar
um sorriso matreiro
pois eu aqui sou só uma pista
do fim derradeiro

Eu sou apenas o escudeiro
Do eterno cavaleiro a galopar.
Mas, para aqui estar, tive que rimar
e uma pista dar.
De onde eu haveria de estar

Estou no seu coração
Mas hoje, você pode me procurar
onde o simbolo é um pássaro
e a idéia é twittar.

fim da pista... 5

Desculpem aos usuários o poema sem sentido. Mas para uma única e especial pessoa ele fará sentido.
Estou fazendo-a procurar.
Pelos mares da internet
Um poema único e exclusivo
tanto quanto ela.
 
Uma caça ao poema marcado

Sozinho

 
Sinto-me sozinho.
Triste mesmo. Com uma vontade de chorar.
Queria um pouco de carinho. Não vão.
Não mendigado. Não esmigalhado.

Queria deixar de sentir-me desamparado
Amigos. Já não servem.
O passado, já passou.
O futuro, está tão escuro.

Sinto-me sozinho.
Desesperado. Queria conversar. Abraçar.
Talvez, aprender a amar.
Quiça, sonhar.

A paixão se esvaiu. Distraiu. Desiludiu.
Passou e magoou. Tudo parece que estagnou.
E, sinto-me sozinho.
Calado. Sedado. Sozinho.
 
Sozinho

O tempo e o jogo

 
Eu pedi luz
Ela me cegou
Eu pedi confiança
E fui traído
Eu pedi amor
E recebi indiferença
Eu pedi paz
E veio a tormenta

Cansei desse jogo
Quero parar, mas não consigo sair
Olho para os lados e vejo apenas vazio
Um vazio entre tantas coisas e pessoas

Sei que tenho que esperar o tempo
que ele (o tempo) tenha tempo de chegar
antes de eu partir, porque não quero mais jogar.
 
O tempo e o jogo

Gaveta

 
Tenho tantos sentimentos guardados
Que em uma só gaveta já não cabe mais
Pego um a um e, tento entende-los
Mas de alguns já nem me lembro mais

São saudades, mágoas e alegrias
Pífias epifanias de viver um dia
No fim são só lembraças que...
Servem pra que hoje em dia?

Queria mesmo é esvaziar essa gaveta
Jogar tudo fora ou explodir a gaveta
Pra não guardar mais nada...
Mas do que adiantaria? Um buraco
Ou a gaveta vazia?

Parece ser tudo tão complicado
Somos tão passageiros
Mas é só mais um paradoxo da vida
Pois se não tivermos nada na gaveta
Não estaremos inteiros.
 
Gaveta

Par perfeito...

 
Quero alguém altiva, linda e carinhosa. Que se adapte às situações, mas não seja despojada.
Que não se importe como os outros pensam, mas que ouça o que eles pensam e tire proveito disso. Alguém que se entregue de alma, com personalidade. Não fria ou terrivelmente carente.
Que seja fria quando for preciso, e que seja carente para conquistar um carinho.
Que queira, mas também faça e faça bem feito.
Quero uma companheira para todo instante, que goste da madrugada e de um beijo na rua, que coloque alguém no seu lugar se for preciso (até eu mesmo).
Que chame a atenção por onde passa. Que desperte inveja e que seja ignorada de vez em quando. Que saiba que é a melhor de todas, mas que há melhores que ela. E que não se importe com isso e ao mesmo tempo se importe muito.
Que tenha juízo. Isso é importante.
Que seja educada, mas que saiba participar de um campeonato de arroto ou cuspe à distância.
Que se indecisa. Saiba ouvir, falar e saiba calar para entender. Que me faça calar para entender. Que pense. Que sinta. Que seja mulher e que seja menina.
Que precise de carinho. Que de vez em quando não precise de carinho.
Com um grande homem há sempre uma grande mulher e eu me considero um grande homem.
Quero uma pessoa diferente que sabe do seu poder. Que saiba seduzir. Que saiba se portar em uma festa elegante, mas que não se importe de ir dar uma volta nos ‘butecos’ da esquina e que goste disso de vez em quando.
Que goste de uma festa chic, mas que se ela estiver entediante, pegue o frango com a mão ou que jogue uma ervilha com a colher e surpreenda a todos.
Quero alguém recatada. Mas que saiba falar um PHODA-SE, vai para pqp se for preciso.
Quero alguém que ame muito para ser amada muito.
Quero alguém que conte as horas para nos vermos, mas que entenda se eu passar direto bufando porque estava com raiva ou com pressa ou cansado. E que saiba ir lá e pegar o abraço que era dela. E que cobre uma postura minha quando eu errar e que me mostre o meu erro. Que entenda quando eu não conseguir e que esteja lá para me apoiar. Que me ajude a conseguir.
Que me mostre como lhe dar o que ela quer e que me de o que eu quero pois eu mostrarei.
Que seja direta, mas saiba comer pelas bordas.
Que não desista de tentar e brigue para conseguir, mas que não peça o impossível, e raciocine. Quero alguém que veja os defeitos e ajude a tentar mudá-los, ou os aceite, como eu os aceitarei quando perceber que não posso mudá-los.
Quero alguém para confiar de olhos fechados.
Alguém para admirar.
Saber que lá no fim estaremos juntos mesmo a duras conquistas. Mesmo com muita discussão, mas com muito abraço e muito silencio e muitas conquistas.
Alguém para eu tocar o rosto esquadrinhando cada milímetro dele e que goste disso.
Quero alguém safada, mas que não dispense um papai e mamãe. Que pense besteiras e fique vermelha por isso. Que me sacaneie sem sacanear para eu acordar de uma burrice temporal.
Que saiba dar para receber e que cobre o que quer que seja dado.
Quero alguém que consiga sentir-se feliz por estar ali, apenas olhando o sono do outro e que não se importe que o outro vele o seu sono e se distraia olhando-a por olhar porque a acha a mais linda de todas.
Alguém que brigue comigo para poder “futucar” uma espinha nas minhas costas e que fale “arght que nojo”, quando o conseguir e brigue comigo por eu ter deixado fazer isso, e que nossa briga termine num beijo estalado ou em cócegas e risadas ou em amor.
Quero alguém que se comporte extremamente bem e que saiba dar um escândalo se for preciso.
Quero alguém que goste do cheiro dos livros antigos, mas que adore as novidades e a modernidade, da moda, da vida do mundo.
Quero alguém que se preocupe com o mundo, mas que saiba o que pode ou não pode fazer por ele.
Quero alguém que ame festa, mas ame ficar em casa para ver um filme ou um programa ruim.
Que me convença a ir para a festa com um sorriso ou com uma cara triste, mas que entenda quando eu falar que precisamos ir embora da festa porque estou cansado.
Alguém que entenda que se eu faço algo, não é por obrigação, mesmo que seja para agradá-la.
Que saiba que tento a fazer feliz com todas as forças. Mas que saiba que eu sou humano também e que sou cheio de defeitos e manias. Que cobro muito, mas que negocio também.
Quero alguém que seja sincera e paciente. Que saiba planejar a sua conquista. E que também odeie burrice. Mas que esteja disposta a ensinar a se livrar dela.
Quero alguém que goste de aprender e de ensinar. Que saiba dividir, perdoar e pensar no outro. Que tenha sonhos, mas que seja realista ao extremo.
Que adore fazer uma loucura, mas que se comporte se não for à hora de fazê-la.
Que acredite em Deus. Mas que tenha coragem de brigar com ele por discordar de algum dos seus métodos. Que não acredite em nada, mas que implore forças ao invisível pois sabe que mesmo não acreditando ele está ali.
Alguém que seja alegre e mal humorada.
Alguém que tenha TPM. Mas não iguais todos os meses.
Que cative o coração que quer cativar e que não se envergonhe daquele que está ao seu lado, ou não se envergonhe para não envergonhar quem está ao seu lado. Quero alguém transparente e misteriosa.
Quero alguém que não se anule pelo outro, mas que se anule se isso for o conveniente no momento. Mas que em casa, discuta o problema para que ambos não se anulem.
Quero alguém que saiba ser cínica para uma boa briga e que suporte uma grosseria ogra de vez em quando, mas que a discuta entre quatro paredes e que perdoe quando disser perdoar.
Que se for preciso discuta em qualquer lugar para consertar alguma falha grave.
Quero alguém que queira crescer com alguém para fazer a diferença ou simplesmente ser feliz por estar junto com outro.
Quero alguém que cuide de mim, e que goste de ser cuidada por mim.
Quero alguém que me empurre quando eu estiver desistindo de tudo e que perceba o meu puxão para fazê-la crescer junto. E que reclame se eu não estiver puxado ou se estiver puxando muito forte.
Quero alguém que chore e que sinta saudades, que brigue de vez em quando, mas que esqueça em cinco minutos por um abraço apertado ou por um olhar destruído. Quero alguém capaz de estourar como um trovão de raiva, mas que ria muito depois que ele passar e que peça desculpas se errar.
Quero alguém que faça chantagem emocional sim, mas que perceba se estiver passando do limite, e que se tiver a atenção chamada por que passou do limite converse até que tudo seja resolvido.
Quero alguém que discuta a relação, mas não todo santo dia. E que não deixe para discutir se isso realmente for preciso para aquele momento.
Quero que tenha senso para empurrar com a barriga alguma coisa se for preciso, mas que não se esqueça, e que volte ao assunto para resolver, e que resolva definitivamente.
Quero a outra parte de mim. Por que eu sou assim, e por que essas são qualidades que aprendi a admirar dia a dia. Difícil, quase impossível eu diria. Mas é isso que eu quero depois de tanta decepção, de tantas idas e vindas, de tanta fama, sonho e realidade brutal.
Não precisa ter tudo isso na verdade, pois tudo isso, conquista-se com amor. Pelo menos eu acho que sim.
Sinceramente é quase impossível. Mas se existe uma alma gêmea... ela pode dar seus vôos rasantes para nos trombarmos em qualquer lugar e ler isto e me procurar.
Pois eu ainda quero uma mulher que tome a atitude. Que se quer que eu tome a atitude pise no meu dedo do pé para eu fazê-lo e mostre-me com um olhar que é a hora.
Quero uma mulher que domine e goste de ser dominada.
Que se lembre que quem o sexto sentido da percepção é dela, e não eu. Que saiba que eu sou um homem com outro qualquer, mas que também sou diferente como tantos outros.
Quero que ela saiba que as coisas vão esfriando, mas que podem acender de novo e só precisa de entendimento e paciência para isso, e muita conversa e muita briga e muito tudo.
Quero um amor verdadeiro, pois sem ele, nada do que está ali em cima faz sentido.
É você quem eu quero. Você me quer?
Você existe?

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2013
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E preciso muito que você seja sincera e leal.
Verdadeira, que saiba compartilhar e dividir pois quando dou amor, quero amor.
Que esqueça o orgulho quando precisar
Que saiba, como ja disse, que não sou perfeito e não exijo perfeição.
Mas confiança é fundamental.
 
Par perfeito...

Hoje eu acordei com saudade

 
Hoje eu acordei com saudade
Com saudade de um amor bonito que caia tão bem
Da vida onde me joguei de peito, braços e coração aberto
De tudo que passou e foi tão bom.

Hoje eu acordei com saudades das suas manias
Do seu olhar, da sua manha, do seu cabelo...
Com vontade de tratar e ser tratado com carinho

Hoje eu acordei assim, com saudade
Com saudade de um companheirismo sem fim
De conversas, do abraço da noite, do beijo de boa noite...Ouvindo sua voz na minha cabeça dizendo: amor.

Hoje eu acordei com saudade. Dormirei?
 
Hoje eu acordei com saudade

Tempo

 
Tempo, tempo, tempo, tento
Te esquecer, te apagar, me cegar
Saudade bate forte a tanto
Tempo, tempo, tempo, a passar
Que não anda, voa e rasteja
Ja faz tanto, tempo, e não faz nada.
Ouço o tic tac, vejo minha barba grisalha
A foto, digital, oculta o tempo
Que passa sem passar, olho, faz tanto
Tempo, tempo, tempo, lento
Quando luto para o luto passar
Tempo, tempo, tempo, acabou
Agora é meu pesar, morri, há tanto
Tempo, tempo, tempo...
 
Tempo

Oh ego Laevus!