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Poemas, frases e mensagens de Sansone

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de Sansone

Nasci na cidade de Santos, Estado de São Paulo, Brasil, no dia 12 de abril de 1946.Casado com Ângela Trigueiros desde 04.07.1970. Pai de Gustavo e Maurício. Avô de Vitor. Resido em São Paulo.

Um forte abraço

 
Um forte abraço

Não estava dormindo.
Nem acordado.
Apenas estava a pensar.
Quanta beleza há naquela nuvem branca
Que me espreita com ligeiro sorriso.

Parece dizer-me: Ande. Existe felicidade.
Não se abandone nos tortuosos trilhos do pensamento.
Venha comigo viajar. Alcance a esperança
Ria. De tudo. De todos. Até de mim.
Tenha pressa. O vento está aqui. Ele não espera.
Não sabe.

Meus olhos perderam a noção do tempo.
Este talvez ainda esteja no ontem, no passado.
Inexistentes
Minha companhia é o presente.

Não sorria.
Nem pensava.
Chorava.
Quanta saudade há naquela nuvem agora quase cinzenta
Que me aconselha com um forte abraço.

Alexandre Sansone
30.11.09
 
Um forte abraço

Um ponto

 
Um ponto

Um ponto raras vezes representa somente um ponto.
Brilhante refletido no abraço e no olhar amigo dizendo: - Olá! Emoldurado no sorriso acolhedor.
Pintado na memória afetiva.
Quase sempre muito próximo da indesejada distância.

Um ponto perto embora longe.
Emociona ternura calada nas palavras surdas.
Sábio em seu aceno de reencontros.

Um ponto fugitivo.
Voador em seu adeus.
Partindo, costurou triste vazio.

Perdi esse ponto. Por enquanto…

Alexandre Sansone

2016/9.5.2017
 
Um ponto

Ser Mãe

 
À Gé, meu amor

Ser Mãe

O Ser Mãe, de maneira sobrenatural e única, encontra no espaço trevoso miúda claridade que resguarda sua eterna razão do viver: seu filho.

Alexandre Sansone
05.05.2020
 
Ser Mãe

Gela

 
Gela

Gélida manhã de sol outonal
Estamos a alimentar nossa paz
Límpida e doce a cair do orvalho
Amorosamente envolvido de corações.

Alexandre Sansone
27.05.2020
 
Gela

Não sei por que.

 
Não sei por que.

Escrevo.
Não sei por que.
Busco amizade nas palavras? Elas me procuram? Desse encontro resultará alegria provocadora de sorrisos? Não saberei dizer.
Talvez sim. Não.
Sei que pensamentos acompanham dedos na corrida dos sentimentos.
Saudosistas ao aspirarem aromas de outrora.
Alegres ao acenderem brilhos na escuridão.
Tristes ao magoarem mágoas de recordações.
Raivosos ao sonharem sonhos não realizados.
Será...? Não sei por que.
Escrevo soltas letras simplesmente? Uma letra aqui. Outra acolá.
Diz...? Fala...? Preenche o branco espaço...? Talvez sim. Não.
Por que escrevo? Para rimar coração com algodão? Ridículo seria.
Nada teria sentido.
Repergunto.
Por que escrevo? Para passar o tempo? Ou é ele que me transpassa? Para acordar a solidão? Ou é ela que me rebate? Não sei por que.
Mas escrevo.
Pinto palavras nos sons que nos rodeiam.
Toco notas nas cores que nos envolvem.
Bailo canções nas partituras que nos acalmam.
Canto melodias nos amores que nos arrebatam.
Ora...! Então sei por que escrevo...! Será...? Não sei por que.

Alexandre Sansone
29.07.2016
 
Não sei por que.

A escolha de Sofia

 
A escolha de Sofia

Nós, que éramos jovens na época da exibição do filme que trazia o título acima, nos sensibilizamos com a decisão tomada pela protagonista da trama. Ao término da história sentíamos um misto de raiva, dó e amor diante daquela mãe amargurada.
Quem viu já entendeu minhas palavras. Não conhece? Pesquise. É urgente saber o significado da frase titular neste momento de Covid 19 em que existe uma dúvida apontando para nossas cabeças: escolher quem vive ou quem morre, jovem ou idoso. Quem sofrerá com a perda? Filhos ou pais? Netos ou avós?
Antes, muito antes, da existência dessa dúvida é obrigatório dar condições (totais) à ciência na busca de soluções médicas para salvamento do maior número possível de vidas independentemente de crença, raça, sexo, idade e classe social. Ao mesmo tempo é necessário criar mecanismos econômicos de ajuda à população carente ou não. Quais? Quem governa tem o dever e a obrigação de saber ou descobrir.
Por enquanto, FIQUE EM CASA para aplaudir e agradecer aos profissionais da saúde e a todos os que labutam em atividades essenciais e se arriscam para nos proteger e salvar sem escolher entre jovem e idoso. A vida é nossa, sempre.

Alexandre Sansone
18.04.2020
 
A escolha de Sofia

Vinte e quatro horas sem Marlene

 
Vinte e quatro horas sem Marlene

O sorriso espalhafatoso dizia tudo para os que com ela conviviam. Direta e amiga sempre. Inimiga, nem pensar. Era rápida e inflexível. Temida e amada. Isso dependia do tom da conversa. Não aceitava gracejos indesejados. Repelia com veemência. A vizinhança a respeitava. Afinal foram intensas cinco décadas. Samba, canto, paixão e cozinha aliados ao seu gingado próprio e sensivelmente particular personificavam aquela figura alta, volumosa e morena. De longe ouvia-se seu dançar cantarolado abastecido do amor trazido pelo aroma de seus temperos.

Até hoje todos se recordam de sua vinda a este mundo. Sol a vapor escaldante. Domingo bravo de um verão aterrorizante. Exatamente ao meio-dia ecoou por todos os lares do bairro um canto de sereia que encantou inclusive os que dormiam e roncavam suores de corpos doídos do trabalho noturno. Rostos escancaram-se nas janelas e portas. Correrias de crianças esquecidas das brincadeiras. Avós com terços a entoarem rezas e inúmeras preces. Jogadores abandonaram a bola e rodaram a esmo procurando algo desconhecido.

A linda menina crescia envolta em seus sentimentos meigos e rudes sempre em busca de um fato novo que a fizesse sorrir. Adorava rir. E quando isso acontecia – quase sempre – o bairro inteiro ouvia o bater de seus dentes a cantar alegrias. A empolgação se generalizava. Não sabiam ao certo o motivo, mas gargalhavam saudade que um dia sentiriam. Não havia uma só nota musical que não aderisse aos requebros harmônicos da pequena.

Na adolescência estreou no carnaval. Encantou até o mais incrédulo folião. Ainda enxergava o mundo como envolto em uma enorme brincadeira sem tristezas e maldades. Os olhos imensos da agora jovem morena percorriam com vigor o transcorrer dos dias sem conhecer as noites que se avizinhavam. Era independente e liderava sua vida como quem dirigia um enorme caminhão com pressa. Jamais aceitaria imposições. Era livre o suficiente para sobreviver.

O aroma dos mais variados e exóticos temperos vindos da cozinha penetrava nos lares levando doçura e encantamento. Era mágico sentir o vento trazendo apetitosas delícias. Vivia do fogão. Amado fogão. Com esse dom conquistou além de muitos clientes inúmeros amores que se derretiam por suas qualidades de cama, mesa e banho. O mais importante para aquela alma inquieta foi a companhia do bombeiro que morava a cinco quarteirões. Aconteceu com muita intensidade e ternura. Ao perceber que perderia sua independência afastou-se mesmo sentindo profunda dor a atormentar seu espírito.

Resolveu que jamais tornaria a se apaixonar. Era sofrimento por demais. Não se encaixava em sua transbordante alegria. Ao anoitecer quando uma pequena nostalgia a incomodava buscava nas companheiras - a música e a cozinha – seu alento. Eram panelas, travessas, colheres de pau, samba no pé, voz firme pulando do ventre, cocada, feijoada, carne assada, bolo de milho a rodar como belo desfile da escola de samba, amada amiga da juventude. Essa era a Marlene que envolvia as ruas com seu canto de sereia ao som do badalar da meia-noite. O último a ouvir e a ver o sorriso moreno e largo. Pela manhã a encontraram. Estava linda e feliz. Traiçoeira noite.

Naquela pequenez temporariedade o bairro inteiro escutou o lamento cheiroso e harmônico da forte canção que chorava ao se lembrar das vinte e quatro horas sem Marlene.

Alexandre Sansone
27.05.2020
 
Vinte e quatro horas sem Marlene

Dia da Terra

 
Dia da Terra

Paz, a borboleta, e Universo, o passarinho, voavam novamente.
Percorriam planícies, montanhas, mares, vegetações.
De maneira doce folhas acenavam aos corações.
Transmitiam leveza ao sol e a lua suavemente.
Os astros cantavam e davam vivas às comemorações.
Naquele dia, 22 de abril, a Terra sorriria alegremente.
Celebraria os cinquenta anos de sua data, o Dia da Terra.
Todo o Planeta resplandecia de felicidade: não haveria guerra.
Por horas não se lembraria de frases banais soltas no ar.
Taparia os semblantes do espaço para manter seu lar.
Paz e Universo conscientes disso espalhavam pétalas sem parar.
Em pouco tempo tudo e todos ficaram cobertos de perene fraternidade.
Água, terra, ar e fogo se abraçaram e louvaram a amizade.
Unidos manteriam acessa a chama vermelha da solidariedade.
Paz e Universo cumpriram a tarefa amiga de elevar a lealdade.

Alexandre Sansone
23.04.2020
 
Dia da Terra

À infância

 
À infância

É o riacho que ri o riso que desponta a ponta que lança o algodão no ar
... Penumbra leve traz em seu bojo pequenos traços que formam laços azuis brilhantes...
É o mar que zomba da bomba que chocolateia borrando o rosto
...Pedra branca leva dentro de si grandes abraços que enlaçam desejos, amigos prateados...
É o riacho que zomba do riso que desponta a bomba que lança o algodão borrando o rosto com ponta de chocolate.

Alexandre Sansone
2003
 
À infância

Pássaro-luz!

 
Pássaro-luz!

Veja, lá está o Pássaro-luz!

Como brilha
no espelho do ontem.

Ei. Venha para o lado certo.
- Não me pergunte qual seja. Não o sei direito.
O que importa é a bondade
de seu voo alimentando
ilusões afogadas no espaço azul.

Pássaro-luz!

Como canta
na caverna do futuro.

Ei. Derrube o som desafinado.
- Não me pergunte de onde vem. Não o sei direito.
O que importa é a amizade
de seu olhar transmitindo
doçuras afagadas no espaço branco.

Pássaro-luz!

Suas cores enfeitam
a árvore tão bela
que dá frutos preciosos.
- Quais? –
São pedaços do presente
embrulhados com saudade
dos minutos vividos.
São fatos, fotos, rostos, seres amados
emoldurados nas bolas alegres de Natal.

Pássaro-luz!

Sua paz enobrece,
retira o sabor amargo
e devolve o amor ao amor.

Alexandre Sansone
(26.11.85)
 
Pássaro-luz!

Meninângela

 
Meninângela

Olhos verdes
Penetrantes
Cabelos curtos
Lisos
Adornados por borboletas que não voam
Só encantam
Seu semblante angelical
Transformando vivência em esperança
Saudade em amanheceres reluzentes
Tampos não passados
Relembrados, apenas
...”Pega Pega”...
...”Amarelinha”...
Rodopios cantadores
Sorrisos inocentes
Olhos verdes
Meigos
Cabelos trançados
Lisos
Enfeitados por fitas coloridas
Moradias futuras
Das borboletas que não voam
Só encantam seu semblante angelical
Transformando esperança em vivência
E reluzentes amanheceres em saudade.

Alexandre Sansone
2007
 
Meninângela

União

 
União

Pétala perambula no ar. Pensa estar só.
Brisa chicoteia o som. Acredita ser surda.
Luz escurece o dia. Pensar está cega.
Escuridão brilha o vidro. Acredita ser feia.

Ar chicoteia a pétala.
Som perambula só.
Dia acredita ser escuridão.
Luz pensa estar cega.

Folha cai no chão. Está acompanhada.
Vento derruba a árvore. Ri um choro compulsivo.
Noite dança no espaço.
Está desacompanhada.
Claridade apaga o reflexo. Grita um murmúrio incompreensível.

Chão chicoteia a folha.
Árvore perambula no vento.
Espaço acredita no choro.
Reflexo ri de seu semblante.

Pétala, som, brisa, vento, luz, noite, claridade de unem para dançar uma dança que chicoteia o reflexo.

Alexandre Sansone
25.06.2008
 
União

Indigência

 
Indigência

Ventre rasgado.
Filho engolido.
Arroto explodido num riso sarcástico.

Dentes limados.
Boca enlameada.
Cuspida arrebatada num choro convulsivo.

Dor no peito: saudade
Nó na alma: remorso
Consciência negra: nojo.

Mistura de odores que penetra nas narinas alargadas.
Chorando, espinhos caem das pálpebras.

Tristeza perseguindo a trajetória vazia de ser apenas um inútil, perdido na trilha.

Alexandre Sansone
1982
 
Indigência

Um homem comum?

 
Um homem comum?

Olhando daqui parecia um homem comum no banco da praça. Sem atrativos. Nada de brilho no olhar. Apático. Indiferente. Tão somente respirava. Sentado ereto e com os braços estendidos até os joelhos. Pés juntos. No esquerdo, sapato preto. Marrom no direito. Este era o detalhe que o transformava em assunto dos que por ele passavam. Espantados, riam ou lamentavam sem saber exatamente o porquê.
De longe percebia-se sua palidez seca na pele endurecida pelo passar do tempo. Roupas limpas e surradas. De perto talvez exalasse um perfume deixado no corpo por algum sabonete inexpressivo. A cada badalada do sino da igreja anunciando um quarto de hora, enfiava a mão no bolso do paletó, retirava o maço de cigarros e o isqueiro vermelho-escarlate. Ao último som, acendia o cigarro e sorria.
Não atirava a sobra do cigarro no chão. Apagava-o, nos dias pares, na sola do sapato preto e o guardava em uma caixinha que trazia sempre com a mão direita aberta. O esmero era tanto, que para um observador atento daria a impressão de ser do mais requintado cristal. Era de papelão vermelho-escarlate. O sorriso apareceria no próximo cigarro. Assim permanecia por exatamente seis horas.
Às vezes alguém sentava-se ao lado dele. Quando o cumprimentava, recebia de retorno um silêncio frio e distante. Não trocava única palavra. Espantava com um abanar de mãos os pássaros que ousavam dele se aproximar. Aos pombos dirigia um ríspido bater de sola do sapato marrom. Com o preto empurrava as folhas perdidas das árvores. Essas recebiam um leve balançar de cabeça. Seria respeito por também estarem ali?
Da janela da sala era sempre observado e admirado pela pontualidade de seu gestual diário. Nos dias ensolarados usava um largo chapéu claro que enchia de sombra seu rosto. No inverno, trocava-o por um acinzentado que escondia seus cabelos brancos sempre muito bem penteados. Dava a impressão que ao ajeitar o chapéu sentia orgulho em mostrá-los.
Caso a chuva marcasse presença, usava capa preta, daquelas bem antigas e um comprido guarda-chuva de pano também preto e sofisticado cabo de madrepérola. Nada o abalava. Dava a nítida impressão de estar cumprindo uma obrigação. Ou estaria sempre a aguardar alguém? Havia um detalhe. Ao chegar e ao se retirar olhava ao redor como se procurasse algo. Tinha apreensão nesse gesto.
O banco era o mesmo todos os dias. Aquele, do lado esquerdo de quem daqui observa e bem defronte da padaria mais antiga do bairro. Ao perceber que estava ocupado, dava voltas pelo lado direito da praça até que permanecesse vago. Somente nesse momento se sentava. Não comia e nem bebia. Fumar era seu deleite. Cigarro barato e com forte odor amargo de nicotina. Assim transparecia nos semblantes dos que por ali transitavam.
Houve um período sem aparecer. Era outono.
A praça estava enfeitada para as festividades de final de ano na manhã em que o homem surgiu trazendo uma pequena mala preta com palavras em vermelho-escarlate. Forçando a visão era possível ler: Casa do Bom Idoso. Ocupou seu espaço no mesmo banco. O rosto desenhava uma ligeira esperança de alegria. As passadas tinham sido mais firmes. Havia decisão em seu andar. O sino soou sozinho. O cigarro não compareceu.
Vestia seu antigo terno com aparência de novo. Os sapatos, cada um de sua cor, lustravam de tanto brilho. Trazia ainda seu guarda-chuva enrolado em uma fita madrepérola. Na cabeça, o chapéu claro. O outro certamente estaria na mala. Ou o teria abandonado, por ter triste aparência. Pela vez primeira consultou as horas em seu dourado-velho- relógio- de- algibeira. Apreensivo? Temeroso? Nervoso? Saudoso?
Somente ele para dar a exata resposta. Provavelmente aquela jovem senhora de vestido lilás que para ele acenou da janela do carro que parou na frente da padaria saberia. Ela demonstrava inquietação e até mesmo uma certa contrariedade. Notava-se pela rispidez de seu distante cumprimento. Não houve abraço e aperto de mão. Leve acenar, talvez. Encaminhou o homem para o banco de trás e mandou o motorista seguir. Ela entrou em outro veículo e acompanhou o primeiro.
Ao darem a volta na praça foi possível notar seus olhares. O homem trazia um suave sol em suas lágrimas que molhavam a palidez seca de sua pele endurecida pelo dissabor da solidão. Ela, com sua altivez, apagava a luminosidade do afeto. Não admitiria olhar para trás e enxergar o passado na presença daquele homem comum.
Seria!?

Alexandre Sansone
25.05.2020
 
Um homem comum?

Feliz Aniversário

 
Feliz Aniversário

Dedicado ao amigo Dr. Arthur da Motta Trigueiros

A máquina para
ao olhar distraído
da cinza pomba
que busca entre as migalhas do ar
um pouco, ou quase-nada, do tudo
retido na lembrança colorida
de um sentimento agora adormecido
pela ausência saudosa da presença partida.

Aniversário,
rosário de fatos
acumulados no álbum memorial
de nossas existências,
marca seu ponto
no dia desse desencontrado

sabor de lágrimas
salgadas pela recordação.

O homem sonha
sempre com o brilhar do sol
que carrega em seus raios

a sinistra e escura – será assim?
figura da morte.

Parabéns ao tempo.
Abraços ao passado.
É aniversário de uma vida eternamente amiga.

Alexandre Sansone

16.04.1982
 
Feliz Aniversário

Gelinha

 
Gelinha

Do dia, resta a noite.
Do trabalho, arrota o nada.
Da amizade, sobra a tristeza.
Mas, do amor, transborda a alegria de ter você.

Alexandre Sansone
03.04.86
 
Gelinha

Quem sabe

 
Quem sabe

Sob o sol fazendo contraponto ao azul celeste
Sonhava a menina com o futuro que acenava distante
Ao olhar doce e suave do amado perdido no horizonte.
Percebia de longe o som de flauta vindo de uma ninfa adolescente
Que jogava ao vento notas livres do “ Quem Sabe” do brilhante
Carlos Gomes que ouvia na caixa de música que ganhara de presente.
Sentiu naquele momento estranha sensação de saudade.
Pequenas gotas salgadas rolaram no juvenil semblante.
A ninfa entendeu a tristeza da jovem e sem demora reluzente
Entoou canções repletas de alegria que deram colorido ao ambiente.

Alexandre Sansone
26.04.2020
 
Quem sabe

Flores de amor-verdadeiro

 
Flores de amor-verdadeiro

Vaso de cristal lapidado
Abriga sentimento límpido
E reflete folhas carinhosas
Que entoam suaves notas
A bailar por entre as lembranças
Reinantes no tempo vivido.

Perfume doce de melodia
Permanece dia após dia
E mostra alegrias
Que encantam suaves notas
A cantar por entre as lembranças
Dominantes no amor vivido.

Espaço branco de papel
Acaricia um amor-verdadeiro
E cristaliza transparências delicadas
Que movimentam suaves notas
A dançar por entre as lembranças
Permanentes no abraço vivido.

Vaso, cristal, folhas, melodia,
Notas, lembranças, alegrias,
Papel e transparências de dadas mãos
Bailam suavemente
E cantam doces e suaves canções
Reinantes, dominantes e permanentes.

Alexandre Sansone
2011
 
Flores de amor-verdadeiro

Doce infância

 
Doce infância

O estranho homem olha para dentro de seu próprio corpo desejando buscar algo de há muito perdido: sua doce infância.

Alexandre Sansone
Dezembro de 1970
 
Doce infância

Sentir

 
Sentir

Sentir é receber o vento frio no rosto
que envolve visão e sentimento oposto
ao mergulho quente do pensamento ausente
que separa o dia da noite sem luar presente.

Sentir é acariciar o ontem trazido do futuro
que espera o encontro cabisbaixo aquém do muro
de nuvem cinzenta e esbranquiçada do hoje carregado
que sofre baixinho a alegria de não ser odiado.

Alexandre Sansone

09.12.19
 
Sentir