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Poemas, frases e mensagens de Joséhonório

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de Joséhonório

Guitarra Ensolarada

 
Entusiasmo do sol furtava inspiração
Até ao arquipélago benguelense
Onde rudes lembranças iam à messe
E estrofes negras tocavam ao coração

Guitarra guardada no coração
Rugia como leão à sombra do mar
Tão distante agora de musicar
Tão seco como sonhos de verão

Onde está aquele sol vadio
De tristes cantos de cegonhas
Que dos mangais vinham sem penas
E aí chegadas eram depenadas com ódio

Assim molhada às estrofes
Ela toca aos naufrágios escravizadores
Enegrecendo brancas nuvens às dores
Que caíam até aos monges

Guitarra morna aos nervos
De escadas de paraíso anais
Que em canções angelicais
Secas teus dedos servos

Cantaste sob acácias com esperança
E na guitarra ensolarada ao vento
Tu levaste às sereias esse talento
Que hoje em dia é já herança...

Escrito em 25 de Agosto de 2009 em Luanda
 
Guitarra Ensolarada

Lágrimas Presas

 
Antes de mais do que menos
Sou lágrimas presas à alma
Que de tanto secas à cama
Evadem às pressas hinos

Antes de mais do que menos
Sou por ora detido por mentes
Que ao longo de luzes agrestes
Já pouco me davam aos acenos

Há mágoa nesse serpenteado rio
E por isso se erguem transbordos
Onde eu afogo noites sem bordos
E assim se emudecem gritos a fio…

Antes de mais do que menos
Sou postulante à aspiração poética
Azarada à saída da antiga ética
Que destemida chamusca dedos

Caí por haver tentado creditar
Versos em papéis voadores
E para além levar sorrisos tristes
A partir desse difícil fitar

Instantes em mim irrompem
Silêncios que vozeiam cantos
Mas antes de mais os abolem
Ante ao desespero de haver prantos

Antes de mais do que menos
Até de arlequim venho confundido
Visto meu refrão cantar ardido
Antes de mais do que menos...

Poema escrito no dia 9 de 9 de 9, em Luanda
 
Lágrimas Presas

ARCO-ÍRIS EM LÁGRIMAS

 
ARCO-ÍRIS EM LÁGRIMAS
 
chuvas torrenciais idas da alma
inundam teus olhos e neles
descem temporais que amarguram meles
e desunem um abraço de desespero na palma

contristo-me, porque nos teus olhos
há cíclicas enxurradas de tristeza
e quilómetros de lamas de impureza
que abafavam degustáveis molhos

num momento, um inesperado arco-íris
vindo de si e de mim interrompeu
tuas lágrimas de justiça ao céu
para onde indica a pirâmide de Osíris

embora as toneladas das lágrimas
de teu rosto inundassem meu espírito
de angustia, no arco-íris meu grito
de desalento granjeou rimas

ao abrigo desse arco-íris agora
teu rosto só brilha com as cores
que exortam de longe os sabores
destas lágrimas que a nuvem evapora

e quando tocaram em teu semblante
meus dedos foram inundados
nas lágrimas em prol dos fardos
que nos seus ombros carregas avante

REI MANDONGUE I "Pensado e escrito em Benguela, aos 10 de Abril de 2010".
 
ARCO-ÍRIS EM LÁGRIMAS

ERMO MAR

 
MAR MORENO FENECENDO AO LONGE
MINHA PULCRITUDE MISTERIOSA
E IMPELINDO A DESCURADA PENA OCIOSA
QUE O ONDULAR ARREMESSAVA AO MONGE

MAR TÃO PACATO COMO LAGO
QUE FAZIA MEU ESPÍRITO VOAR
EM ZIGUEZAGUE E AINDA ECOAR
MINHAS QUIMERAS NESTE AFAGO

MAR QUE DESCIA DAS PROFUNDEZAS
E SUBIA AO ALTO DOS AZUIS CELESTES
MAS NAS AREIAS DE CHUVAS AGRESTES
OS DESEJOS ERAM IMPELIDOS DE RUDEZAS

MAR TÃO REAL E TÃO FINGIDO
QUE DEBAIXO DOS OMBROS MOLHADOS
UM TROVADOR DOS SONHOS AFASTADOS
CANTAVA UM ENCANTO ERIGIDO

POR JOSÉHONÓRIO
 
ERMO MAR

QUITANDAS D’AQUI

 
No mesmo sitio onde alardes
Se erguem palavras feias
Que agora zombam suas ceias
E dispensam que andes

Frutas ainda suadas no chão
Debuxam veredas para o Catambor
Donde zungueiras saem para o labor
E aqui chegadas são travadas pela legião

Dentre insónias, quitandeiras cantam
Poemas audíveis até aos surdos
Que levam a que esses versos mudos
Fossem àqueles bebés que choram

Se eu escrever com insónia
Sobre quitandas dessa terra
Meu sonho sonhará a guerra
Que aspiram zungas à agonia

Com esses versos aqui trago
Estrofes zungadas sobre cestos
Multicolores que entoam gestos
Da zungueira pacata como lago

Alugo horas de fio
Mas ainda vacilo
Em gritar à rua sem sigilo
Sobre essa zungueira com frio

Luanda, aos 13 de Outubro de 2009
 
QUITANDAS D’AQUI

Benguela prestigiada com CAN2010 nas vésperas do 393º aniversário

 
Benguela, 03/03 – Falo da província de Benguela, que nas vésperas dos seus 393 anos de existência, a assinalarem-se a 17 de Maio, ganhou um estádio moderno com capacidade de 35 mil espectadores que acolheu, entre outras selecções, o campeão africano (Egipto) na primeira fase da 27ª edição da Taça de África das Nações Orange Angola2010.

A província de Benguela ocupa uma área de 39 mil e 827 quilómetros quadrados e situa-se no litoral centro de Angola, limitando a Norte com a província do Kwanza Sul, a Leste com a do Huambo, a Sudeste com a da Huíla, a Sudoeste com a do Namibe e a Oeste com o Oceano Atlântico.

A província, cuja população está estimada em um milhão, 928 mil e 140 habitantes, na sua maioria da etnia Ovimbumdo e Nganguela, 46 porcento dos quais com menos de 15 anos, divide-se em 9 municípios: Baía Farta, Balombo, Benguela (sede), Bocoio, Caimbambo, Chongoroi, Cubal, Ganda e Lobito.

O território da província representa uma complexa combinação de planaltos escalonados, cortada por vales e rios e é drenada por alguns cursos de água que confinam nas bacias hidrográficas do Balombo, Cubal da Hanha, Catumbela, Cavaco e Coporolo, que definem vales agrícolas importantes da faixa litoral da província (Canjala, Hanha, Cavaco, Catumbela e Dombe Grande).

Os rios Balombo, Catumbela, Coporolo e Cavaco, são os principais da província, onde a língua nacional falada é o Umbundo. As terras que hoje formam esta parcela acabaram por despertar a atenção de Manuel Cerveira Pereira, governador-geral de Angola, entre 1603 e 1607, que nelas se estabeleceu em 17 de Maio de 1617, depois de ancorar a sua nau na baía de Santo António.

Desafiando uma vegetação densa e pântanos insulares, 130 homens europeus e nativos deram o tiro de história da cidade de “São Filipe de Benguela”, localizada na costa de África a oeste e ao fundo de uma espaçosa baía, sob o paralelo 12º 34' 17" hemisfério austral e o meridiano 13º 22' 33" leste de Greenwich.

Com a construção do Caminho-de-ferro de Benguela, no início do século XX, a cidade tornou-se no grande motor da região centro e sul de Angola. Ao longo da linha foram surgindo cidades como a Ganda, o Cubal, e Silva Porto (actual Kuito), o que deu a Benguela o título de “Cidade Mãe de Cidades”.

Por esta altura ocorreu também o “boom” do Lobito, onde se construiu um dos mais importantes portos do sul de África com águas profundas, transformando-o num grande eixo de desenvolvimento da província e do país.

O Clima na província é tropical árido, influenciado pela Corrente Fria de Benguela. A temperatura máxima é de 35, 0º, a média de 24, 2º e a mínima de 10, 4º. A humidade relativa média fixa-se nos 79 porcento e a precipitação média anual nos 268 milímetros.

A província de Benguela apresenta um grande potencial agrícola devido à estrutura dos seus solos e as condições hidrográficas do seu território. Cerca de um milhão de hectares são terras favoráveis ao desenvolvimento da actividade agrícola predominada pela banana, milho, sorgo, batata rena, batata-doce, sisal, algodão, café, palmar, trigo, abacaxi, feijão, mandioca, hortícolas, citrinos, manga, tabaco e cana-de-açúcar.

A província de Benguela está vinculada ao Sistema Político Nacional. A articulação governamental é estabelecida entre o Governo Central e o Provincial, através do Ministério da Administração do Território, do Secretariado do Conselho de Ministros e dos diversos Ministérios Sectoriais.

A produção divide-se em culturas frutícolas (abacate, abacaxi, banana, citrinos, goiaba, mamão, manga e maracujá), culturas hortícolas (cebola, tomate, etc), cultura de tubérculos (batata doce, batata rena, etc), cultura de oleaginosas (algodão, amendoim, girassol), cultura de leguminosas (diversas espécies de feijão, soja), cultura cerealíferas (milho, sorgo, trigo), cultura de café arábica e cultura da cana-de-açúcar.

No sector pecuário, Benguela dispõe de um forte potencial para a criação de gado bovino, suíno, caprino e avícola, ocupando o quarto lugar a nível nacional em termos de produção pecuária. A apicultura na província é uma actividade tradicionalmente forte nos municípios do Balombo e da Ganda.

Benguela é o segundo maior produtor de pescado no país. O sector das pescas tanto industrial quanto artesanal assume uma importância no contexto socioeconómico da província.

O município da Baía Farta é o principal centro piscatório da região, onde se aglomera a maioria das unidades industriais de pesca, seguindo o do Lobito e o de Benguela. Abundam nos mares desta zona espécies como o cachucho, garoupa, corvina, carapau, sardinha e cavala.

O segundo maior parque industrial de Angola está instalado na província de Benguela. Com a recuperação das vias rodoviárias entre Benguela e os restantes centros urbanos do país aliada à nova dinâmica do Porto do Lobito e a reabilitação dos Caminhos-de-ferro de Benguela, a província reassume o seu posicionamento estratégico enquanto importante centro económico do país e da região sul de África.

Das 52 empresas e unidades de produção industrial principais da província concentrados sobretudo nos municípios de Benguela e do Lobito, a maior parte opera no ramo alimentar. Entre estas destaca-se a Soba-Sociedade de Bebidas de Angola, onde se produz, entre outros produtos, a cerveja Cuca.

O sector de indústria alimentar produz, além de bebidas alcoólicas (vinho, whisky, dri gin e licores), confeitaria, farinha de milho, refrigerantes, pão, bolacha, água, mineral, água tónica, sumos, soda e ginger ale.

A província de Benguela é conhecida, essencialmente, pelos belos areais, águas límpidas e pequenas baías recortadas ao longo dos seus 200 quilómetros de costa. Praias como a da Baía Azul, Santo António, Caotinha, Morena, Kuito, Equimina e Restinga do Lobito engalanam o roteiro turístico da localidade.

O sector hoteleiro é composto por 10 hotéis, 32 pensões e 19 hospedarias. Já a rede de restauração é formada por 975 restaurantes e similares.

A diversão nocturna passa também pelas 4 discotecas e boites e pelos 7 centros recreativos e dancing aí existentes. Sete agências de viagens e oito rent-a-car completam a oferta de serviços relacionados com o sector do turismo.
O ensino médio contempla a formação nos institutos, educação, saúde, mecânica e electricidade.

Para além do ensino estatal, também o sector privado está fortemente enraizado na província.

O ramo superior público está representado pela Universidade Rei Katyavala Buila, com os cursos de Pedagogia, História, Psicologia, Geografia, Matemática, Linguística Francesa e Inglesa, Economia e Gestão, Direito, Engenharia, Informática e Educação Especial.
Existem no total 13 unidades hospitalares públicas, com capacidade máxima de 1782 camas.

São elas: Hospital Provincial de Benguela, oito hospitais municipais e quatro comunais. Para além destas estruturas, há ainda 22 centros de saúde públicos nos municípios de Benguela, do Lobito e da Baía Farta. As cinco farmácias públicas da província agrupam-se nas cidades de Benguela e do Lobito.

Benguela é reconhecidamente terra de artistas. Entre os “filhos da terra” que se evidenciaram no domínio das artes contam-se a poetisa Alda Lara, o escritor Artur Pestana “Pepetela”, o “Tio” Raul David, os músicos da nova geração, Matias Damásio, Helvio, Mabela, o grupo de dança Bismas das Acácias.

A Província é rica em monumentos históricos, de entre os quais podemos citar a Igreja da Nossa Senhora do Pópulo, a igreja da Catedral, a Igreja da Nossa Senhora da Graça, o Largo da Peça, a Rua 11, do poeta e escritor Alves de Almeida Santos, o museu de arqueologia, que no passado havia sido a Companhia do Cabo Submarino, instalado durante a Conferência de Berlim para fornecimento de informações, entre outras.

A grande realização na província nos últimos anos em termos de infra-estruturas desportivas foi a construção do pavilhão multiusos “Acácias Rubras”, com capacidade de 2100 lugares. Acolheu a primeira fase do Afrobasket2007. E em Janeiro de 2008 o recinto esteve novamente ao rubro no Campeonato Africano das Nações em Andebol seniores masculinos e femininos.

Por José Honório
 
 Benguela prestigiada com CAN2010 nas vésperas do 393º aniversário

ORGULHO DE SER...

 
ORGULHO DE SER...
 
Eu testemunho o orgulho
De ser a urbe africana da poesia
E a desabrochar diante da cortesia
Desde a alvorada a arriar o murmúrio...

Eu me orgulho de ser...
O poeta desta terra verdejante
Que ao sentir o marulhar da praia distante
Flori a minha inspiração mesmo sem a merecer...

Eu tenho orgulho de ser...
O poeta ignoto nesse mundo
A zelar o pobre sem escudo
E lacrimejar o célebre a perecer...

Eu sou o orgulho de ser...
Àquele poeta enternecido
Mas jamais adormecido
Pela luz do amanhecer...

Benguela, 22/2/2004

Luso-poeta JoséHonório
 
ORGULHO DE SER...

Horizontes Misteriosos

 
Tarde vernácula e também tropical
Pelo sol lustroso àquela formosura
Em que inspirados no ventre da aurora
Os versos me torturavam como cal

Eram os horizontes misteriosos
Que me incitavam de um modo ousado
E enquanto eu olhava ao céu extasiado
minhas mãos escreviam versos ociosos

Do silêncio vespertino que estou a lembrar
que com a perda daquela paixão no verão
sufocou minha provável canção
Que era para a noite tanto a amar...

Horizontes misteriosos lá...
Floresciam lindos poemas
do poeta que defendendo seus lemas
cresciam algo ilustrado cá...

Benguela, 18/2/2004
 
Horizontes Misteriosos

CRIANÇAS

 
Lindas, sorridentes e abraçadas
E gritando ao verem os flamingos
As meninas buscam doces figos
E brincam na areia de mãos dadas

Em casa ou na escola
Elas correm ingénuas atrás do pássaro
E sorriem porque o Amaro
Caiu e rasgou a sua sacola

As tarefas elas sempre fazem
E quando desenham lindos bonecos
seus olhos são meigos e sem becos
despertam o futuro no além

Quando um ninho chilrearia
Elas curiosas querem sorrir
E depois cheirar o girassol no sentir
Que um dia sua infantilidade passaria

Feito-poeta Rei Mandongue I- 30 de Julho de 2010-07-30
 
CRIANÇAS

Amor

 
 Amor
 
Amor é esta realidade
Que em nós permanece
E amortece a vaidade...

Amor é um romance adoçado,
porém complicado…

Também é Amor sofrer
Dando meiguice...
Amor é fingir a dor
É sentimento que corrói o pensamento!

Amor é amargura inadiável
Amor é viver inspirado
É sentir algo de repente...
E sorrir descontente...

Quem ama sem olhos vê
Ainda que seja surdo ao Amor ouve
E mesmo mudo de Amor fala, até love
E tão pobre, alguém no Amor crê...

Luso-Poeta JoséHonório
 
 Amor

ACÇÃO DO EXECUTIVO CONTRA CHEIAS CHEGA A USD 39 MILHÕES E TRAVA ASSOREAMENTO DOS RIOS EM BENGUELA

 
Devido aos rios que a atravessam, a província de Benguela sofreu bastante os efeitos dos principais fenómenos climáticos como a cheia que ocorria com mais frequência nos rios Cavaco, Coporolo e Catumbela, em cujas margens nas últimas décadas, as populações ribeirinhas enfrentaram inundações periódicas que provocaram mortes de pessoas e animais domésticos, além da destruição de casas e largas áreas agrícolas.
Um dos principais problemas que afectam os rios, mormente, os que passam por grandes cidades, é o assoreamento. Neste processo ocorre o acúmulo de lixo, entulho e outros detritos no fundo dos rios, o que faz com que estes passem a suportar cada vez menos água, provocando enchentes em épocas de fortes chuvas.
As fortes chuvas que caíram a montante dos rios Coporolo, Cavaco e Catumbela contribuíram para o aumento do seu caudal, causando enormes danos estruturais. Mais de 85 hectares de terras aráveis e diversas infra-estruturas foram destruídas no Dombe Grande, no Vale do Cavaco e na Catumbela. Em alguns lugares dessas localidades, povoados inteiros foram inundados causando a deslocação dos seus habitantes para zonas mais seguras.
A caducidade, em alguns casos, e a destruição, em outros, dos sistemas de alerta rápido e de outros de monitoria e instrumentos de previsão e medição do caudal dos rios, como os higrómetros instalados no período colonial em várias estações meteorológicas e a ausência ao longo de muitos anos de trabalhos de manutenção para regular o leito dos rios, fez com que as enchentes se repetissem, apanhando de surpresa as vulneráveis populações, incapazes de por si mesmas, ultrapassar os níveis de calamidade que o transbordo dos rios provocava.

Acção da natureza

Dos rios do litoral da província de Benguela, o Coporolo é o mais problemático e cujas enchentes causaram mortes, destruições, sofrimento da população ribeirinha e o desalojamento de pelo menos seis mil e cem pessoas ao longo do rio, sobretudo nas povoações de Luacho e Senje, onde os diques de protecção de ambas as margens foram destruídos, para além de estas localidades terem estado sempre na iminência do isolamento viário face ao estado precário das estradas que acumulam lamas e buracos ante às condições meteorológicas adversas.
Em Abril de 2001, o manancial de água do rio Coporolo transbordou e arrasou tudo o que encontrou pelo caminho. A população da comuna do Dombe Grande, estimada em 80 mil habitantes, entrou em pânico total devido ao sucedido. A inundação devastou lavouras e desalojou os populares.
Já o rio Cavaco, nos arredores da cidade de Benguela, registou três grandes enchentes nos anos de 1979, 1983 e 2002. A última, a mais severa, provocou o desabamento da ponte sobre o rio Cavaco, substituída em Março de 2005 por outra moderna.
A “fúria do Cavaco” em 2002 destruiu também mais de 200 casas e 35 hectares de culturas de populares nos bairros do Calomburaco, Cotel, Calomanga e Seta, além de ter causado a morte de duas pessoas arrastadas pelas correntes das águas.
Enquanto isso, o rio Catumbela, de regime permanente, apresenta até aqui os índices de assoreamento mais baixos dos últimos tempos, razão por que não provocou grandes inundações ao contrário dos outros dois, mas a expansão natural do seu caudal devastou nos últimos oito anos 50 hectares de terras agricultáveis, afectando assim a produção agrícola local.
Para evitar catástrofes, revelou-se importante a intervenção do Executivo com esse projecto de manutenção dos rios, através do processo de desassoreamento, que consistiu em retirar do fundo dos rios, com o uso de máquinas, todo tipo de lixo e detritos depositados, de modo que se aumente o escoamento do caudal para o mar.
Depois de muitos apelos, finalmente, o Governo planificou os recursos financeiros e lançou mãos à obra para o desassoreamento inicial dos três Cês: Cavaco, Coporolo e Catumbela, com 39 milhões de dólares norte-americanos para dar mais segurança e tranquilidade às populações ribeirinhas que sofreram bastante os efeitos devastadores das inundações.
Como prevenir é melhor que remediar, além do desassoreamento dos três rios, as autoridades locais dão-se conta que precisam de implementar outras medidas para prevenir eventuais secas, por meio da construção de três estações hidrométricas em Benguela, com vista a monitorar o sistema de alerta rápido das chuvas na região.
Os empreendimentos, que consistem na medicação dos níveis de águas em rios e índices pluviométricos (chuva), estão orçados em um milhão de dólares americanos, num financiamento do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) e o Inarate, uma instituição da Noruega ligada aos serviços de protecção civil.
Mais do que combater enchentes e garantir maior segurança às comunidades locais, às culturas e às infra-estruturas diversas localizadas nas proximidades das margens dos rio, a regularização veio mudar a “cara” desses rios, bastando para tal passear por uma das margens e se surpreender ao ver o rio aparecer em locais onde antes só havia entulho e agora uma agradável vista panorâmica.
“As obras de regularização dos rios Coporolo, Cavaco e Catumbela também têm um forte cunho social”, como explica Manuel Ximenes, da Odebrecht, responsável pelo projecto. O Coporolo e o Cavaco são rios intermitentes, mas representaram uma ameaça iminente à vida das populações e às actividades agrícolas em suas margens. “Há anos, quando chovesse nas cabeceiras, sempre na mesma época do ano, entre Novembro e Abril, as águas retornavam com muita força, derrubavam casas, acabavam com as plantações e às vezes faziam vítimas mortais”, recorda.
Sublinhou que no rio Catumbela as obras de regularização estão mais avançadas e revelaram a existência de diques antigos, abandonados, sem manutenção há mais de 40 anos, mostrando que os problemas das enchentes já perduram há muito tempo.
Destacou que nas épocas de chuvas, estes trabalhos jogam um papel fundamental na contenção das águas pluviais no curso dos rios por meio de diques, protegendo Catumbela das cheias do rio Catumbela; Benguela, do Cavaco; e Dombe Grande, do Coporolo.

Conquista
O vice-governador provincial de Benguela para o Sector de Organização e Serviços Técnicos, Eliseu Epalanga, entrevistado pela Angop, confirmou que a primeira fase de regularização do leito destes rios foi implementada com êxito, por cujos benefícios sociais as populações ribeirinhas se alegram, pois ainda que chova grandes quantidades, os receios de que as casas sejam desabadas e as culturas alagadas e arrastadas ao mar já pertencem ao passado.
Eliseu Epalanga anuncia para breve o inicio de uma segunda etapa destinada à conclusão do processo de regularização, com obras mais profundas nas bacias hidrográficas dos rios.
“Acredito que os benefícios serão duplicados depois dessa derradeira intervenção que virá a ampliar a capacidade de retenção das águas pluviais e o seu escoamento até ao oceano Atlântico, evitando o risco de, em pouco tempo ficarem novamente assoreados”, sustentou.
Também lembra os enormes prejuízos causados pelos três rios às populações em suas margens, para além de que quantidades consideráveis de culturas plantadas nas imediações do Cavaco, do Coporolo e da Catumbela tenha sido destruídas.
Face a essa situação, disse, as autoridades accionavam os mecanismos de emergência, retirando as famílias das áreas afectadas, realojando-as em tendas instaladas em localidades mais seguras e providenciando os kits de ajuda, como alimentos não perecíveis, artigos de higiene e limpeza, roupas, colchões, cobertores, mosquiteiros e medicamentos para o tratamento de doenças como a diarreia, comum na época chuvosa.
“Se se justificar a edificação de uma marginal junto ao rio Cavaco, tal como aconteceu no Catumbela, o governo empenhar-se-á para tal, notou, asseverando que o país está em desenvolvimento, daí que as autoridades assumam a responsabilidade de criar condições para evitar que a população sofra com o transbordo dos rios.
Para o director provincial do Urbanismo e Habitação, arquitecto Zacarias Camuenho, o desassoreamento é uma acção de prevenção contra eventos climáticos como cheias, protegendo a população, as habitações construídas nas margens e as zonas agrícolas, no município de Benguela e nas comunas da Catumbela (Lobito) e Dombe Grande (Baía Farta).
Já na visão do engenheiro agrónomo Abrantes Sequesseke, director provincial da Agricultura e Desenvolvimento Rural em Benguela, há multo que estes rios necessitavam de desassoreamento para atenuar os transtornos ocasionados a população ribeirinha e evitar novas e perigosas inundações.
Sequesseke considera o desassoreamento dos três Cês (Cavaco, Coporolo e Catumbela) de grande conquista à população, o que só foi possível devido à visão estratégica do Executivo angolano. Isto veio ainda relançar a agricultura nos vales dos rios, uma vez que as culturas e infra-estruturas produtivas foram afectadas pelas últimas enchentes.
Sinistrados vêem sonho transformado em realidade
Entrevistadas, algumas das vítimas das cheias nos bairros do Calomburaco, Cotel, Calomanga e Massangarala, nas margens do rio Cavaco, mostram-se felizes porque não sofrem mais com as chuvas que antes faziam o rio transbordar, tirando o sono à população impávida e serena ante a fúria da natureza e aos danos materiais e humanos.
Gaspar de Oliveira Pereira e César Armando, que vivem no Calomburaco há mais de 10 anos, dizem que a regularização do leito do rio é uma bonança, depois da tempestade, mas sugerem a construção de balneários e lavandarias públicas na segunda fase do projecto para a educação da população na preservação do meio ambiente.
Ambos os interlocutores, cujas casas estão reconstruídas uma da outra, lembram, emocionados, o inolvidável domingo de Páscoa, em Abril de 2002, “quando as águas do rio Cavaco galgaram inesperadamente às margens, as suas casas foram destruídas e só depois de um ano as reedificaram , em meio a muitas dificuldades.
Para a camponesa Cristina Kandimba, 89 anos de idade, residente no Cotel há 60 anos, a população está orgulhosa pelo trabalho feito pelo Governo, os receios que antes marcaram o seu quotidiano já ficaram para trás e com o desassoreamento do rio, agora há mais força e vontade de trabalhar para ajudar o país a desenvolver-se.
“Depois de as chuvas torrenciais de 2002 terem feito o rio Cavaco transbordar, as pessoas ficaram muito aflitas sem saber o que fazer, porque as suas casas foram atingidas e arrastadas pela força das águas. Perdemos os nossos parcos recursos, mas tudo isso já passou”, ironiza Cristina Kandimba, que louva a boa vontade política do Executivo angolano, para que esta obra de combate a enchentes fosse concretizada.
Por sua vez, o soba adjunto dos bairros Cotel, Massangarala e Quioxe, adjacentes ao rio Cavaco, Fabião João, diz que o desassoreamento ajuda a combater às enchentes, daí que a obra esteja a ser aplaudida por todos quantos já sofreram, visto que as casas e culturas estão mais protegidas.
Curso dos trabalhos
Fiscalizadas pela firma libanesa Dar Al-Handasah, as obras, que compreendem uma bacia hidrográfica na ordem dos 38 mil metros quadrados, foram adjudicadas em Outubro de 2005 à empreiteira brasileira Odebrecht em parceria com a Paviterra, e tiveram um cronograma de execução de 18 meses, em duas fases: a primeira contemplou a construção de diques de protecção nestes rios e a feitura de aterros na ordem dos 834 mil metros cúbicos para regularizar os seus caudais.
A etapa complementar está reservada para obras de carácter definitivo, contemplando as infra-estruturas hidroeléctricas, económicas e sociais ao seu redor, com realce para a açucareira do Dombe Grande, no caso particular do rio Coporolo.
O rio Catumbela foi desassoreado numa extensão de 17 mil e 500 metros quadrados, o Coporolo em 16 mil metros quadrados, enquanto o Cavaco em quatro mil e 500 metros quadrados. No último, prevê-se a construção de uma avenida que se ligará à marginal da Praia Morena ao longo do rio, o gerou expectativa nos munícipes.
Só nas obras no rio Cavaco, onde foram feitos diques de protecção de quatro metros de altura e igual número de largura, numa extensão de 12 quilómetros de aterro, trabalharam cerca de 100 pessoas, dos quais dois brasileiros, que movimentaram oito camiões basculantes, duas moto niveladoras, um buldozer, uma retro escavadeira, uma retro compactadora, além de dois camiões cisternas.
No Catumbela, onde a edificação de diques abrangeu apenas três quilómetros da margem direita, houve uma alteração para a melhoria do projecto inicial, que se baseou na construção do dique e de uma via de acesso com quatro metros de largura, além da inclusão de um projecto que visou à construção de uma marginal de 50 metros que deverá ser loteada para se erguer residências, áreas de lazer, adjacente ao actual zoológico.
Seria utopia descurar o benefício directo do desassoreamento dos rios Catumbela, Cavaco e Coporolo na geração de 500 postos de trabalho que diminuíram os índices de desemprego no seio dos jovens, alguns dos quais receberam nos estaleiros da Odebrecht a formação técnico-profissional em construção civil, motoristas de caminhão, operadores de máquinas pesadas e auxiliares técnicos.
Uma pujança à agricultura e ao turismo

De acordo com o director provincial de Benguela da Agricultura e Desenvolvimento Rural, Abrantes Sequesseke, os rios Coporolo, Cavaco e Catumbela contêm bacias hidrográficas úteis ao fomento da actividade agrícola, por isso o seu desassoreamento proporcionará bons rendimentos aos agricultores, visando desenvolver a economia dessas localidades.
Afirma que após a província ter perdido nos últimos oito anos mais de 85 hectares de terras aráveis, em consequência das inundações, chegou o momento adequado para se reinvestir no sector agrícola, mormente nas localidades mais afectadas pela crise.
Asseverou que só nas margens do rio Cavaco foram destruídas cerca de 35 hectares de terras aráveis e 50 na Catumbela, por causa das águas torrenciais que transbordaram dos rios. Em relação ao Coporolo, o responsável foi parco em pormenor.
O engenheiro agrónomo atesta que desassoreamento trouxe benefícios incalculáveis, como o relançamento e aumento da actividade agrícola em Benguela, na medida em que os agricultores já não perderão áreas aráveis junto aos rios Cavaco, Catumbela e Coporolo nas próximas décadas.
Para os agricultores Gaspar Pereira e Cristina Kandimba, agora os camponeses trabalham com mais tranquilidade e auto-confiança. “Nos terrenos agrícolas, junto às margens do Cavaco, estamos a relançar a agricultura para a subsistência das famílias, através dos rendimentos que aliviam as dificuldades sociais por que passávamos”, frisaram.
Neste momento, reconheceram os homens do campo, a maioria dos agricultores locais afectados pelas enchentes já retomou as suas actividades nas margens do Cavaco, estando a produzir hortofrutícolas e tubérculos.
No Cavaco, segundo dados, havia no período colonial 700 hectares de bananais diversos, cuja produção se estimava em perto de 25 mil toneladas da banana destinadas à exportação para Portugal, Áustria, Suíça, Alemanha e Dinamarca, graças à estabilidade que reinava e às estruturas para o apoio técnico-científico.
Actualmente o nível de produção deste produto reduziu drasticamente dado, por um lado, ao conflito armado que assolou no país e fez com que os agricultores estivessem incertos à produção e, por outro, ao fraco apoio técnico e material a que estavam votados neste período de instabilidade.
Com o actual ambiente de paz e estabilidade económica, o Executivo, para além de combater às cheias, vem criando condições favoráveis para impulsionar os investidores estrangeiros a contribuírem no relançamento do sector agrícola em localidades cujas potencialidades estejam comprovadas.
A Catumbela dispõe de inigualáveis belezas tropicais, como o parque dos Bambus, as Palmeirinhas e o majestoso curso hídrico que serpenteia dentre montanhas. Tais potencialidades turísticas estão a ser por meio do desassoreamento aproveitadas gradualmente.
Prova inequívoca disso, é o facto de ter sido construída uma grande avenida marginal no rio Catumbela, onde estão projectados prédios, hotéis e restaurantes, criando um complexo turístico que valorize a beleza da região e estimule o turismo.

Obs: Caros amigos, estou a preparar esta peça para concorrer ao prémio provincial de Jornalismo em Benguela e Nacional em Angola, por favor leiam e sugiram novo título ou mesmo a estrutura em termos de conteúdos. Preciso da vossa ajuda para pelo menos conseguir estar entre os três melhores de ambos os galardões.
 
ACÇÃO DO EXECUTIVO CONTRA CHEIAS CHEGA A USD 39 MILHÕES E TRAVA ASSOREAMENTO DOS RIOS EM BENGUELA

ANGOLA 33

 
Angola lindamente independente
Metamorfoseada agora em 33 anos
Em nação contente e em desenvolvimento permanente
de cujos rios transbordam água quente

Angola atulhada de recantos
e em todos os seus cantos
Pássaros exibem lindos cantos
E homens ao ritmo esquecem os prantos

Angola meu torrão natal
Minha estrela guia
Meu oceano sem final
Andorinha minha que ao céu me guia

Angola enfim!
É mesmo Angola
Que com 33 anos de emancipação
Inspira acolá o pobre coração do poeta…
 
ANGOLA 33

BEIJOS ATÓMICOS

 
Por entre explosões brilham seios
Em Bagdad desafogo seu suspiro
E nesses escombros, seu negro viro
Para, nos clamores, ressurgirem meios

Mulher tanto de lá quanto de Algarve
Em cujo suor de desamor há trave
Devorando já tão dilacerado âmago
E, sem mãos, em sua ânsia há afago

Iraquiana que talvez sejas a Ana
Sou o soldado lírico em explosões
Sejas feliz em Benguela ou Viana
Ecoo sua desesperança de desilusões

Aqui, alvorece o cais de sombreiro
E mesmo quando o sol se despede
Também sou aquele golfinho com sede
De seus sorrisos soltos para Fevereiro

Sigo ademais seus dias incomuns
Com sol que revolta e se desprende
Em seu corpo preso como presente
E ora desvendado nem lágrimas ruins

Nem beira nem eira para ires
Se é que queres essa letra seca
Que leva teu silêncio oco à Meca
Onde receosa tu desejas arco-íris

Em tablóides busco esses seios
Ainda acesos mas tão desejosos
De poesia da minh’alma sem pejos
E que libertam teus largos receios

Voo a alguns milhares de pés
Mas despenho desejos em ingenuidade
Perdida há…há muito nessa cidade
De cujas promessas tu já não crês

Quero, apesar disso, que sejas de lá
Daquela terra que é teu universo
Embora explosões seduzissem esse verso
De onde o horizonte seu surgi cá…

Republicado em 10 de 09 de 2009 em Luanda
 
BEIJOS ATÓMICOS

SE VALESSE!

 
SE VALESSE!
 
Se amar valesse ou não
Detinha as horas de incerteza
E depois coibiria tal não…
Que às cegas seduz a tristeza

Dentre o abismo tiraria o paraíso
E ainda que me desesperasse
Sairia à tua procura se me beijasse
Pois de desencanto já estou liso

Se os minutos vêm ou vão
Desconsolo nos fluentes de teus lábios
E sob as estrelas da alva fruo esses seios
Então, que valha amar ou não …

9-09-2009-Luanda.
 
SE VALESSE!

Ó mulheres

 
Mulheres ó mulheres
Tão formosas sois
Mas que esbelteza vemos nós
Lindos são vossos dizeres...

Mulheres ó mulheres
Mãe lutadora e querida
Senhora doadora da vida
Abençoados são vossos amores...

Mulheres ó mulheres
Negras brancas ou morenas
Sedutora das tardes amenas
Respeitáveis são vossas dores...

Mulheres ó mulheres
Desde outrora sois amadas
Da aurora sois lembradas
Indomáveis para sempre mulheres...

Benguela, 17/3/2003
 
Ó mulheres

ONDAS SÚBITAS

 
ONDAS SÚBITAS
 
Calcorreando pelos bairros
Meus pés exaustos ancoraram
Às sombras de casuarinas sem jarros
Junto das quais ondas explodiam

Ali chegadas, as ondas espoucavam
E no rebentar das águas cristalinas
O mar cantava minhas sinas
Enquanto meus olhos enxergavam

E eu que por ali passeava
Sem caneta…
Nem papel, apenas com meta…
Nadava nos versos daquela onda

Com a estupefacção já solta
Meus olhos se inundavam
E no ondular da maré alta
Meus sonhos desatados se reerguiam

Na sedução do Relógio-de-Sol
Benguelenses de todas as idades
E vontades deitavam alegrias
Sobre ondas resplandecentes como girassol

Quando não as olhava mais
As ondas se ausentavam de mim
E explodiam no cais
Levando prazeres e dores ao fim

Quando abri-as…
Desvendei que elas traziam
O belo cantar das sereias
E este poema que as acácias queriam…

04/02/2010
ESCRITO EM BENGUELA...
POETA "REI MANDONGUE I"
 
ONDAS SÚBITAS

Na Madrugada de Setembro

 
Que noite tão invulgar…
Na qual os insectos mais ousados
Não encantavam nem os ruídos
Dos batuques ribeirinhos assolavam ao calcanhar

Que mais posso versificar
Da baía moribunda,
Ou quiçá da empobrecida bunda
Que nada mais me podia inspirar

Que mais posso escrever se a alma
Cansada de tanto retrato
Daquele homem de pranto
Afugenta a minha inspiração à cama

Cá talvez ser poeta
Não seja assim tão nobre
Porquanto há alguém pobre
Que por amor preferiu ir para outro planeta...

Acreditar que um fio de pensamento
Invada meus desejos nocturnos
Para viajar nos devaneios diurnos
É pacientemente alegrar-se pelo sofrimento...

Nesta madrugada de Setembro
Minhas mãos negras e tão pecadoras
Não resistem à escuridão das horas
E, num poema, do meu amor me lembro.
 
Na Madrugada de Setembro

SEM NADA

 
SEM NADA
 
Sem escolha
E...Preso nas gotas do orvalho
Que caem do inverno ao ramalho
pinto em cada passo meu uma folha

Sem abraço...
Nas lágrimas dos teus seios desfaço-me
E nos pesadelos da madrugada refaço-me
E dou mais um nó ao nosso laço

Sem ritmo!
Nem noite nupcial
Fluo minhas mágoas no íntimo
Dessa nascente crucial

Sem ti no oportunismo
Que a noite proporciona
Esgoto meu lirismo
Na caneta que te ovaciona...

Por Poeta Rei Mandongue I-30 de Julho de 2010-07-30
 
SEM NADA

POEIRAS FRUSTRADAS

 
O chão está ferido de máquinas
Provindas do Ocidente ou do Oriente
Que criam cá um tsunami inconsciente
E devoram zungueiras nas esquinas

Lacrimejam passeios coloniais
Por debaixo dessa árvore podada
Por buracos na avenida do nada
Em cujos suores precipitados andais…

Nas folhas de acácias sepultadas
Onde o tempo refresca meu medo
Já não pousa o amarelo do sol ledo
Pois as bolhas desses olhos há atadas…

Pouco era o engarrafamento de horas
Para nele haver perfurações bruscas
Em meio a avenida frondosa de moscas
Que apressadas à colerizar iam a oras

Nos calcários incrivelmente derrubados
Dos solos que sustentam a nossa esperança
Se esqueceram de desenhar a crença
Para nesse coração jamais haver fardos…

Escrito em Luanda, aos 13 de Outubro de 2009.
 
POEIRAS FRUSTRADAS

AUSÊNCIA

 
Amor, só amor e dor
Senti na tua ausência incompressível
Perdido sem ideia sugestionável
Tive amor, só amor e ardor

Meu coração quase parava
De bater ou explodia de triste emoção
Por que a tua ausência sem razão
Atraiçoava meus versos e eu me desesperava

Onde foste amor, onde foste amor…
Melhor que não me digas, já que será maior
A amargura que me arrasará desse teor
Se te mereço, então porquê fugiste da ardor

Onde eu posso te encontrar
Se com apenas um UTT no telemóvel
Ficou o meu desejo inamovível
Para com bravura te contactar

Benguela, 18/09/06
 
AUSÊNCIA

FAÇO DOS PEDAÇOS DA MINHA VIDA UM POEMA QUE RECONSTROI OS MEUS SONHOS DESFEITOS...