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Poemas, frases e mensagens de Maroska

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de Maroska

Mariposa

 
Deixa-me arder na tua chama
Voltear qual mariposa
No calor do teu corpo
Perder minhas asas para sempre
Derreter a cera e o mel
Dos meus sonhos
Nos teus beijos
Quentes
Lentamente escorrer-me
Em néctar adocicado
Por entre teus dedos
Prova-me
Sofregamente suga-me
O elixir que anima
A minha alma
Deixa-me invólucro
Carcaça
Para sempre residir
No meio dos teus lábios
 
Mariposa

 
Só
 
Estou sempre só
Olhando pela janela
Vejo outros acompanhados
E eu só...
A minha cama está sempre vazia
E quando o seu corpo
Lá repousa
Sinto-lhe a indiferença
Fria
Renego as alegrias alheias
Porque não tenho nenhumas
Tornei-me um muro
Um gélido pedaço de gente
Para não sentir
Mantenho a alma dormente
Ao meu amor não me apego
Ele irá partir
Meu filho será
Cego
Por não ver a Mãe sorrir
Estou só
E continuo a dizer
Que não preciso de ninguém
Sem amor
Sem carinho
Não sou gente
Sou um bicho
E não me permito sequer
Pensar em tais futilidades
Vou morrer sem ter
Um beijo quente na face
Estou só
E só irei ficar
Há-de haver sempre alguém
Que ocupe o meu lugar...
 
Só

Não tem título...

 
Eu consigo ouvir-te
Através dos tempos
Por entre vidas e mortes
Fomos nos encontros e desencontros
Perdendo os laços que nos ligavam
Sentes a presença?
Tenho sido eu apenas
Velando por ti...
Cantei para te adormecer
Aconcheguei-te em meus braços
Vezes e vezes sem conta
Para de novo te encontrar aqui
Depois de tantos mundos
Neste mundo que nos pertence
Que é só nosso
Esta obsessão que me persegue
Tu somente...
Mas se fechar os olhos
Um bocadinho que seja
Volto a sentir-te e desperto
Para a doçura das palavras
Que derramas em sussurros
Sei que é impossível
Nunca serei tua de novo
O tempo não nos permite
Fazer tal escolha
Posso apenas viver de fantasias
De pequenas utopias
Que crio na minha mente
Não! Não me mintas!
Dizendo que dias felizes virão!
São apenas tristes sonhos
Pequenos pedaços que ficam
Escondidos dentro de nós
Para sempre...
Entendes o que sinto?
Percebes o que digo?
Sonho acordada
Todos os dias animada
Por uma luz ténue
Que teima em aparecer
Mesmo sabendo que a lua
Está desperta e é tua
Apenas para me enlouquecer
Apagaste o sol do meu caminho
Ando por aí só e sem rumo
Sem ter onde cair,
Sem ter quem amar,
Pois o meu coração está repleto
De tristeza do teu afecto
Que nunca poderás manifestar
Agora a escolha será tua
Estou aqui fria e nua
À espera as quimeras.
Mas mesmo que viva mil anos,
Mil vidas, mil amores,
Tu estás marcado a ferro e fogo
Na minha memória.
Por ti já chorei, já ri, já gritei,
Já senti ódio, dor, amargura,
Amor, carinho e ternura.
Não sei fingir algo que não sinto
E o que sinto não posso ocultar!
E sinto-me só
Apesar de estares perto
Pois algo nos desamarrou
Queimou os laços
Fechou os braços abertos
Cansados de tanto esperar...
 
Não tem título...

Transparências

 
Tornei-me invisível
Diáfana, etérea
Os teus olhos não reconhecem mais
A minha ausência
Transformei-me num produto
Da minha imaginação
Não sei já se existo
Ou se sonhei a minha existência
Sinto a tua presença
Mas passas através de mim
Fui-me diluindo nestas paredes
Que o nosso Amor habitava
Outrora olhavas e vias
Agora sou apenas um adereço
A mais na nossa casa
Estou agrilhoada a esta transparência
Fui feita prisioneira
Da tua indiferença
E tão só que estou
Apesar de acompanhada
Ando sozinha, sempre
Nesta estrada
Onde antes estava a tua mão
Está o Vazio
Apenas o Vazio
E mais nada...
 
Transparências

Mulher

 
Vi a tua dor
O teu medo da solidão
Percebi em ti a tristeza e a agonia
Em vão te disse
Mil vezes
Que o tempo tudo leva
Vi-te jogada no chão
Em sofrimento
Lamentei a tua sorte
Que um dia foi a minha
Quis ensinar-te a saída
Mostrar-te o caminho
A meio baixei os braços
Acreditei que conseguias
E só tu poderias voltar a amar
As mulheres que conténs
Um dia levarás os olhos ao céu
E saberás sentir a beleza do espaço
Das folhas das árvores agitadas ao vento
Como tu
Em constante mutação
Como tu
De beleza perfeita
 
Mulher

Guilherme

 
Durante o tempo
Que te compus em Sinfonia
Imaginei teus olhos, tua boca
Como seria abraçar-te
Pela primeira vez.
E ao contemplar-te agora,
Ao tocar teu queixo pequenino,
Teu narizinho,
Sou invadida pelo sentimento
Impotente
De não poder evitar
Que a vida te marque,
Que afogue e que rasgue,
A inocência do teu semblante.
Descobri ser toda medo
E todos os dias dizê-lo
Para dentro de mim
Será que vou estar
Sempre aqui?
Assim?
Presente para te salvar
Do mar revolto e fero
Lamento erros
Que ainda não cometi
Desculpa Filho
Se algum dia direi
Não te Compreendi!
 
Guilherme

Desamor

 
Tu já não me dás a mão
Quando vamos passear
Já não dizes que me amas
Sem eu te perguntar
Já não tens paciência
Para falar sem insultar
Não me lembro da última vez
Que me disseste que sou bonita
Que sou a tua bonequinha
Para onde foi a magia
Que eu via no teu olhar?
O amor que escorria entre nós
Sem se esgotar?
Se eu te amo
Se tu me amas
Como pode ser?
Como pode isto acontecer?
Somos inimigos
Em campos opostos
Já não sei o meu lugar
Não sei se vale a pena
Ficar e lutar
 
Desamor

Medos

 
Fui aos soluços por aquela estrada
Perdida e achada em braços que não os teus
Pelo caminho feri as mãos, os pés, a cara rasgada...
Fui beijada pelo veneno, pelo asco da solidão,
Durante muito tempo não soube quem era.
Naquele instante de descoberta
Vi então o que sou, o que fui, o que já teria sido...
E mesmo assim a fuga tentei
não me sentindo merecedora de tal amor.
É o medo da perda, da alegria que embriaga
Medo de sentir o calor que emanas
e o frio que a tua ausência provoca.
Este sim e não que prolonga a dor.
A loucura que me acrescentas...
E por onde passei fui deixando
O rasto do meu medo
Partindo janelas abertas
Arrombando com a chave na mão
Tudo por não saber, afinal, como...
E tudo o que aprendi contigo,
E que não quero mais esquecer
Poderei eu dizer a alguém o caminho?
Andarás comigo pela estrada,
onde eu andei só um dia?
Poderão os meus olhos
perder a luz a olhar os teus?
 
Medos

Contos do Adeus

 
Nunca ninguém lhe mostrou como é lindo um pôr do sol. Ela foi a única a penetrar na couraça amarga que o detinha. Ela... Dormindo sonhou com ela, o sono pesado da embriaguez foi sendo devassado por ela, linda, quase etérea. Que sorriso! Ela sorria-lhe de longe, braços estendidos, dizendo:
- Vem amor, espero-te na ponte das barcas velhas. - acordou sobressaltado, a saliva escorrendo pela boca azeda. Pensou no sonho, parecia tão real, tão próximo de si. Seria uma premonição?
Sentiu-se idiota por pensar em tal coisa, mas no seu íntimo algo lhe dizia que estava na hora de sair de casa e descobrir aquele mistério.
Tomou um banho, vestiu-se e saiu. Só quando chegou à rua é que se apercebeu que não sabia onde ficava a ponte das barcas velhas. Correu para a praça e perguntou a quantos encontrou e ninguém sabia, olhavam-no como louco e era mesmo assim que se sentia, desatinado, enlouquecido. Sentou-se à beira da fonte e fechou os olhos, deixando a imagem do sonho materializar-se na sua mente, viu-a novamente, tremeluzindo contra a luz. Bela... Olhou através dela e descortinou a ponte, e as barcas. Abriu os olhos e riu da sua estupidez. Sabia onde ficava a ponte, mas o nome pelo qual a conhecia era diferente... A Ponte dos Lamentos...
Correu até lá chegar e quando as suas mão tocaram a ponte a noite já caía, lançando as suas teias de veludo nas sombras. Andou até ao meio da ponte e olhou as águas pseudo-calmas por baixo dela. Foi então que a escutou, uma voz doce e quente:
- Por que esperas? Estou aqui... Vem abraçar-me, vem! - ele reclinou-se mais na ponte, procurando a voz. Mais e mais até subir para as travessas de madeira pútrida. As rachas da madeira pareciam crepitar com o peso.Deu impulso e saltou, logo sentindo a água gélida na pele. Mergulhou até onde pôde, sentindo os pulmões quase a rebentar...e viu-a! Mas teve de voltar à superfície antes que perdesse todo o fôlego. Quedou-se ali por segundos, boiando e pensando no que vira. Ela estava ali, depois de tanto tempo, depois de tantas buscas...reconhecia o vestido branco, agitando-se no fundo da água revolta. A sua noiva estava no fundo do rio, esperando por ele, finalmente poderia ficar juntos. Não mais teria de beber até entorpecer os sentidos, não mais existiriam dúvidas na sua mente...ela não tinha fugido com outro, não o tinha abandonado...ela estava Morta!
 
Contos do Adeus

...outro sem título...

 
Ouço-te novamente
Revejo-te
Nesta melodia
Beijo-te
Meu anjo
Algures perdido
Quando os nossos
Encontros
Existiam num espaço
Inexistente
Quando éramos
Reconhecidos
No ar
Um pelo outro
Deixámos escapar
A ardente oportunidade
De se tocar
Na pele
Virtual
Apenas imaginação
Não existimos
Realmente
 
...outro sem título...

O Mais Puro Amor!

 
Vejo no teu rosto os sulcos
Das lágrimas caídas
No teu seio saciei a primeira
Fome
Do teu ventre retirei a força da
Vida
Beijo-te os olhos com
Gratidão
Mãe Menina
Mãe Mulher
Queria dar-te
Devolver-te o amor
O mais puro amor
Nas tuas mãos sou criança
Ainda...
 
O Mais Puro Amor!

O Trovador ( ou aquilo que nós gostaríamos que eles nos dissessem)

 
Teu corpo repousa indolente
Qual chuva morna
Penetro-te lentamente
Descobrindo os teus medos
Tanto, tanto te quero
Que me fogem as palavras fáceis.
De longe a longe sou como o Sol
Dourado e fulgente
Mas a Lua me domina
Com cabelos de prata
Faz de mim seu escravo
A Lua que se abriga no teu peito
Ah, o teu seio alvo
Qual uva branca amadurecida
Pelo calor...
Com urgência insinuo-me na tua boca
Rósea e pura
Lábios rubros
Sugo intensamente o teu néctar adocicado
Suspiro de gratidão
Oh, mulher-anjo
Petrarca não poderia cantar-te melhor
Tua beleza corre no meu sangue
Estou perdido de Amor...
 
O Trovador ( ou aquilo que nós gostaríamos que eles nos dissessem)

Saudades

 
Saudades
 
Como te sinto a falta...parece uma coisa escura que me sufoca. Quero-te cheirar, provar.
Não sei como te explicar, mas, por favor, desculpa-me.
Estou a incomodar?
Não queria ser inconveniente nem forçar-te a compreender-me. Foram tantos anos a esquecer-te sem conseguir sequer apagar a tua boca da minha, a tua mão do meu corpo.
Quero que saibas que te amo, noutra dimensão, noutro espaço. Seríamos felizes como crianças.
Sem pensar no futuro, nas consequências.
Gosto de imaginar que sentes como eu, mesmo sabendo que é uma tortura que não controlamos. Mesmo sabendo que dói, dilacera...quero que te doa também, não quero estar sozinha neste medo de te esquecer para sempre. Quero recordar o teu rosto, o teu olhar, principalmente o teu olhar. Que dor...quero ver-te de novo.
Não quero morrer sem te ver de novo!
 
Saudades

Mãe!

 
(Escrevi quando o Guilherme tinha 3 meses, agora ele tem um ano. Encontrei o texto por acaso, já nem me lembrava dele)

Às vezes olho para ele e penso como seria a minha vida se ele não tivesse nascido, se eu nem tivesse pensado em ter filhos. Às vezes tenho saudades de ter tempo para namorar, para dormir, querer sair e pegar só na minha mala e na chave do carro e ir apenas. Às vezes lembro-me quando podia sair à noite para um bar e não tinha a preocupação de onde e com quem ele fica. Claro, depois sinto remorsos de pensar nisto, como se estivesse a negar o meu filho, como se não fosse natural ou normal. Sinto-me mal por ser humana, com hábitos de saudosismo.
Descobri muito rapidamente que é duro ser mãe. Não me venham com tretas porque (e por mais que eu queira) ser mãe não é o mesmo que ser pai, a não ser que o pai seja o único progenitor vivo!
Descobri coisas absurdas, idiotas e ainda mais absurdas como sentir que ele cresce e por não guardar tudo em filme ou foto estou a perder vida dele inteira. Ou que se não tenho paciência um dia estou a ser uma péssima mãe, ou que às vezes apetece-me dar-lhe uns açoites e depois sinto-me logo uma bruxa má porque ele é tão pequenino que nem tem traseiro para uma palmada. E porque estou a ralhar e ele não percebe nada e ri-se para mim.
Às vezes sinto-me tão desesperada e vejo a minha vida passar enquanto conto biberões e fraldas e parece que perco tudo o que está lá fora... e as amigas que vão com os namorados ao cinema e à discoteca. A vida anda pulando de consulta em consulta do pediatra, entre as vacinas e um mês (e será que aumentou o suficiente?) e dois meses (dói-lhe a barriga e chora tanto! já brinca com
as mãos e dá para ver a cor dos olhos?) e três meses (e as borbulhas, e o leite a que é alérgico) e mais ainda não sei porque ele ainda não chegou lá.
Dou por mim a velar-lhe o sono porque tenho medo do síndroma de morte súbita e que eu o perca assim, por entre sonos e sonhos, ponho a mão em frente ao nariz para ver se respira (Deus, tornei-me numa paranóica) e só respiro quando vejo que respira também.
Tenho medo que sorria sem eu estar a olhar, anseio por estar algum tempo longe mas quando estou não páro de pensar se está bem ou se sente a minha falta. Não posso ver filmes com crianças, então se sofrem, por favor, desliguem o televisor porque eu vou chorar. Será que todas as mães são assim parvinhas e obcecadas?
Confesso-me...tenho ciúmes de quem quer que seja que se aproxime dele e se ele sorri então...aquele sorriso é meu e só meu.
Luto contra mim mesma todos os dias porque ele precisa de crescer e conhecer para além do meu colo. E sinto-me tão cansada... Bebé dorme, vá lá, por favor... a mamã precisa que durmas um bocadinho só...não, não chores, oh bebé, por favor, a mamã precisa de comer, tomar banho, lavar a loiça, passar a ferro, não sejas maroto, ai ai ai estou a ficar zangada...Bebé não te rias que é a sério, vá dorme...
Amor, podíamos aproveitar que está a dormir...podíamos tentar nos lembrar de como é que o fizémos, para não perder a prática...deixa só esterilizar os biberões...estou pronta...ora bolas, está a chorar...
Mas enquanto ele finalmente dorme e eu escrevo,
lembro-me que hoje deu uma linda gargalhada, que fica tão bonito de calças de ganga e sapatilhas, que o sorriso dele dava para ser a estrela da árvore de natal de tão brilhante ou que é a única pessoa no mundo que gosta de me ouvir cantar. Eu sei que não estou só nestes sentimentos, que qualquer Mãe sente isto tudo e isso não me faz sentir melhor...pelo contrário, não me quero rever nas palavras de outras mães e irrita-me quando conto algo e me dizem “ah, o meu filho também fez assim ou assado”, quero que me digam “uau, o teu filho é um fenómeno, não há nenhum igual, e tu és a MÃE”.
Sou parvinha não sou?!
 
Mãe!

Vingança

 
Hoje vi-te novamente,
Com esse riso mordaz.
Olhaste para mim
Como sempre...
Como quem sabe o que faz
Cá dentro do meu peito.
Foste meu algoz
Juiz e executor
Nem te importaste
se te poderia fazer feliz
Só querias saber
Se o meu coração estava pisado
Triste e humilhado
Pois é assim que me queres
Só e miserável
Sem ter para onde fugir
Marioneta nas tuas mão
Pequena boneca partida
E ris-te ainda da minha mágoa
Daquilo em que me tornei
Amarga e vazia
Com raiva e desprezo
Pela vida...
Sobrevivo apenas
À espera do dia em que tu
Vais cair como eu caí
Vais sofrer a morte lenta
Que é estar só
E depois quem vai rir?
Eu...apenas eu...
Rir de quem um dia
Também riu de mim...
 
Vingança

Bolero

 
Enquanto me rodopiavas
Meu amor
Nos teus braços me seguravas
meu amor
Este encanto quase etéreo
Esta música em estéreo
Nos envolvia em calor
Fui musa em uma qualquer estrela
Meu amor
Teus beijos são meu elixir
Teu olhar faz-me sorrir
Quando me conduzes
Em Bolero sedutor…
Nos meus pés o desejo vibra
Arrasta-me, sou maldita
Por querer amor assim
Na dança a dois
Não consigo separar
O que é o dançar
E o que é o amar!
 
Bolero

Lembranças

 
Este pôr do sol
Onde te encontro
Todas as tardes,
Todos os dias,
Faz-me sentir
Perto de ti,
Por um instante.
Vejo os teus olhos
Nos cambiantes da cor
Do céu adormecido,
Cada tonalidade nova,
O teu sorriso doce,
cada pássaro que voa,
Cada trinado a tua voz.
E fico aqui, muda,
De espanto e terror,
Porque te encontro
Em cada pedaço
Da natureza,
Em cada ser vivo.
Cada pedaço de mim
Mergulhado em ti,
Como dois seres
Em simbiose perfeita!
 
Lembranças