Poemas, frases e mensagens de JSL

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de JSL

Em busca dos poucos que existem mas que são muitos.

Luso do-ente 1/7

 
Luso do-ente
Ente que não sente
Verdade que mente
O caos seu agente
Tristemente!

***
Uma carta de despedida.
Despeço-me desta feira das vaidades visto que isto não passa de um antro onde meia dúzia de vaidosos se pavoneiam e onde uma maioria é usada, abusada e desprezada.

(Continua)
 
Luso do-ente 1/7

HI5 vs LP vs BlogTok

 
Olá mundo!...

Arriscar um texto tendo que atravessar um deserto de areias movediças, só mesmo para quem sabe voar. Vou arriscar:

Ser poeta é antes um ser amante, ser amante é um ser que ama, daí que possa provocar todo o tipo de ciúmes, desde os mais originais e pueris até aos mais doentios que possamos imaginar ...

Só ando na net há uma dezena de anos e acontece que sendo muito pouco tempo imaginem aqueles que estão dar os primeiros passos. Tudo pode acontecer, porque somos 6 mil milhões (?) e como tal a Internet, fiel imagem do mundo real não é mais nem menos do que o próprio, tão imundo.

Costumo dizer se o mundo está mal é porque as pessoas são más, nem mais nem menos. Busco neste espaço a diferença e tudo faço para estar no lado oposto da mesma, mas aí é que reside o problema. Podemos quase dizer algo do tipo "quando a esmola é grande o pobre desconfia" tal como quando a alma é grande todo o mundo dúvida, critica e apredeja.

Assim já deu para viver as mais loucas histórias sob o signo do bem e do mal, e algumas bastante desagradáveis. Muitas vezes tentei chamar à razão e na maioria das vezes só agravei a contenda. Perdoei sempre os erros e difamações dos outros e solicitei perdão se me excedi, mas começo a aprender também que ás vezes perdoar não é melhor do que desmascarar.

Começo a pensar levar á praça essas contendas e em vez de discutir a mesma sob emails ou mensagens privadas, assumir a atitude, de quem não deve não teme e trazer essas tristes realidades para discussão cibernética. Somos o que somos com ou sem espaço virtual e como tal só quem mostra o que é, é que vale pelo que é.

Este não é um texto de defesa ou ataque mas sim palavras para um pouco de reflexão. Parece-me que alguém se sentiu magoado e tomou o outro por toda a gente e encerrou nessa pessoa a maldade do mundo. Julgar é fácil e é tão fácil julgar bem como mal, daí o oportunismo da facilidade.

Vejo vítimas dos abutres que abundam na Internet que atraíndo para certos espaços estão a deixar as pessoas mesmo zonzas. Refiro-me a todos os Hi5 que começam por ser desdenhados como de Macdonalds para engordar almas e que toda a gente crítica mas por força devemos consumir. Estamos na infância da net, que é fruto de um novo paradigma civilizacional que ora começa sob o signo de uma civilização que perece a cada letra ou sílaba que se escreve neste mesmo espaço (net). Somos aprendizes de um fogo que descobrimos e em vez de aprendermos a usá-lo para aquecer ou para afuguentar as feras, estamos a usar o mesmo para queimar o próximo como se de repente estivessemos numa guerra civil global.

Malta, minha gente, isto é fogo, admirem-lhe a beleza, profitem da sua utilidade, aqueçam as vossas casas e a alma e continuem a pensar que não se deve brincar com o fogo.

Somos os adolescentes de uma internet povoada por crianças "maldosas", oxalá possamos ser adultos hoje para poder ensinar este novo caminho que nos leva rumo a novos mundos. Todos querem ser navegantes nestas águas, todas querem ter uma palavra a dizer, mas cuidado que este mar também tem gigantes e seres malvados e as tempestades afundam todas as cascas de nozes em que embarcamos. Que os Hi5 sejam não a experência de vergonha mas sim a marca que vai fazer a diferença entre o que não se deve consumir. Que os Hi5 fiquem para o futuro como o exemplo daquilo que não interessa a ninguém sob pena de não ultrapassarmos uma potencial amizade global que podemos alcançar.

Este texto continua em tudo o que já foi escrito e se possa escrever em simples projectos como o Luso e o Blogtok.com

PS.: Edito este texto que já foi comentário ao tema "perdidos no Hi5, faz agora muito tempo)
 
HI5 vs LP vs BlogTok

Conto às vezes

 
Ás vezes conto um poema
para não contar histórias
De contos à conta de temas
De poemas ás memórias

Vou do milionésimo supra nada
Ao ínfimo ano-luz do nado
Conto e reconto fado a fada
A cantar um conto passado

E o conto feito poesia
Conta o conto do sentir
Com tal amor e sabedoria
Que nos conta o porvir

Um poema é sempre conto
De mensagem e bem dizer
Contado pelo poeta tonto
Nalgumas palavras a doer

Poema dedicatória aos companheiros de armas:

Zé Torres e Flávio que muito me (nos) tem contado.
 
Conto às vezes

Luso in-solente 2/7

 
Luso in-solente
Coerência incoerente
Decência indecente
Futuro in presente
Constantemente!

***
Uma carta de despedida.
Despeço-me desta feira das vaidades visto que isto não passa de um antro onde meia dúzia de vaidosos se pavoneiam e onde uma maioria é usada, abusada e desprezada.

(Continuação)

http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=63422
 
Luso in-solente 2/7

Portugal ao contrário

 
Como se pode começar
Aquilo que já acabou
Como se pode acabar
Aquilo que não começou
Triste fado o fado nosso
O fado de um povo triste
Que nem a rezar pai-nosso
Evita este alegre despiste
O de ser ex-povo poeta
Porque virou nobre pateta

Ó meu querido Portugal
Que me dás o dia inteiro
A possibilidade de funeral
E todos os dias de nevoeiro
De afonsos sem qualquer dom
Sem segundos nem penúltimos
Porque agora sobes o tom
De sermos os primeiros dos últimos
Como cantar então a tua glória
Se só na derrota cantas vitória

Deste destino não me livro
De tanto bruxedo e feitiçaria
Narro-te em trovas de um livro
Porque é negra a tua magia
Desfeito dos teus feitos heróicos
Que te dilataram a fé e o império
Agora um punhado de paranóicos
Armados em heróis a sério
Cambada de panascos importantes
Que além do mais são praticantes

Já não acredito em querer
Que um dia vá acreditar
Na fé desse grande crer
Que me possas salvar
E me faças outra vez de novo
Filho de gente que sente
Gente de gente, gente do povo
Do povo de nação valente
E agora vai pior que mal
Numa estupidez imortal

Onde raio estão nossos irmãos
Para onde fugiram nossos amores
A quem dar as nossas mãos
Num país de desertores
Viraram-se todos ao contrário
Fugindo apressados à realidade
Montados neste triste cenário
Sem esperança na saudade
E do amigo ficou o esboço
Do inimigo a apertar o pescoço

Ó Portugal da mensagem
Já sem rosto de Pessoa
De Camões sem linhagem
Sem Porto e sem Lisboa
Virou fantasma o Viriato
Sebastião um morto-vivo
O teu povo no estrelato
Tua pátria um nado-vivo
E já nem o velho do restelo
Te idolatra como camelo

Foste castelos de tantas quinas
De reis e governantes além-mar
E agora hipotecas as salinas
Porque te esquivas ao teu mar
Foste o senhor de tanta guerra
Em busca do além-mundo
E agora enterras a tua terra
Enterrando o machado bem fundo
Que será de ti ó Portugal
Que só de besta se faz bestial

Reina e impera a estupidez
Governa a avidez e a ganância
E de olhos fechados tu não vês
Que a tua prol é ignorância
Que a votar não vota bem
Que a não votar vota mal
Porque o voto vota alguém
Que não te vota Portugal
São votos brancos, votos de chulos
São tudo votos, votos nulos

Canto-te assim o fim do império
Numa poesia de raiva e dor
Que te prova muito a sério
O tanto de tão pouco amor
E que te vê a desmaiar
Em queda tornada coma
Num hospício a tratar
E à venda na vandôma
A Europa desfigura-te o rosto
E o teu vinho sabe a mosto

Ó Portugal moribundo
A afogar-se à beira-mar
Destes mundos ao mundo
Sem o mundo nada te dar
Vais agora de vento em popa
Rumo à morte com certeza
Das migalhas fazes a sopa
Restos cozidos-à-portuguesa
Eis Portugal ao inverso
Lagutrop do meu verso



JSL
 
Portugal ao contrário

Luso do-ente

 
Luso do-ente
Ente que não sente
Verdade que mente
O caos seu agente
Tristemente!

Luso in-solente
Coerência incoerente
Decência indecente
Futuro in presente
Constantemente!

Luso de-mente
Traseira na frente
Fechadura sem pente
Problema pendente
Evidentemente!

Luso de-cadente
Cegueira evidente
Cobardia de valente
De cavalo sem dente
Naturalmente!

Luso ca-rente
Prosador maldizente
Fervura a quente
Pobre indigente
Eternamente!

Luso in-decente
Na mentira não mente
Na verdade proeminente
Sem alma de gente
Infelizmente!

PS.: Qualquer semelhança com ...(já vi isto escrito em qualquer lado)

Poema de dedicado à decadência lusitana ...
Para entendimento completo:
www.gov.blogtok.com
 
Luso do-ente

Luso ca-rente 5/7

 
Luso ca-rente
Prosador maldizente
Fervura a quente
Pobre indigente
Eternamente!

***
Uma carta de despedida.
Despeço-me desta feira das vaidades visto que isto não passa de um antro onde meia dúzia de vaidosos se pavoneiam e onde uma maioria é usada, abusada e desprezada.

(Continuação)
Amanhã: revelação final
http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=63422

http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=63492

http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=63638

http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=63726
 
Luso ca-rente 5/7

Ódio é ...

 
Ódio é água que molha sem molhar
é cegueira que enxerga mas não se vê
é uma felicidade de um infeliz porquê
é prazer em dor por não poder amar

É um querer muito o que não se quer
é ficar só por não ganhar o coração
é negar o bater sentido do querer
é ganhar nada por perder a razão

É desejar um desejo indesejado
é servir um prato frio de sal e sódio
é ser odioso por não ter amado

Mas como pode causar lugar no pódio
de um fado tão triste e malfadado
se tão semelhante a si é esse ódio?
 
Ódio é ...

Um poema de merda;

 
Um poema de merda;

Nuns míseros Passos
Matei duas cajadadas com um só Coelho
Trespassei Portas arruinadas
Vi o fantasma do Albuquerque a roubar
Num Jornal sem Machete
Aguiar um Submarino Branco
Enquanto Macedo ardia
Justamente pregado na Cruz
Que o Guedes parlamentará
Se Apoiares num voto Maduro
Num café sem Pires com sabor a Lima
Quando te LIXEI por não ser Silva
E querias PLANTAR as Cristas
Mais cedo ou Macedo?
Crato por estudar e não aprender
Vai de Mota Soares.

ps: Rapsódia com nomes dos ilustres ministros do desgoverno de Portugal.
 
Um poema de merda;

Ode ao Luso

 
A caravana ladra e os cães passam
E a rota é um destino que não alcançam
As feras atacam e amordaçam
E as bestas em frenesim dançam

Dizem-se poetas e até prosadores
Mas até o mais iletrado dos seres
Comparado com tais "pensadores"
Vive num mundo de puros dizeres

Há verbos para amar e para odiar
Mas não há palavras para descrever
Aqueles que só sabem presentear
Outros que mal sabem escrever

Existe um verbo tão singular
Para reconhecer num simples gesto
Qual simples e puro manifesto
O de saber gratidão mostrar
 
Ode ao Luso

Luso JSL (auto-retrato) 7/7 - FIM

 
Auto-Retrato

Luso do-ente
Luso in-solente
Luso de-mente
Luso de-cadente
Luso ca-rente
Luso in-decente

Eis a minha derradeira participação neste site.

Apresento o meu auto-retrato, explicado:

1 - Luso do-ente?
Quem mais do ente que a minha própria poesia.
(O homem antes de ser o ente do ser é o ser do-ente)
E até a melhor homenagem alguma vez feita: os blogs do Zé Torres:

oserdoente e o entedoser

2 - Luso in-solente?

Completamente mergulhado o meu ser porque quem assim me tomou.

in.so.len.te

1. (Desusado) insólito
2. falta de respeito
* insolente em último grau
3. arrogante, orgulhoso, impertinente
* ar insolente
4. grosseiro nos gestos, nas palavras ou nas ações; malcriado

Mas eu escrevi in-solente. A partir daqui, aquilo porque fui tomado.

3 - Luso de-mente?

Sou de mente e acredito que a mente mente

4 - Luso de-cadente?

Isso. Assim fui cadente porque com tanto empurrão quem se aguenta em pé?

5 - Luso ca-rente?

Será alguém mais carente do que um poeta? Com o mundo assim carecemos de tudo e sobretudo de respeito e gratidão que foi coisa que existiu sempre na casa do vizinho, na tal rua onde vos encontrarei eternamente.

6 - Luso in-decente?

Completamente, mas como digo escrevi
in-decente porque indecentes foram aqueles que não souberam acarinhar tantas pessoas que por aqui andam e outras que já partiram.

7 - Luso JSL

E assim termino aqui a minha ajuda sem igual a este site que tão infantilmente em vez de retirar de mim o meu melhor, achincalharam até ao ponto de magoar bem fundo.

Algumas e todas as razões:

- Nunca um link foi feito para trabalhos na Internet em prol da poesia (pela marca LP)

Desde o site da comunidade www.lusopoemas.blogtok.com até tantos outros que se ligam ao LP

- Escolhido como moderador de secção de links fui literalmente expulso sem uma única palavra de apreço

- Quando invoquei uma nova tese de governar e uma tese para uma nova ortografia só faltou exibirem um falo ou fazer aquele gesto do nosso Zé Povinho
(Obrigado puto, mas aí fostes mesmo insolente)

- Quando menos esperava fui acusado pela Administração que andava a abusar do site. Pois sim, mas fiquem sabendo que nunca mais abusarei do mesmo. Essa foi de uma trenguice à qual me faltam palavras para descrever.

- Tantas sugestões dei e quase todas caíram em saco roto.

- Fizerem-se concursos completamente viciados, quando poderiam ser concursos exemplares, a todos os níveis. Até parecem brincadeiras de putos mimados a brincarem ao xico-esperto.

- Para Luso do mês não se elegem dois tipos:

- Os que já foram nomeados
- A minha pessoa.

Porquê?

A resposta é simples: para quê nomear para o Luso do Mês alguém que nem lugar na Antologia teve.

Daí que lhe chame com toda o direito de anti-logia.

Reparei que a mesma não convidou tantos e tão excelentes poetas que me recuso a nomear,

Poeta! Sabes bem a quem me refiro.

E não me venham com histórias que foi a "chancela", porque esse não lembra ao menino Jesus.

Contribui para este site em palavras, ideias e projectos como ninguém, por isso deixo vem clara a minha total indignação, pela forma ingrata que fui tratado pelos "moderadores-mor" desta casa. Graças a Deus que os poetas souberam bem lidar comigo nas boas e más horas.

Por último quero repudiar a falsa demissão da administração que afinal, ao que tudo indica, continua a ditar os destinos deste site.

Existe uma administração fantasma em vez de uma administração aberta e transparente, eleita por todos.

Que exemplo de democracia e logo eu que voo outros mundos.

Não deixo de considerar este site como um excelente projecto, apesar das vicissitudes. Acho que em última instância é um bom Chat, como ponto de partida para a nossa experiência futura com as coisas da Net, mas que peca por ser isento e verdadeiro no seu todo.

Pensaram que o luso-doente era um insulto quando na verdade é a minha última morte. Morri mas não como fim, mas como metamorfose que sempre me transforma num outro ser mais maduro e mais verdadeiro.

Era Luso do-ente, hoje sou Luso do Ente. Obrigado a todos que a bem ou a mal, me curaram desta fase, que pensava ser justa quando na verdade existem realidades que me chamam para novos voos e para conhecer novos mundos.

Desculpem qualquer coisinha e obrigado por todas as coisas.

O poeta é um abusador
Abusa tão elegantemente
Que chega a ser o acusador
Da acusação de toda a gente.

PS.: Não me importo que me nomeiem como o Luso do Ano porque afinal pergunto:

O que é o Luso do Ano?

Será que o mesmo já foi escolhido? E por quem e sob que bandeira?

E assim mudo, de armas e bagagens, para a Rua que mora em ti.

Hoje e sempre

J

http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=63422

http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=63492

http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=63638

http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=63726

http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=63839

http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=63926

FIM
 
Luso JSL (auto-retrato) 7/7 - FIM

Musical

 
Musical
 
M orte de poeta é um DÓ
U ma poetisa na vida é RÉ
S eres que habitam em MI
I nfortúnio de um FÁ
C omo fá de um outro SOL
A mando assim eu LÁ
L evito em SI

pinturas "3D" do amigo:

www.yoko.blogtok.com
 
Musical

Soneto Filho da Puta

 
Eu sou um soneto filho da puta que o pariu
O meu pai é um poeta cheio de mil manias
Minha mãe, mulher da vida a dar o piupiu
Eu sou um poema castrado todos os dias.

E meus irmãos e irmãs filhos da puta são
Afinal quem não é filho de boa gente!
Pode ser filho da puta e filho de um cabrão
Filho do fruto de um amor que não se sente.

E se sou um soneto vivo e sentido
Que dizer de tal poema tipo aborto
Que me faz sentir mais vivo que morto

Se sou filho de um pai poeta vendido
E de uma filha da noite que me deu à luz
Serei um dia um famoso lambe cus.
 
Soneto Filho da Puta

Luso de-mente 3/7

 
Luso de-mente
Traseira na frente
Fechadura sem pente
Problema pendente
Evidentemente!

***
Uma carta de despedida.
Despeço-me desta feira das vaidades visto que isto não passa de um antro onde meia dúzia de vaidosos se pavoneiam e onde uma maioria é usada, abusada e desprezada.

(Continuação)

http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=63422

http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=63492
 
Luso de-mente 3/7

Um conto que é romance

 
Vou escrever algo:

Quando quero escrever um conto sai um poema, quando quero um poema sai um pensamento, quando quero um pensamento sai uma palavra
e as silabas são sempre todas, á letra. Por isso vou escrever um romance, uma história de desamores de amores no singular . Esta história ao contrário das histórias verdadeiras é mais verdadeira ainda, porque os personagens eram mesmo um só.

Não era uma vez...penso que foram vezes uma muitas vezes (Voltem atrás e leiam direito)

e para que não me passem uma rasteira nesta história ...foram vezes uma muitas vezes.

Uma dessas vezes, quando era pequenino (ainda o sou, só que agora excito-me com coisas tipo parênteses fecham parênteses, ao quadrado)
Quando falam, falam sempre do passado, recordam-se histórias, sempre saudosistas como se a saudade não fosse dor, sim saudade é o que não é.
Falo do futuro para dizer.: no futuro quero esse passado.

Ele era o mario, sem acento (que isto dos correctores já não são como antigamente), ela era a maria, simplesmente. Simplesmente maria.
Os dois juntos em cima um do outro davam meio. Meio que foi o seu viver na venda de brinquedos, dos tempos em que os brinquedos falavam.
Meio de vida para disfarçar as desgraças que são mesmo a anti-tese de todas as graças. A sua graça era mario a sua desgraça era maria,
como diz o provérbio, era versa vice.

E os dois juntos, um em cima do outro, em qualquer posição, mesmo que na cama sutra, davam meio. Viviam da venda de tráfico de brinquedos.
Eram heróis malditos porque o amor que os unia ( como se amor pudesse ser outra coisa) não lhes dava réstia para verem que no mundo ao lado
do seu universo viviam seres traquinas e galáticos, as crianças. E eu era galáctico como ainda o sou, traquino.

Lembro-me que tinham forte concorrência, porque o Barbosa mesmo sem estar em cima de ninguém e isento de cama-sutras, era grande, aliás
(perdoem-se esta expressão complicada e os parênteses da minha invocação sempre a fecharem-se sobre nós mesmos). Nós mesmos, pleonasmo
absoluto porque nós somos sempre os mesmos, nunca outros nós. Como estava a dizer o Barbosa era grande, isto é, era maior do que si mesmo, e
como se não bastasse essa concorrência ao mario e à maria, também vendia brinquedos. Só que o Barbosa, como era enorme e tinha um coração maior
que o mario e a maria, que eram pequenos, conseguia a proeza de vender brinquedos a si mesmo. Ora, em boa hora vos conto neste romance, que o mario tinha um coração maior do que o seu minúsculo quintal, onde fanava-mos a fruta do nosso contentamento, em linguagem antiga e salazarenta o mata-fome, mesmo com verde fruta, porque há fruta verde que é madura (perguntem ao Adão ou á Eva). Agora vou escrever aquele bocadinho que se inventa roubando á imaginação, a maior das verdades.
O Barbosa que era gigante, não sei porquê, zangou-se com a maria por causa de um olhar atrevido de gigante que lançou ao mario ... e porquê?

Ora a história dos ciúmes não é para aqui chamada porque o Barbosa tinha um coração pequeno, mas bem maior que o quintal minúsculo do mario e da maria, tal era o tamanho da desporpoção da grandeza das suas ideias bem maiores que o seu corpo ciclopado. O Barbosa era maior do que o mais pequeno dos mundos.
Como naquela altura a concorrência apertava porque ninguém fazia compras, ambos, Barbosa e mario e maria tinham um problema, os catraios assaltavam-lhes os quintais para lhes roubar a fruta verde, esgotada na fome. E um dia tipo era uma vez...

O mario, que era o homem da causa sem u, mandado pela sua minhota esposa (interrompi o conto para escrever no msn: acabei de jantar e o aperitivo é um conto ..envio-te depois)...
Como já tinha uma expressão estudada para este conto que é um romance), escrevo:
Ah onde é que eu ía. E há quem diga, não é onde, é aonde.

Estava eu com o Barbosa a contempla-lo e ele, mestre da bondade de, dizia-me que o meu pai iria comprar aquele blindado que não era um avião mas voava e até voava com fumo invisível.
Fixe. Estava eu muito fixe e o Barbosa também. Naquele tempo toda a gente sabe que o tabaco era caro e ganhar o valor de alguns volumes era negócio. Hoje há quem chinoca isso e tem lugar até, se aceitar um, recebe outro por cima. Coisas que por um pouco a culpa é da Internet. Causa de parênteses... e correctores.

Claro, claro o mario era assim, pegava numa espingarda brinquedo e dava tiros a sério, foguetados. Nunca em toda a minha vida um foguete que ainda me assusta, medava-me tanto (esta palavra não é conhecida pelo corrector do sistema). O foguete agora merda-me. E estava ele, o mario, aos tiros e como a espingarda não era tão "redbull dou-te asas) não tinha áudio. Era desprovida de som e vai o mario, mais sabedor disso do que ele próprio, enganava-se imitando com a boca o troar de canhões dizendo e soprando: pluf, pluf .pluf..porque era pequenino. E nós fugíamos em debandada. Um dia Barbosa apareceu, dizem a passar na rua como sempre e passando alguns meses, muito tempo depois de mario e maria deixarem de aparecer. A escola que morava perto deles era boa vizinha, mas de verão lá ía ela de férias e vai que ninguém, se apercebeu que o mario e a maria tinham morrido. Dizem inclusivé: estão mortos, irremediavelmente mortos. Algum intelectual fora buscar esta expressão ao fio da navalha e vai daí convenceu toda a gente. Pelo sim pelo não e também pelo cheiro, vice-versa e nauseabundo. Eles cheiravam mesmo mal, cheiravam mais mal do que cães mortos. Tinham morrido e como tal, normalmente ninguém acreditava. Então para o povo os brinquedos eram eternos, e para os gentios o mario a a maria eram dois brinquedos que, juntos não davam meio e como se isso não fosse pouco tinham morrido. Lá estava o Barbosa na história, sem saber ler e escrever e era grande e como se isso não bastasse tinha-lhe saído a sorte grande: acabara-se a concorrência e mesmo que ninguém comprasse ( e não compravam porque quem mandava era um tal de Salazar, e o homem era à justa. Depois, muito lentamente veio a novidade: Primeiro morreu um, depois morreu outro. Jaziam na tal sutra abraçados na cama. "Estás a brincar" diziam todos. Não morreu mesmo. Mas quem? Os dois? O mario primeiro, a maria ...que se passou? Então, desprovida da verdade, a bisbilhotice (outro pleonasmo) inventou mais do que história com H. Hoje num outro conto sei que um morreu primeiro que o outro. Mas quem foi primeiro? Foi certamente um e outro porque estavam lá. A mario ou o mario morreu e o mario ou a maria morreu também. Dizem, um primeiro e o outro pelo primeiro. mario não é a história de quem morre primeiro e maria primeiro não morre. O Barbosa por um pouco não morria primeiro e só porque o neto vivia com ele e morreu-lhe antes. (porque se alistou ao longe). Barbosa era o único que tinha razão porque acabara de perder os seus brinquedos mais lindos que eram reais ( o mario e a maria). Morreu. Despediu-se dos brinquedos e foi-se com ele, para saber primeiro que todos, quem morreu primeiro: se o ovo ou a galinha.

Esta história tem um atributo meio singular. É quase muitas vezes verdadeira. Ainda hoje quero essa espingarda brinquedo a disparar tiros a sério, que com elegância matam o atirador de amores. O mario e a maria morreram e viveram um para o outro. Tal conto de fadas, e o Barbosa, sem saber ler e escrever.
 
Um conto que é romance

Luso de-cadente 4/7

 
Luso de-cadente
Cegueira evidente
Cobardia de valente
De cavalo sem dente
Naturalmente!

***
Uma carta de despedida.
Despeço-me desta feira das vaidades visto que isto não passa de um antro onde meia dúzia de vaidosos se pavoneiam e onde uma maioria é usada, abusada e desprezada.

(Continuação)

http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=63422

http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=63492

http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=63638
 
Luso de-cadente 4/7

Assentei praça ao largo da fantasia

 
Assentei praça ao largo da fantasia
Alarguei horizontes na linha da saudade
Alegrei a alma longe da praça da alegria
Sempre em vielas a marchar além da verdade

Cantei o fado do dó e do ré até ao mi
E ao destino entreguei a aventura da vida
Procurei o amigo na rua que mora em ti
E encontrei-o na hora mais querida

Fui ao rio fui ao mar fui e voltei
Encontrei-te num pensamento de eleição
E para sempre a imagem recordarei
De me perder ao encontro da ilusão.
 
Assentei praça ao largo da fantasia

Dó-Ré-Mi-Fa-Sol-Lá-Si

 
Na morte o poeta é um DÓ
A poetisa é uma RÉ
Quem será então MI?
Da vida o poeta é FÁ
Fá de um outro SOL
E assim ele LÁ
Dói em SI

...
PS.: Um anti-acróstico ou simplesmente em Árabe
 
Dó-Ré-Mi-Fa-Sol-Lá-Si

Marta semidigitígrada

 
Vai airosa como um raio que mata
O tesão nas tetinhas tão firmes
Que o mais guloso olhar farta
Por sentir prazeres tão sublimes

Busca carne e leite a boa Marta
Exibindo o pelo tão luxuoso
Sempre mais gulosa vai à cata
De um potencial merecido esposo

Encontra um numa esquina
Dois ou três no meio da rua
Quatro ou cinco mais além

Com um pelotão vai a menina
Tão formosa tão boa tão nua
E não vai com mais ninguém.
 
Marta semidigitígrada

Luso in-decente 6/7

 
Luso in-decente
Na mentira não mente
Na verdade proeminente
Sem alma de gente
Infelizmente!

***
Uma carta de despedida.
Despeço-me desta feira das vaidades visto que isto não passa de um antro onde meia dúzia de vaidosos se pavoneiam e onde uma maioria é usada, abusada e desprezada.

Afinal havia outra. Não é este o poema final porque já conhecem. É surpresa, como tal falta um. Agradeço reservem vossos comentários para poema final. A minha praxis não foi aceite conforme desejava, e como não pretendo que me acusem, fico duplamente satisfeito de sair, uma vez que isso não significa que não vos leia ou que deixe de poder partilhar as mensagens poéticas que desejamos difundir.

Mote para o Poema final ...

O poeta é um abusador
Abusa tão elegantemente
Que chega a ser o acusador
Da acusação de toda a gente.

Até ao 7º - Revelação final.

Desejo de óptimo encontro (apesar da anti-logia) e que ganhem juízo e voltem à administração.

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Luso in-decente 6/7

O homem antes de ser o ente do ser é o ser do-ente

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