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Entrevista com Isidro Iturat

 
Tags:  poesia    poeta    soneto    indriso  
 
Entrevista com Isidro Iturat, escritor espanhol, criador da nova modalidade poética, indriso:


1. Isidro, nos conte como começou sua experiência como escritor. Com que idade foi e qual foi seu primeiro poema?

O meu primeiro poema foi intitulado El final, e descrevia um apocalipse com os infernos engolindo a toda a humanidade. Foi em 1991, tinha 18 anos e com ele iniciou-se uma primeira etapa de criação em verso livre com predomínio da temática niilista. Depois, em 1998, ao começar os meus estudos de Letras Espanholas na Universidad Autónoma de Barcelona, teve início o que poderíamos chamar de uma segunda etapa, na qual comecei a sentir um grande interesse pela métrica regular, pela música aplicada à palavra, e também começaram a predominar os poemas eróticos e amorosos. Porém, tenho que dizer que, como fizeram o padre e o barbeiro no Don Quijote queimando os livros “perigosos” da biblioteca do ilustre fidalgo, também queimei quase tudo destas duas etapas. Alguns poemas, porque os considerei experimentações carentes de uma qualidade aceitável, tanto para mim quanto para mostrá-los para outras pessoas e outros porque representavam uma orientação vital que eu quis deixar para trás, ou pelos dois motivos juntos.


2. Quando e como surgiu a idéia de criar o "indriso"?

Em 2000 deixei Barcelona e fui morar em Madrid, onde permaneci até mudar-me para o Brasil, no ano de 2005. Foi lá, no início de 2001, que surgiu o primeiro indriso. Na verdade, não surgiu como resultado da vontade de criar nada, apenas se deu espontaneamente. Quando eu penso em poesia, visualizo as coisas na minha cabeça. Surgiu em um momento em que meditava sobre o soneto, e, em um determinado instante, vi as estrofes da figura clássica condensar-se desde o padrão 4-4-3-3 para o 3-3-1-1. Pouco tempo depois escrevi o primeiro poema, Luna menguante, não tendo muita certeza se aquela forma seria uma coisa que valeria a pena trabalhar, mas fui em frente e os resultados têm sido o que, pelo menos pessoalmente, considero até hoje uma preciosa experiência poética.


3. Você tem algum indriso preferido, algum que te chame mais atenção, entre todos os que você compôs?

Pergunta difícil, mas se eu digo um título sem pensar, poderia citar -para dizer algo concreto- o poema Retrato de interior en verso: mujer desnuda apoyada en la ventana. Ao tentar explicar o porquê, duvido que eu possa dar uma resposta muito lógica. Pode ser por causa da ressonância específica dos versos, porque essa mulher nua na janela é um arquétipo que dirige o seu sopro para alguma caverna interior... quem sabe?


4. Qual a importância do "indriso" para a poesia?

Penso que, como acontece com qualquer obra, a importância do indriso será a que os leitores e os outros criadores queiram lhe conceder. Quando eu o ofereço, estou apresentando simplesmente mais um código de expressão que, para o leitor, poderia ser algo assim como escutar um tipo de som diferente e para o autor, seria mais uma ferramenta de criação.


5. Qual o recado que você gostaria de passar para os escritores brasileiros que estão começando a escrever indrisos?

Na hora de escrever, recomendaria que não tenham medo de brincar, que experimentem na medida do possível os códigos, as combinações, os recursos da linguagem... Adorarei ver o que eles conquistam por conta própria. Mas, com referência a qualquer proposta que eu faça, vale a pena lembrar daquele antigo conselho: Examinem tudo e retende o que for bom.


6. Nos fale um pouco de você. Isidro, por Isidro.

Dias atrás, achava-me na febre de preparar a última atualização da minha página web, quando sonhei uma coisa que penso que poderia dar uma definição adequada de quem é Isidro Iturat, pelo menos em relação ao trabalho que estou realizando com a literatura: Nele, eu tinha deixado um emprego para virar vendedor ambulante. Eu me vi em uma praça pública vendendo maçãs daquelas que tem uma cobertura de caramelo vermelha, e eram feitas por mim. E chegava um estudante e levava uma, e um casal, e levava duas... Parece que, ao fim e ao cabo, é isso o que eu sou: alguém que vende maçãs na rua.






Cláudia Banegas

 
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Cláudia Banegas
 
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