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Dentro de nós,

 
Tags:  Dentro de nós  
 
Premiada com o segundo lugar pela Casa da Cultura de Paranhos no dia dos namorados de 2015



Questiono os gestos mais simples e, é com essa simplicidade que espero fugir aos demais enganos dos mortais, por isso, decidi escrever-te esta carta, amor. Interrogo-me se não bastaria uma única palavra para resumir este papel, mas, as palavras vestem-se de nós como as sementeiras e, os girassóis procuram na luz mais intensa este amor que só é possível descrever diante dos teus olhos. Aquilo que existe dentro de mim, existe dentro de ti também, faz-nos girar, as palavras resumem-se às noites metafóricas cheias de sóis em movimento, como dois rostos imperfeitos, escondidos atrás de um flash de néon com um único desejo, alcançar um mar dentro do outro.
Podemos ser tudo o que quisermos neste habitat de algas em repouso, o meu corpo já é o teu corpo onde descansa a ondulação de todos os meus medos, adivinho-te cada poro de ternura, cada cabelo solto, cada manhã de insónias e, na dor que abraçamos juntos quando o farol se apaga. Qualquer pretérito será mais-que-perfeito, mesmo que nessa perfeição a imperfeição seja uma constante a cortar-nos a pele e, quantas palavras só são percetíveis quando nos atravessam a carne. Despimo-nos do moralismo dos anfitriões que condenam à incompreensão este amor que é tão nosso, talvez a luz do farol se acenda e possamos regressar desses mares que são só um.
Dentro de nós, existe a palavra mais rara, a vontade de crescer, a vontade de viver, existe em simultâneo em todas as partes, mesmo onde o mundo acaba e começa. Escuta, amor, o quão é frágil a solidez das rochas, as lezírias perfumadas e, os cometas que trespassam o nosso olhar sem que os vejamos, mas, a teu lado, qualquer sitio, qualquer força da natureza desfalece, porque o vento que sopra dentro de mim, é o mesmo que sopra dentro de ti e, que inseparavelmente, permanecerá no vento todo dentro desta hipérbole onde a incerteza se escreve sobre o infinito de nós.


Abraço-te neste nosso abraço
Conceição Bernardino


A coragem é a primeira das qualidades humanas porque garante todas as outras.
Aristóteles

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@cartascemremetente

 
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Conceição Bernardino
 
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Enviado por Tópico
Nininha
Publicado: 15/10/2016 23:25  Atualizado: 15/10/2016 23:25
Colaborador
Usuário desde: 14/04/2016
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Mensagens: 1717
 Re: Dentro de nós, P/ Conceição Bernardino
Olá Conceição;

Gostei imenso desta carta! Parabéns

Um abraço

Enviado por Tópico
Jerenino
Publicado: 16/10/2016 04:50  Atualizado: 16/10/2016 04:52
Da casa!
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Mensagens: 475
 Re: Dentro de nós,
Quase pensei que a carta era pra mim
Muito inspiradora
Amei bjs amiga poetisa

Enviado por Tópico
Migueljaco
Publicado: 18/10/2016 14:56  Atualizado: 18/10/2016 14:56
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Localidade: Taubaté SP
Mensagens: 9249
 Re: Dentro de nós,
Bom dia Conceição, primeiro quero pontuar que este site padece de virtuosa ausência quando te afastas deste universo literário, vejo em ti uma das melhores semeadoras de poesia deste reduto.

Teus versos nos evidenciam que uma relação a dois é construída pelas virtudes, e desalentos, e que ambos devem serem sopesadas em justa medida para não nos perdermos nas euforias, nem anaufragarmos nos desenganos, parabéns pelo teu virtuoso poema aos enamorados.

Parabéns pela segunda colocação neste concurso, fostes vencedora diante de tantas outras pessoas com esta mesma pretensão.
um abraço, MJ.

Enviado por Tópico
visitante
Publicado: 18/10/2016 15:45  Atualizado: 18/10/2016 15:45
 Re: Dentro de nós,
Dentro de nós,

Dão-se casos de vidas serem validadas
Por nós-outros, como que por acaso,
Conhecemos ao caso todas as coisas
Que logo dependem de nós, nem saberíamos

O que eram, caso deixassem de ser,
Nem descobrir sob a casca da realidade,
O tal lume, donde se extrai a fantasia
Que pode ficar escondida o tempo todo,

Por indiferença uns aos outros ou então
Por negligência de mau atleta ou estafeta
Pouco Olímpico. Dá-se o caso da vida
Ser imperecível, nos que a desdobram

Sob a pele e o motivo do outro, afirmam
Alto e bom som, da vontade de sermos
Unidos nos momentos felizes ou difíceis.
O que me inquieta é o que não dou conta

Que existe e o que faz com que não saiba
Ou sinta eu, que possa não reinventar o sonho
Dez mil milhões de vezes ou mais,
Sem ser demais o que somamos dentro

De nós, d’outros.

Jorge Santos (24/03/2015)