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Poemas : 

Sobre os dois passos e o morrer ante o Paraíso

 
Desde os primeiros passos até tantos deles aos centos, cadenciados se vão,
permeados de transpiração arfante,
mas é a indecisão que marca todos os movimentos,
e qual o suor a fluir da pele é sensação inebriante.
Não posso ser quem quero,
nem de plano ter ao que aspiro,
mas... por Deus...
posso se muito sonhar com o caminho.
Penso que talvez tenha sido vingança,
cogito num suspiro, teria sido brincadeira de mau gosto,
teu querer um gesto mesquinho.
Tudo começou de forma tímida, fui a flor, eras o colibri, então...
deixei-me perseguir como a corça assustada, despertando toda a cobiça do caçador em ti,
e de repente, fui pela paixão tão cega devastada.
E o desejo deixou o reduto acorrentado da razão,
realizou-se em veludos e cetins de alcovas furtivas,
de tantos gozos plenos acalentado até pela antevisão,
as culpas afastadas entre gemidos e íntimas assertivas.

Sempre me acena à frente a visão do que sou,
o fato consumado, quando me congela o sangue
fazendo-me retomar o pouco juízo,
digo que os passos foram gotas de orvalho ao sol da manhã sublimando,
quando me sinto exangue, quase a morrer a dois passos do Paraíso.

 
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Phalaenopsis
 
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Enviado por Tópico
martisns
Publicado: 18/04/2017 12:52  Atualizado: 18/04/2017 12:52
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Mensagens: 29919
 Re: Sobre os dois passos e o morrer ante o Paraíso
Passos que vão em sentidos onde a dor não se minimiza os instantes que o coração chora a emoção

Enviado por Tópico
Rogério Beça
Publicado: 18/04/2017 16:56  Atualizado: 18/04/2017 16:57
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 Re: Sobre os dois passos e o morrer ante o Paraíso
Tenho de agraciar o teu regresso.
Tens um estilo muito próprio, levemente provocador, mas insistes em escrever bem escrito. Linguagem cuidada, que insinua mais do que expõe. Que apresenta várias metáforas bem pensadas com uma certa melancolia reportada a certos ideais românticos.
"Fui a flor, eras o colibri" um erro de concordância que casa magnificamente. A comparação com a corça e o caçador, não sendo muito original, é mais um marco de como o universal pode ser bem aplicado e servir o teor poético.
A paixão surge de encomenda mas deixa o sujeito poético surpreso. Estranhamente belo esse momento.

A frio (esse constritor dos corpos) entra "o pouco juízo" que apesar de presente ausenta-se.
O paraíso ali tão perto.
Pequenos "dois passos" que nem a temperatura ou a madrugada diminuem...

Obrigado
Bj